quarta-feira, junho 17, 2009

Como publicar?



Meu livro, "Breno,Breno" no estande da editora Larousse, esta semana no Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens – o mais importante no gênero. Foto:Thais Linhares, com meu celular mandrake.


Não é preciso arrumar ilustrador para publicar seu livro, porque quem deve cuidar disto é o editor.
O caminho para publicação mistura persistência e oportunidade.

É normal um escritor, mesmo experiente, ter seu texto recusado várias vezes antes de conseguir encontrar o editor que irá publicá-lo.
Suas chances de publicação aumentam se o texto cair no gosto pessoal do editor + ser de um tipo que a editora está procurando naquele momento + puder ser encaixado no calendário de lançamentos da editora (depois que eles fecham os lançamentos do ano não entra mais nada até o ano seguinte).

O volume de originais enviados para as editoras é enorme.
Alguns editores confessam que não chegam a lê-los.
Por isso é legal pegar algumas dicas que irão melhorar suas chances, são elas:


- Escreva em português impecável - e mesmo que seja impecável, não deixe de pedir para outra pessoa revisar, pois o escritor fica com o olhar "viciado" e depois de algum tempo não vê mais os pequenos erros de ortografia;

- Forme um grupo de leitura, onde você poderá expor seu trabalho aos amigos, e ver também o que eles escrevem, assim um ajuda ao outro a refinar o texto;

- Leia muito, e sempre, e apenas bons livros - a literatura brasileira está entre as melhores do mundo, principalmente os de literatura infanto-juvenil (LIJ);

- Passe a frequentar lançamentos de livros, feiras e bienais onde você sabe que poderá conhecer editores, e autores (auto-escritor e autor- ilustrador).

Eu faço isso até hoje, assim vou ficando conhecida (o cara-a-cara ajuda ao editor a se lembrar de você, o que já é um prêmio,visto que os editores são super ocupados e conhecem milhares de pessoas!);

- Faça auto-promoção. Exemplo: distribuir cartão pessoal para os editores, outros autores, professores (se seu interesse for LIJ); participar de listas/sites/foruns/blogs de escritores iniciantes ou não; tenha um blog, gratuito mesmo, onde pode colocar seus textos experimentais e pedir críticas construtivas aos visitantes do blog;

- não tenha medo, ou vergonha de ouvir uma rejeição, por pior que seja!!! Sério, já ouvi cada história! Alguns escritores famosos de hoje, começaram sendo rejeitados (às vezes porque o texto era mesmo ruim!) Mas não teriam conseguido se tivessem desistido;

- Não há problema em enviar o mesmo texto para vários editores ao mesmo tempo, pode informar: "esta é uma cópia de várias". A escritora Edna Bueno, quando começou, enviou os mesmos textos para mais de 20 editores... Deu certo!




Existem formalidades para apresentação de originais, que podem ser entregues pelo correio, em mãos (durante eventos), ou email (apenas quando o editor pedir desta forma).

Usamos folhas de formato A4 ou carta, sempre branco, sem enfeites!!!
Usar letra de máquina (no caso, computador) a mais convencional: Times, tamanho 10 ou 12.

Usar espaço duplo, isso quer dizer que o espaço entre as linhas é igual ao espaço de duas linhas.
É só marcar no computador "double space". Eu uso o Word para escrever meus originais.

Aos invés de grampear, prefira usar um clips para prender as folhas.

No rodapé de cada folha coloque: o número da página, o título da obra, seu nome e telefone/email para contato.

Na primeira folha, além do título, coloque seus dados para contato.

Atenção: não precisa dizer sua idade! Pois corre o risco de gerar preconceito.
Se o texto ainda não for suficientemente bom, irão culpar sua idade,
se o texto for excelente, corre o risco de por preconceito terem medo de aceitá-lo.
Raquel de Queirós surpreendeu todo mundo, quando ganhou um prêmio literário...
Ninguém imaginava que a autora daquela maravilha tivesse apenas 15 anos!
Se soubessem ANTES dos julgamento... será que teriam mudado de idéia? Nem que fosse por orgulho besta???
Não saberemos nunca.

Tampouco é válido fazer apresentações informais, do tipo: "meus amigos adoraram o texto..."

Por outro lado, experiências diretamente ligadas são válidas, do tipo: "Prêmio no Concurso de Redações", ou, "fiz oficina literária com o escritor Tal...", "Fui editora do Jornal do Grêmio Estudantil"...., "publiquei no Jornal Tal e Tal...", "sou colaboradora do Site Tal..."

Depois, resta colocar no envelope, endereçar ao editor escolhido e torcer para que se unam a sorte, o talento e a oportunidade!




Escolhendo o editor certo:

- Procure conhecer os outros lançamentos da editora que pretende, para saber se seu estilo combina com o gosto do editor (afinal, gosto pessoal conta muito) e com a linha editorial da casa (o tipo de publicação que a editora prefere trabalhar);

- Escolhidas as editoras alvo, telefone para elas, pedindo o nome do editor ou responsável pelo recebimento de originais (algumas podem tentar lhe desestimular, dizendo que eles não estão recebendo nada no momento... mas não encare isso como um não! De certa forma é para filtrar os oportunistas, que na verdade não iriam se tornar escritores mesmo. Ou seja... tente pegar o nome, dizendo por exemplo que quer mandar material de divulgação, e envie seu original);

- Mesmo que não consiga nada com uma editora, não deixe de mandar novos textos para a mesma, na medida que for criando mais histórias, pois isso fará o editor a começar a respeitá-la com alguém que realmente quer ser escritora!

- Quando você estiver mais entrosada com outros profissionais do ramo, poderá começar a receber notícias de qual editor está requisitando textos. Ano passado a Editora Salesiana de Sampa pediu que lhe enviassem textos sobre folclore. A notícia correu na lista da AEI-LIJ.




Sobre edição independente:


Se optar por publicar de forma independente (chega uma hora que a ansiedade aperta!!!), tome cuidado com os aproveitadores!!!

Existem "editores" que cobram uma grana alta para editar seu texto! Esses editores NÃO VÃO promover seu trabalho!

Como você pagou tudo, do custo de edição ao de impressão, eles não tem nenhum incentivo para distribuir e vender seu livro da forma correta!

Se for para você própria bancar, melhor não cair nas garras destes editores-aproveitadores. Eles nunca irão questionar se seu trabalho está pronto para ser colocado no mercado, melhor seria demorar mais para publicar e ir depurando o texto, o estilo, até ter certeza de ter em mão um material de qualidade.

Quando quis fazer uma edição de autor (isto é, pagando do bolso), fui direto na Fábrica de Livros do SENAI-Tijuca (que é a gráfica-digital que os pequenos editores-tipo-aproveitadores usam, assim pulei etapas e paguei apenas a impressão - só é preciso seguir as orientações que a própria Fábrica te passa, quanto ao formato do livro e como enviar o arquivo).

Neste caso, vale a pena sim, pedir a algum amigo que faça a capa e ilustrações, ele pode ser pago com parte dos livros, que ele próprio poderá usar para se promover como ilustrador. Um ilustrador profissional , dificilmente irá ajudá-la. Ele teria de largar algum trabalho pago, e certo, para assumir o risco contigo. Eu não poderia fazer isto, pois dependo de meu trabalho para sustentar minha família.

E, importante, ANTES de gastar seu dinheiro imprimindo seu texto, combine uma venda antecipada com seus parentes e amigos, depois faça uma festa de lançamento com eles.

Assim você garante pelo menos cobrir o custo de impressão. Tudo que vender depois é lucro seu. Você própria, como autora tem direito a editar e distribuir seu livro garantido por lei.

Mas... preciso te dar dicas de como funciona o mercado...




O Mercado de Livros no Brasil:

É SINISTRO. Sério. O livro chega ao leitor custando 5 vezes mais do que custou para imprimir.
Isto é: se um livro custou 2 reais para imprimir, ele custará 10 reais na livraria.
Destes 10 reais, metade, fica na mão do distribuidor e livreiro.

E pior:

Nas livrarias a preferencial será sempre para títulos consagrados.

Só pegam em consignação (se não venderem, você pega de volta e eles nao perdem nada); e até bem pouco tempo eles sequer eram responsáveis pela conservação dos livros. Atualmente são. Assine um termos de consignação, lembre que o combinado sai barato.

Sabendo disso a gente entende porque o editor é tão seletivo...


No caso de tiragens independentes e melhor você vender diretamente ao seu leitor! Ou na mão ou por internet (nesse caso, acrescente o custo de correio). Assim VOCÊ fica com os 5 reais que o distribuidor/livreiro ia pegar, mais o seu lucro de direito por seu trabalho (criação mais edição). Para um pequeno editor essa divisão de lucros é um entrave terrível e um desestímulo à produção de livros.




Sobre direitos autorais:


Como você é um autora, recomendo que conheça a LEI de DIREITOS AUTORAIS.
Essencial para que nunca se veja enganada por contratos desiguais, que lhe desfavoreçam na negociação de seus textos.

Como autora, você tem TODOS os direitos sobre como e onde seus textos podem ser usados.
Por isso, desde já, se prepare para recusar contratos de tentem lhe privar de seus direitos.

O que não pode faltar no contrato para publicaçao de texto:


- prazo da validade do contrato (usualmente 4 anos), se não houver nada no contrato especificando o prazo, valerá 5 anos, automaticamente;
- local que será publicado e idioma (usualmente Brasil, em português);
- dinheiro que o autor receberá, a forma de pagamento (usualmente de 6% a 10% do valor de CAPA do livro);
- números de exemplares a que o autor terá direito, sem custo (usualmente de 10 a 30 exemplares na primeira edição e 5 exemplares nas edições seguintes).
– exigência de prazo máximo para publicação, ou seja, se em 2 anos (exemplo, mais usual) o editor não publicar de fato, o contrato é cancelado.



Como vê... não basta saber contar bem uma história.
Para vencer neste neio é preciso estar pronta para mostrar a cara mesmo, conhecer o mercado, as leis, as pessoas...
Não caia nesta história de que é PANELINHA!
Sim, é uma baita panelinha! Com direito a encontro de autores depois das bienais, fofocas, troca de gentilezas e tapas...
Mas... como qualquer panelinha do planeta, ela é uma panela de tampa aberta!
É só mostrar que seu texto é um tempero novo, que você ama o que faz, que quer participar deste mundo lindo!

Por fim,

Acho esses autores, os da velha guarda, maravilhosos. Rio muito com os "causos" que contam no encontros e feiras.
Sou super tímida (se não fosse, seria atriz e cantora ao invés de ilustradora! Por que além de desenhar, já me apresentei no palco... só que sou mesmo do tipo solitário e rabugento!) e inventei meu jeito próprio de ser "metida"e correr atrás das oportunidades.
No momento é minha única fonte de renda. Isso é comum entre ilustradores - pois o trabalho com imagem costuma ocupar todo nosso tempo, cansei de virar noite para cumprir os prazos doidos do mercado.
Já com os escritores, eles vão aos poucos, se dividindo entre dois trabalhos ( a Edna é engenheira, o Gabriel Lacerda é advogado, a Luciana Savaget é jornalista...) e se algum dia sentem que podem viver só de seus textos, largam tudo e ficam sendo escritores e colunistas com dedicação total.


Perseverança, talento e oportunidade, nesta ordem mesmo, lhe ajudarão a chegar lá.

3 comentários:

Ana Claudia disse...

Obrigada por seus comentários.

Vou voltar com mais tempo.

Bjs

Ana Cristina Melo disse...

Thais,

apesar de ser escritora apenas de coração (pois ainda inédita), depois de alguns anos refinando meus textos, começo esse ano a batalhar publicação, de posse de um parecer técnico de um escritor e crítico. Primeiro com contos adultos, depois com os textos para crianças e jovens que também estão na gaveta.

Adorei a mesa de ontem em que estavam você e a Marília. Mais ainda as amostras de suas ilustrações no folder "Cores e formas...".

Coloquei o link do seu blog no meu, para ficar sempre antenada com seu trabalho.

Beijinhos,
Ana Cristina

.BlackLodge. pinturas artísticas. residencias e comerciais. reprodução ou criação. disse...

Adorei seu blog e comentarios sobre mercado editorial! era uma duvida enorme para mim!
obrigada pelas dicas!
Abraço,
Regi