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terça-feira, abril 30, 2013

Tabela de valores design – Era da Desinformação

Lembro-me guriazita, iniciando carreira em artes e afins. O trabalho era solitário, e contava-se apenas com os eventos para conhecer outros colegas e clientes.  Para mostrar trabalho era preciso colocar a pasta do portfolio debaixo do braço e correr Brasil afora marcando entrevistas com editores, agências e produtoras. Fui a Minas, São Paulo... subi muita ladeira, esquentei por horas os sofás esperando para ter cinco minutos com o editor.

Nas bancas de jornal as publicações eram poucas. Por volta de uma dezena de revistas de grande circulação onde se poderia apresentar algo. Nenhum tipo de orientação acadêmica, nem de ateliês, nem de cursos livres.

O ilustrador, designer, ou escritor iniciante tinha pouca informação ao seu dispor. Mas, por outro lado, quando encontrávamos a mesma, ela era precisa. E logo firmávamos direção correta para nosso trabalho.

O que eu não gostava naqueles tempos era a falta de oportunidades. Eram poucos os editores que ousavam se arriscar num mercado quase inexistente para literatura infantojuvenil. Em quadrinhos nacionais nem se falava. Ainda lembro quando produzi junto com o Bernard o meu álbum de HQ Grimoire e tive de ouvir da Devir: "Não trabalhamos com quadrinhos nacionais. Tivemos um primeira experiência muito ruim (as revistas do Ota) e não vamos mais trabalhar com nada nacional".
Pois é... a Devir!!!

O álbum Grimoire, lançado na Bienal Internacional de HQ foi a segunda publicação mais vendida do evento, atrás apenas do novo lançamento do Sandman. E, por falta de distribuição, praticamente morreu na praia. Tinhamos um acordo prévio com a Devir, pois sabíamos que dependíamos de uma distribuição pelos pontos de venda de HQs para adultos. A Devir furou, o nosso barco afundou. Era frustrante ver o Grimoire receber matérias, às vezes de página inteira, em tudo quanto é jornal do país. A pessoas pedindo... e a gente sem ter a estrutura para distribuir. Uma loja do sul comprou um lote, vendeu tudo num único evento e deu o calote na gente.

Capa do Grimoire Álbum
pintura à óleo de Bernard.


Não existia distribuição para quadrinhos nacionais adultos. Nas bancas só a turma da Mônica e Disney. As distribuidoras eram apenas duas, e monipolizavam todos os espaços. Além de não distribuir tiragens pequenas (a nossa era de 3.000) elas sabotavam abertamente os editores que distribuissem por sua conta as revistas. Peguei mais de uma vez turma das duas grandes colocando a Grimoire escondida atrás das outras revistas. Esse era o panorama para quem investisse em quadrinhos brasileiros.

Página do 
Grimoire Álbum 
de quadrinhos.


Tampouco havia espaço nas editoras de livros para crianças. Pois ainda eram poucas as publicações e material importado lotava as prateleiras das livrarias. No Rio de Janeiro apenas uma, até hoje única, livraria especializada no setor: a Malasartes, no Shopping da Gávea, recebe e orienta os leitores no que há de melhor para crianças e jovens (e apaixonados por arte como eu...).



Não existia Internet com suas milhares de oportunidades diárias de trabalho, projetos, iniciativas independentes, distribuição e vendas – para todo planeta! Sem falar nos espaços online permanentes para que mostremos nossa artes sem precisar carregar as pastas portfolios que massacravam minha coluna. Hoje é comum eu receber pedidos de artes de pessoas que me conheceram antes online.

E, até alguns anos atrás, a Internet também se mostrava campo belo para busca de informações sobre carreira, valores, projetos, direitos autorais. Bem, ainda é. O difícil agora é achar o que se quer e precisa dentre tanta bobagem!

De campo limpo, virou um garimpo clandestino! Procurando info sobre valores e práticas profissionais, entrei e sites de "orientação" que são um pesadelo para qualquer iniciante. Muita desorientação. E, pasme, não apenas blogs e podcasts de oportunistas amadores, mas alguns sites de "sindicatos" e "associações" regionais.

Muita informação pode ser tão ruim quanto a falta de informação. Ao entrar num destes sites que "ensinam" a ser freela, a ser designer, ilustrador etc. e encontrar orientação equivocada, a carreira criativa começa com o pé errado. O resultado é gente batendo a cabeça e se sabotando sem perceber.
Pessoalmente, acho muita irresponsabilidade de uns e outros, que passam informação errada para quem está começando.

Exemplos de desinformação:

Blogs/podcasts/sites que ensinam ao criativo (chamarei assim nossa turma que trabalha com criatividade: designers, webdesigners, ilustradores, tradutores, roteiristas, escritores, etc) que para calcular o valor/preço de seu trabalho ele precisa calcular sua hora/trabalho com base em:
–tempo de execução;
-material utilizado;
- suas contas...

Pééééé!FAIL!Aperta a buzina na cara de quem diz isso!

Obviamente, freelancer precisam saber seus custos fixos, para poder compara-los aos ganhos. Se os ganhos são menores que seus custos, é porque não sabe administrar sua carreira solo, até aí ok.

Mas NÃO SE CALCULA VALOR DE TRABALHO CRIATIVO COM BASE EM HORA/TRABALHO!!!!

Use esse valor apenas para administrar sua carreira, mas saiba que para nosso tipo de produção existe um código legal chamado: LEI BRASILEIRA DOS DIREITOS AUTORAIS. Clique aqui para conhecer a lei que nos dirige.

Ela foi criada especialmente para que o país pudesse contar com sua criatividade, um incentivo à nossa cultura e indústria criativa. Ela determina que cabe ao autor a forma como será utilizada sua criação e que a remuneração é a priori obrigatória.  Devido a isto é que não somos considerados prestadores de serviço. E sim autores. O que "vendemos" é o direitos de uso da parte patrimonial de nossos direitos autorais. Assim, nossos clientes, parceiros ou colaboradores em projetos, firmam conosco contratos de direitos autoral.

Dependendo do que estamos a produzir, criar, um tipo diferente de contrato será usado. O ilustrador Montalvo Machado, a mais de uma década, disponibiliza gratuitamente em seu site profissional vários exemplos de contratos, para diversos usos. Lá também se encontra muito material orientando os novos criativos. Diga-se de passagem, o Montalvo não só é um dos que mais ajudou e orientou quem ingressa no mercado, mas quem também batalhou muito pelo profissionalismo e qualidade da ilustração brasileira. Na dúvida: escuta o Montalvo que não tem erro. Veja também seu blog, o Sketcheria.

Pois então... tem muito blog/podcast/site por aí que esconde essa informação, ou por desconhecimento, ou por má-fé mesmo. Ainda lembro de um longo debate entre eu e determinada podcasteira em que ela batia o pé dizendo que designers, ilustradores, não tinha direito autoral. Muito simples: mostrei para ela a lei, os contratos que eu tenho firmado, expliquei com detalhes que elucidariam um coelho surdo. A resposta dela: é uma questão de opinião. Me recuso a discutir isso.

A "pérola" mais recente da menina foi defender certa Tabela Chimarrão (um desastre para todos nós!) dizendo que "tudo bem se o iniciante cobrar valores bem menores que os corretos". HEIN!?!?!
Isso mesmo que ouvi!?! Pelamordedeus qual a lógica de se passar anos investindo numa carreira de designer (mesmo os micreiros investem alto) para ganhar migalhas e não conseguir crescer na profissão? COMO alguém cria um podcast se propondo a ser guia para os freelas fala uma asneira destas? Será que ela diria o mesmo para outras categorias profissionais? Médicos, dentistas, diaristas, taxistas, engraxates... já passaram pela mesma dificuldade. Mas existem muitos mais médicos, etc do que designers e ilustradores. Então vamos continuar comendo mosca e sendo tratados como amadores??? Que raios de "dica", desculpe, opinião é esta? Na boa: desliga o podcast. Não contamine seus ouvidos com tamanha desinformação. Ninguém vai pra frente sem se colocar de forma profissional no mercado. Por sorte eu descobri isso a tempo, e hoje aqui estou, repassando o que aprendi com outros  profissionais.

Então veja: o mercado hoje é imenso, com oportunidades infinitas. No desespero é possível até mesmo  ganhar dinheiro criando seus próprios projetos, sem precisar ficar esperando chamado de cliente.
A visibilidade de seus trabalhos é planetária! A oportunidade de conhecer gente e firmar parcerias é constante. Só que precisa entender o valor do que você faz. Sua criatividade irá render dinheiro e conhecimento para o mercado e mundo. Falaremos mais sobre isso. No momento, apenas cuidado com a desinformação online... é muita poluição neste mar! Não vá engolir bosta, nem beber em tabelas Chimarrão.

Sucesso!

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Início de carreira: cobrar menos... ou não?


Trabalhos de início de carreira são complicados.

Por exemplo, uma novíssima editora, que sem recursos próprios, se utiliza do crowdfunding para iniciar seus projetos. Difícil definir o que seria um valor justo, que garanta um bom retorno de investimento ao editor e também compense a dedicação do artista ao projeto.

Posso no entanto passar o quanto eu cobraria por ser uma crodfunding, também iniciante, bem a título de experiência.


Acima: estudo de personagem que fiz para um amigo, que intimidado pelo mercado, preferiu deixar sua obra com uma editora iniciante e totalmente inexperiente. Resultado: jamais conseguiu ser publicado, mesmo após investimento em dinheiro pago ao editor. O livro é maravilhoso, coloco ele entre os melhores já escritos para jovens. Infelizmente, o mundo não o conhecerá se o autor não puder promovê-lo de outra forma.



A tempo: Crowdfunding é uma proposta genial, onde o produtor promove online o seu projeto, e os internautas podem entrar como patrocinadores, com qualquer valor. Assim que as contribuições batem a meta do projeto, ele é realizado. Os internautas que investiram recebem o retorno combinado, que pode ser algo simples, como exemplares da revista, ou animação, até qualquer coisa que o produtor puder imaginar: terem seus nomes e rostos colocados na obra, camisetas e promos...
Usem a criatividade!


Eu cobraria em separado as etapas, para o cliente ter uma boa visão.

Importante: esses valores não são o ideal de mercado, pois como já dito antes, o que determina o valor do licenciamento é o USO da arte.

1- A decupagem do texto, com  a criação de roteiro: R$100 por pg/ ou tirinha;

2- Arte + finalização (na técnica escolhida, eu desenharia na mão, scanearia tudo e colocaria a cor digitalmente, mas é só uma escolha): R$ 300 por página ou tirinha;

3–Projeto gráfico tirinhas mais letreragem: R$ 500 pelo projeto mais R$ 50 por tira montada e letrerada ou diagramação: R$ 50 por página letrerada;

4- Projeto gráfico do ebook: aqui entra a montagem da revista, com a colocação dos texto na fonte, mantagem da capa com títulos, formato da revista (se será só digital ou se terá também que sair impressa), número de páginas, forma de apresentação, se for impressa: qual o papel, tiragem...
R$ 2.000 (total);

5- Criação do personagem institucional:
R$ 3.000  (cessão apenas para a Editora, sem limite de tempo ou aplicações institucionais, pois se pressupõe registro como mascote institucional). Inclui manual com banco de poses, personagem em 360º, determinação das cores padrão, proporções, versões em palhetas limitadas: PB, uma cor. Obs: Está barato, mas levei em conta que é uma pequena editora, e editoras costumam a ter um retorno muito pequeno e demorado de investimento.


Não penso que o fato de ser iniciante possa ser levado em conta no valor, mas, claro, que se houver outros interesses além do financeiro, pode-se pensar em algo com custo menor mas, sempre deixando claro que o valor está abaixo do que seria o ideal. Poderia se pedir algo em troca, como uma maior exposição de seu nome, portfolio acoplado ao link do projeto. Se for um projeto bacana, que lhe seduz à fazer parte, com pessoas que tem afinidade com teu trabalho e podem se tornar bons parceiros para outras ações, cai dentro!

Já me empolguei com projetos assim e tive os dois tipos de experiência:

1- Era uma turma legal, batalhadora, nos tornamos amigos e nos reencontramos anos depois, todos com boas posições no mercado. Foi a turma do fanzine Panacea, hoje são produtores em editoras grandes. Muito talentosos. Tenho saudades daqueles tempos e faria tudo de novo.

2- Uma produtora de vídeo (Baby Vídeo), não me pagava nada e eu produzia todo o visual (concepts de personagens e cenários), até que ele começou a surtar e a cobrar que eu virasse noite. Só que aí eu descobri que mesmo sendo só eu que trabalhava de fato na equipe, eu era a única que não estava recebendo grana!!! Os demais recebiam e só ficavam fazendo pesquisa (simples!) atrasavam (quando apareciam). Sumi!

3-A Maco editora. Mesma coisa, eu fui bem empolgada, bem iniciante, tipo parceira (daquelas abestadas onde você não leva nada e trabalha como jumenta), com a única condição que eu determinaria o prazo, pois estava em época de provas finais. Não passaram 3 dias a louca me liga aos berros, cobrando todas as artes "pra ontem". Sumi 2.

4-Cometi o erro básico de atender favor para parente: um ano perdido em reuniões que varavam a noite, mais de uma centena de artes e projeto de coleção de didáticos que já tinha até editora à vista... até que um dos professores surtou e resolver cair fora furando todo o projeto. Dancei que nem o-lango-tango...never more!

5- Igual ao anterior, mas era o projeto do PRIMEIRO RPG brasileiro, que já estava vendido pra Rocco e todos seriam pagos inclusive com participação nas vendas. Estava PERFEITO, alto nível, melhor do que qualquer material já visto, inclusive na Europa e EUA. Aí o autor entrou em crise de "medo do sucesso" e toda a equipe dançou...Ódio! Só não quebramos as pernas da besta porque ele é campeão de Krav-Magá.

Esse dragão acima foi uma das dezenas de ilustrações já prontas para o RPG. Éramos 4 ilustradores de alta qualidade, mais uma designer de renome e uma grande editora que já até havia investindo no copydesk, perdendo tempo com a atitude pouco profissional do autor.

Como percebe... foram quatro roubadas (cada autor que você perguntar poderá citar outras dez no mesmo estilo) contra apenas UMA certa.

Por isso... cuidado! Faça todas as perguntas para esclarecer suas perdas e ganhos. Como se fosse uma proposta de casamento. Só que mais sério!!!

Saiba que em 100% dos casos, se alguém lhe pede para fazer algo de graça ou por valor aviltantemente baixo, este mesmo alguém não considera o projeto com a mesma prioridade que você e o seu tempo – que é dinheiro – será TODO PERDIDO. O projeto não irá decolar. Eu pelo menos, NUNCA vi um caso de sucesso começar assim. Já participei inclusive de projetos de ONGs super bonitos, mas que simplesmente não passaram de "lágrimas no temporal" – como diria nosso amigo replicante na cena mais bela de Blade Runner – por faltar o básico no proponente: talento para negócios.

No mercadão da vida real o valor da página de roteiro está entre: R$500 – R$600. Este é o valor pago por produtora. O roteiro é entregue em lauda, só texto, cada página correspondendo a um minuto de filmagem. No caso de HQ imagino que o equivalente seria "texto que entra em uma página decupada" por página de roteiro. Para uma agência de publicidade isso é até pouco! O storyboard é outra história, literalmente, e custa mais!

Mas na época em que comecei a fazer roteiros para Globo Revistas eles não queriam pagar mais que R$ 50, e num worshop onde procuramos pedir aumento (sugeri R$ 100 roteiro, R$ 100 arte lápis, R$ 100 finalização), eles não só negaram como ainda queriam que incluíssemos a decupagem rafeada à lápis nos mesmos cinquentamínimos.

Pulamos fora!!! Nesta mesma reunião eles pediam desesperadamente que chamássemos os colegas pra fazer roteiros. Mas não queriam pagar o preço de um bom escritor. Quem estava nessa reunião hoje faz trabalho responsa no mercado, ganhando bem mais, é claro. Se pensarmos que a tiragem mínima de uma daquelas revistinhas em quadrinhos era de 100.000, com direito a espaço de mídia etc. Fica claro o absurdo de se pagar tão pouco. O custo de um bom roteirista, desenhista ou arte finalista, colorizador, por exemplar não chegaria a um centavo de centavo. Na verdade seria menos de R$ 0,0005 por exemplar. Por outro lado, é arte impressa naquele papel baratinho que faz o lucro da editora. Uma HQ de sucesso, que chega na margem do milhão, é super lucrativa! Forma público, fideliza os fãs, gera outros produtos: camisetas, mochilas, desenhos animados... Ganha fã clubes eternos.

Ainda neste tópico, me lembrei do que uma das roteiristas falou no Coffebreak: – Sabe, Thais, eu tenho aqui três roteiros sensacionais, que pensava em entregar hoje pra eles. Mas não vale a pena gastar ideias tão boas por tão pouco! Vou guardar para outra ocasião, talvez desenvolver em livro.
Ela me contou as histórias. Realmente excelentes! Fiz ela me prometer que colocaria no papel – para quem pagasse bem, é claro. Esse tipo de coisa acontece com frequência. O roteirista não libera suas melhores ideias para maus clientes. Todos fazem isso. Mente quem nega. Olha aí a falta de visão da empresa!

Da obra: "Operação Resgate em Bagdá", 
escrito por Luciana Savaget,
editado pela Nova Fronteira.


Nas editoras de livros infantojuvenis estabelecidas no mercado, é raro cobrar menos de R$ 300 por página finalizada, mesmo ilustrador iniciante. Há quem peça bem mais. Uma capa paga com justeza custará uns R$ 900 a R$ 1.500. Mal, super mal paga, uns R$ 500 (mas isso é na Record que é péssima contratante e decidiu por sua conta que ilustração é serviço e não trabalho autoral, como determina a lei). Os contratos são elaborados para serem justos, com prazos limitados a uma média de 5 anos, uso restrito ao título da obra, impresso e com participação nos lucros pelo menos nas vendas institucionais.
Essa participação nas vendas, não só é o correto, mas o principal incentivo para a máxima dedicação do ilustrador – ou escritor – nas artes. Pois formou-se uma parceria que promoverá o livro para sempre!


Do livro "Deus",  escrito por Bia Bedran, editado pela Nova Fronteira.


Voltando ao nosso caso, da pequena editora que inicia seus passos de mãos dadas com um novo artista.

Uma dica de ouro para esse tipo de cliente "de risco" com projetos crowdfundings, é sempre:

– Pedir um adiantamento, qualquer, 20%...50%... porque isso garante que o cliente não vai pular fora depois de você ter dedicado seu tempo ao projeto. Infelizmente o que acontece na maioria da vezes é exatamente isso: o cliente inexperiente simplesmente pula fora e desiste do projeto ao se deparar com o "mundo cão" que é o mercado, deixando os colaboradores a ver cyber-navios;

– Se não houver contrato, o prejudicado é o cliente, mas é gentil esclarecer para ele que nesse caso o uso já fica definido por lei: as artes só podem ser usadas no limite do que foi pedido, neste caso o projeto, o personagem institucional, a tira – tudo na mídia online inicialmente estabelecida, e NADA mais. Um contrato é sempre útil, mesmo entre amigos, Aliás, é uma boa forma de não perder o amigo se o "frango azedar" no meio do projeto.

O fato de cobrar pouco agora por ser iniciante não significa JAMAIS que um belo dia, quando marcar 5 ou 10 anos de mercado, irão automaticamente lhe pagar melhor! Nunca! Só irão lhe pagar bem quando você cobrar bem, oferecendo um material à altura. Independente do tempo de mercado!

Sei de veteranos que após 30 anos de batalha ainda cobravam os mesmos pingados (a senhora diarista de meus pais ganha melhor do que eles e em menos horas de serviço), viravam noite pra produzir centenas de páginas e ainda assim não conseguindo fechar as contas no fim do mês. Moram, pode você adivinhar, na casa dos pais idosos, como se ainda fossem adolescentes, sem carro nem Internet banda-larga. Resultado: não conseguem produzir com a qualidade máxima e acabavam sendo vistos como "quebra-galhos" para empresários com pouca seriedade em seus negócios. Viravam carpete para os pior tipo de cliente: o que não valoriza nem seu próprio produto!!! Foram meus exemplos do que NÃO FAZER profissionalmente.

Arte para coleção de cards de RPG que seria editado por amigo "garganta". No final revelou-se que "não havia dinheiro, nem editor, nem gráfica". Uma das primeiras furadas em que caí que nem pata. A figuraça que desenhei era a minha própria personagem de RPG, a elfa muito má Olcean Daioris.
Usei nankim para os traços e ecoline com lápis de cor para as cores.


Então? Espero ter ajudado. Compartilhei com você minha experiência pessoal e outros com vivências diferentes poderão também ajudar. Vale a pena pesquisar bastante, ver todos os caminhos. Nossa área tem muitas possibilidades de crescimento e propostas originais.

Sucesso para você que está começando hoje o seu sucesso de amanhã!