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terça-feira, janeiro 02, 2018

A (auto)EDUCAÇÃO DO PENSAMENTO E DO OLHAR

A foto do menino em Copacabana expôs a força que os estereótipos plantados pela cultura racista do Brasil ainda tem. Fui educada pra ser racista pela TV, pela escola, pela justiça, pela família, pela literatura infantojuvenil, pelos contos de fadas, pelos desenhos animados, pelo mercado de trabalho, pelas revistas "femininas", pelos jornais, até pela linguagem que usamos! 
Não penso que o fotógrafo seja mau sujeito. Ele não expôs de forma nociva o menino no que seria os critérios que o ECA condenaria: degradante, difamatório, ao perigo... Tive o cuidado de verificar a página dele e a imagem sequer tem legenda. Tá lá pura. É nosso olhar que impõe uma narrativa que nunca existiu.
Na quinta série me apaixonei pelo garoto mais bonito, inteligente e boa gente de minha sala. Ele era negro (faleceu num acidente de carro aos 18 anos). Era o único negro no corpo de alunos, apenas na cantina e varrendo o pátio haviam negros. Não haviam professores negros, e pelo menos até minha formatura nunca um diretor ou diretora negra. Ele tinha uma família super politizada, e sem dúvida sua influência foi vital pra eu conseguir, dentro de minhas limitações de criada em micro-bolha, começar a desconstruir a lavagem cerebral que fazem com as crianças nesse país – lembro que cresci com a cara enfiada na TV matinal vendo animações importadas onde TODOS os heróis eram brancos com nomes em inglês. Toda corte da "rainha" Xuxa era oxigenada. Já tinha filho no colo quando a primeira telenovela com protagonista negra foi feita. Ou seja: os principais canais de construção de narrativas da sociedade no semi-analfabeto Brasil sempre foram absurdamente propagadoras de racismo. Quem não percebe isso, só mostra que a lavagem-cerebral teve sucesso, e continua tendo.
No meu primeiro dia como professora de artes e dei uma aula sobre Representatividade, explorando o tema do racismo e machismo nas artes e publicidade.
Repeti em todas as aulas o mote: arte é narrativa que constrói sociedade. Estudar e aprender Arte na escola é VITAL.
Não é à toa que o ensino de artes é muitas vezes visto como algo "menor" e professor de arte o "fazedor de brinde ou decorador das festas" (tem muita direção por aí que vê assim).
É de propósito.
Arte pode ser assustadora e maravilhosa por questionar e libertar, ou cruel por oprimir e acorrentar.
A Arte mostra que podemos mudar tudo se quisermos.
Através dela experimentamos possibilidades, questionamos ideias e ideais.
Que perigo pros conservadores...
Ouvi de pessoa próxima: "pra que a meninada tem de aprender música? arte? cultura? fotografia? capoeira? jongo? literatura? O importante é matemática e ser treinado pra trabalhar!"(onde iriam trabalhar sendo limitados às funções que há muito tempo uma calculadora de bolso já cumpria é a questão chave), e ainda, de um muito ex-namorado: "bando de vagabundos (os artistas), mamadores de tetas do governo" (como se o governo não tivesse ele de estar à serviço da sociedade na formação da cultura que à consolida).
A sociedade é racista, quem cresce nela será deformado por doutrinações racistas.
É preciso ao menos tentar olhar por cima destas vendas que nos colocam desde que somos registrados no cartório, estar disposto a quebrar o muro, lutar contra o racismo e primeiramente o racismo que trazemos implantado dentro de nós.
Na imagem: diante da vitrine de um banco "protegida" com grandes pontas de ferro, uma menina dorme sob um jornal junto a cãozinho. Um menino estende a mão com pires num gesto de súplica enquanto acolhe outra criança menor com abraço. É também um cruel estereótipo, daquele que pra descolar teremos de rever a fundo a questão da distribuição de renda e oportunidades em nosso país, mas não antes de decidir o que nos assusta mais: ver criança no chão da rua ou desconstruir o sistema ao qual nos acostumamos onde crianças não são prioridade sobre o lucro dos poucos.
Ah, no reflexo do vidro mais estereótipos: o jovem classe média, a madame arrumadinha, o executivo padrão em seu terno.
Todos dis-traídos com seus smartphones.


segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Representatividade importa

UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
AVM - Faculdade Integrada / unidade Centro

Curso: Docência do ensino fundamental e médio                           
Período: 4°     Turma: K387
Professora: Flávia Cavalcanti
Estudante: Thais Quintella de Linhares
Disciplina: planejamento                   Data:01/03/16                                     





PLANO DE AULA



1.Assunto  

– "Representatividade importa".

2.Objetivos 

– Identificar de forma ativa contexto, mensagem e memórias representados nas linguagens das artes; 

– Reconhecer formas de propaganda moral, social e política feitas através da produção artística de diferentes épocas;

– Identificar em si (a/o estudante) sua próprias construções que são influências do meio, e partir para a expressão das mesmas por meio da arte.


3.Conteúdos 

– A produção artística enquanto propaganda em diversos periodos estrategicamente escolhidos para formar um panorama das construções ideológicas mais perenes e influentes em nosso mundo. Tanto as "negativas": o racismo, o machismo, xenofobia, etc. Quanto "positivas": o nacionalismo, culto às elites, culto ao sobrenatural como instrumento de poder, heteronormatividade, culto à beleza/perfeição, etc;
– Apresentação de pequenos textos sobre a importância da cultura na construção social;
– Propor dinâmica e tarefa;
– Apresentar trecho inicial da palestra da autora Chimamanda Idichie.





O RACISMO


A Redenção de Cam é uma pintura a óleo sobre tela realizada pelo pintor espanhol Modesto Brocos em 1895. A obra aborda as teorias raciais do fim do século XIX e o fenômeno da busca do "embranquecimento" gradual das gerações de uma mesma família por meio da miscigenação. A obra encontra-se conservada no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.[1]
O título é uma referência ao episódiobíblico da maldição lançada por Noésobre seu filho, Cam, e todos os seus descendentes, conforme relatado no livro do Gênesis. Punindo Cam por zombar de sua nudez e embriaguez, Noé profetizou que o mesmo seria "o último dos escravos de seus irmãos". Conforme relatado por Alfredo Bosi, a crença popular de que os descendentes de Cam seriam os povos de pele escura de algumas regiões daÁfrica, além das tribos que habitavam a Palestina antes dos hebreus, serviu por muito como argumento de ideólogos e mercadores para validar, durante o período colonial e ao longo do império, o tráfico de escravos africanos para o Brasil. O pecado de Cam seria, assim, o evento fundador de uma situação imutável e a justa punição divina de todo um povo.[1]
Na obra de Modesto Brocos, em frente a uma pobre habitação, três gerações de uma mesma família são retratadas. A avó, negra, a mãe, mulata, e a criança, fenotipicamente branca. A matriarca, com semblante emocionado, ergue as mãos aos céus, em gesto de agradecimento pela "redenção": o nascimento do neto branco, que será poupado das agruras e das memórias do passado escravocrata. A cena foi assim definida por Olavo Bilac: "Vede a aurora-criança, como sorri e fulgura, no colo da mulata - aurora filha do dilúvio, neta da noite. Cam está redimido! Está gorada a praga de Noé!".[1]

Autor
Data
Técnica
Óleo sobre tela
Dimensões
199  × 166 
Localização










"Ele nem sabe ainda o que é Star Wars, mas sabe que o boneco é igual a ele". Com essa legenda, uma imagem publicada no Facebook pela historiadora Jaciana Melquiades, de 32 anos, está viralizando na rede social e já conta com mais de 34 mil curtidas e 9 mil compartilhamentos.
A foto mostra o filho da historiadora, Matias, de 4 anos, segurando seu novo brinquedo, o boneco do personagem Finn, herói do filme "Star Wars: O Despertar da Força". Esse é o primeiro filme da saga que tem um protagonista negro, interpretado pelo ator britânico John Boyega.
Em poucas palavras, Jaciana reiterou a importância da representatividade de negros no entretenimento e na cultura.


Jaciana comentou que é a primeira vez que faz uma compra para seu filho em uma loja de departamento. "Comprei esse boneco justamente por ele ter se identificado", disse.
O post foi compartilhado na rede social no último sábado (2). Um dia depois, a imagem foi denunciada por "conter nudez", mas não foi tirada do ar. "Só mostra o quanto as pessoas se incomodam. Representatividade importa pra nós e a gente sabe que incomoda", concluiu a mãe.

A escritora Cidinha da Silva saiu em defesa da publicação de Jaciana e fez um post acusando o caráter racista daqueles que denunciaram a foto do garoto.
"Denunciar a imagem do garoto e seu brinquedo por nudez, para que o sistema burro de Zuckerberg a exclua, até que as pessoas que postaram a foto reclamem e consigam reativá-la depois de 'criteriosa análise', é a mais impura perseguição racista", disse o texto de Cidinha. 




"Eu gosto dele, porque ele é pretinho igual a mim!"


PUBLICITÁRIOS, esses ladrões de almas





O MACHISMO














feminismo
O projeto “Nós, Madalenas“, da fotógrafa Maria Ribeiro, traz fotos de mulheres diversas, de todas as cores, formas e tamanhos, sem tratamento de imagem, estampando seus corpos com uma palavra que escolheram para representar o feminismo.








4.Metodologia e recursos

Momento
Atividade
Recursos

1° / 2'
Apresentar ao alunos as imagens referentes a diferentes obras das artes e comunicação visual. mercado de consumo, estimulando o reconhecimento das narrativas de época contidas nelas.
- Slide show, vídeos.
2°/ 3'


Chamar voluntários para a leitura de textos curtos.
Ao final das leituras instigar à relfexão dos estudantes sobre quem poderia ter escrito estes textos, em que épocas.
- Textos: 
1) De Joseph Goebbels;
2) De Malcon X
3) Maquiavel
4) Simone de Beauvoir
3°/ 5'





Apresentação dialogada de imagens de obras de artes de períodos históricos diferentes, não necessariamente em ordem, pedindo que contribuam para construir suas narrativas – tanto de época como uma versão atualizada.
Slide show.
4°/5'



Apresentar proposta de trabalho individual que será iniciado em sala (rascunhos, brainstorm)para trazer na aula seguinte. O início será em conjunto, e servirá também para apresentar como se dá uma dinâmica de "brainstorm" criativo, tal como se faz em estúdios de arte, publicidade ou produção em geral.

Quadro/painel para desenvolver o "brainline"do "brainstorm".
O trabalho/tarefa de sala/casa, será desenvolver a obra a partir de suas narrativa, em seu contexto social e atual. 

A sua "Representatividade", representar a si mesmo/a.
5°/5'
Fechar aula com vídeo de Chimamanda Adichie (5').
Primeiro trecho do vídeo de Chimamanda Adichie, escritora nigeriana.
http://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story?language=pt-br

******

TEXTOS para LEITURA:

TEXTO 1:

"A essência da propaganda é ganhar as pessoas para uma idéia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbam a essa idéia completamente, de modo a nunca mais escaparem dela. A propaganda quer impregnar as pessoas com suas idéias. É claro que a propaganda tem um propósito. Contudo, este deve ser tão inteligente e virtuosamente escondido que aqueles que venham a ser influenciados por tal propósito NEM O PERCEBAM."

– Joseph Goebbels









TEXTO 2:

"Eu sempre achei que era impossível relacionar-me adequadamente com um lugar ou uma pessoa sem relacionar-me com todas as histórias daquele lugar ou pessoa. A consequência de uma única história é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade. Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil. Enfatiza como nós somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.

A escritora americana Alice Walker escreveu isso sobre seus parentes do sul que haviam se mudado para o norte. Ela os apresentou a um livro sobre a vida sulista que eles tinham deixado para trás. "Eles sentaram-se em volta, lendo o livro por si próprios, ouvindo-me ler o livro e um tipo de paraíso foi reconquistado." 

Eu gostaria de finalizar com esse pensamento: Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso."

– Chimamanda Adichie.




5.Avaliação 

– Será realizada pela tarefa de sala/casa.

6. Tarefas

– A partir de uma dinâmica de "brainstorm" trabalhamos juntos, turma, com a professora fazendo o papel da "direção" criativa, organizando o quadro de ideias (brainline) do evento, montamos o início do que seria a produção de uma obra, partindo das contribuições e formando um painel coletivo;

– Saindo do que foi elaborado coletivamente, produzir obra autoral (ou seja, indo de um todo social para o individual), de suporte e temas livres, buscando uma representação do/a autor/a enquanto sujeito social. Como orientação o/a estudante podem se perguntar:

– Quem sou eu na minha sociedade?
– Que papéis me são apresentados como opção?
– Que construções/preconceitos se opõem ao que desejo para mim?
– Que imagens representariam com clareza minha sociedade, nos dias de hoje?



"O perigo da narrativa única" 

A próxima vez que alguém lhe disser que "arte" e "cultura" são coisas supérflua, sem importância, lembre-se desta aula, deste dia, destas imagens e palavras.
Nunca deixe que digam que é supérflua a SUA NARRATIVA.

Arte e cultura é forma como moldamos nossas ideias, e ideias são a essência da sociedade em que vivemos.

"A mais importante revolução. é a revolução cultural, pois a partir dela chegaremos ao mundo que desejamos para nossos filhos" – Pepe Mujica.