quarta-feira, maio 02, 2012

Harry Potter em ebook, direitos garantidos


 (estudo para o próximo livro, a ser editado pela Paulinas)






Não deixem de ler o texto do Publishnews indicado no link, um trecho só pra sacarem a importância do acontecimento: "Voltando ao Harry Potter, foi registrado que, entre o lançamento oficial e a primeira cópia em um site pirata pronta para download, passaram-se meras 48 horas. A boa notícia é que este primeiro exemplar pirateado trazia para quem soubesse ler a marca do comprador original, que está à distância de um e-mail (registrado no site Pottermore) de ser processado judicialmente. Mas a melhor notícia é que, para um e-book chegar a um site pirata, levou-se o dobro do tempo para que lá chegasse um livro impresso. Os lançamentos de J. K. Rowling em papel costumavam ser escaneados e convertidos em texto ou PDF e, em menos de um dia, estavam à disposição para download ilegal. (No caso do Brasil, traduções feitas em regime colaborativo faziam os livros chegarem à web antes da publicação pela Rocco). Quero crer que isso é um sinal de que editores e leitores estão começando a ter um relacionamento mais respeitoso (e prazeroso) de ambas as partes: aqueles dão a esses a liberdade para ler, esses retribuem aqueles comprando. Mas nesse wishful thinking há um porém. Um detalhe que pode fazer toda a diferença: no caso do Pottermore, não é bem a editora quem está fazendo o mercado evoluir. É a autora. J. K. Rowling, que tem os recursos financeiros (e a inteligência) para prescindir das editoras (e de suas restrições) e ainda conseguiu subjugar uma gigante como a Amazon (você pode chegar ao livro por lá, mas a compra será efetuada diretamente no site da autora)."


Link:



Rowling inovando a tecnologia de ebooks!http://www.publishnews.com.br/telas/colunas/detalhes.aspx?id=67795#.T39XLQYtDgM.facebook

quinta-feira, abril 26, 2012

Quanto custa?

Ilustração e design são trabalhos autorais.

Mesmo se feitos a partir de outra obra, como no caso de um livro com texto prévio, ou por encomenda, no caso de um projeto gráfico para um livro.

O uso comercial de trabalhos autorais é regido pela Lei dos Direitos Autorais brasileira. A conhecida LDA 9610/98. Mesmo a nova redação, que na data destes post, passa por uma revisão final, mantém a premissa básica de como a negociação entre autor e distribuidor/editor ocorre.

Paga-se pelo uso da arte.

Quanto mais abrangente esse uso, maior presume-se o valor pago pelo mesmo. Assim, cabe às partes envolvidas negociar um valor justo e de preferência fechar o acordo com um contrato assinado.

Nesse contrato deve estar claro como, onde e por quanto tempo, as artes serão utilizadas e de que forma o autor será remunerado por esse uso.

Assim ilustradores e designers que postam suas "tabelinhas" de valores na rede sem especificar termos contratuais são amadores. Desconhecem o básico da Lei, e corre-se o risco de, ao requisitar seu trabalho, publicar algo sem respaldo legal.

Na falta de um contrato claro e formal, a justiça interpretará sempre à favor do autor.

Na Lei atual, na falta de um contrato especificando o uso, o recibo simples fornecido pelo autor ao editor/produtor/empresário é considerado válido pela justiça. Porém com limitações padrões determinadas, que são: uso válido para apenas a primeira tiragem do produto, uma edição (de no máximo 3.000 exemplares), apenas para o primeiro uso (aquele pedido no momento da requisição/encomenda da arte), apenas no território nacional, um único formato de mídia. Prazo máximo de 5 anos.

A falta de um contrato bem elaborado coloca o empresário, ou editor, numa posição vulnerável. Por outro lado, um contrato onde a remuneração não seja condizente com o uso pedido, como por exemplo,  pagar um valor baixo e exigir que o autor libere um uso muito abrangente, implica num acordo abusivo, que poderá ser questionado posteriormente pelo autor!

A nova redação da Lei virá com maior ênfase na necessária equidade contratual. Visto que o desequilíbrio de forças entre autores e poder econômico tem sido a maior causa de abusos por parte de grandes editores contra autores, em especial os ilustradores e fotógrafos.

A forma de pagamento não é especificada na LDA. Pode-se receber direitos autorais tanto na forma de um adiantamento, como na forma de percentuais sobre o lucro da vendagem do produto. Ou até outras formas que a criatividade humana inventar.

Essa remuneração muda em cada país e época, conforme a prática do mercado. Mas nunca é estanque. É inteligente que cada editor busque negociar com seus autores formas práticas e justas de remuneração. Por exemplo...

Já faz um tempo, os ilustradores e até alguns tradutores, mais conscientes de seus direitos, têm requisitado além do adiantamento usual, uma remuneração na forma de percentuais sobre novas tiragens e vendas casadas, destas do tipo que os programas governamentais contratam com os editores. Atualmente temos pedido um mínimo de 2,5%. Mas o fato é que, dependendo da agilidade do editor em lucrar e distribuir melhor, das novas mídias mais econômicas (ebooks) e do envolvimento do ilustrador no resultado final do livro, esse percentual pode e deve ser maior.

Por outro lado, com o novo mercado online, os escritores viram a oportunidade de finalmente poderem contar com adiantamentos, muito necessários, além dos percentuais, onde se levava meses pra conseguir um montante significativo. Com esses adiantamentos eles poderão se planejar melhor e se dedicar mais ao ofício da escrita, visto que esta muitas vezes demanda meses, até anos, de pesquisa contínua.

Tradutores têm formatado projetos pessoais, não raro em parceria com algum ilustrador ou designer, e assim também conseguido bons contratos. Infelizmente ainda não vi o caso de designers, que por terem projetos gráficos de excelência, tenham conseguido contratos que considerem as reutilizações ou usos futuros. Em geral, ainda se exige a cessão integral em projetos.

O efeito, dramático e fundamental, que um bom contrato faz na carreira de um autor, é algo que devemos sempre considerar. É a diferença entre ser um profissional em evolução ou um amador que não consegue se lançar no meio editorial. É também a garantia do editor de ter sempre ao seu lado autores satisfeitos e com lastro para atenderem suas demandas.

Sem segurança contratual, mal equilibrando-se sobre uma corda-bamba, ninguém produz e se desenvolve a contento.

Quanto custa?

Se for combinado, custa pouco,
Ganha-se muito.


quinta-feira, abril 19, 2012





É ERRADO defender a pirataria com o argumento de que os autores não recebem seus direitos autorais devidamente.

Primeiro porque, que se isso ocorre, quando ocorre, não é devido a existência destes direitos (meu Deus! Não é óbvio isso?), mas sim por conta de contratos feitos de forma desequilibrada e portanto, pelo menos na legislação brasileira, ILEGAL.

Comunicadores pretensamente "libertários" pregam a pirataria, que nada mais é do que roubo do trabalho alheio, a mais valia do capitalismo selvagem, como algo "bom".
Sim, claro! Bom pro burguês entediado que quer baixar hits e blockbusters de graça e "se achar". Não vejo um único destes "partidários da pirataria" promover a arte que dizem querer "ajudar".
A única alternativa que propõem aos Direitos do AUTOR é o mecenato. Uma forma de "patrocínio" flagrantemente ANTI-libertária! Vamos todos ter de voltar a pintar capelas pro "Papa", só que no caso será pro Google!

Outra curiosidade, é que os piratinhas vivem dizendo que o autor nada ganha... logo, o que faz "peso", via contratual, no valor dos produtos culturais NÃO É O DIREITO AUTORAL!!! E se esses "rebeldes sem causa" coçassem o bolso pra liberar os tostões que não querem repassar, diretamente aos autores, o valor, ainda assim seria muito baixo!!!

Piratas entediados, ao invés de ansiar por se apropriar do dinheiro alheio, deveriam antes pedir por um pouco de bom senso e inteligência.

sexta-feira, abril 13, 2012

Agapinho

Olá, amigos! Foi com grande prazer que ilustrei "Agapinho"! Dia 19 de abril começa no Rio de Janeiro o Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens. Estarei lá pra conversar e desenhar com a criançada, falando de meu trabalho nos livros, inclusive no "Agapinho" do querido Padre Marcelo Rossi. Venham visitar a maior feira de livros para meninada da América Latina!

Agapinho em marcador de livro

Estarei no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens distribuindo esses marcadores promocionais de meu trabalho no Agapinho.

O lançamento oficial do Agapinho é logo agora dia 16 de abril. Você poderá conseguir o seu no Salão e pegar um desenhautógrafo da ilustradora enquanto o Padre Marcelo Rossi não chega no Rio... Mas fica ligado, que não me surpreenderia se ele aparecesse lá no Salão do Livro que é o maior evento da América do Sul voltada para o livro infantojuvenil.

Proteja a natureza

Cartaz que fiz para download gratuito e liberado. Use-o em seu site, em sua casa, no parque, na forma de impresso, como quiser.

Livros em braille

SOBRE PNBE e remuneração dos autores

Vendas casadas, isto é, feitas diretamente com o editor sem o intermédio das livrarias e distribuidores, configura uma nova utilização dos direitos autorais tanto do escritor quanto do ilustrador, que deve obrigatoriamente ser remunerada à altura da nova tiragem e utilização. Toda cessão de direitos é presumivelmente onerosa. E para ser considerada justa deve haver um equilíbrio entre o que é cedido e o que é pago pela cessão. Cláusulas que não prevejam ganhos para o autor equilibradas com os lucros do editor devem ser consideradas abusivas.


Ao longo do ano, os editores inscrevem seus livros em vários editais, federais como o PNBE, ou estaduais e municipais, como o SECULFOR de Fortaleza. Esses editais atraíram para o Brasil as grandes editoras. Em uma venda direta não há risco algum de encalhe, e mesmo sendo os valores negociados menores que o de livrarias, não há desconto para o livreiro e distribuidor. Não há nenhum argumento que justifique a falta de uma remuneração melhor tanto para o escritor quanto para o ilustrador.


Temos pedido, os ilustradores, um mínimo de 2% pelos direitos das artes em vendas casadas. É irrisório, mas mesmo assim há editores reduzindo ou negando a remuneração. A grande editora internacional Planeta é uma delas. Não remunera o ilustrador quando utiliza suas imagens para vendas casadas. Queria saber qual a justificativa legal para tanto.

sábado, março 24, 2012

O autor, seus direitos e o artigo do Tulio Viana na Revista Fórum


Existe uma visão muito limitada dos que são as relações contratuais no nosso meio, o editorial. Não há na LDA nenhuma imposição quanto à forma de remuneração do autor, quando da utilização comercial de suas obras. Assim, graças a uma nova consciência de seus direitos os escritores, ilustradores e editores estão experimentando novas formas de publicação e novos modelos contratuais. Leiam o artigo do Tulio Viana, uma dos principais críticos da ministra, cujo link coloco aqui. http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=8670 Ele critica o atual modelo da LDA ressaltando que os escritores não se beneficiam da mesma pois, quando muito, seus ganhos equivalem a 10% do preço de capa. O leitor fica com a impressão errada de que a culpa por esse baixo percentual é o formato da Lei, e que portanto ela não é útil a nós autores. E também ele não esclarece que não é o editor que fica com o restante dos 90%!!! Não informa que na realidade o editor fica com 20%, de onde ele ainda terá de descontar serviços de revisão, diagramação, pesquisa, registro e depósito, ISBN... mais os custos do ilustrador, fotógrafo, tradutor – quando existentes – pois esses trabalham na base de adiantamento de direitos autorais. Não informa, ou talvez não saiba (?), que o custo de impressão, distribuição e revenda é que come a maior parte do preço de capa de um livro no Brasil. Tornando-o mais caro do que países onde a população tem poder aquisitivo mais alto que o nosso. Não ressalta que as novas tecnologias, o e-book, venda de gravuras e produtos gráficos diretamente online, tem possibilitado novas divisões de lucros, já que reduz o custo de produção e distribuição da obra criativa. Não informa ou não sabe, que estamos conseguindo negociar melhores contratos, com prazos justos, ganhos razoáveis, utilizações onde incidem a devida remuneração, e que isso tem possibilitado melhor e maior produção. Portanto, ao contrário do que o artigo indica, a LDA atende aos interesses do autor. Aliada às novas possibilidades de acesso direto do público com os autores, encaramos uma época de verdadeira liberdade criativa e produtiva.

Um cidadão, alheio à rotina de um escritor, ou outro profissional qualquer ligado a produção de um livro, ou obra visual, continuará leigo quanto a isso, mas passará a repetir o discurso de que "tudo bem acabar coms os direitos autorais! Pois ele só serve aos interesses escusos de empresários que exploram os autores!"  

É exatamente o que sou obrigada a escutar quase que diariamente nos debates sobre o tema! A questão se torna ainda mais bizarra, quando eu, autora, informo prontamente que não é assim que acontece. Que milhares de autores estão a viver de seu trabalho autoral, usando a LDA, sem falar de outros tantos que na extensa rede produtiva da cultura, usufruem dos direitos conexos. Garanto, olhando nos olhos, de que tenho conseguido, aqui e ali, melhores contratos, e que a vinte anos sustento minha produção, minha família e um contínuo aperfeiçoamento de minha arte, graças a existência da LDA e da forma como ela atrela minha produção ao uso comercial da mesma. E ainda assim... não acreditam! Porque, afinal, tem gente importante, controladores de opinião, que garantem que sabem mais de nós autores do que nós mesmos!

URGENTE: apoie a lei que limita em 5 anos os contrato de cessão de direitos


Amigos, entrem no site da camara e falem diretamente com o autor do projeto que limita os contratos em 5 anos. Parece que pouca gente está compreendendo a importância imensa desta alteração. 

A prática da cessão integral trancou milhares de fotos, imagens, roteiros, personagens, obras, contos...nas gavetas de grandes jornais e editoras. Até hoje há toda uma categoria de publicação que impõe a cessão por prazo infinito.

Se esse projeto passa, estamos salvos da pressão econômica destes grupos. Lembro que a maior casa publicadora do país, a Record, é uma que OBRIGA o ilustrador a ceder integralmente suas artes, para grande prejuízo não só do mesmo, mas de TODOS, visto que é muito barato para a editora comprar a arte de um iniciante, e depois reutiliza-la repetidamente sem nem pagar ao autororiginal e nem precisar contratar um outro ilustrador para novo trabalho. 

Minhas artes para o Taro do N Naiff venderam mais de 100.000 exemplares. Custaram uma mixaria para a Record, "cuja verba para tal projeto era apertadíssima e blablabla". Façam a gentileza de compreender que não é justo que nem eu, nem niguém, seja eternamente punido pela própria estupidez em assinar um contrato de cessão integral e penar eternamente que minha próprias artes me façam concorrência em um mercado onde rola milhões...mas nem um centavo pra quem criou.

O projeto do deputado Luciano Castro é MUITO IMPORTANTE, vem de encontro a uma das maiores demandas dos autores que se vêem amarrados a esses contratos vergonhosos.

SOCORRO, imploro que os colegas ajudem nesta hora. Entrem em contato com o deputado, apoiem, sugiram aperfeiçoamentos, espalhem em suas redes, comentem, divulguem, demonstrem interesse político por algo que realmente vai ter um efeito positivo em nossa produção.

Comuniquei-me com ele já suas vezes, levando a ressalva de que a presença obrigatória de um advogado pode trazer mais problemas do que benefícios. Coisa do tipo das que podem acabar prejudicando a aprovação do projeto todo. 

É essencial que demonstremos INTERESSE e UNIÃO nesta hora.Ou, na boa. Não sei o que estive fazendo estes anos todos na AEILIJ.

O site é:

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409757-TRANSMISSAO-DE-DIREITOS-AUTORAIS-PODERA-SER-LIMITADA-A-CINCO-ANOS.html



quarta-feira, março 21, 2012

LEI que LIMITA a cessão de direitos autorais a CINCO anos!!! Apoie!

Vejam este link. É o tipo de resolução que vem de encontro a nossos interesses integralmente. Pois devolve aos autores a oportunidade de bons contratos e de maior transparência na utilização de nosso trabalho. No mesmo link tem lugar pra apoiar, comentar e até mesmo se comunicar com a camara. Creio que é caso de todos os autores mostrarem seu interesse e apoio. Já que o combate a contratos leoninos, com prazos infindáveis, que na prática condenava nosso trabalho à gaveta, foi uma de nossas maiores queixas. http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409757-TRANSMISSAO-DE-DIREITOS-AUTORAIS-PODERA-SER-LIMITADA-A-CINCO-ANOS.html

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Novo livro...

Tem muito livro novo, desde o ano passado que estou devendo posts destes muitos livros. Que beleza... Este aqui é de um livro que muito em breve será divulgado pela editora. Mas esta imagem não será publicada, pois optou-se por outra, mas do mesmo estilo. Então aproveito pra colocá-la sem tirar muito da surpresa... Vai ser tão legal!

O ganho percentual do ilustrador

Sinal de tempos mais justos, os contratos entre editores e ilustradores tem evoluído pra cláusulas mais equilibradas. 

Se antes o ilustrador perdia todos os direitos de usufruto de sua criação (um antagonismo claro e imoral às funções sociais da Lei dos Direitos Autorais), hoje o padrão é que se tenha prazo limitado (após o qual os direitos retornam ao ilustrador) e participação na forma de um percentual nas vendas casadas, como no PNBE, por exemplo.

Mas este percentual ainda é ínfimo se considerado a importância do trabalho criativo do mesmo na obra selecionada. Algo que raramente passa dos 2,5%! E mesmo sendo tão pouco, ainda são pressionados a reduzir para menos! 

Com a eliminação dos impostos, que comiam até 15% do valor da capa, e o novo mercado de e-books, não se justifica uma remuneração tão baixa para tanto ilustrador quanto para o escritor. O corte da gordura é suficiente para melhorar o percentual dos autores e ainda sobrar pra reduzir o preço de capa. 

Porém...

O nosso nó Górdio, entretanto, continua sendo o repasse excessivo na revenda. Precisamos discutir sobre isso e chegar a acordos mais justos e produtivos, que de fato movimentem o mercado e possibilitem melhores condições para a produção autoral.

terça-feira, maio 10, 2011

A IMPORTÂNCIA DE SABER QUANTO CUSTA PARA SE PRODUZIR EM ARTE



Sobre o levantamento de custos da produção de arte, é essencial pois, independente da polêmica que sempre se levanta quanto às tabelas, é preciso "educar" tanto os profissionais quanto os clientes sobre os valores realistas.

Uma amiga minha desabafou outro dia, ela está tendo um tempo difícil com um cliente que acha que "é facinho" fazer alterações sucessivas nas 25 camadas das inúmeras imagens criadas para ilustrar um livro-imagem. Ele não compreende o processo cumprido até a finalização dos traços, das cores, da composição equilibrada... e que a cada pequena alteração num ponto, é preciso modificar toda a imagem, e que isso leva horas e horas, que viram dias,  a cada "mexidinha".

Ela perguntou aos amigos porque o cliente acha normal pagar pelas imagens menos do que uma prostituta recebe por programa.

A resposta veio rápida e precisa: 

Porque as prostitutas são organizadas e TEM TABELA!


Já temos o Guia do Ilustrador e a ABIPRO, nossa associação de ilustradores profissionais. Com essa noção realista de custos, avançaremos mais um passo pra nossa maior profissionalização.


Mais uma a favor da pesquisa de valores:

No Facebook, um amigo leigo em assuntos de direitos autorais, veio com a velhíssima ladainha de que "a arte não tem preço" e que o artista não deveria se preocupar com coisas mundanas como dinheiro.

Bem... o artista precisa comer e pagar contas como todo mundo, logo, ele É MUNDANO. E vou colocar uma pedra sobre esse tipo de argumento surreal de uma vez por todas com o seguinte:

Nossa produção tem DOIS lados. 

Um é o artístico, pessoal e criativo. Deste, só nós podemos avaliar e cuidar. 
Isso é "divino".

O outro é o COMERCIAL. Que é vinculado ao mercado e ao USO que é feito de nossas criações. A partir do momento que alguém pega algo que foi gerado através de nosso trabalho e talento e passa a GANHAR com isso, é nosso DIREITO LEGAL participar deste ganho de alguma maneira. 
Isso é mundano.

Todas as ilustrações seguem esse esquema. Algumas são mais pessoais (seus personagens de tira de humor) , outras menos (um mordomo em um rótulo de papel higiênico). Mas, mesmo as mais pessoais,  em determinado momento podem ser exploradas pelo mercado, e então é seu DIREITO LEGAL participar deste lucro.

E chega desta gente achar bonitinho artista morrendo de fome "em nome da arte" enquanto o mundo roda e faz dinheiro usando nossos "dons divinos"!

PS. Comparem as biografias de Van Gogh com Salvador Dali.
PS2. Cuidado com a pretensas "Tabelas" que se proclamam a solução para a precificação do uso de suas artes. Não existe tabelamento de trabalho autoral. E cada trabalho novo será negociado de acordo com os parâmetros do mesmo. No máximo, pode-se montar uma tabela pessoal, com valores de referência, bem embasados em sua prática profissional e nas expectativas de seu mercado.

Boa sorte e juízo!

sexta-feira, abril 22, 2011

Brasil tem A MELHOR lei dos Direitos Autorais

O Estadão entrou no front contra os autores, repassa um noticioso que coloca o Brasil dentre as 4 piores LDAs, justificando para tal a freiada inteligente que a Ministra Ana Hollanda deu no processo de reformulação.

Meu coment no Estadão:

Paraguay com certeza é o "melhor" pois os critérios aqui estão bem duvidosos. A Lei dos USA, por exemplo, é totalmente massacrante para os autores e tampouco favorece os usuários. A nosso lei, por exemplo, tem um dispositivo que não existe nas outras, chamado DIREITO DE SEQUENCIA. Então quando o quadro de um pintor e comprado por míseros 10 reais, para depois se revendido na base da especulação por 100.000, o revendedor é OBRIGADO a repassar para o AUTOR (o pintor neste caso) no mínimo 2% do seu lucro especulativo. Isso NÃO ACONTECE nas tais "melhores leis". As ditas "piores" são apenas aquelas em que se obriga a que se repasse para o AUTOR parte do LUCRO obtido com a comercialização da ARTE DELE. Ou seja, o critério aqui é: QUANTO MAIS JUSTA "PIOR"!!! A Lei brasileira sequer é uma lei "selvagem" como a do copyrigth que permite que se retire dos autores TODO E QUALQUER mérito pela sua criação!!! Oh, ESTADÃO!!!! Repassa a notícia sem sequer investigar os reais interesses aí por trás? E os leitores com comentários aqui contra a MInistra, sabiam que ela está recebendo o apoio GERAL DE TODAS AS ASSOCIAÇÕES DE AUTORES? Vocês deveriam começar desconfiar que se a reforma está desagradando justamente a quem cria... não pode dar em boa coisa! É uma questão de lógica elementar.

segunda-feira, abril 11, 2011

Cuidados ao ilustrar livro sobre pedofilia

Siga aqui, ou no link do título, minha entrevista sobre meu trabalho no livro Segredo Segredíssimo, com a escritora Odívia Barros. No pod-cast da Livraria da Folha.

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/900105-ilustradora-relata-cuidados-ao-fazer-livro-sobre-pedofilia.shtml

Convido você pra conhecer...

sexta-feira, abril 01, 2011

Clayton Melo ataca autores no site do Ministério das Relações Exteriores.

Sr. Clayton Melo, Deixe-me colocar aqui a observação de uma autora que sustenta sua família unicamente com base nos meus ganhos com direitos autorais pelo uso da obras que eu crio. Não há o menor sentido no que colocou. As novas tecnologias trouxeram a oportunidade não só de nos divulgarmos e lucrar diretamente com nossa arte, como foi responsável pela criação de uma grande rede de contatos que usamos pra orientar autores de todo o país em como elaborar bons contratos. Em minha área, as mudanças a favor do autor foram radicais, com reflexo imediatos na qualidade das relações com editores. Sabe quanto o autor ganha na capa de um livro? 10%, e se não pudermos contar com a proteção da lei..? Será 0%. Isso ocorre porque as livrarias ficam com 50% até 80% do valor! E sequer participam do risco. Quem mais arrisca é o editor, que investe capital e know-how, e se o livro não vende, engole o prejuízo. Com a pirataria na rede, vi livro de amiga minha ser "downloadeado" em mais de 5.000 exemplares, que é maior do que a tiragem usual de um livro. Resultado: o editor não quer mais re-editar! Pra que? Curioso é perceber que quem baixa os arquivos são professores. Garanto então que melhorar o salário deles iria democratizar a cultura com uma eficiência bem maior. O problema não é com a Lei dos DAs, que não é a mais draconiana do mundo, e só não teve sucesso (no passado) em proteger melhor o autor porque vivíamos o isolamento típico do criador e a ignorância de nossos próprios direitos! Foi apenas nos últimos anos que começamos a criar jurisprudência em conseguir anulação de contratos leoninos. E se a uns 10 anos atrás um escritor ou ilustrador que peitasse um contrato leonino ficava "queimado no mercado", hoje, inverteu-se a situação. Agora o difícil é achar uma editora que não procure elaborar contratos justos e atraentes! Tudo graças a um trabalho exaustivo de conscientização e união dos próprios autores. Três grandes associações só de autores, orientam gratuitamente os novatos, pra que iniciem seu relacionamento com o mercado. Ampliamos o contato direto com o público em ações voluntárias pela democratização da cultura. Isso já alterou até mesmo nossos critérios de qualidade, dando um verdadeiro empurrão em direção a uma produção de excelência na área! Cuidado ao jogar num mesmo saco, todos os tipos de arte. Cada campo há um processo diferente! No mercado do livro, o vilão é o custo de colocação de venda... algo que vai mudar! Porque agora qualquer autor e editor pode vender via site! Temos tudo pra melhorar isso aí. Imagine comprar um livro onde só se precise pagar os 10% do autor e os 20% do trabalho da editora? Todo livro cairia seu preço pra 1/3 do que é pago. Na verdade, cairia muito mais, porque ao invés de ter de recuperar o investimento em 3.000/5.000 exemplares, a gente estaria vendendo 10.000...50,000... e poderíamos amortizar o nosso custo autor em muitos, e muitos downloads! Isso tudo irá por água abaixo se cortarem nossos direitos! E NÃO VAI BARATEAR O ACESSO, por que o custo maior desse NÃO Ë REFERENTE AOS NOSSOS MÏSEROS PORCENTOS! E sim ao custo de uso da tecnologia! Não se iluda! Nada que vem pela Internet é gratuito, paga-se em algum ponto da corrente. E rompeu-se o elo mais fraco e justo o de menor participação, OS AUTORES! Pirataria é crime porque é injusto que sicrano e beltrano ganhe com a obra do autor sem sequer lhe repasser os tostões que cobririam o custo de criação. Não culpem os autores pelas insatisfações com aqueles que vieram lucrando com nosso trabalho. Mude-se o sistema para que os intermediários não prejudiquem nem público nem criador. Vocês estão indo no pescoço mais frágil... porque é mais fácil! As majors lidam com lucro, com capital. Se não puderem mais ganhar dinheiro explorando a arte, simplesmente irão investir em outro lugar... na tecnologia de rede por exemplo, onde continuarão a ganhar com o conteúdo dos artistas... mas agora sem pagar nada! Se quer combater o "inimigo" deve-se tentar pensar com a cabeça do inimigo... mas antes de tudo, saber indentificá-lo corretamente. Não somos nós os autores (em nosso direito autoral) a prejudicar ninguém! As principais associações de autores, em peso, estão do lado de Ana Hollanda. Porque não queremos que, mais uma vez, uma lei seja votada às pressas, sem pesar de forma correta as consequências. Todo autor que ver sua arte chegar ao povo. O estranho, é que se queria liberar o lucro de todos (provedores, anunciante, empresas de tecnologia...) usando nossa arte...mas ao custo da eliminação do provento de nossa categoria. Isso vai contra a lógica mais simples. Sem dinheiro, não poderei mais me dedicar a minha arte. E apenas com os ganhos sobre os direitos de uso de minha arte, os direitos autorais, posso criar livremente, sem a coleira dos interesses dos poderosos.

quarta-feira, março 30, 2011

"Graças a você, meu primeiro livro foi publicado!"-Leka


É comum pedirem orientação pra quem já está a algum tempo trabalhando como ilustrador. Quando eu também tinha dúvidas, pude contar com a ajuda de ilustradores mais experientes. O Ziraldo... acho que foi o primeiro com quem falei. Mais tarde o escritor Rogério Andrade Barbosa e a ilustradora Graça Lima (sobre direitos autorais). E quando tive problemas com contratos leoninos, o Montalvo Machado foi quem me orientou.

Então, é com satisfação que também ajudo os que estão iniciando no mundo dos livros ilustrados. Esse blog mesmo, é pra ajudar, e passar adiante as informações que um dia também me ajudaram.


Abaixo, reproduzo com permissão da Alexandra Fernandes (a ilustradora Leka!), uma mensagem que me deixou super feliz... Leiam!

"Thaiiiiiiiiiiiiisssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss,
Menina, como vai você??
Saudades virtuais!!
Tha, estou escrevendo pra te contar que saiu, foi publicado o primeiro livrinho que ilustrei para crianças.....e tudo graças a você, você quem me disse: Vá ver os editores cara-a- cara, olho-no-olho, lembra??
Muito obrigada "madrinha de papel", muitos abraços cheio de energia boa pra vc.
Fique com Deus,
Desta feliz, feliz desenhista."

Ela mandou também:

"E está pronto, saido do forno, o primeiro ilustrado para crianças!!!

Penso que auto-congratulação seja detestável, mas encaro este post como um compartilhamento de felicidade e não uma exaltação pessoal, creia-me. Estou muito feliz porque esta é a realização de um sonho: ilustrar para crianças e jovens; Este é o primeiro livro de literatura que tem minhas ilustrações e 3.000 crianças das escolas do Brasil vão segurá-lo, devorá-lo e voar nas idéias comigo. O texto é lindo, da mineira Erica Pontes e, para acompanhar a delicadeza do texto a pintura é aquarelada. O Amir, da Cortez já mora no meu coração pela oportunidade e carinho. Espero que os leitores gostem tanto quanto eu."

Conheça mais trabalhos de Leka em:
http://lekailustradora.blogspot.com/

segunda-feira, março 28, 2011

Sobre a entrevista da ministra Ana de Hollanda no Estado de São Paulo.

Acabei agora de ler a entrevista com a ministra Ana Hollanda no Caderno 2 do Estado de São Paulo deste domingo (27/03/2011). Gostei.
Em especial a parte em que ela diz que o problema do Creative Commons é ser definitivo e fica sublinhado que ela é contra cessão definitiva.

Daí... porque não aproveitar e já mandar pra ela uma ideia de cláusula restringindo cessões definitivas em todo material de literatura (tanto em texto e BEM explicitamente na ilustração literária)? E incluo aí os didáticos e científicos, até mesmo porque a informação contida nestes está sempre a ser renovada com os avanços do conhecimento.

Concordam que na literatura (e arte em geral) não se justifica cessão integral?
E que essa deve ser muito bem justificada (eu aceito, por exemplo, o que o Monteiro Lobato fez de ceder pra editora Brasiliense, foi claramente uma cessão por motivos pessoais e não simplesmente econômicos). 

Concordam que cessão integral só é justificada no âmbito da publicidade (que é a da propriedade industrial)? Pois se referem à identidade de produto e marcas e patentes?

Creio que seria uma contribuição importante.
E , na medida em que já cravaram uma vitória pros escritores do mercado editorial (isto é: proibindo cessão em contratos de edição), porque não colocar mais claro o mesmo benefício pros ilustradores de livros?

quarta-feira, março 23, 2011

No ABZ do Ziraldo

Lá fomos nós!

 



Flávia Savary, Braz e eu.

Com o Zira... que lembrou de quando nos conhecemos, eu com 17 anos (acho que menos), pasta de desenhos sob o braço. Meu primeiro roteiro foi publicado no Almanaque do Menino Maluquinho nº1, época do estúdio Zappin, no Cosme Velho - Rio de Janeiro.

segunda-feira, março 21, 2011

Outra, contra o AUTORES, no ESTADÃO:



(Publicada pela Editora do Brasil em 2011
no livro "Nem Sempre nem Nunca Mais",
escrito por Maria da Glória Castro)


Sou artista, autora, sustento sozinha minha família com o que ganho graça unicamente à Lei Brasileira dos Direitos 


Autorais. Sem ela, os editores comprariam meu trabalho pelo peso do papel e não duraria 3 anos a minha carreira. 


A liberação que é proposta na alteração da lei é mal formulada, ambigüa e não vai só favorecer setores carentes (o que queremos) mas também grupos multinacionais e piratas que SEMPRE estão a lucrar, e muito, com downloads de nosso trabalho. 


Tenho uma colega cujo livro , só em downloads ilegais, já rendeu ao pirata 10 vezes o número de exemplares vendidos legalmente. Por que você acha justo que o pirata enriqueça com o material que ela produziu, a custo de tempo, pesquisa, ainda mais comprometendo todo o investimento da editora que confiou no talento dela (e NÃO fica com a maior parte do dinheiro arrecadado mesmo legalmente)... por que você acha "certo" que o pirata arrecade um bom dinheiro com os banners e inscrições em seus sites de download, e que ela não ganhe NADA com isso? O CERTO não seria ele repassar uma parte para ela (e para todo artista cuja arte lhe renda lucro sucessivos)? 


DEMOCRATICO e POPULAR não seria qualquer rapaz e moça de qualquer periferia do mundo saber que se investir seu tempo e talento num trabalho criativo ele será remunerado numa proporção justa ao que está rendendo? 


OS DIREITOS DO AUTOR É A ÚNICA FERRAMENTA QUE TEMOS PRA GARANTIR NOSSA SUBSISTÊNCIA. 


Sem eles, que não for filho de papai rico, ou serviente ao sistema, simplesmente terá de mudar de profissão. Se não curtem o sistema, o mudem! Mas tirar nossos benefícios, nos alienando dos lucros que só crescem na Internet, não é sequer inteligente! 


Me assusta a ingenuidade , que beira a loucura, dos jornalistas que colocam a questão como se fosse um duelo entre músicos e ECAD, esquecendo que na base de tudo estão TODOS os autores, o elo mais fraco da corrente! Minha única garantia é a Lei dos Direitos Autorais, que foi conseguida com muita batalha, levando décadas pra chegar no ponto atual, e que exige alguma mudança, está apenas e re-equilibrar melhor o poder do capital x autor, melhorando mecanismos que impeçam contratos leoninos.


Quem assassina, digo, assina na coluna é Por Tatiana de Mello Dias e Rafael Cabral, do ESTADÃO.

ARQUIVO DE ARTIGOS ETC: JOÃO UBALDO RIBEIRO Vivendo de brisa


(Arte publicada em 2011 pela Editora Autores Associados
no livro "História de uma Viagem para se Encantar", 
do escritor Alexsandro Silva)


ARQUIVO DE ARTIGOS ETC: JOÃO UBALDO RIBEIRO Vivendo de brisa: "O GLOBO - 20/03/11Penso em aproveitar minha condição de baiano e montar uns shows casadinhosCostuma-se pensar que artistas de modo..."

sexta-feira, março 18, 2011

Arte: quem decide é o público.

(Estudo para capa. Obra publicada pela Editora Geração, em 2011)



Quem (ou o quê) afinal é o vilão na falta de acesso a arte por parte do público em geral? Nós (artistas) queremos, ó óbvio, que o acesso seja total!

Numa resposta a um blogueiro, eu tentei mostrar que a culpa pelo preço e dificuldade de acesso nunca é do autor. Mesmo casos extremos, onde algum herdeiro não libera a obra, é algo raríssimo, e só chama a atenção quando é com algum famoso. Aqui no Brasil lembro de dois casos: Cartola e Monteiro Lobato.

O caso do Lobato, só deu a confusão que deu, porque o próprio Lobato quis que toda sua obra ficasse cedida integralmente à Editora Brasiliense. Não previra que assim conseguiria o oposto do que queria! A Editora foi comprada, a família já não queria concordar com os tratamentos dados...

No meu limitadíssimo ponto de vista, me parece que o alto custo do acesso está no preço das estruturas necessárias pra levar a arte ao público. No caso da Internet essa estrutura é a tecnologia montada pra que o usuário acesse a rede. Esse custo é alto, se o usuário tiver de pagar o provedor, a linha telefônica, o minimodem...

Em shows, peças de teatro, cinema, o custo é a estrutura, os profissionais contratados. 
E no caso dos livros... esse já poderia ser resolvido já!

Já devem ter visto aqui na lista eu e outras pessoas denunciando que no preço que você paga em um livro - chamado preço de capa - o custo do autor não passa de 10%. Pode até ser menor, visto que vai depender unicamente do acordo entre autor e investidor (o editor).

Os outros 90% são engolidos por custo de editoração (uns 20%), gráfica (uns 50%) e distribuição e venda (40%).

Esses 40% ficam pra livraria (que às vezes dividem com distribuidor) sem que ela precise arriscar nenhum capital. Se o livro não vende, ela devolve o produto e quem engole sozinho o prejuízo é o editor. A gráfica já está paga e o autor pode simplesmente esperar acabar o contrato e levar o texto/imagem pra outro editor.

Em grande redes é "normal" que a parte do livreiro seja de 70% a 80%. Repito: sem o menor risco! Isso é uma aberração dentro do sistema capitalista. A parte maior deve sempre ficar com que assume o maior risco! No caso o editor. 

O correto seria o editor ter pelo menos 50% na mão. Isso, e apenas isso já baratearia o preço do livro.

O livro fica caro porque o editor tem de recuperar com o mínimo de vendas o seu investimento! Isso também impede que os editores possam dar adiantamentos aos escritores, que dificilmente conseguem se dedicar a sua arte sem ter um emprego paralelo. Menor dedicação, menor qualidade. Bolsas prêmios quebram o galho mas são uma ajuda limitada e contaminada pelo gosto do juri.

O que baratearia o livro já está à nossa disposição:

- venda direta;
- parceria com livraria onde a parte seria de no máximo 30% pro revendedor;
- ebooks (quando possível, economiza os 30% da impressão).
- mais compradores, tiragem/downloads maiores! Isso então, pode colocar o valor em até um décimo do original! Ou seja: quanto maior o acesso do público, mais barato fica!


Entretanto, vimos a acesso a Internet (paga) crescer exponencialmente e os valores dos provedores continuarem altos!


Reestruturar esse mercado ajudaria a reduzir custos. 
Não simpatizo muito com patrocínios diretos intermediados pelo governo, porque temo que vire arte panfletária. E a liberdade artística é essencial pra cidadania.

Melhor, e certo, é que o público pague pouco (o preço justo) e PRINCIPALMENTE que o público tenha salários dignos, que o tornem livre pra escolher no quê quer gastar o dinheiro!

Reduzir a desigualdade social aqui no Brasil é essencial se queremos avançar. Mas não há vontade política para tal.

Abs,
Thais Linhares

quarta-feira, março 16, 2011

Mais um CONTRA os autores



– Eu vivo disso, por quê? Algum problema?



Resposta ao blog do Bruno, que deprecia Ana Hollanda em:



Bruno, deixe-me colocar aqui a observação de uma autora que sustenta sua família unicamente com base nos meus ganhos com direitos autorais pelo uso da obras que eu crio.

Não há o menor sentido no que colocou. 
As novas tecnologias, finalmente, trouxe a oportunidade não só de nos divulgarmos e lucrar diretamente com nossa arte, como foi responsável pela criação de uma grande rede de contatos que usamos pra orientar autores de todo o país em como elaborar bons contratos. 
em minha área, as mudanças a favor do autor foram radicais, com reflexo imediatos na qualidade das relações com editores.
Sabe quanto o autor ganha na capa de um livro? 10%, e se não pudermos contar com a proteção da lei..? Será 0%.
Isso ocorre porque as livrarias ficam com 50% até 80% do valor! E sequer participam do risco. Quem mais arrisca é o editor, que investe capital e know-how, e se o livro não vende, engole o prejuízo.
Com a pirataria na rede, vi livro de amiga minha se downloadeado em mais de 5.000 exemplares, que é maior do que a tiragem usual de um livro. Resultado: o editor não quer mais re-editar! Pra que?
O problema não é com a Lei dos DAs, que não é a mais draconiana do mundo, e só não teve sucesso (no passado) em proteger melhor o autor porque vivíamos o isolamento típico do criador e a ignorância de nossos próprios direitos! Foi apenas nos últimos anos que começamos a criar jurisprudência em conseguir anulação de contratos leoninos. E se a uns 10 anos atrás um escritor ou ilustrador que peitasse um contrato leonino ficava "queimado no mercado", hoje, inverteu-se a situação. Agora o difícil é achar uma editora que não procure elaborar contratos justos e atraentes! Tudo graças a um trabalho exaustivo de conscientização e união dos próprios autores.
Três, agora grandes, associações só de autores, orientam gratuitamente os novatos, pra que iniciem seu relacionamento com o mercado. Isso já alterou até mesmo nossos critérios de qualidade, dando um verdadeiro empurrão em direção a uma produção de excelência na cultura!
Ainda quanto a questão dos 70 anos pros herdeiros... Entenda que outros patrimônios de natureza igualmente lucrativas... não caem em domínio público JAMAIS!!! Meus filhos, se tiverem sorte e souberem investir em reeditar minhas artes, poderão por 70 anos receber. Tenho cuidado bem de meus contratos pra garantir que eles tenham essa benesse, e não algum banco de imagens malandro. Depois, eles perdem esse direito que vira patrimônio da humanidade. Esse tipo de benefício ao público SÓ OCORRE COM OS DIREITOS AUTORAIS E PATENTES! E essa é a herança que deixarei, daquilo que eu fiz na solidão do meu ateliê, aos meus filhos. Em meu caso, que não sou famosa, apenas migalhas. Mas... se todo mundo quer ganhar com minha arte... porque não minha família? 
Cuidado ao jogar num mesmo saco, todos os tipos de arte. Cada campo há um processo diferente! Não tenho nada a ver com o ECAD, e acho absurdo que as leis privilegiem o monopolio pra um escritório de arrecadação. Vivo com medo que colegas meus, desavisados, apoiem a criação de mostruosidade similar que arrecada no uso de textos e imagens, como o AUTVIS está tentando fazer! Pra acabar com o ECAD, basta quebrar seu monopolio e só permitindo que administre as obras que ele contratar junto aos autores.
No mercado do livro, o vilão é o custo de colocação de venda... algo que vai mudar! Porque agora qualquer autor e editor pode vender via site! Temos tudo pra melhor isso aí. Imagine comprar um livro onde só se precise pagar os 10% do autor e os 20% do trabalho da editora? Todo livro cairia seu preço pra 1/3 do que é pago. Na verdade, cairia muito mais, porque ao invés de ter de recuperar o investimento em 3.000/5.000 exemplares, a gente estaria vendendo 10.000...50,000... e poderíamos amortizar o nosso custo autor em muitos, e muitos downloads!
Isso tudo irá por água abaixo se cortarem nossos direitos! E NÃO VAI BARATEAR O ACESSO, por que o custo maior desse NÃO Ë REFERENTE AOS NOSSOS MÏSEROS PORCENTOS! E sim ao custo de uso da tecnologia! Não se iluda! Nada que vem pela Internet é gratuito, paga-se em algum ponto da corrente. E rompeu-se o elo mais fraco e justo o de menor participação, OS AUTORES!


PS.

Sabe porque a pirataria é crime?

Por que é injusto que sicrano e beltrano ganhe com a obra do autor sem sequer lhe repasser os tostões que cobririam o custo de criação.

Não culpem os autores pelas insatisfações com aqueles que vieram lucrando com nosso trabalho. Mude-se o sistema para que os intermediários não prejudiquem nem público nem criador. Vocês estão indo no pescoço mais frágil, porque é mais fácil.

As majors lidam com lucro, com capital. Se não puderem mais ganhar dinheiro explorando a arte, simplesmente irão investir em outro lugar... na tecnologia de rede por exemplo, onde continuarão a ganhar com o conteúdo dos artistas... mas agora sem pagar nada!

Se quer combater o "inimigo" deve-se tentar pensar com a cabeça do inimigo... mas antes de tudo, saber indentificá-lo corretamente. 
Não somos nós os autores (em nosso direito autoral) a prejudicar ninguém!

segunda-feira, março 14, 2011

Direitos autorais: esta NÃO é uma luta do Ecad contra o Creative Commons! Por Leo Cunha.


(Estudo de cor para a obra "O Pequeno Filósofo" de Gabriel Chalita,
publicada pela Editora Globo em 2011).



by Leo Cunha on Sunday, March 13, 2011 at 1:35pm em sua página do FaceBook:

Neste fim de semana eu li muitos textos de blogs, sites, twitters e facebooks sobre a questão dos direitos autorais.

O que me deixou mais impressionado é que tudo parece se resumir, de forma simplista, a uma guerra entre duas turmas: a turma do ECAD e a turma do Creative Commons (incluindo os chamados "blogueiros progressistas").

Isto me parece um erro enorme de percepção. Claro, estas duas "turmas" são mesmo as mais proeminentes, mas não são os únicos "jogadores" em campo.

Como escritor de literatura infantil, há 20 anos, e membro fundador da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEI-LIJ), há mais de 10 anos, eu acho importante deixar claro que, fora do Ecad e para além dele, há vários outros setores da classe artística que também têm suas preocupações, opiniões e reivindicações próprias, no que se refere aos Direitos Autorais e à Propriedade Intelectual.

No caso da AEI-LIJ, uma de nossas bandeiras é a recusa ao Parágrafo Único do Artigo 46 (da proposta de mudança da lei dos DAs), por entender que ele fere mortalmente nossos direitos autorais, que afinal são, como temos explicado insistentemente, os nossos direitos trabalhistas.

Entendam: os DAs são a única remuneração dos escritores, são o nosso salário. Não podemos nos dar ao luxo de abrir mão dos nossos DAs (nosso SALÁRIO, repito) para depois compensar fazendo shows ou participando de festivais, por exemplo. Somos diferentes, neste sentido, de uma banda de rock ou de um curta-metragista, para quem os DAs podem ser, muitas vezes, algo secundário.

É muito comum eu (e muitos escritores) encontrar sites que publicam o PDF gratuito de um livro meu e ver que estes sites ganham dinheiro com banners ou patrocínios diversos.

O site vai argumentar que está simplesmente "disponibilizando" ou "compartilhando" o arquivo, termos muito simpáticos, modernos e politicamente corretos. Mas, para mim, o que este site faz é "publicar" meu livro sem me pagar direitos autorais. É "vender" meu livro (pois mesmo que seja gratuito, o site ganha a parte dele e não me repassa a minha parte).

Quero deixar claro que não me importo que algum site ou blog reproduza qualquer texto meu, DESDE que não lucre em cima disso.

Então, por favor, não venham dizer que sou contra o compartilhamento, contra a democracia virtual, contra a inteligência coletiva, ou algo parecido. Sou a favor de tudo isso, desde que ninguém ganhe nada, ou, melhor ainda, desde que cada um ganhe a sua parte.

Abraços,
Leo Cunha