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sábado, julho 11, 2020

Educação Sentimental – Amor é tranquila confiança

O que irei escrever aqui não é um julgamento sobre as pessoas que sofreram abusos.

Eu farei um pequena observação sobre criar filhos, disparada pelo anúncio de que o terceiro escolhido pra ministro da educação bolsonarista tem como estratégia didática a dor, ou sem eufemismos: covardemente torturar indefesos, uma pedagogia Ustra.

Temo só de pensar quem determinará os limites das violações sobre as crianças. Alguém como o pai do menino Bernardo? – Veja em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Bernardo_Boldrini.

Em meu universo de convivência – que é circulando entre algumas bolhas bem distintas – eu vi pessoas seguras e bem resolvidas emocionalmente. Estas pessoas, via de regra, vinham de famílias onde o respeito mútuo é prática banal. Aliada a um fluxo livre de afeto e proteção. E, mais uma vez, a proteção jamais viola os limites do respeito. Darei exemplos mais adiante aqui no texto.
Nestas famílias não se usa a dor, o medo e a violência como forma de educar. Há constância no cuidado. É previsível para a criança que elas achará segurança emocional e física, mesmo quando errar, as muitas vezes que precisará errar, pra aprender.
Não se usa o erro/acerto como moeda de troca pra o amor dos pais. O medo, no caso, é ligado a consequência real do erro, e não a uma punição que inibe novos aprendizados.

Eu vi pessoas inseguras, reativas, muito mal resolvidas emocionalmente. Aqui, o comum é ter vindo de uma família onde a violação de limites, a violência física e moral (humilhar, culpar, chantagem emocional, abandono e negação das necessidades) é a regra. Os filhos são cobrados como que devendo às vontades dos pais, e ensinados a não focarem no que eles realmente querem, ao ponto de sequer terem a chance de entrar em contato com os próprios sentimentos. Ou viram apáticos, ou abusadores (dois lados da mesma moeda de quem teve o ego detonado em família).
Os pais e professores que educam violando uma criança, estão ensinando a ela que é "bom" violar e o que é mais trágico: que Amor tem cara de dor, solidão moral, medo e agressão.
Imagina então o que será a vida pessoal e profissional deste cidadão. Imagina que tipo de político ele votará pra cuidar de seus direitos, se esse cidadão sequer aprendeu que tem direito natural a estar bem, em paz e sem medo?

E eu vi algo que me dá arrepios (bons) só que pensar aqui. Vi pessoas que apesar de terem sobrevivido a uma rotina de extremo abuso, dor e violações em sua infância, conseguiram os meios de compreender o que estava acontecendo, e se reconstruir, se tornando, sem dúvida, pessoas mais que especiais: pessoas que tendo sofrido os piores danos, hoje se tornaram muito sensíveis e conscientes das fragilidades humanas e de como podemos e devemos respeitá-las e protege-las. Tenho amigas e amigos assim. E como os amo e admiro. Tento ser como elas e eles, dentro de meus limites que são modestos.

Tenho um profundo amor por estas pessoas – tendo superado ou não.

E como prometi lá no topo, exemplos, ainda "leves" de violações de limites na educação das crianças:

– ler seu diário / mensagens privadas / invadir sua privacidade
– forçar a barra pra que se vista e use cabelo de acordo com o gosto dos cuidadores (deixe o punk/emo/que seja, em paz!)
– não respeitar os interesses, curiosidades, escolhas pessoais, fazendo piada, desmerecendo

Tem mais. Mas agora vou colocar aqui exemplos de boas práticas:

– unir discurso e prática. Dê o exemplo do que considera legal aplicando. Quer que estudem? Seja estudioso, e se essa não é sua prática, seja dedicado aquilo de bom que vc faz: seu trabalho, seu projeto, suas amizades, seu cuidado pessoal com alimentação, higiene, organização
– seja atencioso. Pare o que está fazendo e escute a criança, ajude, e se não puder ajudar por estar acima de seus poderes, seja claro e honesto sobre isso também, e busque a melhor forma de resolver. Gosto do lema: "façamos o melhor possível com aquilo que temos"
– seja aberto pra conhecer o universo das vivências delas. Que artistas gostam, seus jogos, amigas e amigos, livros e gibis amados. Garanto que vai se amarrar. Muita arte sensacional é feita hoje em dia. Não seja o chato do: "antigamente era melhor...blábláblá!"Seja o bacana que divide com elas suas referências. A meninada se amarra em bandas dos anos 90, filmes do 80 e HQs dos 60!

Devemos sempre proteger as crianças.
Mas ninguém nasce sabendo.
Podemos aprender,
com calma.

Querem completar com suas ideias?
Como imagina que é a forma ideal de cuidar das crianças?
Quero aprender.



terça-feira, junho 17, 2014

Porque GREVE de professores não funciona (de novo)?

Quase posso ouvir sua resposta: "porque educação não dá lucro", como seria no caso dos petrolheiros, e nem deixa a cidade intransitável, como seria uma greve de motoristas, ou mesmo fedida! Viva os garis!

Mas estamos muito enganados.

Dizer que educação não dá lucro, mostra o quanto deixamo-nos permear pela cultura da política dominante. 
O óbvio é que educação dá lucro. 
Traz riqueza, promove progresso financeiro.

Porém, dependendo de como for gerenciada, ela trará dividendos a uns ou a outros.

Temos um sistema de ensino que no geral não ensina para a Vida. Mas sim para a produção. 
Somos treinados para sermos futuros empregados de alguma empresa. 
Por outro lado, carecemos de receber o tipo de informação essencial que iria beneficiar diretamente, a nós mesmos.
Exemplos, já lhe escuto clamar!

Aqui o primeiro:
Espertamente enfiaram a educação religiosa nas escolas públicas, com a intenção clara de fazer proselitismo para o cristianismo. Ou mais especificamente, o cristianismo evangélico, visto que esta seria a religião dominante entre as professoras. Conseguiu-se modificar para um estudo de todas as religiões, mas na prática isso não teve o menor efeito. Que "todas" seriam estas? E quem, tendo oportunidade de doutrinar os alunos, teria a honestidade de NÃO fazê-lo, e de fato usar esse tempo para desenvolver o senso crítico das crianças ensinando de fato o que é a salada das crenças e como cada uma foi inventada pelas sociedades humanas? 
Vemos então uma iniciativa para, mais uma vez, tornar as crianças em boas ovelhas obedientes. Preparando-as para obedecer, jamais questionar, inserindo-as desde o fundamental na cultura do inquestionável dogmatismo religioso.

O que teria sido o correto?

O CERTO seria colocar nas escolas públicas aulas de CIDANIA  e POLÍTICA, e qual delas? Todas, mas isso já tem nome: FILOSOFIA e SOCIOLOGIA. Onde cada futuro cidadão aprenderia como funciona o sistema, sua origem, quais as alternativas e, principalmente, como PARTICIPAR colaborando para uma sociedade melhor.
O exato oposto do ensino religioso, que é doutrinário, essa aula de Ciência Política ensinaria a questionar, desenvolvendo senso crítico sobre TODOS os aspectos de nossa sociedade, que às vezes estão mesmo errados e precisam ser aperfeiçoados por gente com bom senso desenvolvido.

A greve dos professores não funciona porque estamos permeados de uma ideologia que não quer pensamento crítico embasado.



Vamos para rua pintar asfalto pra saudar a Copa, onde não temos como pagar os ingressos, mas não pintamos as escolas sucateadas de nossos filhos.
Vamos atrás do bloco, mas não nos reunimos nas assembleias com os mestres de nossas crianças e o pior, não movemos os bundões para oferecer o mínimo de apoio, que seria uma chuva de protestos via Internet: pois exigiria o "imenso" esforço de batucar em um tecladinho sebento. 

Vai ver é o Candy Crush (atualizando: grupo de zap de fakenews de extrema direita) que não deixa ter tempo para se preocupar com isso, né?

E já adivinho, daqui a um ano, depois de mais uma greve dos educadores de nossas crianças ter fracassado, essa galera inerte, trollando cada post do Face, com o clássico choramingo: "o que falta nesse país é EDUCAÇÃO!"

Não amiguinho. O que falta é sua PARTICIPAÇÃO.

Então, mexe as falangetas e digita aí na sua timeline:

O QUE FALTA AO BRASIL É A NOSSA PARTICIPAÇÃO!