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quinta-feira, janeiro 02, 2014

Amar o trabalho deve ser um pecado terrível!

Cactus - ilustradores botânicos, em geral, não recebem por seu trabalho, sabia? Estão na fronteira dos dois campos menos valorizados no Brasil: arte e ciência.


Queria saber em que livro de regras está escrito que para receber salário tem de detestar o próprio emprego. Ou que para poder cobrar pelo seu trabalho é necessário encarar este como um sacrifício, algum tipo de ordálio cristão do dia-a-dia.

Sim. Este é meu desabafo contra todos que consideram que trabalhar com arte é algo "tão bom que não tem preço". Que artistas deveriam agradecer pela "oportunidade de aparecerem", e nem uma moedinha a mais, pois, todos sabemos, eles são todos narcisistas galopantes movidos sobretudo aos vapores do ego.

Amigos e amigas que possuem empregos "de verdade": não somos narcisistas. Mas entendo que a maioria de nós seja. E que alguns até exageram. Mas narcisista não significa papa-vento. Mesmo o mais egóico dos criativos precisa se alimentar e pagamos as mesmas contas que vocês. Vejam só: não recebemos luz, água e internet de graça. Todo mês passamos parte do que ganhamos – com nossa arte – para as contas da Light, Cedae e provedores de rede.

E o fato de amarmos o que fazemos é um bônus conquistado às custas de muita coragem e batalha diária. Fazer o que se gosta não é um pecado pelo qual temos de pagar abrindo mão de nossa remuneração.

Está na constituição federal: todo trabalhador tem direito ao seu rendimento.
Não é seu sorriso ou benevolência, ao oferecer "divulgação" que irá tirar nosso direito constitucional.

Essa brotou no canteiro diante de casa.


E é de revirar o estômago quando alguém vem com aquele papo meloso de que os artistas tem de doar sua arte, invariavelmente em eventos onde o buffet que serve as mesas é pago, o transporte dos equipamentos é pago, a iluminação e aluguéis das peças é pago, o aluguel do espaço é pago e, acima de tudo, o organizador papo-melozo é o mais bem pago de tudo isso!

É de dar triplo nojo quando somos convocados para concursos picaretas onde, se nós formos muito, mas muito bons mesmo, ganharemos o incrível "prêmio" de ter nossa arte utilizada indefinidamente sem que recebamos o valor honesto pela nossa criação. Na realidade esses concursinhos são uma forma pilantra de conseguir arte de graça, colocando os artistas em posição mendicante.

Se fulano não tem grana para pagar um profissional de forma séria e honesta, que então vá ele mendigar uma doação a um artista com tempo livre para ajudar. Inverter tudo, fazendo parecer que está a "ajudar a um jovem talento a se provover" é uma tremenda cara-de-pau!

Que tal abrir mão do seu salário de trabalho "detestável" ante de pedir que eu desista do meu?

Ou seja honesto: diga que está pedindo um favor e, quem sabe, fazemos uma troca.

Sério, uma vez um homem pediu-me para lhe fazer ilustrações para um RPG (Role Playing Game, não a ginástica, ok) com a irrecusável oferta de colocar minha assinatura nas artes – ohhh! Lei do Direitos Autorais manda um olá! Fiz uma contraproposta muito melhor: eu faria as imagens e ele faria um mês de faxina em minha casa, cuidaria de meus filhos (levando e trazendo da escola, servindo almoço), me liberando para fazer o trabalho que pedira.

Um mês de faxina e babysitteragem custava bem menos do que o valor das artes que ele me pedia. Não entendi por que ele recusou.

SQN! Entendi que na cabeça dele meu trabalho é "diversão", logo, não merece ser pago. Agora, queria entender em que categoria se encaixa a galhardice dele.

Este texto foi uma forma de lavar a alma de meus amigos, ilustradores, designers, escritores, músicos, roteiristas, produtores, editores, professores, poetas, quadrinistas, cineastas, etc e tais – que amam tanto o que fazem que às vezes esquecem de cobrar.

PS.Gratidão é a maior virtude. Conheça (e compre, livro é o melhor presente) minhas obras como escritora:

LIVROS DE THAIS LINHARES (aqui você vê todos os títulos onde também sou a escritora, mas são mais de cem como ilustradora).

ONDE COMPRAR VOVÓ DRAGÃO – meu livro mais famoso, premiado e adorado por todas as gerações. Já em nova edição ampliada, impressa e ebook. Suas artes foram selecionadas em 2013 para o BIG – Asia, evento que reúne o melhor do conteúdo mundial para crianças e jovens.

PS.2. Aprofunde seu conhecimento sobre esse espinhoso assunto, lendo também:

EFEITO VALA – para quem se engana achando que cobrando migalhas irá fazer carreira;

VALOR DE ARTE ORIGINAL E DOAÇÕES – porque são poucos os que entendem o valor de um original;

CONTRATO DE AUTOR – porque é assim que se comercializa arte;





quinta-feira, outubro 24, 2013

Programa de Bolsas para Artistas UNESCO-Aschberg


A UNESCO lançou o Programa de Bolsas para Artistas UNESCO-Aschberg, edição 2014, destinado a jovens artistas (entre 25 e 35 anos), para enriquecimento pessoal, desenvolvimento de projetos criativos e para capacitação quanto ao engajamento no diálogo relativo à diversidade cultural.

Através desse programa, escritores, músicos e artistas visuais poderão candidatar-se a uma bolsa em uma das instituições listadas a seguir, conforme os campos artísticos delimitados e segundo as datas limites para apresentação de candidaturas:

Criação literária:

Dar al Ma´Mûn (Marrocos) - Data limite: 20 de novembro de 2013
Djerassi Resident Artists Program (EUA) - Data limite: 31 de outubro de 2013
Música:

L’Espace Sobo Badè (Senegal) - Data limite: 8 de novembro de 2013
Virginia Center for the Creative Arts (EUA) - Data limite: 31 de outubro de 2013.
Artes Visuais:
Bundanon Trust (Austrália) - Data limite: 31 de outubro de 2013
Centro Colombo Americano (Colômbia) - Data limite: 18 de novembro de 2013
La Chambre Blanche (Canadá) - Data limite: 3 de novembro de 2013
Dar al Ma´Mûn (Marrocos) - Data limite: 20 de novembro de 2013
Djerassi Resident Artists Program (EUA) - Data limite: 31 de outubro de 2013
Sanskriti Foundation (Índia) - Data limite: 30 de outubro de 2013
UNIDEE - Cittadellarte (Itália) - Data limite: 24 de outubro de 2013.

As candidaturas deverão ser apresentadas diretamente às instituições de interesse do candidato.
Para maiores informações sobre o programa de  bolsas em questão, deve-se acessar o site da UNESCO: www.unesco.org/culture/aschberg.

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Human Resources Management Department

Internal / External:  Closing date: 26 October 2013

Chief, Community Mobilization, Geneva, Switzerland, D1
Department of Rights, Gender, Prevention and Community Mobilization
(Fixed-term appointment)

Link to access the vacancy notice:

terça-feira, outubro 08, 2013

Edição paga não é oportunidade, é auto publicação!




O barateamento dos meios de produção e distribuição abriu caminho para uma verdadeira praga que é a edição paga. Não, não tem problema pagar pra publicar. Afinal, papel, diagramação, organização, custam dinheiro. 

O problema é que está cheio de "editor" esperto "oferecendo oportunidade a novos autores". Só que sob esse lema bonito está escondido na verdade uma indústria pega-bobo.

Não é oportunidade nenhuma pagar um valor, e em geral alto, para aparecer nesse tipo de publicação. 

Nenhum empresário do mundo investirá qualidade de divulgação e distribuição em um livro que já se pagou! 

Nossos editores honestos assumem o risco do negócio por nós e passam o ano batalhando ponto de venda, adoção em escola, participação em evento... tudo para recuperar o investimento!

Editoras que recebem para publicar não enfrentam risco, logo, usarão seu tempo para o que sabem fazer de melhor: arrumar mais um grupo de gente desesperada para publicar a qualquer custo!

Nenhum livro de edição paga irá ajudar ao autor por si só. Estamos na época da distribuição direta de conteúdo. 

Um blog bem divulgado entre amigos de amigos, um book-trailler inspirado, isso sim, é divulgação e pode atrair bons contatos. 

Um projeto pessoal colocado em crowdfunding paga sua publicação sem que se precise tirar um centavo do bolso.

Mas nem todos tem talento para se auto promover, e mesmo um excelente autor poderá se sentir frustrado ao não conseguir levar ao público seu trabalho – pode ser tão tímido que sequer um blog lhe apetece. 

Mas ainda assim é uma ilusão achar que um editor que cobra do autor para publicar irá promover seu trabalho.

Não! No máximo, e é apenas isso que se pode esperar, o autor terá em suas mãos alguns exemplares para que ele mesmo corra atrás e promova seu texto. 

Ou seja, voltou-se ao ponto de partida! E pior: agora ele ainda tem que recuperar o valor que investiu para ter seu texto embrulhado em capa, lombada, tinta...

Portanto ficou ainda mais difícil fazer alguém ler sua história, já que agora será preciso o leitor desembolsar, no chute, uns R$ 40,00 para adquirir um livro que a priori ele sequer estava interessado, pois não foi fisgado por uma boa divulgação.

Em um blog, ou com uma sinopse legal numa fanpage de Facebooks, dezenas e até centenas de pessoas chegam a conhecer o texto mesmo do mais obscuro dos autores. Compare isso com o stress de ficar promovendo um livro impresso em editora paga, caro, que será comprado por alguns amigos e parentes contrariados!

Serviços pagos de editoração são para quem irá assumir o papel de promover e vender o livro de porta em porta, não é à toa que o nome correto disso é auto-edição.

E, a saber, qualquer pessoa pode fazer isso sem precisar de pagar a parte do lobo pra o suposto editor.
Monta-se o livro em um programa de edição de texto. Insere-se as imagens. Arruma-se uma capa boa.
E vai até um serviço de gráfica rápida, que provavelmente é o mesmo que a editora paga usaria, e ali mesmo eles te orientam e ajudam a formatar os arquivos!

Quem só quer um livro com texto, pode usar as opções de capa que a própria gráfica já oferece.
Tem tudo pronto, armado com local para inserir o título.

Ou, se quer preciosismo, contrata um designer júnior, apenas para caprichar na diagramação, ainda que a experiência me informe que manter a opção mais simples é o melhor caminho para quem está começando a investir na produção gráfica de sua própria obra.

E tendo em vista que terá de correr atrás do trabalho de vender e promover.
Porque editora paga não faz isso, ainda que muitas vezes, finja que faz.

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Concurso para escritores, parte 3: reconhecendo picaretas!

Examinando com cuidado a última destas propostas "tentadoras", recebida por alguns de meus colegas, pude concluir que, no perfil daquela que explora os autores prometendo o que não tem, há certas características que ajudam a identificar a má-fé da proposta.

Reparei que ela se diz divulgadora, mas quem aparece o tempo todo, em fotos coloridas por todos o "melhores" ângulos é ela mesma! Dos autores, só uma foto, com meia frase...
E ela segue, sempre se auto-elogiando, com muita purpurina, como ganhadora de troféus e prêmios – nenhum deles de amplitude que impressione alguém... Fica aqui minha curiosidade: o que ela fez, exatamente, para ganhar tais "homenagens"?

Qual a ligação dela com os que a "premiaram"? Porque nunca ouvimos falar dela? Porque mesmo após procurar muito, não achei nada que divulgasse de forma significativa os autores que ela diz promover?

Porque nunca ouvi falar dos autores? Porque esses os autores não entram também em concursos legais?

Porque eles não buscam editores melhores, mesmo que pagando, pois afinal qualquer um pode se beneficiar desta prática? Se vai pagar, porque não buscar quem faça melhor o serviço?

Também notei que em todo processo, apenas ela vai ficando mais rica. A ponto de bancar viagens internacionais e publicações onde se auto-promove mas colocando como se fossem veículos isentos (já beirando a esquizofrenia!)

Já os autores... a este cabe meia dúzia (na realidade só quatro) exemplares (que eles mesmos pagaram, incluindo remessas) e um mundaréu de "louros" inventados pela mesma! Pior é que ela se gaba disto! Cantou pra quem quisesse ouvir que banca seus luxos com a grana que os autores lhe pagam para produzir as tais "antologias".  Assim mesmo, como se quem escreve fosse otário!

Aí ela monta todo um esquema, onde são bem pagos o fotográfo, o buffet, o salão...e quem banca tudo são os "ganhadores" do prêmio. Uma coisa temos de admitir... ela sabe como ninguém como brincar com o ego humano. Nada surpreendente, visto que lançar elogios de forma leviana é muito fácil para quem troca respeito e honestidade por dinheiro. O que ficou evidente também é que ela não possui absolutamente NENHUM preparo editorial. Ela não faz copydesk, ela não diagrama, não faz os projetos, não ilustra, não revisa, não traduz... NADA! Tudo isso ela terceriza, é pago pelos autores!!!
Então, por que, meu Deus, não buscar um editor de verdade?

Uma editora legítima saberá gerir melhor o processo, terá bons contatos, indicará quando o texto precisar de melhorias ou revisões. Um crescimento real para o autor, que irá dispor da experiência profissional e senso crítico do editor.

Aliás, uma característica comum a estes esquemas piratas, é a falta de transparência. Não demonstram os critérios para "premiar e nem apresentam os jurados. Não há divulgação nos meios legítimos e, pérola das pérolas, agora até pedem para "manter em segredo" a indicação!

Aos colegas da imagem, valem os mesmo cuidados!

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

Veja o primeiro post sobre Concursos para escritores - parte 1.

Concurso para escritores, cuidado - parte 2

Mais sobre CONCURSOS PICARETAS:

O debate ganhou força nas listas de autores! Estes concursos e "honrarias" dadas em troca de dinheiro já eram denúncia velha entre meus amigos cartunistas e ilustradores! Foi criado até mesmo a comunidade "Mendigos do Orkut" pra divulgar os nomes de quem se utiliza desta prática bandida! Entra lá e coloque o nome de quem explora a ingenuidade alheia para:

- promov
er seu site ou empresa se passando por "descobridor de talentos" ou "incentivador da arte";

- encher os bolsos com dinheiro dos autores na pretensão de "divulgar" a arte deles no exterior, mas nunca consegue os canais legítimos (que além de gratuítos muitas vezes fornecem bolsas e auxílio viagem);

_ se auto-promove em seus próprios meios como grande propagador de arte, quando na verdade é apenas um mestre em afagar egos dos incautos, oferecendo penas de pavão ao invés de trabalho editorial sério!

Além destes "prêmios" para poetas e escritores, sobram as picaretagens voltadas para ilustradores, cartunistas, designers e webdesigners.

Há ainda empresas que engordam no esquema ETA: exploradores do trabalho alheio! Se você já foi vítima de alguma, divulgue! Espalhe! Que é pra afundar de vez os barquinhos de papel destes malandros.

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

E leia a continuação desta postagem em Concurso para escritores, cuidado - parte 3.

Concurso para escritores: cuidado!


ALERTA aos escritores, ilustradores!

Cuidado com CONCURSOS e PRÊMIOS que cobram altas taxas para seus participantes. É comum chegarem essas propostas picaretas assim que seu contato for garimpado pelo mailing destas pessoas que se valem dos sonhos alheios para encherem os bolsos.

Como uma destas picaretonas falou em email recente (que já está sendo amplamente divulgado entre autores consagrados,

 sempre "vítimas" dos emails coloridas desta dona):

"não quero respeito, quero dinheiro pra encher a geladeira e colocar minhas filhas na escola".

Bem... é de minha opinião que quem não se respeita dificilmente demonstrará respeito ao trabalho autoral alheio. E de fato as ações desta pessoa são pautadas pela falta de ética profissional.

A novidade agora é ela se aproximar de entidades culturais de diferentes cidades, para vender seu material, disfarçado de homenagens legítimas, que claro... não custam menos do que algumas centenas de reais para o "homenageado".

Ora, é uma pena ver tantos autores, ainda que a caminho de seu reconhecimento, apelarem para os serviços duvidosos desta dona que tem mais lábia de vendedora do que talento próprio.

Picaretas como ela abundam no mercado, e a Internet facilitou o contato destas com suas vítimas. Há outras de formas de se promover, sem cair nas garras de narcisistas galopantes como esta senhora que no mesmo email definiu como "boçais" mais de 400 autores, estando em meio destes nossos queridíssimos Ziraldo, Ana Maria Machado, Rosana Rio, Sandra Pina, Anna Claudia Ramos, Sandra Ronca, Vitor Tavares, Mauricio Veneza...só para dar início a uma extensa lista de autores premiados (de forma legítima e recebendo ao invés de pagar), que a décadas batalham e promovem a difusão da literatura.

Mesmo ao escolher uma editora "on demand" onde se paga para publicar, deve-se ter algum critério. Algumas destas empresas são sérias, e até lhe fornecerão um bom serviço de copydesk. Mas há muitas que de olho apenas no dinheiro, jogam no lixo todo o respeito e atraem seus clientes inflando-lhes o ego com promessas de "edições internacionais" ou "prêmios sensacionais"!
Nada disso adianta se não há um trabalho editorial sério. O que outros poderão lhe oferecer, pagando ou não!

Imprimir mil livros, distribuir numa cerimônia aos amigos, pendurar medalhinhas e comandas nos ombros... qualquer um pode fazer! Para trabalho editorial sério... busque informação com quem sabe!

Acesse meu blog e não pague NADA para uma jornada macia pelo caminho das pedras do mercado editorial.

http://thaislinhares.blogspot.com/

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

Veja as duas continuações desta postagem em Concurso para escritores: cuidado! - parte 2 e parte 3.