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terça-feira, abril 30, 2013

Tabela de valores design – Era da Desinformação

Lembro-me guriazita, iniciando carreira em artes e afins. O trabalho era solitário, e contava-se apenas com os eventos para conhecer outros colegas e clientes.  Para mostrar trabalho era preciso colocar a pasta do portfolio debaixo do braço e correr Brasil afora marcando entrevistas com editores, agências e produtoras. Fui a Minas, São Paulo... subi muita ladeira, esquentei por horas os sofás esperando para ter cinco minutos com o editor.

Nas bancas de jornal as publicações eram poucas. Por volta de uma dezena de revistas de grande circulação onde se poderia apresentar algo. Nenhum tipo de orientação acadêmica, nem de ateliês, nem de cursos livres.

O ilustrador, designer, ou escritor iniciante tinha pouca informação ao seu dispor. Mas, por outro lado, quando encontrávamos a mesma, ela era precisa. E logo firmávamos direção correta para nosso trabalho.

O que eu não gostava naqueles tempos era a falta de oportunidades. Eram poucos os editores que ousavam se arriscar num mercado quase inexistente para literatura infantojuvenil. Em quadrinhos nacionais nem se falava. Ainda lembro quando produzi junto com o Bernard o meu álbum de HQ Grimoire e tive de ouvir da Devir: "Não trabalhamos com quadrinhos nacionais. Tivemos um primeira experiência muito ruim (as revistas do Ota) e não vamos mais trabalhar com nada nacional".
Pois é... a Devir!!!

O álbum Grimoire, lançado na Bienal Internacional de HQ foi a segunda publicação mais vendida do evento, atrás apenas do novo lançamento do Sandman. E, por falta de distribuição, praticamente morreu na praia. Tinhamos um acordo prévio com a Devir, pois sabíamos que dependíamos de uma distribuição pelos pontos de venda de HQs para adultos. A Devir furou, o nosso barco afundou. Era frustrante ver o Grimoire receber matérias, às vezes de página inteira, em tudo quanto é jornal do país. A pessoas pedindo... e a gente sem ter a estrutura para distribuir. Uma loja do sul comprou um lote, vendeu tudo num único evento e deu o calote na gente.

Capa do Grimoire Álbum
pintura à óleo de Bernard.


Não existia distribuição para quadrinhos nacionais adultos. Nas bancas só a turma da Mônica e Disney. As distribuidoras eram apenas duas, e monipolizavam todos os espaços. Além de não distribuir tiragens pequenas (a nossa era de 3.000) elas sabotavam abertamente os editores que distribuissem por sua conta as revistas. Peguei mais de uma vez turma das duas grandes colocando a Grimoire escondida atrás das outras revistas. Esse era o panorama para quem investisse em quadrinhos brasileiros.

Página do 
Grimoire Álbum 
de quadrinhos.


Tampouco havia espaço nas editoras de livros para crianças. Pois ainda eram poucas as publicações e material importado lotava as prateleiras das livrarias. No Rio de Janeiro apenas uma, até hoje única, livraria especializada no setor: a Malasartes, no Shopping da Gávea, recebe e orienta os leitores no que há de melhor para crianças e jovens (e apaixonados por arte como eu...).



Não existia Internet com suas milhares de oportunidades diárias de trabalho, projetos, iniciativas independentes, distribuição e vendas – para todo planeta! Sem falar nos espaços online permanentes para que mostremos nossa artes sem precisar carregar as pastas portfolios que massacravam minha coluna. Hoje é comum eu receber pedidos de artes de pessoas que me conheceram antes online.

E, até alguns anos atrás, a Internet também se mostrava campo belo para busca de informações sobre carreira, valores, projetos, direitos autorais. Bem, ainda é. O difícil agora é achar o que se quer e precisa dentre tanta bobagem!

De campo limpo, virou um garimpo clandestino! Procurando info sobre valores e práticas profissionais, entrei e sites de "orientação" que são um pesadelo para qualquer iniciante. Muita desorientação. E, pasme, não apenas blogs e podcasts de oportunistas amadores, mas alguns sites de "sindicatos" e "associações" regionais.

Muita informação pode ser tão ruim quanto a falta de informação. Ao entrar num destes sites que "ensinam" a ser freela, a ser designer, ilustrador etc. e encontrar orientação equivocada, a carreira criativa começa com o pé errado. O resultado é gente batendo a cabeça e se sabotando sem perceber.
Pessoalmente, acho muita irresponsabilidade de uns e outros, que passam informação errada para quem está começando.

Exemplos de desinformação:

Blogs/podcasts/sites que ensinam ao criativo (chamarei assim nossa turma que trabalha com criatividade: designers, webdesigners, ilustradores, tradutores, roteiristas, escritores, etc) que para calcular o valor/preço de seu trabalho ele precisa calcular sua hora/trabalho com base em:
–tempo de execução;
-material utilizado;
- suas contas...

Pééééé!FAIL!Aperta a buzina na cara de quem diz isso!

Obviamente, freelancer precisam saber seus custos fixos, para poder compara-los aos ganhos. Se os ganhos são menores que seus custos, é porque não sabe administrar sua carreira solo, até aí ok.

Mas NÃO SE CALCULA VALOR DE TRABALHO CRIATIVO COM BASE EM HORA/TRABALHO!!!!

Use esse valor apenas para administrar sua carreira, mas saiba que para nosso tipo de produção existe um código legal chamado: LEI BRASILEIRA DOS DIREITOS AUTORAIS. Clique aqui para conhecer a lei que nos dirige.

Ela foi criada especialmente para que o país pudesse contar com sua criatividade, um incentivo à nossa cultura e indústria criativa. Ela determina que cabe ao autor a forma como será utilizada sua criação e que a remuneração é a priori obrigatória.  Devido a isto é que não somos considerados prestadores de serviço. E sim autores. O que "vendemos" é o direitos de uso da parte patrimonial de nossos direitos autorais. Assim, nossos clientes, parceiros ou colaboradores em projetos, firmam conosco contratos de direitos autoral.

Dependendo do que estamos a produzir, criar, um tipo diferente de contrato será usado. O ilustrador Montalvo Machado, a mais de uma década, disponibiliza gratuitamente em seu site profissional vários exemplos de contratos, para diversos usos. Lá também se encontra muito material orientando os novos criativos. Diga-se de passagem, o Montalvo não só é um dos que mais ajudou e orientou quem ingressa no mercado, mas quem também batalhou muito pelo profissionalismo e qualidade da ilustração brasileira. Na dúvida: escuta o Montalvo que não tem erro. Veja também seu blog, o Sketcheria.

Pois então... tem muito blog/podcast/site por aí que esconde essa informação, ou por desconhecimento, ou por má-fé mesmo. Ainda lembro de um longo debate entre eu e determinada podcasteira em que ela batia o pé dizendo que designers, ilustradores, não tinha direito autoral. Muito simples: mostrei para ela a lei, os contratos que eu tenho firmado, expliquei com detalhes que elucidariam um coelho surdo. A resposta dela: é uma questão de opinião. Me recuso a discutir isso.

A "pérola" mais recente da menina foi defender certa Tabela Chimarrão (um desastre para todos nós!) dizendo que "tudo bem se o iniciante cobrar valores bem menores que os corretos". HEIN!?!?!
Isso mesmo que ouvi!?! Pelamordedeus qual a lógica de se passar anos investindo numa carreira de designer (mesmo os micreiros investem alto) para ganhar migalhas e não conseguir crescer na profissão? COMO alguém cria um podcast se propondo a ser guia para os freelas fala uma asneira destas? Será que ela diria o mesmo para outras categorias profissionais? Médicos, dentistas, diaristas, taxistas, engraxates... já passaram pela mesma dificuldade. Mas existem muitos mais médicos, etc do que designers e ilustradores. Então vamos continuar comendo mosca e sendo tratados como amadores??? Que raios de "dica", desculpe, opinião é esta? Na boa: desliga o podcast. Não contamine seus ouvidos com tamanha desinformação. Ninguém vai pra frente sem se colocar de forma profissional no mercado. Por sorte eu descobri isso a tempo, e hoje aqui estou, repassando o que aprendi com outros  profissionais.

Então veja: o mercado hoje é imenso, com oportunidades infinitas. No desespero é possível até mesmo  ganhar dinheiro criando seus próprios projetos, sem precisar ficar esperando chamado de cliente.
A visibilidade de seus trabalhos é planetária! A oportunidade de conhecer gente e firmar parcerias é constante. Só que precisa entender o valor do que você faz. Sua criatividade irá render dinheiro e conhecimento para o mercado e mundo. Falaremos mais sobre isso. No momento, apenas cuidado com a desinformação online... é muita poluição neste mar! Não vá engolir bosta, nem beber em tabelas Chimarrão.

Sucesso!

terça-feira, novembro 20, 2012

Tabela de valores para ilustração e design - ADEGRAF


Parecer profissional sobre a Tabela da Adegraf de Valores para design e ilustração publicada em 2011: ruim.

A tempos discutimos nas listas a necessidade, ou não, de uma tabela de valores referenciais para profissionais do design, webdesign e ilustração. Um dos maiores entraves para criação desta, reside no fato de que não podemos, legalmente, obrigar este ou aquele valor aos profissionais e artistas do mercado publicitário e editorial. É a livre concorrência.

Mas a falta de profissionalismo e, ou, ética de poucos, arriscava a depreciação gradativa de nossos trabalhos. Como fazer o cliente entender a diferença entre uma marca criada por um profissional qualificado e as "marcas a atacado" oferecidas por inúmeros picaretas na Internet? Em meio aos acalorados debates haviam até mesmo aqueles que diziam que "um cliente que coloca a imagem institucional de sua empresa nas mãos de um amador merece o estrago...". 
Assim, nos unimos, por exemplo, na ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais), e na SIB (Sociedade de Ilustradores Brasileiros) e formulamos as malfadadas "tabelinhas de valores" para design e ilustração. Mas, cuidado...

Um cuidado que tivemos ao elaborar tais tabelas, foi deixar bem claro, claríssimo, que o que rege o custo de design e ilustração é o uso. Arte, design, imagem, foto, ilustração é, por força da lei, licenciada. E os termos desta licença tem de ser transcritos em contrato de Direitos Autorias. 
Ou seja: não é no número de cores, o formato, o número de palavras, o tipo de papel... que irá nortear os custos. Mas sim fatores como: área de abrangência (nacional, regional, local...), mídia (TV, rádio, impressos, Internet, outdoors...), o prazo (um mês, uma edição, um ano, cinco anos, com possibilidade de renovação, ou não...), a exclusividade (exclusivo, exclusivo para um tipo de mídia, exclusivo por N anos...).
Cores e formatos irão aumentar os custos da gráfica, do digitador, do diagramador... que já não são regidos por direitos autorais, e sim pela lei de prestação de serviços. Que ao seu modo, também protege quem pratica estas atividades. 
Obviamente que custos com materiais, páginas de web e formatos também entram no orçamento de um designer ou ilustrador, mas o ideal é que estejam discriminados, separados do valor do licenciamento, visto que atendem a regimes de impostos diferentes. Serviços como estes pagam ISS. Licenciamento NÃO! Ambos recolhem IRF.
Sobre este assunto veja um parecer completo feito pelo advogado Marcelo Salles Pimenta em Nota Fiscal não é necessária para recolhimento de direitos autorais.


Voltando a Tabela da Adegraf:

Essa tabela aí é um crime à categoria. Só para citar ilustração. Ilustração não se vende, se licencia. Segundo lei federal estabelecida – a LDA. O que determina o valor final NÃO é o tamanho, nem a digitação! Mas o uso! (região, mídias, ...). É o beabá do mercado de uso de arte.

Leia este texto do ilustrador Paulo Brabo, sobre isto no site ABIPRO. Muito bom, mostra como contratar.

Curioso notar o baixo valor proporcional que a ADEGRAF atribui à capa de livro.
Qualquer um que trabalhos com publicidade, por exemplo, sabe que a localização de determinada "mensagem" (e aí pode ser a imagem de uma capa, para cativar o leitor) é fator de valorização da mesma. Uma mesma imagem valerá mais se ao invés de entrar no miolo, ir figurar na capa do exemplar impresso. A tabela sugere que seja o dobro, como se fosse uma simples página dupla, e pior, incluindo o trabalho de preparo para impressão. Ressalto porém, que essa é uma que veio da SIB. Então: feio, SIB, feio.

Pior ainda foi a "recomendação" para os novatos darem descontos. Uma boa peça de um novato, visando distribuição nacional pode e deve custar bem mais caro do que uma peça tosca de um veterano que só irá cobrir um curto espaço de tempo a nível regional.
Desculpe-me a ADEGRAF, mas que pisada na bola.

Mais uma vez: o que determina o preço do licenciamento, é prazo, região, mídia. Nunca a quantidade de anos que o profissional tem nas costas. Conheço vários veteranos que após 20 ou 30 anos de trabalho, ainda amargam a concorrência dos novatos que acham que estão na vantagem cobrando trocados por algo que vale na casa dos milhares. Na vã ilusão de que um dia poderão cobrar decentemente. Mentira. Ao cobrar tão pouco, ele viciam o cliente num patamar irreal de valores, inviável para o desenvolvimento de suas carreiras. Na hora que acordam, já perderam o cliente para outro incauto, que orientado pela ADEGRAF, baixou "só mais um pouquinho" o seu preço.

Antes que discordem, é óbvio que a fama trará clientes. Clientes maiores, com interesse em projetos de grande abrangência, portanto mais valorosos. Fama reverte em valores melhores por conta de captar grandes parceiros, e também porque a partir do momento em que se tem uma agenda cheia, pode-se optar por aqueles que oferecem os melhores valores e contratos. É exatamente o que fiz depois de alguns anos de ilustradora atuante. Passei a descartar quem chegasse com contrato oneroso, ou valores irreais para o tipo de licenciamento requisitado.

Observo ainda que a tabela da SIB, que a ADEGRAF usou para referência de valores pra ilustração, tem como base que PRAZO e REGIAO (ou seja, USO) coisa que a ADEGRAF simplesmente cortou da tabela original. Avisem a SIB, por favor, do mal uso de seu material. A retirada desta informação altera radicalmente a visão sobre a natureza de nossas produções.
Quem não souber licenciar, irá dançar.

Veja na SIB:
Conheça a ABIPRO.
Aproveita e visita a AEILIJ.

Uma última observação que tenho a fazer é que, sendo regida pela LDA – Lei dos Direitos Autorais, não sendo, portanto, uma prestação de serviço, a ilustração depende, mais que tudo, dos critérios do artista. Tenho colegas, que atingiram tal nível de excelência em sua arte e que, dispondo de recursos extras para seu sustento, agora se dedicam apenas aos projetos que lhe cativam. Entre eles, os nomes que fazem da ilustração brasileira uma belíssima arte mundialmente apreciada.

Cuide bem de seus licenciamentos. Diferente do que ocorre com outras artes, a ilustração pode ser adequada aos mais diferentes suportes. A cada novo uso, ela vira um produto diferente, e a arte volta a gerar lucros e empregos. Entendam isso e conseguirão uma carreira de sucesso. Exemplo atual de quem sabe gerir bem a carreira: Romero Brito, Ziraldo, Maurício de Souza e um exército de ilustradores que mesmo tendo menor fama, sabem gerenciar bem o uso de suas artes, e se manter ativos no mercado sem precisar de outras fontes de renda.

Esta deveria ser a meta de todo artista visual comercial. A busca da excelência, junto ao seu cliente.

quinta-feira, abril 26, 2012

Quanto custa?

Ilustração e design são trabalhos autorais.

Mesmo se feitos a partir de outra obra, como no caso de um livro com texto prévio, ou por encomenda, no caso de um projeto gráfico para um livro.

O uso comercial de trabalhos autorais é regido pela Lei dos Direitos Autorais brasileira. A conhecida LDA 9610/98. Mesmo a nova redação, que na data destes post, passa por uma revisão final, mantém a premissa básica de como a negociação entre autor e distribuidor/editor ocorre.

Paga-se pelo uso da arte.

Quanto mais abrangente esse uso, maior presume-se o valor pago pelo mesmo. Assim, cabe às partes envolvidas negociar um valor justo e de preferência fechar o acordo com um contrato assinado.

Nesse contrato deve estar claro como, onde e por quanto tempo, as artes serão utilizadas e de que forma o autor será remunerado por esse uso.

Assim ilustradores e designers que postam suas "tabelinhas" de valores na rede sem especificar termos contratuais são amadores. Desconhecem o básico da Lei, e corre-se o risco de, ao requisitar seu trabalho, publicar algo sem respaldo legal.

Na falta de um contrato claro e formal, a justiça interpretará sempre à favor do autor.

Na Lei atual, na falta de um contrato especificando o uso, o recibo simples fornecido pelo autor ao editor/produtor/empresário é considerado válido pela justiça. Porém com limitações padrões determinadas, que são: uso válido para apenas a primeira tiragem do produto, uma edição (de no máximo 3.000 exemplares), apenas para o primeiro uso (aquele pedido no momento da requisição/encomenda da arte), apenas no território nacional, um único formato de mídia. Prazo máximo de 5 anos.

A falta de um contrato bem elaborado coloca o empresário, ou editor, numa posição vulnerável. Por outro lado, um contrato onde a remuneração não seja condizente com o uso pedido, como por exemplo,  pagar um valor baixo e exigir que o autor libere um uso muito abrangente, implica num acordo abusivo, que poderá ser questionado posteriormente pelo autor!

A nova redação da Lei virá com maior ênfase na necessária equidade contratual. Visto que o desequilíbrio de forças entre autores e poder econômico tem sido a maior causa de abusos por parte de grandes editores contra autores, em especial os ilustradores e fotógrafos.

A forma de pagamento não é especificada na LDA. Pode-se receber direitos autorais tanto na forma de um adiantamento, como na forma de percentuais sobre o lucro da vendagem do produto. Ou até outras formas que a criatividade humana inventar.

Essa remuneração muda em cada país e época, conforme a prática do mercado. Mas nunca é estanque. É inteligente que cada editor busque negociar com seus autores formas práticas e justas de remuneração. Por exemplo...

Já faz um tempo, os ilustradores e até alguns tradutores, mais conscientes de seus direitos, têm requisitado além do adiantamento usual, uma remuneração na forma de percentuais sobre novas tiragens e vendas casadas, destas do tipo que os programas governamentais contratam com os editores. Atualmente temos pedido um mínimo de 2,5%. Mas o fato é que, dependendo da agilidade do editor em lucrar e distribuir melhor, das novas mídias mais econômicas (ebooks) e do envolvimento do ilustrador no resultado final do livro, esse percentual pode e deve ser maior.

Por outro lado, com o novo mercado online, os escritores viram a oportunidade de finalmente poderem contar com adiantamentos, muito necessários, além dos percentuais, onde se levava meses pra conseguir um montante significativo. Com esses adiantamentos eles poderão se planejar melhor e se dedicar mais ao ofício da escrita, visto que esta muitas vezes demanda meses, até anos, de pesquisa contínua.

Tradutores têm formatado projetos pessoais, não raro em parceria com algum ilustrador ou designer, e assim também conseguido bons contratos. Infelizmente ainda não vi o caso de designers, que por terem projetos gráficos de excelência, tenham conseguido contratos que considerem as reutilizações ou usos futuros. Em geral, ainda se exige a cessão integral em projetos.

O efeito, dramático e fundamental, que um bom contrato faz na carreira de um autor, é algo que devemos sempre considerar. É a diferença entre ser um profissional em evolução ou um amador que não consegue se lançar no meio editorial. É também a garantia do editor de ter sempre ao seu lado autores satisfeitos e com lastro para atenderem suas demandas.

Sem segurança contratual, mal equilibrando-se sobre uma corda-bamba, ninguém produz e se desenvolve a contento.

Quanto custa?

Se for combinado, custa pouco,
Ganha-se muito.


terça-feira, maio 10, 2011

A IMPORTÂNCIA DE SABER QUANTO CUSTA PARA SE PRODUZIR EM ARTE



Sobre o levantamento de custos da produção de arte, é essencial pois, independente da polêmica que sempre se levanta quanto às tabelas, é preciso "educar" tanto os profissionais quanto os clientes sobre os valores realistas.

Uma amiga minha desabafou outro dia, ela está tendo um tempo difícil com um cliente que acha que "é facinho" fazer alterações sucessivas nas 25 camadas das inúmeras imagens criadas para ilustrar um livro-imagem. Ele não compreende o processo cumprido até a finalização dos traços, das cores, da composição equilibrada... e que a cada pequena alteração num ponto, é preciso modificar toda a imagem, e que isso leva horas e horas, que viram dias,  a cada "mexidinha".

Ela perguntou aos amigos porque o cliente acha normal pagar pelas imagens menos do que uma prostituta recebe por programa.

A resposta veio rápida e precisa: 

Porque as prostitutas são organizadas e TEM TABELA!


Já temos o Guia do Ilustrador e a ABIPRO, nossa associação de ilustradores profissionais. Com essa noção realista de custos, avançaremos mais um passo pra nossa maior profissionalização.


Mais uma a favor da pesquisa de valores:

No Facebook, um amigo leigo em assuntos de direitos autorais, veio com a velhíssima ladainha de que "a arte não tem preço" e que o artista não deveria se preocupar com coisas mundanas como dinheiro.

Bem... o artista precisa comer e pagar contas como todo mundo, logo, ele É MUNDANO. E vou colocar uma pedra sobre esse tipo de argumento surreal de uma vez por todas com o seguinte:

Nossa produção tem DOIS lados. 

Um é o artístico, pessoal e criativo. Deste, só nós podemos avaliar e cuidar. 
Isso é "divino".

O outro é o COMERCIAL. Que é vinculado ao mercado e ao USO que é feito de nossas criações. A partir do momento que alguém pega algo que foi gerado através de nosso trabalho e talento e passa a GANHAR com isso, é nosso DIREITO LEGAL participar deste ganho de alguma maneira. 
Isso é mundano.

Todas as ilustrações seguem esse esquema. Algumas são mais pessoais (seus personagens de tira de humor) , outras menos (um mordomo em um rótulo de papel higiênico). Mas, mesmo as mais pessoais,  em determinado momento podem ser exploradas pelo mercado, e então é seu DIREITO LEGAL participar deste lucro.

E chega desta gente achar bonitinho artista morrendo de fome "em nome da arte" enquanto o mundo roda e faz dinheiro usando nossos "dons divinos"!

PS. Comparem as biografias de Van Gogh com Salvador Dali.
PS2. Cuidado com a pretensas "Tabelas" que se proclamam a solução para a precificação do uso de suas artes. Não existe tabelamento de trabalho autoral. E cada trabalho novo será negociado de acordo com os parâmetros do mesmo. No máximo, pode-se montar uma tabela pessoal, com valores de referência, bem embasados em sua prática profissional e nas expectativas de seu mercado.

Boa sorte e juízo!

quinta-feira, abril 01, 2010

VALOR versus PREÇO


O preço que cobramos por nosso trabalho é a primeira referência para o cliente do Valor do que produzimos.
Se cobramos pouco, mesmo que a qualidade seja boa, o cliente assimilará que a arte é de pouco Valor.

Por isso é importante cobrar um preço que revele o Valor real da arte.

Mas as consequências de não se cobrar direito são piores ainda.

Seguem os fatos:


Em determinado ano entrei para uma pequena equipe de uma antiga produtora carioca. Essa produtora tem mais de 20 anos de mercado, mas é a única produtora carioca que não está produzindo nada, e que tem prejuízos mensais num montante que fariam a festa pra qualquer um de nós aqui.

Enquanto estive por lá eu entendi o porquê disso.

Por motivos éticos, não cito nomes, nem avalio a atuação de quem seria responsável pelo negócio.

Mas me impressionou MUITO que tal empresa/empresário não soubesse cobrar. Na falta de total de clientes, mendigava até os piores valores dos dois únicos que apareceram. E por duas vezes colocou a equipe toda pra ralar em "contratos de risco" – e o pior disso, é que só avisava que não rolaria pagamento depois de tudo pronto!

A primeira consequência disto foi a revolta da equipe criativa. São meia dúzia de bons profissionais, que se deixaram empolgar por promessas de parcerias e crescimento dentro de uma área que amam. Por conta dessas promessas, abriram mão de salários reais, estabilidade, e trabalham na base da ajuda de custo - o que, como prometido mas não cumprido, seria por pouco tempo. Mas o tempo passava e a empresa não cumpria sua parte e começou a dispor da equipe como um tipo de mão-de-obra barata.

A segunda, e pior consequencia, é que esses dois únicos clientes que buscaram o lugar, o fizeram por saberem que ali se aceitaria o péssimo orçamento. Ou seja: a classe de clientes que precisa, ou quer, abrir mão da qualidade.

Isso gera uma péssima fama tanto para e empresa quanto para os profissionais envolvidos.

O perigo inerente em se cobrar barato é que o cliente automaticamente avaliará seu talento como "barato" também.

quarta-feira, dezembro 16, 2009