terça-feira, junho 17, 2014

Porque GREVE de professores não funciona (de novo)?

Quase posso ouvir sua resposta: "porque educação não dá lucro", como seria no caso dos petrolheiros, e nem deixa a cidade intransitável, como seria uma greve de motoristas, ou mesmo fedida! Viva os garis!

Mas estamos muito enganados.

Dizer que educação não dá lucro, mostra o quanto deixamo-nos permear pela cultura da política dominante. 
O óbvio é que educação dá lucro. 
Traz riqueza, promove progresso financeiro.

Porém, dependendo de como for gerenciada, ela trará dividendos a uns ou a outros.

Temos um sistema de ensino que no geral não ensina para a Vida. Mas sim para a produção. 
Somos treinados para sermos futuros empregados de alguma empresa. 
Tudo bem, até. Se não fosse o fato de que, por outro lado, carecemos de receber o tipo de informação essencial que iria beneficiar diretamente, a nós mesmos.
Exemplos, já lhe escuto clamar!

Aqui o primeiro:
Espertamente enfiaram a educação religiosa nas escolas públicas, com a intenção clara de fazer proselitismo para o cristianismo. Ou mais especificamente, o cristianismo evangélico, visto que esta seria a religião dominante entre as professoras. Conseguiu-se modificar para um estudo de todas as religiões, mas na prática isso não teve o menor efeito. Que "todas" seriam estas? E quem, tendo oportunidade de doutrinar os alunos, teria a honestidade de NÃO fazê-lo, e de fato usar esse tempo para desenvolver o senso crítico das crianças ensinando de fato o que é a salada das crenças e como cada uma foi inventada pelas sociedades humanas? 
Vemos então uma iniciativa para, mais uma vez, tornar as crianças em boas ovelhas obedientes. Preparando-as para obedecer, jamais questionar, inserindo-as desde o fundamental na cultura do inquestionável dogmatismo religioso.

O que teria sido o correto?

O CERTO seria colocar nas escolas públicas aulas de POLÍTICA. Onde cada futuro cidadão aprenderia como funciona o sistema, sua origem, quais as alternativas e, principalmente, como PARTICIPAR colaborando para uma sociedade melhor.
O exato oposto do ensino religioso, que é doutrinário, essa aula de Ciência Política ensinaria a questionar, desenvolvendo senso crítico sobre TODOS os aspectos de nossa sociedade, que às vezes estão mesmo errados e precisam ser aperfeiçoados por gente com bom senso desenvolvido.

A greve dos professores não funciona porque já somos os cordeiros treinados.

Iguais a esses aqui:

Vamos para rua pintar asfalto pra saudar a Copa, onde não temos como pagar os ingressos, mas não pintamos as escolas sucateadas de nossos filhos.
Vamos atrás do bloco, mas não nos reunimos nas assembleias com os mestres de nossas crianças e o pior, não movemos os bundões para oferecer o mínimo de apoio, que seria uma chuva de protestos via Internet: pois exigiria o "imenso" esforço de batucar em um tecladinho sebento. 

Vai ver é o Candy Crush que não deixa ter tempo para se preocupar com isso, né?

E já adivinho, daqui a um ano, depois de mais uma greve dos educadores de nossas crianças ter fracassado, essa galera inerte, trollando cada post do Face, com o clássico choramingo: "o que falta nesse país é EDUCAÇÃO!"

Não amiguinho. O que falta é sua PARTICIPAÇÃO.

Então, mexe as falangetas e digita aí na sua timeline:

O QUE FALTA AO BRASIL É A NOSSA PARTICIPAÇÃO!





2 comentários:

Alexandre Silveira disse...

Concordo com teor principal de seu texto: que a nossa sociedade foi educada para obedecer e não questionar. Mas discordo que isso seja consequência do Protestantismo. Devo lembrar que nossa sociedade foi colonizada pelo catolicismo e foi a Igreja Católica que exerceu a repressão ao conhecimento durante muitos anos, inclusive oferecendo educação apenas à alguns, enquanto à massa. só básico. Na História Mundial foi o Protestantismo que, ao romper com a soberania dos líderes católicos, que detinham sozinhos o conhecimento dos dogmas e da Bíblia, que foi, aos poucos, "democratizando" o conhecimento.
Eu sou professora da Rede pública e sou evangélica e não sou a favor do Ensino Religioso nas Escolas.
Sou mãe de aluno e, ao ser preencher o questionário obrigatório para autorizar meu filho a participar das aulas, eu disse:Não!"
Na minha igreja e em minha denominação lutamos contra o mesmo problema da sociedade (afinal estamos inseridos nela): o comodismo em seguir alguém sem questionar, sem ler a Bíblia, sem fazer críticas.
Portanto não é verdade que a ideia implícita em seu texto que a Religião evangélica tem como objetivo doutrinar as pessoas a obedecer sem questionar. Não generalize, por favor.

Thais Linhares disse...

Muito bom seu comentário. Agradeço pela contrinuição. Ainda sim a introdução do ensino religioso no ensino público, da forma como foi feito em nosso estado, é uma afronta ao estado laico e foi realizado com intenção de ganhar votos e futuros eleitores. Fica ainda uma situação de desamparo às crianças cujas famílias não só não professam a fé privilegiada nessas aulas, como também são alvo constante de assédio moral. Esse favoritismo também tem dado a alguns professores a "força" para, por exemplo, proibir ensino de cultura afro nas aulas e rejeitar até mesmo leitura de livros sobre folclore nacional!!! Pois segundo eles isso seria "coisa do diabo"! (Nem parece que nasceram no século XXI).
Ainda permanecerei implicante com o ensino religioso, visto que ele estará sempre vinculado a um conteúdo dogmático. Sei de aulas de religião que descartam essa parte, procurando apenas trabalhar as parábolas como oportunidades de discução sobre ética em geral. Curiosamente isso ocorre justamente dentro de colégios católicos particulares, onde se tem todo o direito de ensinar da forma que se desejar sobre a religião. Diferente de várias denominações protestantes, o catolicismo aceita a evolução e cosmogonia científica como fatos, estando bem à frente daqueles quando o assunto é ciência. Mas ainda muitos passos atrás quando se trata da inclusão feminina no sacerdócio. Mas, o que considero mais assustador, é que na doutrina cristã temos um e apenas um pecado que é imperdoável: questionar a fé, duvidar do Espírito Santo. Ensinar que não se pode questionar algo é o perigo dos perigos, o dano dos danos, e jamais será bom para ninguém. não é preciso pensar muito para deduzir o porquê deste ser o pior dos pecados, colocado como mais grave do que estupro, tortura, assassinato ou abuso de menores. Não se pode fechar os olhos para esse fato.