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segunda-feira, dezembro 03, 2018

enquanto houver cerveja e quadrinhos

Quanto maior o livreiro, maior o desconto.
Grandes redes, eu vi, cobravam 80% do preço de capa.
Apenas editoras imensas, com muita "cauda longa", conseguiam segurar essa barra. E apenas com títulos de autores consagrados cuja venda de milhares de exemplares garantiria cobrir esse desconto.
Logo, os livreiros não aceitavam editoras pequenas e seus autores desconhecidos.
Só queriam vender os livros que já tinham venda garantida.
E só tinham venda garantida porque já vinham "vendidos e divulgados". E publicidade é algo muito caro.
Editoras grandes, lançam novos autores sim, mas numa escala que parece pequena pra os milhares que querem entrar no mercado. Apenas parece, pois não é pequena não. Editoras médias e pequenas também trazem novos autores, mas sabendo que terão muita dificuldade em distribuir, pois não serão aceitas nas livrarias. Gastam energia que não tem pra divulgar, montar eventos, promover lançamentos.
EXISTEM eventos e prêmios que ajudam a impulsionar.
EXISTE um fundo de incentivo a leitura (1% da venda de cada livro vai pra ele, criação do Ministro Gilberto Gil que poucos cumprem e ninguém lembra). EXISTEM associações de pessoas maravilhosas se descabelando pra fazer a coisa toda funcionar e daí temos a Aeilij, a FLUP, a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, a Festa Literária de Santa Teresa - FLIST, e por aí vão...
Hoje, mais que nunca, EXISTE a possibilidade de divulgação e distribuição usando as redes digitais.
EXISTE um cenário TODO promovido por AUTORES INDEPENDENTES que montou rede de saraus e feiras "de tudo" onde possibilidades viram realidades novas e excitantes de uma forma literariamente poética.
O que NÃO EXISTE mais é a estrutura original e engessada que fechava muitas das possibilidades que estamos vendo brotar hoje. QUE BOM!
Comemorei a queda dos monopólios. Eu não tinha acesso a nenhum deles, nem como autora, nem como editora e como leitora frustrada. Só lamentarei as dificuldades daqueles que SEMPRE enfrentaram esses cartéis, estão passando agora, juntos na mesma crise econômica/política, e sem um décimo do capital que giro que na mãos dos gigantes poderia ter servido pra criar novas rodas.
Contudo...
Espero que dentro deste nosso imenso esforço em conjunto pra recriar o mercado e circulação do livro e demais artes, também esteja o cuidado para impedir a formação de novos cartéis, pois já tem uns e outros assombrando a gente aí. Aqui também tem de valer o "ninguém larga a mão de ninguém", no melhor estilo de ser do maravilhoso João Carpalhau, que antes de nos deixar ensinou que é possível sim fazer BEM feito incluindo a TODAS E TODOS E TODES E TOD@S.
Nós na foto, no O Velho Mestre - Cervejas Especiais, Duque de Caxias, combinando Mega Gibizeiras com o amado e saudoso João Carpalhau (enquanto houver cerveja e quadrinhos, ele estará sempre conosco).


quinta-feira, outubro 31, 2013

O nome disso é "venda antecipada"

Capa do álbum de quadrinhos Grimoire, filhote da série de fanzines Grimoire, dos anos 90.
Editado por Thais Linhares e Cláudio Bernard Andrea (autor desta arte).



Os esquemas de patrocínio direto como fazem o site do Catarse, Crowdfunding e Vaquinha Virtual não são novidade nenhuma. Mas tem gente descobrindo a pólvora.

Antes de entrar de cara no meio editorial, tive um bom tempo de aventureira como fanzineira.

Não existia internet, mas existia uma "rede" formada por centenas de artistas do papel. 
Mantínhamos contato nos eventos anuais, sobretudo na periferia do Rio, Santos, BH, Olinda e São Paulo. 
Até na Catalunha, Portugal, França, trocavam-se edições. 

O "pequeno círculo" trocava endereço, hospedagem, telefonemas e arte. 
O "grande círculo" ficava "apenas" nas cartas sociais (de um centavo, mais barato que mandar email)  troca de fanzines e caixas postais.

Assim, já existia a "compra antecipada" de revistas. Uma vaquinha, onde o editor do fanzine anunciava a revista e alguns compravam antecipadamente para viabilizar o projeto. Por vezes feito com impresso offset.
Havia até que fizesse assinaturas.

Atualmente os blogs e pages são os fanzines.
Os sites tipo Catarse (tem vários outros, um deles chama-se mesmo Vaquinha) são as novas vendas antecipadas de exemplares.

A facilidade de divulgação e negociação, torna o esquema viável mesmo para quem não tem tino comercial.
Melhor que isso: permite que o produto mais bizarro e deviante encontre seu público. 

Muito livro, desenho, foto, deixam de ser editados por não terem uma massa de público que justifique um investimento enorme como é a produção de um livro, peça de teatro, filme... Mas numa área

continental como o Brasil – e, não fosse a barreira do idioma, do Mundo! – se a sua obra conseguir 1.000 fãs, ela já começa a sair do papel em um esquema seguro como o de promover vaquinhas virtuais.