segunda-feira, março 01, 2010

Não aceite propostas de risco!

Fazia tempo, pensava que este tipo de absurdo estava quase sumindo... Afinal, num mercado em expansão como o nosso, o dinheiro começa a entrar e cada vez o mais o profissional de arte se vê disputado pelo seu talento e não mais pela miséria.

Mas não é que ele voltou? Que susto levei ao me ver diante da seguinte proposta:

Elaborar graficamente projeto pra campanha de nível nacional.

Pagamento: nenhum.

Cooomo assim? É , nenhum, a não ser é claro se for tudo aprovado. Aí, quem sabe, talvez, caia uma moedinha pra fora do pote...
Pára o carro que vou pular!!! Isso ainda existe? Esqueceram de avisar que ilustrador também come, paga conta e leva filho pra passear? E isto proposto por AGÊNCIA de publicidade.

Disse que não faria.

Mas deixa eu completar com informações adicionais:

Cabe sempre ao empresário, ao proponente, o ônus do negócio. Não se joga esse ônus no artista (redator, ilustrador, animador), ainda mais sem a feitura, muito clara e equilibrada de um contrato de trabalho, onde fica previsto os ganhos e investimentos de cada parte.

Nunca aceite esse tipo de proposta, porque é queimação de filme pura. Passa o recado de que você não consegue cliente que paga, ou que você não tem estopa suficiente pra arcar com trabalhos importantes. E, detalhe, pega mal pra quem aceita e mais mal ainda pra quem propõe. Mostra que o proponente, por não levar fé na idéia, resolve não investir antecipadamente e joga o ônus pra quem for bobo de aceitar fazer.

Além disso, por não tem posto verba própria no projeto, ele não terá o mesmo empenho em negociá-lo do que se tivesse, por exemplo, vendido um carro pra poder pagar os ilustradores pra dar corpo a sua "linda visão de negócios".


Ao longo de minha ainda curta carreira (20 e poucos anos...) NUNCA vi uma proposta como essa reverter em vantagem para o ilustrador. E sempre tive o cuidado de pedir, pelo menos, um valor base para caso o projeto não vingasse, que cobrisse minha parte, e depois, aí sim, um extra contratual para se rolasse a proposta como planejado. Não por acaso, esse projetos eram os que vingavam.

Ah, lembrei de um que fiz "no risco" mas foi pra parente, assim não conta... e por sinal... melou! Me dei mal...

Olho aberto, e bons negócios.

4 comentários:

LICÍNIO SOUZA disse...

perfeito menina.
eh assim mesmo.


Eskisitissimo q coisas assim ocorram

Marcelo Lopes - Ilustrador disse...

Oi Thais estou de pleno acordo...hehehe...eu escuto aqui em Curitiba toda semana uma proposta de risco, impressionante! Acho muito flacatrua e não aceito mais, confesso que já fiz job de risco, mas como você comentou nada vingou.
Um abraço

Thais Linhares disse...

Obrigada pelo depoimento, realmente a gente acaba aprendendo da pior forma: levando cano. Importante a gente também perceber é que... se o pesado do projeto (que é a sua execução) vai ficar sob nossa responsabilidade... pra que precisamos do proponente? Mais vale investir em projetos próprios. Muitas vezes, por um pouco de insegurança ou timidez, acabamos não investindo em nós mesmos, a caímos vítimas de gente de fala muito e faz pouco.
Veja que belo exemplo de empreendorismo do ilustrador Cárcamo. Ele fez lindo projetos editoriais a partir de obras em domínio público. Conseguiu oublicar esses projetos por editoras importantes e está ganhando os merecidos méritos e prêmios. E melhor: sem precisar dividir os louros com vampiros do talento alheio.

(Rafael) Pepe! disse...

Nada como a voz da experiência.

Assim como muitos que se deixaram envolver pelo "potencial" de um projeto de risco e pela retórica de um cliente dono uma idéia "revolucionária", perdi tempo, oportunidades e fiz alguns serviços que só resultaram em prejuízo para mim.

Atualmente estou envolvido em um projeto de "risco calculado", criando ilustrações, mas para a nova banda de um amigo da época de colégio... Estou fazendo mais por diversão e pela consideração, mas me sinto mal pois tenho que deixar sempre o projeto dele em segundo plano para me dedicar às atividades e serviços de remuneração garantida.

Enquanto ele não se cansar, vamos continuando a passos de tartaruga sem me sobrecarregar mas infelizmente sem previsões de concluir tão cedo o trabalho para ele.