terça-feira, abril 06, 2010

Gatitos da Leal






Gatitos gerados num papo ao telefone com a animadora e ilustradora Thais Leal.

A Primeira Só



Feita durante a palestra da Marina Colassanti, na FBN.

Tempestade, madrugada tenebrosa.


Estou ilhada. As crianças também, na casa da avó, que virou uma ilha da Lagoa que transbordou. Ainda estou secando a casa, ontem parecia que estava sob a ducha de uma cachoeira, com alguns veios entrando pela sala-quarto-cozinha! Fiquei assim, como esse barquinho...

Pintado em ecoline sobre papel de aquarela esticado na madeira.
Feito no início dos anos 90... tem quase vinte anos.

AEILIJ É PREMIADA PELA CÂMARA RIO-GRANDENSE do LIVRO!!!

Transcrevo o email de notícia abaixo, onde a AEILIJ ganha o prêmio "Amigo do Livro":

"Sent: Monday, April 05, 2010 5:53 PM
Subject: Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil é Amiga do Livro

Oi, Anna Cláudia:
Parabéns pela premiação: como te dizia, nada mais justo.
Durante a Semana do Livro (de 18 de abril - Dia Nacional do Livro Infantil - a 23 de abril - Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor), a Câmara Rio-Grandense do Livro homenageia pessoas e entidades que se destacaram, no ano anterior - no caso 2009 -, por sua atuação ou apoio na área de promoção do livro e da leitura.
São escolhidos os Amigos do Livro (um deles será a AEILIJ neste ano), a Personalidade do Livro, além da Biblioteca do Ano.
Teremos prazer em agradecer todo o carinho e parceria que temos recebido de vocês nas ações de apoio à leitura e de divulgação do livro na forma de troféu "Amigo do Livro".
A cerimônia acontecerá no dia 23 de abril, sexta-feira, às 20h30min, no Auditório Erico Veríssimo do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano.
Abraço, Jussara

Em breve, enviaremos os convites formais."

quinta-feira, abril 01, 2010

VALOR versus PREÇO


O preço que cobramos por nosso trabalho é a primeira referência para o cliente do Valor do que produzimos.
Se cobramos pouco, mesmo que a qualidade seja boa, o cliente assimilará que a arte é de pouco Valor.

Por isso é importante cobrar um preço que revele o Valor real da arte.

Mas as consequências de não se cobrar direito são piores ainda.

Seguem os fatos:


Em determinado ano entrei para uma pequena equipe de uma antiga produtora carioca. Essa produtora tem mais de 20 anos de mercado, mas é a única produtora carioca que não está produzindo nada, e que tem prejuízos mensais num montante que fariam a festa pra qualquer um de nós aqui.

Enquanto estive por lá eu entendi o porquê disso.

Por motivos éticos, não cito nomes, nem avalio a atuação de quem seria responsável pelo negócio.

Mas me impressionou MUITO que tal empresa/empresário não soubesse cobrar. Na falta de total de clientes, mendigava até os piores valores dos dois únicos que apareceram. E por duas vezes colocou a equipe toda pra ralar em "contratos de risco" – e o pior disso, é que só avisava que não rolaria pagamento depois de tudo pronto!

A primeira consequência disto foi a revolta da equipe criativa. São meia dúzia de bons profissionais, que se deixaram empolgar por promessas de parcerias e crescimento dentro de uma área que amam. Por conta dessas promessas, abriram mão de salários reais, estabilidade, e trabalham na base da ajuda de custo - o que, como prometido mas não cumprido, seria por pouco tempo. Mas o tempo passava e a empresa não cumpria sua parte e começou a dispor da equipe como um tipo de mão-de-obra barata.

A segunda, e pior consequencia, é que esses dois únicos clientes que buscaram o lugar, o fizeram por saberem que ali se aceitaria o péssimo orçamento. Ou seja: a classe de clientes que precisa, ou quer, abrir mão da qualidade.

Isso gera uma péssima fama tanto para e empresa quanto para os profissionais envolvidos.

O perigo inerente em se cobrar barato é que o cliente automaticamente avaliará seu talento como "barato" também.

A culpa é do sobrinho - parte II

Em meio as manifestações dos colegas, mais considerações sobre o mercado:

Silvana, amigos e sobrinhos,


A ironia é essa mesmo: "culpa do sobrinho" é o jeito que algumas pessoas justificam a sua ineficiência em compreender o valor de seu trabalho como ilustrador.
É óbvio que nenhuma editora, cliente, ou produtora, poderá sobreviver no mercado hiper-competitivo (e agora globalizado) se não puder contar com arte exclusiva e de qualidade.

Parece que só os ilustradores não sacaram isso ainda.

Não se cobra uma arte pelo número de pixels, ou tinta usada, ou tamanho do papel. E sim pelo seu USO COMERCIAL.

Vender uma arte à 20 pilas revela uma total ignorância do mercado. É apenas amadorismo. Um jeito de começar a cobrar melhor e poder de fato viver de arte com dignidade e perspectiva de futuro é largar a preguiça de lado e começar a estudar sobre:

LICENCIAMENTO
DIREITOS AUTORAIS
MARCAS E PATENTES
PROPRIEDADE INDUSTRIAL
MERCADO DE ARTE
MERCADO EDITORIAL
PUBLICIDADE

Que bom que na Internet tem tudo, é só Googlar.

Cobrar 20 pilas é queimação de filme (de quem vende e de quem compra).
Um amigo meu (gosto de coração mas fala cada besteira) disse que se aproveita de ilustradores que pensando como "sobrinho", se deixam explorar por pouco. Ele usa o fato de que pensam que por serem novatos são obrigados a comer merda. Ele usou essa expressão mesmo: "fico ganhando às custas deles, e deixo eles comerem muita merda..."
Fiz uma cara feia pra ele, secretamente peguei o nome do coitad...quero dizer "ilustrador" que ele entrevistara, pra avisar o mané depois: Fabrício Alves, de Duque de Caxias.
Aí tentei explicar pra ele que ser novo ou velho na área não tem NADA A VER com valores cobrados.


O valor da ilustração é determinado pelo seu USO COMERCIAL.

Em miúdos:

Se a ilustração vai pintar o bolo da festinha da sobrinha, pode custar R$ 20,00... pode até custar um bônus-bolo.
Se a MESMA ilustração vai ser capa de CD de música, com tiragem de 3000, e outras subsequentes... R$1.000,00 é um bom começo.
Se essa banda for o Gays and Poses... R$ 10.000,00 é um bom começo...

O USO COMERCIAL, o RETORNO FINANCEIRO pelo USO da ARTE é que determina o valor. Isso porque o lucro que vem da produção artística é regido pela LEI DOS DIREITOS AUTORAIS. Um benefício de 200 anos, porque mesmo a 200 anos atrás, a turma se tocou que a coisa mais importante para o desenvolvimento de um país é a sua CRIATIVIDADE.

Por favor turma sobrinhesca, se empenhem em manter a chama da sabedoria acesa. Nivelar por baixo, na base do barateamento é ruim pra todos, até pra turma que pensa que está se dando bem, que são os maus empresários... o que me faz voltar a historinha de meu amigo querido que gosta de ver ilustrador novato comendo cocô...

Exatamente por ter esse tipo de postura...é que ele é tratado assim pelo CHEFE DELE!!! Um milionário que a mais de dez anos não lhe concede um aumento. O salário dele, sendo a pessoa mais importante da empresa (se ele pedir demissão o lugar FECHA por que só ele sabe fazer a josta funcionar), é menor que o de um NOVATO COMEDOR DE MERDA das empresas concorrentes.

Vê..? É um ciclo vicioso, que quanto mais rápido se pular fora dele, melhor pra todos.
Inseguro quanto ao dinheiro?

Melhore a qualidade do trabalho, junte-se a colegas pra pegarem trabalhos grandes, busque outros caminhos: cursos, camisetas próprias, licencie a arte mas não abra mão do uso dela pra outros clientes (como um banco de imagens pessoal)... Saber gerenciar suas artes é essencial. Ou acredite, corre o risco de ficar como alguns VETERANOS, de barba branca, e sem dinheiro pra plano de saúde, porque descobriram tarde demais que se não souberem cobrar o preço certo, não é com o TEMPO que as coisas vão melhorar.

Se eu bater na porta da Ediouro pra vender arte pra Coquetel, eles NÃO VÃO me pagar mais do que os 35 merréis só porque tenho quase uma centena de livros ilustrados, artes expostas na europa, currículo de fazer chorar de emoção as tias da arte... Eles só irão pagar bem quando acabar essa farra burra de cobrar esmola de uma editora que sabe muito bem o valor verdadeiro destas artes.

Já parou pra pensar no lucro que ela ganha com as revistas? E se pagassem bem aos artistas? Como isso iria afetar como o orçamento?

É fácil fazer esse cáculo:

Se a tiragem da Coquetel for 100.000 (na Ediouro eles costumavam cancelar qualquer publicação com tiragem menor que isso) pega teus R$ 35,00, ou R$20,00 e divide por 100.000. Aí você vai saber o que sua arte representa no preço de capa do título. Um cisco.

Mas, como pra cada um que diz "não sou mané" tem meia dúzia de sequelados que dizem "sim, monta nas minhas costas", a solução pra que isso melhore é que os "novatos" e "veteranos com crise de auto-estima" PAREM de cobrar tão pouco, que tentem abrir mão de uma vidinha miserável, mal pagando aluguel de kitinete, sem dinheiro nem pra birita... Que procurem se acostumar a uma vida digna, pagando bem as contas, viajando de vez em quando... Deve ser mesmo difícil ser feliz, já que tem tanta gente "pagando caro" pra sofrer...

Abram o olho e fechem a mão...
Recomendo a leitura o www.guiadoilustrador.com e dos blogs e sites da Silvana Larques, do Hiro, do Montalvo, do Mota...enfim... boa leitura, arte e fartura pra todos!

quarta-feira, março 31, 2010

Contrato de Ilustrador

ORÇAMENTO - CONTRATO DE LICENCIAMENTO
DE DIREITOS AUTORAIS PATRIMONIAIS

Rio de Janeiro, 00/0/201X
De: (Nome completo do ilustrador)
Para: XXX
A/C – XXX


Atendendo sua solicitação, apresentamos nossa proposta para ilustrações referentes ao livro XXX, texto de XXX, a ser editado pela editora XXX.

(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00
(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00
(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00

Valor Total R$ ..........0.000,00

Condições de pagamento: XXX

Entrega das ilustrações em (mídia e prazo).

______________________________________________


O Objeto do presente Contrato é a cessão de direitos de reprodução da(s) obra(s) descrita(s) acima, celebrado entre as partes:

A. ILUSTRADOR: (nome completo), RG 000, CPF 000, autor(a) da(s) ilustração(ões) descrita(s) no orçamento acima, aqui representado(a) pela (empresa/pessoa jurídica do ilustrador caso exista), CNPJ XXX, localizada à RXXX- CEP XXX - no município do Rio de Janeiro - RJ; e

B. CLIENTE: Empresa: XXX, CNPJ XXX, localizada à XXX - CEP XXX - no município de XXX, aqui representada por XXX, RG XXX, CPF XXX.

Normas Contratuais:

I. Introdução
1. A utilização da(s) ilustração(ões) será regida pelas seguintes normas:

II. Utilização
2. O presente licenciamento de direitos autorais é destinada a única e exclusiva reprodução da imagem (descrição detalhada do serviço, nome do(s) arquivo(s) FINAL(IS) e sua destinação) para o livro XXX, para o período de 5 anos, e do material de divulgação e propaganda exclusivamente destinados à venda desta mesma publicação.

3. A partir de 5.000 exemplares vendidos, a ilustradora terá o direito a receber 2% do valor facial da publicação.

3.1. O ILUSTRADOR tem direito a vinte exemplares da obra para uso pessoal (no formato/mídia de publicação, livre de carimbos/aviso de “cortesia”).

4. O presente contrato garante ao CLIENTE a exclusividade desta(s) obra(s) pelo período de 5 anos, terminados os quais a autora poderá comercializar a(s) imagem(ns) para qualquer outro interessado, celebrando novo contrato de cessão de direitos.

III. Reutilização

5. O ILUSTRADOR tem direito a cinco exemplares da obra para uso pessoal (no formato/mídia de publicação, livre de carimbos/aviso de “cortesia”, ou sinais similares alheios à concepção original da obra, que deverá estar em perfeito estado físico e qualidade gráfica idêntica aos exemplares destinados ao comércio) a cada republicação.

6. O ILUSTRADOR deverá ser consultado e informado sobre qualquer nova reutilização de sua obra, que deverá conter seu crédito em lugar visível junto com a imagem, salvo quando firmado acordo em contrário por ambas as partes. Um novo contrato deverá ser firmado entre as partes para definir as regras e remuneração referente a essa nova utilização.

IV. Prazo de Entrega
7. O prazo de entrega da(s) ilustração(ões) está definido no presente orçamento. O atraso na entrega por um prazo injustificável, por parte do ILUSTRADOR, sem prévio aviso, justificativa expressa, e sem o assentimento do CLIENTE, permitirá o cancelamento da ilustração(ões) por este último.

8. A alteração do prazo de entrega previsto acima, por motivos de responsabilidade direta ou indireta do CLIENTE, entendendo-se como tal, todo evento que não possa ser imputado ao ILUSTRADOR, tais como: atrasos, falhas, impedimentos no fornecimento de "briefings" ou referências, ainda que involuntários, por parte do CLIENTE, ou de terceiros por ele contratados, farão com que o ILUSTRADOR fique isento de responsabilidade no que se refere ao cumprimento do prazo estabelecido neste orçamento.

9. A antecipação do prazo de entrega, a pedido do CLIENTE, poderá gerar custos adicionais que serão acrescidos ao valor deste orçamento e previamente submetidos a ele, CLIENTE.

V. Cancelamento
10. Se o cancelamento, por parte do CLIENTE, ocorrer durante a produção dos rascunhos ou estudos preliminares da imagem a que este contrato se refere, se fará a quitação de 50% do valor aprovado entre as partes. Se ocorrer o cancelamento durante a produção final da(s) ilustração(ões) , o CLIENTE pagará ao ILUSTRADOR, o proporcional a 80% do valor estabelecido neste contrato.

11. No caso de cancelamento, por parte do CLIENTE, após a finalização da(s) ilustração(ões), esta(s) será(ão) entregues e o preço aqui pactuado será cobrado integralmente, mesmo que não venha(m) a ser utilizada(s), e/ou que o CLIENTE se recuse a recebê-las.

12. Em qualquer hipótese de cancelamento por parte do CLIENTE, o prazo estipulado para o pagamento não será alterado.

VI. Do refazer de ilustrações

13. O ILUSTRADOR somente refará a(s) ilustração(ões), sem ônus para o CLIENTE, quando estiverem fora do briefing que deram origem ao orçamento e ainda na sua fase inicial de layout.

VII. Responsabilidades

14. O ILUSTRADOR responderá pela boa execução da(s) ilustração(ões) contratada(s), sempre atendendo aos interesses do CLIENTE.

15. O ILUSTRADOR declara ser o autor único da obra da presente cessão, mas não será responsabilizado por quaisquer processos ou demandas pela utilização de referências cedidas pelo CLIENTE e/ou seus representantes.

VIII. Condições Gerais

16. Direito Autoral
Os Direitos Autorais Morais sobre a(s) ilustração(ões) pertencem ao ILUSTRADOR conforme, Lei Federal de Nº 9610 de 19 de Fevereiro de 1998, respeitados os Direitos Autorais Patrimoniais cedidos ou concedidos neste instrumento.

17. As partes se comprometem a assegurar a integridade da obra, opondo-se a qualquer tipo de alteração em seu formato, proporção e conteúdo. A obra não poderá ser publicada em partes, ou editada digitalmente de forma a se tornar diferente da sua concepção original. Toda e qualquer alteração será submetida ao autor da obra, aqui referido como ILUSTRADOR, que terá o direito de cobrar pelas modificações, caso não tenham sido descritas em detalhe no momento da contratação.

18. Cada ilustração deverá ter seu uso especificado neste instrumento, pois quaisquer outras utilizações ficarão condicionadas à autorização do ILUSTRADOR, que apresentará novo orçamento correspondente.

19. No caso de haver arte física original, esta deverá ser retornada ao autor, nas mesmas condições em que foram entregues ao CLIENTE, logo após a utilização a que se refere o presente contrato.

20. No caso do CLIENTE encomendar, pagar e, por qualquer motivo, não utilizar a(s) ilustração(ões), até metade do período de veiculação solicitado, o prazo autorizado passa a ser contado a partir da data de aprovação deste orçamento. Durante este período, a(s) ilustração(ões) ficará(ão) interditada(s) para qualquer uso. Ao término do prazo ela(s) estará(ão) liberada(s), conforme a prática para as ilustrações que cumpriram sua utilização.

21. Elegem as partes o foro da Capital do Rio de Janeiro, como competente para dirimir quaisquer dúvidas e controvérsias que possam surgir em decorrência do presente contrato, excluindo-se qualquer outro, por mais privilegiado que seja ou se torne.


De acordo, Rio de Janeiro, XX de XXX de 200X.


____________________________
(nome completo) - ILUSTRADOR


____________________________
CLIENTE

A culpa é do sobrinho!

Eldes de Paula – o Diretor de Comunicação da ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais), levantou esta semana a questão: Quais as maiores dificuldades enfrentadas por um ilustrador atualmente?

A conclusão bem humorada que chegou-se (ainda num primeiro retorno dos associados) é que nossa maior problema é um tal de "sobrinho".
É tudo culpa do infeliz do sobrinho!
O sobrinho do dono da empresa que faz concorrência desleal com profissionais preparados. O sobrinho que brincando no Coréu, faz logos toscos plagiados de outros logos mais toscos ainda. O sobrinho, que sem noção de custos de mercado, plano de carrreira, direitos autorais ou propriedade industrial, cobra dos chopps pra cobrir as "necessidades" gráficas e visuais do "pequeníssimo" empresário. Mau empresário é pouca bobagem... o problema é o tal do sobrinho.

Envoltos por esta singela imagem, de um sobrinho sendo linchado por irados ilustradores e designers de responsa, veio uma mensagem muito bem colocada enviada pelo designer Leonardo Correa, que me permitiu reproduzir aqui:

Repassando a msg do Leonardo Correa da lista da ABIPRO:

Olás!

Sou ilustrador profissional, trabalho em uma empresa do ramo de EaD, mas sou
formado em design gráfico.

Trago para essa discussão alguns pontos que costumamos discutir nos meios do
design gráfico. Nos eventos e encontros de design que participo, vejo muitos
estudantes e profissionais com uma reclamação semelhante à que foi colocada
aqui: *'o sobrinho do dono da empresa, que sabe mexer muito bem no corel, e
faz o meu trabalho cobrando 50 pila'.* Todos reclamam da falta de
valorização, etc etc.

Eu, sinceramente, não considero o 'sobrinho fuçador de Corel' como meu
concorrente. SE o trabalho dele for tão bom quanto o meu, e ele cobra 50
pila, uma hora ele vai morrer de fome. Agora, SE o trabalho dele é ruim, e
MESMO ASSIM ele concorre comigo, eu preciso reavaliar o *meu trabalho*.

- Estou realmente fazendo um trabalho bom?
- Se o meu trabalho é realmente melhor do que o de 50 pila, e o empresário
não enxerga a qualidade, será que eu não posso mandar o empresário pastar e
procurar outros clientes?
- Se o trabalho de 50 pila do guri é tão bom quanto o meu (aos olhos do
empresário/mercado), quanto vale o meu profissionalismo? Como eu faço pra
demonstrar esse valor?

Tem um livro do autor Chico Homem de Melo, chamado Signofobia, que contém um
artigo entitulado *"O que é bom para Nike é bom para a sapataria?"*. Neste
artigo, o autor questiona a necessidade da "super identidade visual de 50
mil reais" para uma pequena sapataria caseira. A sapataria nunca vai ter
condições de bancar 50 mil por um projeto de marca completo, mas mesmo
assim, será que ela teria necessidade? Mesmo assim, ela teria alguma
necessidade de marca, que seria produzida de acordo com a seu impacto no
mercado (provavelmente só uma placa na porta). Só por isso, ela não pode ser
feita por um designer, sendo atendida com profissionalismo e seriedade?

Quando estamos falando de material visual, todos tem palpite a respeito,
porque confundem *gosto *com *opinião*. Todos se sentem no direito de opinar
e valorizar ou desvalorizar de acordo com suas impressões. Infelizmente, nem
todos têm noção do processo de produção de uma ilustração, porque
normalmente não tem contato com este processo. As pessoas em geral só tem
contato com o *produto final* do processo de ilustrar, que é a peça de
ilustração. Pois muitas vezes, o que custa caro no processo de ilustrar não
é a confecção do produto final, mas as etapas de planejamento, concepção,
etc, que ficam embaixo do pano, e portanto, são ignoradas pelo cliente.

Resta a nós, profissionais da ilustração, aprender a lidar com essa relação,
valorizando nossa qualidade como profissionais, além da nossa qualidade como
ilustradores. Bom atendimento, honestidade, lealdade, preço justo, são
caminhos que devemos trilhar para alcançar essa qualidade.

Fora isso, se o cliente é ignorante e não é capaz de enxergar um palmo além
do nariz, então acho que precisamos, como qualquer profissional do mercado,
definir um campo de atuação e selecionar nossos clientes.

Abraços!

--

Leonardo Correa
leocorrea.leonardo@gmail.com
Florianópolis/SC


Essa foi a boa mensagem do Leonardo Correa. Coincidência feliz, o Zé Roberto "Grauna" bloggou sobre o mesmo assunto:

"Prezados colegas.
Escrevi, sem maiores pretensões, um pequeno texto sobre o fato de uma editora carioca pagar valores ridículos por uma caricatura, assunto que foi debatido num encontro ocorrido entre cartunistas há uns dois meses. O texto intitulado “Uma gorjeta por uma caricatura”, está no meu blog

http://zerobertograuna.blogspot.com/

Gostaria que todos dessem uma olhada e deixassem lá suas opiniões sobre o assunto.
Grande abraço a todos!
Zé Roberto Graúna"

terça-feira, março 30, 2010

Cursos de Ilustração Botânica no Jardim.

Estão abertas as inscrições para os cursos de Aquarela Botânica e de Ilustração Botânica I - Grafite e Bico de Pena, na Escola Nacional de Botânica Tropical.

O curso de Aquarela Botânica oferece 20 vagas, e vai de 10 de abril a 22 de maio, com carga horária total de 18 horas. As aulas têm três horas de duração e acontecem sempre aos sábados. Destina-se a alunos que desejam ter contato com a ilustração botânica, ou aprimorar a técnica com aquarela botânica, não exigindo nenhum pré-requisito.

Já Ilustração Botânica I está com inscrições abertas até 31 de março, apresentando a técnica do desenho botânico em grafite e bico de pena (nanquim). Não são exigidos pré-requisitos. O curso totaliza 72 horas/aula, com início em 6 de abril e término em 29 de junho, às terças e quintas, em dois horários (manhã e tarde).

Os cursos são ministrados por Malena Barreto e Paulo Ormindo, ambos especializados em ilustração botânica pelo Royal Botanic Gardens, Kew Gardens, Londres, Reino Unido.

A Escola Nacional de Botânica Tropical - ENBT fica na Rua Pacheco Leão, 2040 – Horto. Mais informações: 3875-6209 ou www.jbrj.gov.br.

Você quer ser roteirista?

O MinC já lançou dois editais de peso esse ano visando a formação de roteiristas para cinema. Ano passado foi a vez da Secretaria Estadual de Cultura do RJ. Sim, o mercado está absorvendo roteiristas. Por isso colega que manda bem nas letras, que tem afinidade com a linguagem do audio-visual... essa é sua chance de iniciar-se numa nova senda de estudos.
Final de abril começa no POP (Jardim Botânico/RJ) o Curso de Roteiro Avançado para Cinema e TV. Estarei lá.

A Primeira Só...


Rabisquetes feitos durante a apresentação da Marina Colasanti na FBN. Coisas lindas de se ver por coisas lindas de se ouvir...

domingo, março 21, 2010

Work For Hire – cuidados a serem tomados

Reclamam os empregadores da falta do estabelecimento do Work for Hire no Brasil. No Copyright Anlgo-saxão, o empregado de uma firma passa os direitos autorais (na íntegra) ao empregador. Não significa que perde os créditos, mas não tem mais o lucro nem o controle do uso de sua criação. Mas existe toda um contrapartida que regula rigidamente essa "farra". O trabalho não pode ser simplesmente comissionado, devem existir vínculos empregatícios com todos os benefícios previstos por lei. Enfim... Work for Hire não é pra qualquer um! O empregador tem uma série de custos e obrigações. A turma aqui que faz pressão pelo WFH está pensando que é festa! E tá doidinho pra explorar (mais ainda) os autores brasileiros.

Outro dia, na firma em que "colaborava", ouvi do empregadores o seguinte absurdo:

– Sua criação XXX é propriedade da empresa, por que foi "pedida" pela gente..!

Obviamente o rapaz, responsável por praticamente tudo de mais inspirado que a empresa produziu nos últimos 3 anos (ele roteiriza, faz todos os storyboards, desenvolve personagens... do zero!) abriu um olhão ao ver a empresa onde trabalha na base do sacrifício se apropriar de sua mais recente e querida criação (depois de 3 anos, responsável por 90% das criações da casa... ele ainda recebe como estagiário, em regime de cooperativa – diga-se de passagem, configurada de forma ilegal).

Ocorre que:

1) Work for Hire não existe no Brasil;
2) Se existísse, esta empresa estaria longe de cumprir o requisitos pra utiliza-lo com seu "empregado".

Acrescenta-se aí a forma como a criação XXX foi desenvolvida. O "empregador" entrou na sala é disse: crie algo com um tema da moda.

Pronto, acabou aí a participação do mesmo. Ah, claro, vamos ser justos, ele "investe" R$ 600,00 por mês no "empregado".
Ai... meu pescoço! Isso mesmo que ouviram... R$ 600,00 por mês no rapaz que produz 90% de toda criação da produtora que se gaba de mais de 20 anos de mercado, prêmios (já faz um bom tempo, mas...), Enfim, uma história que teria de render mais do que isso.

A partir daí o rapaz (excelente profissional, e em busca de um empregador que seja capaz de reconhecer seu talento) criou todo o universo da história, personagens, sinopses, storyboards, etc.

E ficou ótimo!

Queridos empregadores. Sejam capitalistas mas sejam capitalistas de verdade: que promovem os autores e crescem todos juntos! Nada de explorar a turma da idéias (que valem ouro)!!!

Bem a primeira consequência da ignorância desta empresa foi que o rapaz fechou seu caderninho de idéias pra ela... Vai usar em outro lugar, talvez na concorrência.

Importante lembrar que TODA equipe criativa da produtora é cooperativada, o que distancia ainda mais qualquer tipo de vínculo "work for hire". Não entendo como uma empresa que vive de criação não tenha conhecimento sobre direitos autorais, relações de trabalho, etc.

E entendo menos ainda uma visão tão pequena sobre como se trabalhar com os criadores. Num negócio onde todos irão ganhar bem, se bem tratados, não há o menor sentido em se desestimular a parceria com os criadores, pagando-lhes mal, obrigando-os a contratos injustos, sugando-lhes cada centavo... Perde-se os melhores para a concorrência, para a livre iniciativa.

Hoje em dia, mais que nunca, o que conta é a originalidade e criatividade. O maquinário ficou barato, o acesso ao público é livre. Pouco importa se a produtora tem um andar inteiro no Centro ou um canto na garagem da casa da tia Jurema. O cliente irá ver o resultado... e mais, o resultado das vendas.

Para conhecer o procedimento do Work For Hire nos EUA acesse:
http://www.copyright.gov/circs/circ09.pdf

Repare que no caso do rapaz acima, configura-se ainda mais uma irregularidade: como cooperativado excluem-se os vínculos empregatícios. Sem vínculos empregatícios, não caracterizaria-se o Work for Hire, mesmo que estivéssemos na terra do Mickey Mouse. Se a regularidade, a permanência (mais de 3 anos exercendo a mesma função de atividade-fim da empresa, em horários regulares, com auxílio transporte) pode considerar-se vínculo empregatício, então haveria-se de se regularizar a situação, com assinatura de carteira de trabalho e demais benefícios.

O Vestido, da ZIT!

A Zit está de roupa nova! O Vestido está encantando os olhos e corações dos leitores. O Acabamento gráfico é fantástico... e não poderia deixar de ser, pra fazer juz à história do Celso Sisto. Quando li o texto, senti os olhos marejarem. Ainda mais agora que sinto dentro de mim... o mesmo vazio da falta que tentamos – escritores e ilustradores – preencher com arte, palavras e cores.



A Zit é uma editora que prima não só pela qualidade como pela boa relação contratual. Seu contrato respeita os direitos autorais dos ilustradores. Os coordenadores do Fórum Nacional de Direitos autorais e turma do juri do PNBE deveria dar uma boa olhada nele. Aqui não posso deixar de alimentar um pouquinho de orgulho pessoal: o contrato foi redigido tendo o meu como modelo. Afe, que enchi o peito de ar quentinho!

Boas leituras e bons contratos para todos!

Direitos ilustração para Web, capas, flyers - na Música

Outra dúvida interessante, sobre Direitos Autorais do Ilustrador que chegou. Chamei a remetente de Produtora Consciente pra proteger sua privacidade e também homenagear seu cuidado profissional. Veja que ela age de forma super profissional, ao tomar cuidado com a forma como negocia as artes.


"Thaís,
Pude ler em seu blog um texto falando um pouco sobre os direitos autorais dos ilustradores.
Peço licença para entrar em contato com você , mas pude perceber que você entende bem do assunto, e estou com algumas dúvidas que preciso tirá-las para que eu não cometa nenhuma injustiça.
Pois bem, estou auxiliando na produção de um cantor, e fiquei de verificar a parte de direitos autorais das ilustrações que serão utilizadas tanto no site, cd e na revista com as cifras.
Queria saber o que devo fazer, estou totalmente perdida. Faço um contrato com o autor das ilustrações?? pago pela concessão das ilustrações??vou poder veicular essas ilustrações ??? os créditos sim serão sempre dados a ele... mas não quero cometer gafes com o autor. Por favor se puder me ajudar seria muito grata,ainda sou estudante de Produção Cultural e muitas coisas não se aprende, só por pesquisas achei muito complexo, e não coomprendi direito a atitude que devo tomar.
Enfim aguardo uma resposta.
E peço desculpas pela intromissão...

Agradeço muito.
Att, "Produtora Consciente"


Oi, Produtora Consciente,


O blog é pra ajudar mesmo. fique à vontade! Os cursos carecem de falar sobre contratos. É absurdo, mas acho que é apenas consequência de uma mercado que só agora começa a se firmar em bases mais profissionais (e $$$).


Pra começar...

Você está certa. Precisa de um contrato. Quanto a isso não é um bicho de sete cabeças. O contrato deve ser claro: especificar onde as ilustrações serão utilizadas (ex. no site, cd e na revista com as cifras), por quanto tempo (ex. 5 anos), em que região (ex. Brasil)

Talvez o músico prefira um prazo maior ou ilimitado, isso pode ser conseguido pagando um valor maior ao ilustrador, ou talvez pedindo exclusividade por um periodo de 5 anos, e depois deste tempo, as imagens podem ser re-licenciadas pelo ilustrador em caráter não exclusivo, mas ainda podem ser usadas pelo músico sem novos pagamentos.

Percebe que tudo é negociável? Trata-se de equilibrar o uso com o preço. Sempre é possível um acordo vantajoso pra ambos.

Os créditos do ilustrador devem sempre figurar, certíssimo também o que disse. A exceção é se o ilustrador pedir pra não aparecer, e nesse caso não esqueça de colocar isso por escrito no contrato também, porque a falta de crédito é considerada crime de direito autoral moral.

E qual a diferença de Direito Autoral moral e Direito Autoral Patrimonial?
A justiça brasileira entendeu que existe dois momentos da obra artística.

O Direito Autoral Moral diz respeito a autoria. Não creditar, modificar ou usar sem permissão a arte de alguém é ferir seu direito moral. Um autor não pode, nem se quiser, abrir mão de seu direito moral, em outras palavras: ele não pode vender, ou negar a autoria da obra. No máximo, pedir pra omitir o crédito. Mas pra efeitos legais, mesmo que ele jamais registre a obra, ela é filha dele.




O Direito Autoral Patrimonial é o uso econômico da obra (do qual o autor depende para se sustentar). O Estado procura dar garantias para que o autor possa viver com dignidade, participando dos lucros que empresários fazem de suas artes. Mas nas brechas da lei, inúmeros são os casos de abusos com autores de todas as áreas.

Aqui o autor pode negociar o Direito Autoral Patrimonial de sua obra de qualquer forma que queira: em troca de dinheiro, de percentual sobre vendas ou uma mistura dos dois anteriores. Na realidade todo acordo pode ser fechado. Uma vez combinei com um grupo de teatro (excelente, por sinal) o uso de uma imagem que criei no cartaz da peça por promoção publicitária pra minha editora ( http://www.ygarape-books.com ) , tudo colocado em contrato. Foi super legal!

O contrato surge exatamente aí, nele colocamos o prazo, o tipo de uso (ou mídia, ou suporte) , o idioma, a região... onde serão utilizados.


Curiosidades sobre Direito Autoral:

Há um erro típico na Internet que é de pessoas que acham que está tudo bem usar a arte de outro desde que seja de forma gratuita. Não pode. Precisa sempre ter a permissão do criador da arte. Imagine, por exemplo, que um vizinho pegue seu carro sem permissão. Apenas pra passear. Pode?

Por outro lado, a Lei brasileira já é feita de forma que o autor pode simplesmente liberar sua arte pra domínio publico a qualquer momento. O Creative Commons sempre foi tácito na nossa lei.

Outra dúvida é se há necessidade de registrar o obra pra garantir autoria. Pela Lei brasileira não. O que é ótimo já que custa dinheiro registrar. Imagine um compositor sem recursos tendo de registrar cada obra sua à R$20,00 (mais do que ele ganha por dia de trabalho...) O registro, porém, é uma garantia se amanhã ou depois aparecer algum engraçadinho tentando roubar o crédito de alguma obra inédita sua, ou, no caso de alguns livros meus: se eu escrevo uma obra mas decido guardá-la na gaveta pra algum dia publicar, prefiro tirar logo um registro. Assim , se no futuro alguém publicar com uma idéia parecida, posso provar que não copiei dele!

Isso aconteceu com duas cantoras famosas recentemente. A Beoncé lançou a música Halo, e pouco depois a outra (esqueci o nome) lançou a sua, hiper parecida (as duas tiveram o mesmo produtor musical). Só que a música da Beoncé, apesar de ter sido colocada nas rádios antes, fora produzida depois da canção da colega. No caso, entendido isso, não rolou mal-estar entre elas.

Por fim, sua área é super legal! Desejo-lhe sucesso como produtora, não esqueça depois de mandar links de seu trabalho e clientes.
Beijos, Thais Linhares.

quarta-feira, março 03, 2010

Ciclo de Conferências Direitos Autorais tem início na ABL




Tá no Site da ABL:

Ciclo de Conferências Direitos Autorais tem início na ABL

O Presidente da Academia Brasileira de Letras, Marcos Vinicios Vilaça, convida para o primeiro Ciclo de Conferências do ano de 2010, com o tema Direitos Autorais.

Sob a coordenação do Acadêmico Alberto Venancio Filho, o ciclo contará com a presença do Advogado Gustavo Martins de Almeida, no dia 9 de março, abordando o tema “O direito autoral e a ABL”. No dia 16 de março, o Mestre em Bens Culturais Sydney L. Sanches falará sobre “O direito autoral e os desafios das novas tecnologias”.

O Ciclo Direitos Autorais será realizado no Teatro R. Magalhães Jr, às 17h30, com entrada franca, mediante inscrição realizada no Portal da ABL. Serão emitidos certificados de frequência.

segunda-feira, março 01, 2010

Não aceite propostas de risco!

Fazia tempo, pensava que este tipo de absurdo estava quase sumindo... Afinal, num mercado em expansão como o nosso, o dinheiro começa a entrar e cada vez o mais o profissional de arte se vê disputado pelo seu talento e não mais pela miséria.

Mas não é que ele voltou? Que susto levei ao me ver diante da seguinte proposta:

Elaborar graficamente projeto pra campanha de nível nacional.

Pagamento: nenhum.

Cooomo assim? É , nenhum, a não ser é claro se for tudo aprovado. Aí, quem sabe, talvez, caia uma moedinha pra fora do pote...
Pára o carro que vou pular!!! Isso ainda existe? Esqueceram de avisar que ilustrador também come, paga conta e leva filho pra passear? E isto proposto por AGÊNCIA de publicidade.

Disse que não faria.

Mas deixa eu completar com informações adicionais:

Cabe sempre ao empresário, ao proponente, o ônus do negócio. Não se joga esse ônus no artista (redator, ilustrador, animador), ainda mais sem a feitura, muito clara e equilibrada de um contrato de trabalho, onde fica previsto os ganhos e investimentos de cada parte.

Nunca aceite esse tipo de proposta, porque é queimação de filme pura. Passa o recado de que você não consegue cliente que paga, ou que você não tem estopa suficiente pra arcar com trabalhos importantes. E, detalhe, pega mal pra quem aceita e mais mal ainda pra quem propõe. Mostra que o proponente, por não levar fé na idéia, resolve não investir antecipadamente e joga o ônus pra quem for bobo de aceitar fazer.

Além disso, por não tem posto verba própria no projeto, ele não terá o mesmo empenho em negociá-lo do que se tivesse, por exemplo, vendido um carro pra poder pagar os ilustradores pra dar corpo a sua "linda visão de negócios".


Ao longo de minha ainda curta carreira (20 e poucos anos...) NUNCA vi uma proposta como essa reverter em vantagem para o ilustrador. E sempre tive o cuidado de pedir, pelo menos, um valor base para caso o projeto não vingasse, que cobrisse minha parte, e depois, aí sim, um extra contratual para se rolasse a proposta como planejado. Não por acaso, esse projetos eram os que vingavam.

Ah, lembrei de um que fiz "no risco" mas foi pra parente, assim não conta... e por sinal... melou! Me dei mal...

Olho aberto, e bons negócios.

domingo, fevereiro 28, 2010

"O Pano de Boca" no Catálogo de Bologna

O livro que ilustrei, "O Pano de Boca", texto de Sandra Pina (que ganhou o Prêmio Carioquinha com ele) entrou para o selecionadíssimo Catálogo da Feira de Bologna! Todas as imagens nasceram das impressões que os painéis de Eliseu Visconte me coloriam na mente. Imagens que me carregava em sonho, e por feliz coincidência vieram a emergir nesta deliciosa. Na história do livro, Sandra ainda mergulha mais no fantástico com suas palavras. A editora é a Cortez, felicíssima com a inclusão no famoso Catálogo. Os modelos para as ilustrações foram meus filhos, eu mesma, e a gata da vizinha. Fiz rafes e composições diretamente no local: corredores, palco e bastidores do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que durante esta época estava em meio a reforma.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

11º Salão FNLIJ - revendo 2009

Sandra Pina lança "O Pano de Boca", ilustrações minhas, pela Cortez. Entre nós, segurando o livro, a escritora Flávia Côrtes. Este texto da Sandra foi premiado no "Carioquinha" aqui no Rio de Janeiro, e ganhou esta edição especial pela ed. Cortez bem a tempo de comemorar o centenário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, palco da história.


Performance das autoras durante o lançamento. Pina conversa com os leitores, contando um pouco sobre suas inspirações e desenvolvimento do livro, enquanto em desenho.


Leitura do livro "O Pano de Boca" feito pela autora para o público do Salão FNLIJ.


A ilustradora também comenta sobre a arte e suas referências artísticas e afetivas. Inspirei-me sobretudo em Eliseu Visconti, cujos afrescos me encantavam nas muitas vezes em que fui ao Municipal ver minha tia Cinira tocar.


Celso Sisto, no lançamento do seu livro "O Vestido", pela Zit, com autoria minha nas ilustrações. Momentos emocionantes marcaram a leitura do texto, uma pérola de sensibilidade ao tratar de saudade e morte de um ente querido. 




Entrada do galpão, no Centro do Rio de Janeiro.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Natal em Paraty


Quando os piratas foram embora desta terra, decidiram não levar um de seus comparsas: Jack Espírrou, o pirata sensível de Paraty. Simplesmente não aturavam mais as ladainhas e lamentações de Jack. De nada adiantaram os conselhos de Barba Ruiva, ou as ferroadas de James Gancho... Os piratas devem se comportar, ou melhor, descomportar. Serem algozes, jamais vítimas. Mas monsieur Espírrou, olhos afogados numa maré de lágrimas, na boca poucos dentes recapeados de ouro, só fazia era lamentar tal qual Homem Elefante: "Não sou um objeto! Sou um ser humano!

(foto de Thais Linhares, 26 dez de 2009 - Paraty/RJ)

quarta-feira, dezembro 23, 2009

NATAL BOM é no Odeon!




Encontro de Natal da Associação de Escritores e Ilustradores (AEI-LIJ). Cine Odeon, Cinelândia, Rio de Janeiro - 2009

Leituras na FBN - Poesia para Crianças e Jovens


Mesa mui querida!

Salão do Livro das Escolas Estaduais - Rio de Janeiro


Estande da jovial Ygarapé! Não estranhe o "vazio" , os títulos estão nas prateleiras laterais, e as regras do salão proibem propaganda gráfica e "boca-de-urna". Muito justo, ajudou que nossas vendas fossem excelentes, mesmo concorrendo com editoras mais antigas e maiores. Na foto os editores Sandro Dinarte e Marco Braga.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Como fazer e apresentar um Portfolio

Segundo meu colega ilustrador Adriano Renzi, 12 é um bom número de artes para se apresentar em um portfolio. Um bela pasta imitação de couro - uso a pasta de couro da Malas Avião, que fica no início da Rua da Carioca no centro do Rio de Janeiro - ou algo similar, onde dispomos dentro de forma limpa e organizada nossos originais, ou reproduções de alta qualidade.

Entretanto, já faz um bocado de tempo que dispensei o portfolio-pasta... Primeiro troquei aquele trombolho de portfolio formato A3 por um menor tipo A4 que cabia dentro do mochilão - assim ficava fácil levá-lo para eventos, bienal e editores visitados em outros estado. Isto porque até bem pouco tempo atrás os editores tinham receio de trabalhar com alguém cujos olhos nunca tivessem fitado. Mas isto mudou.

Agora os portfolios são exibidos em sites na Internet. Pode ser um blog, um site pessoal, um endereço no Deviant-Art, Flirk... Até o " feioso" Orkut tá valendo. O ideal é ter um site próprio ou pelos menos um blog bem trabalhado.

Escolha as melhores artes, sendo apenas aquelas relacionadas ao tipo de trabalho que pretende desenvolver e coloque-as em ordem: inicie pela segunda melhor arte, siga então da mais fraca para a mais forte. Creio que o Adriano faz um pouco diferente, mas a idéia é ter artes fortes na abertura e fechamento. É como quando contamos uma história. Ela deve começar forte pra prender atenção do publico e fechar bem pra manter a boa impressão geral.
Na Internet, dá pra colocar mais que 12 imagens... mas não exagere, ou seu editor se confundirá entre tantas imagens, e elas perderão seu impacto.

Depois ligue para as editoras e peça permissão pra enviar um email com um link para onde está seu portfolio. Ter o portfolio online já faz com que seja encontrado pelos editores.

Nos eventos distribua um cartão com uma belíssima ilustração sua e o link para seu site junto aos seus contatos profissionais.

Sucesso em 2010!!!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Código Morse


Para imprimir e prender na porta da geladeira, ao lado da Tabela Periódica e cartelas de Libras.

domingo, dezembro 13, 2009

Feliz Natal 2009


 

RPG


I develop that cards for roleplaying with my original 90's group. Sometimes, when Death seems inevitable, a strange guy called Themistocles might apear and propose a chalenge: you may pick a card from the 6-Death Deck. That's a 2% chance you will win a formidable price... or a 98% chance of dying in one extremely painfull way. No chance to "lifegivers". In one of the cards you will be turned in a "Themistocles" clone, instead of being killed.

Astronauta

Illustration made for "Planet Hunters", a SciFi comic of my own authorship.

Dragão Pepo


Desenho feito em 1998 do dragão filhote Pepo, de uma história que escrevi durante os anos de faculdade de astronomia (física quântica pode ser tão inspiracional quanto emocionante).

Como desenhar um dragão.


Rough of a dragon, book cover project

Dragon & fungi


sábado, novembro 28, 2009

Fada - fee - fairy

Vovó-Dragão para ouvir!


Navegando achei a versão em áudio do livro de minha autoria "Vovó Dragão". Fiquei feliz! Clique no link e escute: "Essa história começa com uma caçada..."
Vou passar pra Vovó Mary (a verdadeira Vovó Dragão, hoje com 97 anos) ouvir também.
Obrigada a Elza Xavier que vocalizou a história!
Foi produzido pelo instituto Benjamin Constant.

Clica e escuta em

sexta-feira, novembro 27, 2009

Natal com Leituras - foi emocionante!






Salmo Dansa no Natal do Leituras 2009.






Eu e Francisco.




Com Otávio Júnior do LER É 10! Olha meus dedos cobertos de tinta! Xi, desculpe-me, Otávio... acho que "carimbei"  suas costas sem querer...tipo...um arco-íris!



Ilustradores começam a desenhar cedo.

Bia diz "alou" pra criançada! Tem início a Maratona de ilustração. Foram mais de 4 horas seguidas de pé, desenhando pra turma. Não contei, mas acho que foram quase dez escolas diferentes!

A bússola de Margareth Mee


Foto de minha autoria.

Marina Colasanti e as fadas na Biblioteca Nacional


Fomos, eu a Flávia Côrtes, a Aline Girão, a Sandra Ronca, a Sandra Pina... Olha o Luis Raul Machado ali no palco com a Anna Cláudia, a Marina e o autor e psicanalista Ary Band!

Essa e outras palestras podem ser vistas no Instituto Embratel: www.institutoembratel.org.br

Use a ficha:

Título: CONTOS DE FADAS, A TRADIÇÃO E A PSICOLOGIA INFANTIL COM MARINA COLASANTI,ESCRITORA E POETA,LUIZ RAUL MACHADO,ESCRITOR E ARY BAND, PSICANALISTA, PROFESSOR
Subtítulo: AO VIVOData: 19 / 11 / 2009 16:00
Série: LEITURA EM DEBATE:A LITERTURA INFANTIL E JUVENIL 2009Tipo de Mídia:  Vídeo
Participantes: MARINA COLASANTI,ESCRITORA E POETA,LUIZ RAUL MACHADO,ESCRITOR E ARY BAND, PSICANALISTA, PROFESSORInstituição:  FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL

quarta-feira, novembro 25, 2009

Como abordar um ilustrador


Então? Que conclusões tiramos do post anterior (COMO NÃO ABORDAR UM ILUSTRADOR)? Quais seriam a boas dicas de como propor aos ilustradores parcerias criativas?

Antes de tudo, é importante dizer, que tão logo você se torne um ilustrador, ou escritor, conhecido, será comum receber este tipo de proposta de tempos em tempos. Algumas mais gentis, outras mais leigas. Eu mesma já chateei um bocado de gente no passado com um "Ei, posso ilustrar um livro seu?" doidinha que eu tava pra estreiar no mercado de LIJ.

O caso é que o conteúdo da maioria das propostas revela uma ignorância (compreensível, perdoável) do que é o trabalho do ilustrador (ou em outros casos, escritor, editor).

Não raro, o ilustrador tem uma rotina de trabalho intensa. O editor... mais ainda!!
Quem é do meio sabe da importância de ser capaz de se adaptar a prazos limitados, exigências extremas, horas e horas de pura negociação sobre licenças, projetos visuais. Além do envolvimento natural de diversos tipos de profissionais.

Um livro não tem uma só mãe, ou pai. Tem vários. Na família do livro tem editor, designer, escritor, ilustrador, tradutor... por aí vai. 

Esse ilustrador, que tem uma rotina de trabalho intensa, costuma ter de abrir mão de horas de lazer junto à família, e até projetos pessoais, para cumprir metas e prazos do mercado. Saber trabalhar sob pressão, sem perder a qualidade, saber orçar seu material - de forma que sua remuneração seja condizente com a expectativa de mercado, são talentos importantes.

Logo, é praticamente impossível conseguir mobilizar um ilustrador para um projeto de risco, onde não há garantia concreta de remuneração. Para ser mais claro, o ilustrador verá sua proposta com os mesmos olhos que um editor examina os projetos que lhe chegam. 

Pedir que um ilustrador se dedique ao seu projeto, é o mesmo que pedir que alguém invista uma certa quantidade de dinheiro nele. No texto-exemplo (ver post anterior), o remetente afirma que consegue produzir rapidamente seus textos. E parece concordar que o tempo para a produção das ilustrações é bem maior. De fato é.

Esse tempo é dinheiro. É o ilustrador pagando para que seu texto tenha uma maior chance junto ao editor. E porque ele faria isso? Existem fatores que poderiam convencê-lo a ser seu sócio, ou não. Falando objetivamente, vamos entender como um ilustrador, ou um editor, vai avaliar sua proposta. Primeiro os contras, e em seguida os prós.

Contras:

1-Autor desconhecido, ou iniciante;
2-Projeto gráfico, e ou ilustrador já determinado - e qualquer outro fator que tire do editor o poder de decisão sobre isso;
3-Falta de originalidade;
4-Falta de talento;
5- Público alvo muito específico;
6-Tema polêmico (exceto quando requisitado);
7-Abordagem ansiosa.

Por abordagem ansiosa, me refiro àquelas pessoas que tem dificuldades em receberem uma negativa ou crítica sincera por parte do receptor do texto (costumam tratar pior o ilustrador do que o editor). Quando um editor percebe que está lidando com uma pessoa que se ressente facilmente quando recusada ou criticada, ele costuma evitar qualquer parceria com a mesma. Tal comportamento pode colocar a perder o tempo e dinheiro do parceiro. 

Conheci colegas que perdiam projetos já a ponto de ir pra gráfica, por pura egolatria de algum envolvido. Já soube de caso de editor que recebia telefonemas diários de gente cobrando resposta sobre seus textos (não requisitados!!!). Esquecem que o editor não tem nenhuma obrigação para com ele. E que cabe ao editor decidir quanto e como arriscar seu dinheiro. Ídem para o ilustrador. 
Não é uma questão pessoal. Infelizmente, nem todos entendem.

Por isso muitos editores sequer dão retorno, ou quando o fazem, usam cartas padrão redigidas por um assistente. Como ilustradora, procuro dar uma resposta. Ainda que não seja obrigada a isso também.

Já os fatores que poderiam convencer um ilustrador a trabalhar em parceria de risco seriam, os prós:

1-Autor de renome, boa aceitação no mercado;
2- Originalidade
3- Talento;
4- Acesso ao nicho de mercado pretendido (se for o caso);
5-Flexibilidade no projeto e personalidade;
6- Conhecimento do mercado editorial;
7- Recomendação de terceiros: outros autores, editores, especialistas no nicho pretendido;
8- Texto revisado e previamente criticado por terceiros.

Por flexibilidade, remeto aqui ao oposto da "ansiedade". O remetente deve ser capaz de absorver o impacto da recusa e críticas do editor, ou ilustrador. E mais, de ser aberto a possíveis alterações em seu projeto original, visto que este, uma vez colocado pra desenvolvimento, irá envolver o tempo e talento de outros profissionais. 

Seria interessante analisar cada ítem em separado. Durante os eventos literários, no estande da Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, esse tipo de papo amigo costuma ser servido aos visitantes aspirantes a autores - gratuitamente, por puro voluntariado de quem entende o drama (olha a ansiedade aí!) de quem sonha em publicar seus textos ou ilustrações.

Dos pecados cometidos pelo remetente, o pior talvez seja a falta de argumentos realistas que pudessem convencer o ilustrador a investir seu tempo/dinheiro no projeto. Como nos "prós"acima.

No lugar dele, eu convidaria o ilustrador a ler seus textos num blog - o que ele corretamente fez em email posterior - e procuraria revelar certo conhecimento de mercado. Conseguir contato prévio com um editor, ou investidor que pudesse bancar a pré-produção, sem dúvida ajudariam bastante. 

Porém, mesmo assim, não é recomendável apresentar a qualquer editor o projeto fechado (já com ilustrador, formato, etc). Salvo casos especiais.
Particularmente, não foi sensível a abordagem em que minimiza futuros colegas dele. 
Lembro de um rapaz, de grande talento que algum motivo qualquer não consegue deslanchar no mercado, que teceu comentários maldosos sobre outro ilustrador (esse conseguira em menos de um ano ter vários livros publicados) por considerar seu trabalho superior ao do colega.

Ainda que estivessem corretos em suas afirmações, é importante saber, que são muitos os fatores que concorrem para que determinado autor seja publicado. Conheço artistas cujo talento excede até mesmo de grandes autores consagrados, mas cujas obras permanecem desconhecidas. 

Saber mostrar seu trabalho, e estar pronto para receber as críticas é essesncial.
Meus primeiros projetos foram rejeitados. Inúmeros foram os colegas que sequer recebiam resposta dos editores e que agora publicam vários livros por ano.
Persistir, sem se deixar abalar emocionalmente é muito importante.

E, enquanto os louros que sucesso não chegam, participar de Blogs, grupos de estudo, exposições, coletâneas independentes... é uma forma de divulgação super válida, e que tem se tornado até fonte de consulta dos editores. E sempre que um colega mais experiente lhe der uma dica, ainda que seja na forma de uma crítica dolorosa, escute. Aproveite.

PS. Como que pra confirmar o supracitado, o remetente da "proposta de parceria" ficou ofendido pela crítica. Sua mensagem, dentre todas as outras, foi escolhida simplesmente porque vi a inutilidade de ficar tecendo sempre as mesmas recusas. "Blogando" espero ajudar de alguma forma qualquer um que esteja pretendendo propor parcerias, inclusive incentivando-as. Não citei nomes e mantive apenas o tom profissional. A impessoalidade não é apenas uma gentileza, mas para reforçar que é uma orientação genérica, não direcionada. É uma crítica ao fato e não à pessoa. Porém, o tal remetente diz se ressentir justamente da impessoalidade (!!!). Por uma questão de tato, irei alterar o texto mantendo o conteúdo, que como disse, é algo comum nas caixas postais.


PS. O pior de todos os argumentos que um remetente pode usar é o "será uma oportunidade de você divulgar seu trabalho", quase tão ruim quanto o "vai ganhar dinheiro com isso".  Primeiro porque quem está buscando divulgação e dinheiro é o proponente, às custas do risco financeiro do ilustrador (ou editor). Lembre. Ele teve a ideia, agora quer que outro invista o tempo e dinheiro (que poderia bem ser o dele!!!) para promover seu nome.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Como NÃO abordar um ilustrador


Acabo de receber este email:

"Querida Thais,
Faz tempo que não nos falamos (ainda que quase não nos falávamos na época). Descobri que ainda é ilustradora. Eu não ilustrei mais. Atualmente sou apenas escritor. Possuo inúmeros projetos de livros para crianças e jovens, que eu mesmo posso ilustrar. Contudo desenho devagar, e escrevo rápido, com melhor qualidade. E afirmo que sou melhor escritor do que muitos que estão no mercado (suei e estudei muito pra isso, como fazem com desenho). Eu queria me informar se poderíamos marcar uma reunião para que eu mostrasse algumas idéias para você. Acho que uma cooperação iria ser vantajosa para nós dois.
Atenciosamente,
Fulano de Tal.
P.s. - Meus livros não possuem cunho estético, são produtos literário/didáticos com objetivo comercial (em suma: dinheiro)."


Você é capaz de identificar os erros cometidos pelo remetente ao solicitar uma parceria criativa com o ilustrador?
E se você fosse abordado desta forma, estaria convencido a responder positivamente?

PS. Reescrevi o texto original, com minha palavras, a pedido do remetente, que se sentiu ofendido ao saber que sua mensagem seria alvo de análise, ainda que em nenhum momento tenha sequer citado seu nome, ou feito críticas pessoais. Espero, mesmo assim, que o episódio lhe sirva de orientação para futuros contatos. Não poucos seriam os ilustradores que trocariam a orientação, que ofereço gratuitamente, por uma resposta atravessada ao remetente. Seu contato com um profissional de produção (ilustrador, escritor, tradutor, designer) é um ensaio de como deverá se comportar com o editor ou produtor.


sábado, novembro 21, 2009

Com Flávia na Academia Brasileira de Letras




Prestigiando Flávia Savary que recebe o "Janete Clair" - melhor peça teatral. Detalhe legal: a Flávia é uma belíssima papa-prêmio!!! No final de semana seguinte Flávia me levou para conhecer seu recanto em Teresópolis e para uma aventura gastronômica. Destaques para o acervo Beatles do Braz e o restaurante do incapturável super liberto-libertativo Sandro.