domingo, setembro 15, 2013

O valor de arte original e doações de originais.

Toten Engels – vier. Litogravura.




Quem pede para doar um original para colocar na parede da escola (pelo menos terá moldura?) certamente não tem ideia do valor do mesmo, e da grandiosidade do gesto do artista que doaria.  Pode acabar mais para "doer" do que "doar". 

Para ter uma ideia mais precisa do preço das gravuras – que ainda são cópias, portanto menos valiosas que originais – peguei um link de uma galeria de arte que vende online:


Esclarecer isso é bom se quisermos valorizar nosso ofício e arte.

Em minha pouca experiência, tudo que doei, achando estar fazendo um grande favor e a custa de sacrifício pessoal, não foi devidamente valorizado. E afirmo categoricamente, jamais alavancou minha carreira. 

Nunca aconteceu nada do tipo: diretor de escola divulgando meu nome, comprando um livro a mais, ou pelo menos agradecendo. 

Não digo que foi por maldade. Acredito que isso ocorra porque o receptor não saiba avaliar o custo de uma arte original. Costumam comparar com o preço de um postal vendido numa banca ou papelaria, não entendendo que aquele poster cujo preço varia de R$ 15,00 a R$ 50,00 é uma mera reprodução numa tiragem de 10.000, às vezes 100.000 exemplares. E que assim, o custo do original e suporte é amortizado, distribuído em milhares de pedacinhos.

Mesmo nas vezes em que me ofereci para montar uma exposição de originais e palestra, ou oferecendo arte como voluntária em ONGs, nas causas que defendo, me lasquei. 

É estranho como na intrincada psicologia humana, aquilo que é oferecido gratuitamente é automaticamente interpretado como "sem valor". Talvez por isso se importem tão pouco com a qualidade do ar que respiramos...

É preciso considerar muito bem a quem, e como, se dá essa doação. Pois é um valor alto. 

O beneficiado sabe, por exemplo, que ele passará a ser responsável pela INTEGRIDADE daquela obra? 

E quem garante que depois que mudar a direção do local, a próxima diretoria não jogará as artes numa gaveta...ou pior? 

Sabem que o acesso do artista à obra deverá ser permitido sempre que requisitado? 

Ou que o direito de reprodução e exploração comercial não são doados juntos, e o autor pode muito bem querer fazer usos destes direitos a qualquer momento? 

Isso está na Lei Brasileira dos Direitos Autorais.

Não acredito que quem pede para doar entenda o que está pedindo, e tampouco conheça as responsabilidades que acompanham a posse de uma obra artística. 

Cabe a nós, autores, ajudar a esclarecer o público.

Na Internet ocorrem vendas bem lucrativas de originais e até mesmo rascunhos de arte! Imagina ter um desenho original do Frank Frazetta? 

Ainda não investi muito em vender desta forma, mas vendi litogravuras, de minha série Toten Engels.

Quando uma diretora pede um original, é por não sacar o valor real que ele possui.

Mas, às vezes, pode acontecer mesmo é canhalhice da boa, como no caso que relato a seguir.

Eu fazia parte da redação do jornal do Colégio Andrews, o "Beco do Grito". Tinha uns 15 anos, e amava fazer quadrinhos e storyboards, mesmo imaginando que no Brasil jamais haveria campo para ser nem animadora, nem quadrinista. E criava as capas, super caprichadas, do jornal da escola. 

A capa da edição de final de ano, foi especialmente caprichada. 
Para minha tristeza o editor-chefe, coleguinha de outra turma, não me devolveu, dizendo que "a tinha perdido"! 

Fiquei um bocado triste. Tratava-se inclusive de uma arte experimental, onde eu usei traço e material que eu começava a dominar só naquele momento. Com um tema super pessoal.

Não é que no começo do ano seguinte, eu vejo a minha arte debaixo do vidro da mesa da orientadora educacional!!! 
Usada como enfeite de mesa!?!

Nem pisquei. Peguei de volta e me mandei da sala. Que desaforo! 
Além de não respeitar a minha arte, ainda eram larápios (o editor e a SOE!) 
Eu sempre tive um ciúmes doentio de meus desenhos. 

Se você tem um original, ou mesmo uma de minha raras gravuras, significa que lhe tenho em altíssima consideração (do tipo: deixei um filho meu aí para você cuidar).

Então antes de entregar um original, pense bem quem irá cuidar dele.

E antes de pedir um original, pense bem se merece a responsabilidade.

Antes de partir, dê uma olhada nas minhas gravuras à venda em cópias numeradas aqui no link:



Avatar – litogravura.

2 comentários:

Dayla Assuky disse...

Olá, tudo bem?

Eu estou escrevendo um conto de drama familiar chamado: A dor de uma princesa.

link do blog: http://escritoradaylaassuky.blogspot.com.br/2013/06/conto-dor-de-uma-princesa.html

Gostaria de te convidar a ler esta primeira parte e dar a sua opinião. Se puder ajudar divulgando em seu blog uma pequena resenha, também fico muito grata. Abraços ♥

Fernando Ventura disse...

Parabéns por tocar nesse delicado assunto, Thaís. Original meu eu não cedo, nem pagando!