quarta-feira, outubro 07, 2009

COMO CRIAR UM BOM RELACIONAMENTO COM OS EDITORES -parte 2


Dando continuidade ao post anterior, que aconselhava ao NÃO ENVIO de mensagens não requisitadas, então quando seria a hora e a forma corretas de lembrar ao editor querido que você existe? Bem, pense quando e como ele gostaria de ser lembrado disto. Quando seu editor o convida para um lançamento é uma boa hora prar ir até lá colocar o papo em dia. Quando você estiver participando de um grande evento, lançando um lindo livro, coloque-o na lista de envio de postais. Uma vez por ano (já é mais que suficiente) você pode mandar um postal (com sua arte, é claro) ou um brinde legal (eu costumava mandar um calendário de mesa, bastante requisitado, rendeu bons novos clientes). Estando presente em eventos, palestras, fóruns, já é por si só uma forma de se fazer presente e também de colaborar! Dê o ar de sua graça de uma forma que ajude a mover o carrosel literário.

COMO CRIAR UM BOM RELACIONAMENTO COM EDITORES - parte1





Hoje, ao abrir minha caixa de emails, encontrei um que me inspirou este post sobre COMO CRIAR UM BOM RELACIONAMENTO COM EDITORES, OUTROS AUTORES, E AFINS. Não por acaso, os conselhos que coloco mais abaixo valem para praticamente TUDO nessa vida. Não só no meio profissional, mas pessoal também.
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O volume de mensagens diário que chega é imenso, inclusive o número de propagandas.

Vamos imaginar assim: alguém que chegasse com determinada frequência e lhe tocasse a campainha. Você se levanta (de pijamas mesmo), abre a porta. É seu vizinho da rua de cima. Ele diz: "bom dia". E então vai embora. Nas primeiras 3 ou 4 vezes pode até soar simpático, ainda que sem sentido. Mas a partir daí, se torna apenas um incomodo, ainda que suave. Depois de 35 vezes, você sequer se dará o trabalho de atender a porta. Depois de 100 vezes será impossível não se irritar.

O fato de colocar o nome de um por um, não altera isto. Talvez até mesmo piore, porque disfarça algo que não é pessoal de mensagem pessoal.

Imagine ainda se todos meus conhecidos (até mesmo os muito mais próximos que você, com quem meus contatos se limitam ao virtual), como pessoas que conheço pessoalmente, colegas de trabalho, parentes, tivessem o mesmo hábito. Eu teria uma média de 1.000 emails de saudação preenchendo minha caixa de email todas as semanas. E o único modo de saber quais deles são significativos e quais não são, seria abrindo e lendo um por um... dos 1.000 emails! O que de início pode ter tido a intenção de ser uma gentileza, acaba obtendo o efeito oposto!

Ok, até então seus emails continuos e se saudação apenas "afetaram" quem os recebe (pois se entendi bem,reclamaram). Porém, o verdadeiro prejudicado é você. Explico. Com o tempo, todos esses seus destinatários, se acostumaram a ver suas mensagens como meras saudações. A partir de então eles a marcam como SPAM, e simplesmente as jogam fora antes de saber do que se trata.

Um dia, porém, você terá algo especial a comunicar, pode ser o lançamento de seu livro, um prêmio importante que vale a pena comunicar que ganhou, um pedido de ajuda num trabalho importantíssimo... Só que se email vital irá direto para a lixeira do spam da turma!!!

Quando se trata de comunicar com pessoas com as quais você não tenha intimidade, é preciso extremo cuidado com o envio de spams e outras formas de correspondencia não requisitadas. Isso inclui telefonemas e mensagens de celular também. Quanto mais insistente você se tornar, mais elas terão de bloquear seu acesso a elas. Para tanto há editores que colocam secretárias para filtrar os contatos, e elas passam a bloquear todo seu material. Quem não tem, apenas marca como spam e tchau!

O procedimento correto neste caso, seria perguntar ANTES se a pessoa deseja receber seus emais semanais. E não "forçar" a barra e mandar emails que não são requisitados, seja qual assunto for.

Mais tarde, quando você precisar, ou desejar, acessar determinada pessoa para desenvolver um projeto, ou passar ou pedir informação, encontrará os canais fechados. Basta você se colocar no lugar desta pessoa: gostaria de receber, semanalmente, newsletters? De uma pessoa? (4 por mês) De duas pessoas? (8 por mês) De 20 pessoas? (80 por mês?) Porque, segundo sua teoria, não seria necessário que a pessoa demonstrasse interesse no recebimento.

Veja também pelo seu lado: você perder seu tempo, enviando um por um, para pessoas (centenas!!!!) que não pediram, será que vale?

Respeitar a privacidade das pessoas é a base da verdadeira gentileza. Se suas "visitas" forem mais raras e significativas, pode crer que também serão mais valorizadas.

sábado, setembro 19, 2009

Anuska Draccini e Yan


Esse retrato de mãe e filho é meu primeiro presente (descartando as fraldas) pro Yan.
Que já está quase emergindo da nave-mãe.

Ana Raquel caiu na rede!

Este nosso país de maravilhas que é a Internet (e que não conhece fronteiras!) tem na ilustradora Ana Raquel uma de suas mais ilustres Alices! Vá e prove de suas imagens deliciosas que como no sonho da menina faz crescer, crescer, crescer a alma.
Tá lá em:

http://anaraquelilustradora.blogspot.com/

quarta-feira, setembro 16, 2009

Em BH!


Muito a contar! Conheci gente legal, estou devendo esse retorno! Por favor aguardem um pouquinho mais.

Novo livro Descomplica noções de Direitos Autorais

O advogado especialista em Direito Autoral, Claudio Goulart autografa Direito Autoral Descomplicado nesta terça-feira, 15 de setembro.

Direito Autoral Descomplicado – Soluções Práticas para o Dia-a-a-Dia (http://www.thesaurus.com.br/livro/2111/direito-autoral-descomplicado-solucoes-praticas-para-o-dia-a-dia?a=15941&m=31, (Thesaurus Editora) do advogado e escritor Claudio Goulart, vai ser lançado nesta terça-feira, 15, a partir das 19h, no restaurante Carpe Diem da 104 Sul, em Brasília (DF).

Direito Autoral Descomplicado também será autografado no Rio de Janeiro (30 de setembro) e em São Paulo (24 de setembro). O Autor – 58 anos, nasceu no Rio de Janeiro e vive em Brasília há 35 anos – trabalha com o tema há 32 anos e tem vários artigos publicados sobre o tema.

O livro é uma análise da legislação que regula os direitos autorais no Brasil, além de orientar, segundo o Autor, "Os proprietários de programas de computador, para que respeitem os direitos autorais. Simplifiquei a legislação, ousando uma linguagem que pudesse explicar ao autor seus direitos e deveres frente à lei nº. 9610/98 – a nova Lei de direitos autorais".

"Da mesma forma – acrescentou – procurei orientar os proprietários de programas de computador, mostrando as diferenças marcantes na Lei nº. 9609/98 (que regulamenta os programas de computador e dá outras providências)".

Goulart disse ainda que "A idéia central é descaracterizar incursões doutrinárias que pudessem trazer maior dificuldade ao artista brasileiro, tendo preferido esclarecer, sem nenhum conteúdo professoral, o que lhe cabe dentro da lei e como ele poderia se defender das violações por parte de terceiros".

"O direito autoral no Brasil é muito desrespeitado, principalmente no campo da música. O chamado jabá é o exemplo que significa uma forma indevida de oferecer propina às emissoras de rádio e TV pelas gravadoras, por meio de dinheiro, de quantias ou promessas de prêmios, prejudicando os autores iniciantes de carreira, em detrimento daqueles da preferência dessas gravadoras", acrescentou.
A Silvana Marques postou na lista Direitos Autorais, recomendo!

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Para aqueles que descumprem a legislação do direito autoral, Goulart lembrou, "aplica-se o Código Penal de forma assessoria à Lei de Direitos Autorais, com pena de detenção, independentemente da indenização por perdas e danos morais na justiça cível".

Serviço
Direito Autoral Descomplicado – Soluções Práticas para o Dia-a-Dia (Thesaurus Editora 2009), 118 páginas.

Lançamento: dia 15 de setembro, terça-feira, no Carpem Diem (104 sul), Brasília, a partir das 19h.

Leia o livro agora: http://www.thesaurus.com.br/download.php?codigoArquivo=328&a=15941&m=31

Leia entrevista com o autor: O direito autoral é desrespeitado no Brasil. http://www.nosrevista.com.br/2009/09/10/claudio-goulart-`o-direito-autoral-e-desrespeitado-no-brasil'/

O livro também terá lançamento no Rio de Janeiro, na Livraria Museu da República, dia 30 de setembro, a partir das 19h.
E em São Paulo, na Livraria Saraiva, dia 24 de setembro.
www.thesaurus.com.br

segunda-feira, agosto 10, 2009

Tartaruga e Fada

Lembranças do Salão FNLIJ deste ano

Com Roseana Murray (ainda sem saber que são parentes!)

Performance dos Ilustradores com o Odilon Moraes.


Com meus assistentes de arte, já fazendo a sua parte.


Eu e Celso Sisto, no lançamento do livro "O Vestido".

Fotos tiradas pelo fotógrafo contratado pela FNLIJ.

sábado, agosto 01, 2009

Memória afetiva, Céu D’Ellia e os pãezinhos

Aqui em casa, sempre que os guris pedem pãezinhos eu lembro do ilustrador paulista Céu D’Ellia. Tive a oportunidade de conhecê-lo em pessoa durante um congresso da AEI-LIJ em São Paulo, onde ele foi representando a SIB. Na época debatíamos sobre questões relativas à autoralidade do trabalho do ilustrador e firmávamos, de uma vez por todas, a parceria entre ilustradores e escritores, ambos autores que são, dos livros para crianças.
Céu D’Ellia também é o autor do simpático jacaré que ilustra a embalagem dos pãezinhos favoritos dos meninos. Os meninos adoram pãezinhos, mas gostam muito mais se tiver jacaré na estampa. E assim, entre dois ou três marcas absolutamente idênticas (ou quase), escolhem aquela que agregou valor visual ao produto. Um simpático jacarezinho, criado pelo grande Céu D’Ellia, que de alguma forma enriqueceu a memória afetiva de meus garotos.
Recortei da embalagem o jacaré agora tão familiar. Marketeiros (e seus respectivos e paranóicos críticos) à parte, ele ficou ótimo enfeitando a geladeira. Quando vou ao mercado, os garotos lembram, e pedem, “o pãozinho do jacaré”. Parem de criticar os bichinhos nas embalagens. Ou as crianças também não podem ser exigentes quanto a qualidade do visual das embalagens? Cuidem da qualidade do conteúdo! Isso sim é caso de saúde pública.


Jaques, criação de Céu D'Ellia, aqui em momento inédito, gentileza do autor para meus guris devoradores de pãezinhos com bom gosto pra arte. Visite o Céu: http://www.ailhadoceu.com.br

segunda-feira, julho 20, 2009

Um encontro maravilhoso!



Ocelot é um magnífico animador francês. Sua obra mais conhecida aqui é "Kirikou e a Feiticeira". Confiram no meu blog de animação HTTP://STOREBODES.BLOGSPOT.COM mais fotos e fatos deste encontro.

GUIA DO ILUSTRADOR

Pegue gratuitamente em WWW.GUIADOILUSTRADOR.COM.BR

Na introdução do Guia é explicado exatamente o motivo a que se levou a
criação deste, e qual o seu objetivo. Resumidamente o Guia surgiu da
necessidade de orientar e dar todo apoio aos ilustradores iniciantes,
dar mais embasamento aos que já estão no mercado e estabelecer uma
relação mais homogênia entre todos os profissionais da área.

É preciso lembrar que não existe absolutamente nada parecido com isso
no mercado brasileiro, e já era hora de conseguirmos unificar diversas
informações dispersas em um único lugar.

O Guia tenta abranger absolutamente tudo na área da ilustração, desde
como iniciar a carreira, preparando um portfolio, até legislação
brasileira. Desde conduta profissional a problemas de saúde devido o
trabalho. Desde organização profissional até documentos de
importância, além de muitos, muitos links absolutamente indispensáveis
de consulta e informação, e também uma sessão de FAQ.

(texto de Ricardo Antunes)

Convido vocês para novo lançamento!

quarta-feira, julho 01, 2009

Gravuras assinadas para comprar



Imagem feita para o livro "O Tesouro das Virtudes para Crianças", de Ana Maria Machado. Essa obra recebeu o prêmio da FNLIJ "Altamente Recomendável". A ilustração original é feita em aquarela (em ponto de guache), sobre papel. A modelo para a princesa foi minha sobrinha T.A.L. Inspirei-me também nas obras de Hierônimus Bosh.

As imagens são vendidas em reproduções feitas em papel resistente, e assinadas por mim, uma a uma.

Essa e outras gravuras podem ser adquiridas na Editora Ygarapé (www.ygarape-books.com.br).

domingo, junho 28, 2009

Quanto custa uma ilustração?

A exploração comercial da ilustração de livros é regulada pela Lei de Direitos Autorais brasileira. Deve ser contratada, e aí então se definem os repasses do lucro nas vendas aos autores envolvidos.

Para que o contrato seja justo, ele deve ser vantajoso às partes envolvidas. Cláusulas que sejam excessivamente onerosas devem ser consideradas abusivas e descartadas.

A título de exemplo, os contratos de cessão integral são invariavelmente abusivos, e dever ser excessão no meio editorial. Existem entretanto editoras que adotaram esse formato de contrato com "padrão" e rejeitam ilustradores que não se submetam às regras impostas unilateralmente, mesmo que estes tenham sido diretamente indicados pelos autores do texto.

O que seria então um repasse justo dos direitos autorais do ilustrador?

Nossa rotina de trabalho em geral começa após a aprovação do texto pelo editor, e muitas vezes trabalhamos junto ao designer do projeto gráfico do livro. Neste ponto, os prazos estão fechados (e não costumam ser folgados). O ilustrador já bem colocado no mercado costuma trabalhar em regime de dedicação integral para conseguir cumprir os prazos apertados e demandas dos editores. Por isso é essencial que ele receba um adiantamento que cubra essa mobilização.

Esse adiantamento é o repasse de seus direitos autorais por determinado uso – pode cobrir a primeira edição, ou cobrir 5 anos de licenciamento, entre outros acordos.

Caso o livro venha a ser republicado, o contrato já deve prever como se dará o rapasse. Neste caso, pode ser através de um percentual sobre o preço de capa ou preço de venda.


Valores fechados e percentuais, são combinados entre o ilustrador e o editor, na melhor forma de atender aos interesses e necessidades de ambos.


Por costume (dentre pressões do próprio mercado), o escritor tem recebido 10% sobre preço de capa, e o ilustrador um montante fixo (às vezes pode calhar de ser uma valor equivalente aos 10% do escritor no total de venda da tiragem) mais um percentual sobre re-edições (incluindo traduções e vendas de governo). Algo em torno de 2,5%. Mas isso não é regra fixa. Cada caso deve ser negociado em separado. Considerei aqui o livro ilustrado.

O que vale para qualquer ilustração é a importância em se limitar o uso da mesma. Caso contrário corre-se o risco de ver sua arte em um banco de imagens fazendo do ilustrador seu próprio concorrente. A obra de um artista é seu patrimônio, ganha pão e o que deixará de herança para usufruto de seus filhos e netos.

Esses valores poderiam ser melhores para os autores se os próprios editores já não fossem prejudicados na atual dinâmica de mercado. Numa tiragem pequena/média (e a maioria delas são), o editor não consegue mais do que 20% de retorno, e isso tendo de arcar com todo risco do negócio e infra-estrutura da empresa. A gráfica, prestadora de serviço, come 30%. O restante pára na mão dos revendedores – que contam com vantagens preciosas: só pegam os livros em consiganação, distribuem segundo critérios próprios nas estantes, não investem na divulgação dos títulos. Ou seja: 40% do valor de capa de um livro fica com a parte que corre menos riscos comerciais, além de controlar o acesso do público às obras impressas.

Ilustradores unidos...aos escritores! Sempre!


(Da editora Ygarapé, o livro escrito por Luiz Antonio Aguiar e ilustrado por Thais Linhares, autores juntos fazendo lindas criações)


O “problema”



Em nota recente (dia 17 de junho) da coluna Gente Boa o Sr Joaquim Ferreira dos Santos colocou na nota intitulada “Ilustradores Unidos”, como um “novo problema dos editores” o fato dos ilustradores requererem direitos autorais dos escritores. A priori a matéria traz dois grandes erros.

Primeiro é que como colocado no texto do jornalista, o problema não seria do editor, e sim do escritor, que já como parte hipossuficiente em contrato de edição, ainda se veria obrigado a bancar os direitos do ilustrador, sem as benesses próprias do investidor de fato. Seria o caso surreal do editor que poderia se dar ao luxo de explorar comercialmente ambas as artes (texto e imagens) sem precisar investir no autor das ilustrações.

O segundo, e mais grave erro, está na própria notícia. Não há absolutamente nenhuma intenção dos ilustradores (enquanto grupo organizado) de pedir que nossos parceiros criativos arquem com uma responsabilidade que é dos nossos editores. Fato aliás, que se ocorrido, se opõe aos princípios defendidos pelas associações que nos representam nacionalmente. Em uma reunião promovida em 2006 pela AEI-LIJ, o assunto foi amplamente debatido e considerado resolvido por escritores e ilustradores de todo Brasil. Ficou assim esclarecido a importância de se reconhecer o carater autoral do ilustrador – o que já é garantido por lei – e que deveríamos nos precaver de contratos que fossem abusivos, inclusive aqueles que tentassem jogar para o escritor o ônus do investimento nas ilustrações do livro.

No entedimento dos autores dos livros (escritores e ilustradores), e também da Lei dos Direitos Autorais, cabe ao investidor o risco do negócio. É o editor que deve repassar ao ilustrador a parte que lhe cabe pela exploração comercial de suas artes em forma de livro.

O tal “problema”, ainda que não possamos chamar assim, é que a ilustração brasileira está amadurecendo tanto em sua qualidade artística, como profissional. A figura do artista ingênuo, alienado do processo de mercado e que assina sem ver as letras miúdas é que está desaparecendo. Enquanto foi possível, alguns editores – em particular o dos grandes grupos comerciais, que praticamente combinaram entre si um mesmo modelo contratual – impuseram contratos de adesão aos ilustradores onde obrigam que se abra mão de todos os diretos autorais sobre suas artes. São contratos de cessão universal, sem absolutamente nenhuma limitação de prazo, local ou mídia (abarcam até mídias futuras, o que é proibido).

Em um contrato de adesão a parte economicamente mais forte não pode impor cláusulas que prejudiquem a parte fraca no objeto do contrato. Logo, como justificar um contrato de licenciamento de direitos autorais que já prevê lucros ilimitados apenas ao editor em regime de cessão integral?

Esses mesmos grupos editoriais que se apossaram do patrimônio de inúmeros artistas – não raramente utilizando de coerção, pois quem se recusa a assinar nos termos impostos é sumariamente descartado – mantém imensos bancos de imagem que licenciam à vontade, em concorrência desleal com os próprios artistas que as produziram.

Esses contratos leoninos, onde ocorre a cessão integral, são distorções grotescas do conteúdo da Lei, e o pior é que do jeito que colocam na redação, o ilustrador inexperiente no jargão da lei fica com a impressão de que é própria Lei dos Direitos Autorais, e não a editora, que o obriga a assinar os tais termos abusivos.

Com o surgimento de novas mídias, vendas de governo e principalmente o trabalho de conscientização sobre os direitos dos autores, nós os ilustradores, passamos a questionar os contratos abusivos. Agora é mais comum ver o autor visual acompanhado de seu advogado em negociações de uso de imagens.

Ressalta-se ainda que foi graças a esses absoletos contratos leoninos que a ilustração brasileira viu-se amarrada a relações desgastantes de trabalho, que em muito prejudicaram tanto as carreiras individuais dos artistas, quanto a visibilidade da ilustração no panorama da cultura nacional e internacional. Por isso, junto à pressão por contratos justos, estamos conscientizando as editoras de que manter uma relação onde se reconheça e respeite o trabalho do ilustrador também reverterá em maior qualidade no que é produzido. Ganham todos quando a relação é justa e transparente: o editor, os autores e o leitor.



Temos no Brasil três associações que atuam nacionalmente:

A AEI-LIJ – Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infanto Juvenil; a ABIPRO – Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais e a SIB – Sociedade de Ilustradores do Brasil.

Através destas associações questões de interesse são discutidos, inclusive as relações contratuais e casos de desrespeito aos direitos dos autores. No meio de livros para crianças está a AEILIJ, que acaba de comemorar dez anos de criação. Além de sua forte atuação em eventos e campanhas, a associação mantem uma lista de discussão pública, isto é, aberta a todos que tenham interesse em literatura infantil e juvenil. Foi a partir de discussões desenvolvidas nesta lista que foi convocada a reunião nacional onde firmou-se posição diante da questão do tal “problema” citado na nota.



O mercado de livros no Braisil cresceu por conta de boas políticas públicas de distribuição, além de uma maior conscientização de diversos setores da sociedade para a importância do livro na formação da cidadania. Nosso país é um dos maiores compradores de livros do planeta e isso atraiu a cobiça de grandes grupos editoriais não só nacionais como estrangeiros também. São esses mesmos grupos que se gabam em seus portais na Internet de possuírem vasto catálogo aprovado dentro dos programas governamentais, e também são exatamente eles que impõem aos seus autores (não só aos ilustradores, mas aos escritores também) as piores condições contratuais. Nos encontros recentes do Fórum Nacional de Direitos Autorais a AEILIJ e a ABIPRO, levantaram não só essa questão, mas como o governo, no papel de principal comprador, pode inibir práticas abusivas nos contratos de edição dos ilustradores. Aliás, foi em parte por causa dos editais das vendas, que o ilustrador ganhou um maior reconhecimento. Nas regras dos editais é obrigatório que se estabeleça um contrato de uso das ilustrações que contemple o novo programa e também que se apresente, tanto na forma de créditos visíveis quanto de biografia, os autores ilustradores. Bastante coerente, visto que é isso que obriga a Lei 9610/98 dos Direitos Autorais. Surpreendentemente, muitos ainda eram os editores que simplesmente ignoravam seus deveres no tocante a lida com o trabalho autoral, precisando ser “esclarecidos”. Não se tratava portanto de nada novo”, e sim do fim de um problemão, de verdade.

E aí sim, a nota do Boa Gente acertou em cheio: foi a brecha que precisávamos para fazer valer direitos que já são nossos, garantidos pela Lei que foi criada para tornar possível e digna a produção autoral brasileira.






Para autores, associados ou não, editores e jornalistas que queiram se manter informados sobre questões contratuais além de outros assunto pertinentes à criação, basta contactar-nos em:



www.aeilij.org.br

www.abipro.org

http://thaislinhares.blogspot.com



Temos ainda a lista de discussão sobre Direitos Autorais em:

http://br.groups.yahoo.com/group/direitos_autorais/







Atenciosamente,

Thais Linhares – coordenadora visual da AEILIJ, associada da ABIPRO e ABCA.

quinta-feira, junho 25, 2009

Contrato de Ilustração -1


Faz tempo que procuro fazer meu dever de casa no referente a forma como
os direitos autorais dos ilustradores são tratados pelos editores.
Diferentes editores têm diferentes posturas, o que é ótimo!
Temos variedade, podemos transitar entre as casas editoriais e com o
tempo, e competência, procurar estabelecer parcerias produtivas com
aqueles que praticam contratos justos, remuneração pertinente e
espaço para desenvolvimento técnico e criatividade.
A infelicidade é que o perfil de maus contratantes é o mesmo dos
maiores conglomerados editoriais comerciais, onde o sucesso como
capitalista é prioridade absoluta!
Uma das práticas "comerciais" destes, é extrair o máximo do
ilustrador oferencendo o mínimo (em todos os sentidos: maus
contratos, mau pagamento, péssimo ambiente criativo).
Em vista disso, o ilustrador brasileiro deveria receber o prêmio de
melhor do mundo! Com tantas dificuldades e ainda conseguem produzir
material tão belo!

Pensando em dinheiro: imagine duas empresas.

Na primeira, vemos empregados batendo o ponto, salários achatados,
centenas de horas extras acumuladas sem a devida remuneração, a total
falta de reconhecimento à importancia do trabalho deles.
Os editores que mantém uma postura exploratória com seus ilustradores
(e às vezes de quebra com seus escritores e designers também!) são
como essa primeira empresa. Os autores são alienados de sua obra...
São desestimulados a exercer seu máximo potencial criativo! Uma vez
lançado o livro... tchau! Assina o contrato e bico calado senão não é
mais chamado!!! Vai para a "geladeira" (como vejo acontecer com alguns colegas meus).

Agora imagine outra empresa, onde não temos funcionários... mas
pequenos cotistas, uma grande sociedade onde o "patrão" investe seu
capital e habilidade de mercado e os contratados investem seu talento,
recebendo participação nos lucros, sendo reconhecidos, com
oportunidade de crescimento... Esse é o comportamento do editor que
valoriza, investe e promove seus autores - incluindo nestes os
ilustradores! Aliás... isto está lá no texto da Lei dos Direitos
Autorais, criadas exatamente neste espírito de promover e proteger a
produção autoral brasileira. Todo editor que se comporte de forma
diferente desta estará em desarmonia com estes princípios (constitucionais).

Como isso afeta a qualidade da ilustração brasileira?

Imagine um ilustrador que se vê obrigado a trabalhar em quatro, cinco
livros ao mesmo tempo para poder cobrir as despesas, e mesmo que esse
livro renda de 20 a 100 vezes o investimento inicial, ele
jamais verá um centavo disso! Logo, no mês seguinte, lá estará ele,
se desesperando para conseguir outros cinco free-las, aceitando
qualquer valor, qualquer tipo de acordo mesquinho, pois senão não tem
comida na mesa. Pareço dramática? Infelizmente não estou exagerando,
este é o perfil de um grande número de artistas, muitos deles
veteranos com mais de 20, 30 anos de ilustração. Basta comparecer a
uma reunião de ilustradores editoriais (como na Cobal Ilustrada, ou o
Papo Ilustrado, ou reuniões da AEILIJ) para ouvir não uma ou duas,
mas uma pá versões desta triste história. Algumas delas contadas por
senhores e senhoras de cabelos brancos.

Entenderam..?

Pergunta sobre contratos de ilustração 1


(capa do livro A Formosa Princesa Magalona e o Amor Vencedor do Cavaleiro Pierre de Provença
de autoria de Rui de Oliveira – imagens e textos; e projeto gráfico de Ana Sofia Marins, editora Ygarapé/2009 - onde o editor negocia os melhores contratos com os autores)


"""Thais,
Obrigada pelas informações. Gostaria de ter um contrato que esteja dentro da
leis de DAs e que esse contrato seja aceito pelas editoras sem
estresse. Infelizmente é sempre um momento tenso.
O contrato que você utiliza normalmente é aceito pelas editoras?"
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Minha resposta:

Depende do editor, o melhor é quando o editor que lida diretamente contigo é também o dono da editora, isso faz com que ele queira maior qualidade e tb fica bem mais constrangido de se passar por explorador. Ainda assim é complicado, mas quando o editor percebe que o contrato justo não significa entrave, ou mesmo risco maior (em termos de retorno financeiro) ele relaxa.
Especificar o uso da obra (deixando claro que não pode sair re-utilizando a torto e a direito), limitar mídias, região - isso tudo é tranquilo, ponto pacífico.
Quanto ao prazo, eles sempre ficam inseguros, talvez por medo de não conseguirem re-editar (tolice, qual ilustrador não iria querer continuar ganhando com sua obra?) Então pedem para que tenha cláusula de renovação automática. Isso não é bom, mas dá para aceitar se vc for bem alerta. Consigo também um ganho pela venda de governo, mas também menor do que seria o ideal - novamente os editores temem, por conta dos super descontos deste tipo de venda. Você até ri de tão miúdo o ganho do ilustrador... entretanto, mesmo assim é essencial que se caminhe para frente, que se mude de vez a cultura escravagista dos contratos de cessão integral.
Se ainda está longe o ideal é justamente porque fica muito difícil reclamar de um contrato abusivo quando o principal argumento do editor é "Mas os OUTROS ilustradores assinam..."

Aliás, isso é muito interessante, eles nunca mostram planilhas que justifiquem um eventual prejuízo se atenderem aos ilustradores, ou mesmo argumentos que expliquem por que tenham de ficar com os DAs de forma integral.
Os argumentos são apenas DOIS: "os outros assinam" e "é procedimento padrão da empresa",impõem contratos de adesão em direitos autorais (grifem em suas telas a palavra empresa...).

Vamos parar de dar "argumentos" aos exploradores?

Como publicar 4: autor feliz é o que tem contrato justo!

Vou agora falar da situação dos escritores para revistas infantis.

Desconheço a situação em outras editorias, mas na Globo (setor das revistas: Menino Maluquinho, Sítio do Picapau Amarelo e Turma do Cocoricó) posso falar um pouco.

Em 2007 fui convidada a participar do Workshop para escritores. Tava lá o Ziraldo, o Still, a Elvira, a Júlia Sapadaccini...
Tudo muito bem, tudo muito legal. Até que chegamos na vaca fria: o preço.

A situação dos escritores das revistas infantis é muito parecida (para não falar igual) a que os ilustradores enfrentam nos "grandes" grupos editoriais - que faturam muito com vendas de governo e mercado de didáticos e paradidáticos.

Nestas editoras - que muitas vezes acumulam milhares de autores na carteira (ilustradores inclusos), diferentes selos (e continuam crescendo e engolindo pequenas editoras), o ilustrador é "remunerado" em seus direitos com base em uma famigerada tabelinha que diz mais ou menos assim:

Capa - custa x;
PB - custa y;
cor - custa tanto...

E por aí vai.

Simplesmente é "esquecida" a relação inerente dos direitos autorais com TIRAGEM, MÍDIAS, REGIÃO, TRADUÇÕES... Sim... "esquecida". Pois é...

O ilustrador é contactado e informado de criará imagens que serão exploradas em um único título de livro impresso.
Assim sendo, a famigerada tabela, até que fica atrativa. Afinals é só um título... Sendo SÓ na mídia impressa, em português... até que dá para levar...
O ilustrador entrega as imagens, e aguarda sua remuneração. Um valor fixo sobre determinado uso. Afinal, são deles os direitos sobre sua arte. E é esta relação autoral do ilustrador com sua obra que o atrai para literatura, ainda mais que para outras áreas.

Mas... já adivinharam o final da história?

Um contrato chega (às vezes com certo atraso, às vezes não).
Alguns ilustradores até se assustam, pois não imaginavam que seria formalizado um contrato* , ainda mais um tempão APÓS finalizadas as artes!
Sabe aquela história da "esquecida" relação com TIRAGEM, MÍDIA,... pois é... agora a editora SE LEMBROU! E como lembrou! Pois no contrato vem tudo explicadinho, só que aquela história do "apenas um livro" mudou, agora o editor também quer INFINITAS TIRAGENS, TODAS AS MÍDIAS, POR TODO SEMPRE... com direito a deformar, cortar, subverter as artes, com direito a revendê-las, a coloca-las em super vendas... tudo SEM QUE O AUTOR DA ILUSTRAÇÃO RECEBA UM ÚNICO CENTAVO.

Para que os colegas escritores entendam melhor o drama dos ilustradores, isso é como se o seu texto fosse licenciado com base em um valor fixo, finito e pequeno. Por exemplo: R$ 50,00 por página. E depois, você perdesse completamente os direitos patrimoniais sobre o mesmo, e ainda visse seu texto ser adulterado, e até licenciado para outros editores (e aí sim, se lembrariam de fazer o contrato corretamente).

Pode até um bom negócio, a princípio, receber um valor fechado, e não o percentual como na prática com o escritor. Mas a longo prazo, é um prejuízo enorme, e logo você se descobre escravo do sistema, sendo obrigado a produzir cada vez mais, mais rápido e tão fragilizado economicamente, que se vê submetido a mais vil exploração, com preço cada vez menores e editores que lhe empurram "contratos padrão". (E é esse o atual ritmo de trabalho dos ilustradores).

O correto é receber com base na UTILIZAÇÃO. Este valor fechado deve corresponder também a limites fechados de utilização, e nunca cessão integral. O opção de cessão deve ser algo muito especial, e mais bem pago. Não por acaso a criação de personagens e logotipos em muito, mas muito mesmo, mais cara do que a ilustração editorial. Por que tanto o personagem (tipo mascote) quanto o logotipo se unirão à imagem institucional da empresa, são do escopo de propriedade industrial, a aí sim, é essencial a cessão integral e universal de direitos. Pois até redesenhos de marca podem ocorrer, quando a empresa deseja atualizar sua imagem.

Os abusos com os ilustradores de livros já acontece com seus colegas escritores das revistas de banca.
As tiragens mínimas desses exemplares de banca é de 100.000 (pelo menos este era o critério na Ediouro para que uma revista sobrevivesse na casa). Ok, suponha que sejam só 10.000. Ainda assim, o valor investido nos autores é ínfimo se diluído no total de impressos.

O escritor para revistas infantis recebe R$ 50,00 (em 2007) por página, sem nenhum vínculo empregatício, com cessão total de direitos e pior: não tem a menor garantia de que as histórias que escreveu serão publicadas (e consequentemente pagas). Ele pode ver seu trabalho do mês inteiro ser recusado e ele fica ali, uma mão na frente outra atrás.
Uma história que lhe pagasse R$ 500,00 (10pgs), em 10.000 exemplares custaria ao editor: R$ 0,05.
Imagine ainda o retorno com anunciantes!

Ou seja, contratar um bom escritor, um excelente ilustrador, CUSTA MUITO POUCO, e ainda assim nos massacram com contratos terríveis, e valores aviltantes.

O triste é o editor não desconfiar o quão isso é prejudicial ao seu próprio negócio!
Que pagasse bem, que firmasse acordos justos... Isso se reflete na qualidade da criação! Aliás, qualquer profissão, se bem valorizada, responde com maior qualidade e presteza (seja autor, professor, médico, policial...).

Voltando às revistas: canso de ver oferta tosca de editor de quadrinhos em que se baseia apenas no formato auto-destrutivo dos contratos de cessão integral aplicados em conjunto com valores absurdamente baixos. Lembro de um editor na Ediouro, que querendo iniciar um série de "alto nível" de quadrinhos de terror, ofereceu a uma talentosíssima colega minha valores que não daria sequer para cobrir as diárias da gentil moça que se dispunha a fazer a faxina da casa da artista. Ora, independente de faxina ser ou não trabalho que exija especialização, as ilustrações da moça seriam reproduzidas na base dos milhares, junto a pomposos anunciantes e espalhadas, revendidas, exportadas, e re-licenciadas a torto e a direito.
Bem, a moça recusou e até onde sei o editor deve estar ainda a cata de bons autores para sua super revista...

A artista bem que tentou negociar um contrato, ainda de forma super vantajosa para o editor. Ele manteria o preço, mas ela não abriria mão do controle patrimonial de suas artes. Mas, como a Ediouro tinha os tais "contratos padronizados", nada feito. Francamente, no meu entender, quem saiu perdendo mais foi o editor - pois se a ilustradora perdeu os trocados (que poderia cobrir facilmente fazendo faxina na casa da sogra) o editor perdeu milhares de trocados que ganharia quando o trabalho de alto-nível dela chegasse às bancas de todos país.

Vejam este email de um colega autor para sentir um pouco mais do drama:

"Creio que, tanto da parte dos ilustres ilustradores quanto da parte das editoras existe gente mal informada e gente que deixa pra lá... Duas editoras (não cito nomes, por uma questão diplomática) me declararam que NÃO FAZEM CONTRATOS COM ILUSTRADORES. Uma delas, quando me posicionei pela necessidade (leia-se obrigatoriedade), se mostrou receptiva e me pediu o modelo para o contrato. Talvez eu esteja sendo ingênuo, mas me pareceu apenas desinformação e apego a práticas antigas, ou seja, apesar de tudo, não percebi má-fé. Em compensação, descobri que uma das mais conceituadas editoras tem dois modelos de contrato, o primeiro para quem assina qualquer coisa e o segundo para quem esperneia. No primeiro, eles ficam donos e senhores das imagens por toda a eternidade. No segundo, o uso é atrelado à obra (livro, conjunto de texto e imagem), com tempo determinado. Aí é malandragem mesmo. Se colar, colou... Como o ilustrador desconhece a existência do segundo, acaba assinando o primeiro. E aí, dançou. " ( recebi em abril de 2008)

Resumo na ópera:

Maus contratos espantam bons autores. Se o escritor, o ilustrador perde ao não aceitar os contratos "padronizados", os editores perdem muito mais. Muito mais do que jamais saberão se nunca mudarem sua postura de apertar o orçamento justo na parte mais importante do livro: na autoria!!! A parte mais importante e também a mais "barata", pois ainda que investissem mais, que revertessem melhor os lucros aos autores, ainda assim seria bem menos do que ganhariam com o aumento da qualidade dos trabalhos e consequente vendagem dos títulos.


* Na falta de um contrato, o que ficará valendo já está definido na Lei dos Direitos Autorais: tiragem de até 3.000, uma edição apenas, apenas um formato ( o primeiro proposto), 5 anos de publicação.

Como publicar 3: cuidado ao negociar.

Não faz muito tempo me surpreendi com três casos tristes de ilustradores que não conseguiram fazer carreira.


Um, famoso, com trabalhos na Veja, JB, Globo... largou tudo e foi ser fiscal do INSS. Outro, anos de trabalho árduo, agora de cabelos brancos, com problemas de saúde... ainda no redemoinho de conseguir clientes e seus trocados; e o terceiro... engolindo os sapos gordos dos contratos de cessão integral, mesmo sendo ele um nome renomado, parte da história da ilustração brasileira.

Realmente é de se deseperar quando se descobre que:

- a dedicação na formação de um bom nome, que seu profissionalismo, as horas passadas em claro, sem férias ou finais de semana (para cumprir os prazos ensandecidos), às vezes em que enxugando os orçamento para " ajudar" na publicação de determinado escritor, o investimento incessante em tecnologia e estudo... nada valem! Ou ainda: nada valem se você não souber negociar.

Para sobreviver na carreira o ilustrador NÃO PODE CEDER SEUS DIREITOS DE FORMA INTEGRAL.

Direitos Autorais existem justamente porque sem eles o ilustrador não tem como se manter produzindo! Se ilustração fosse "serviço" como gostariam certos editores, ao ilustrador caberiam ainda uma série de outros privilégios próprios ao prestadores de serviço. Um contrato de cessão integral, por exemplo, certamente configuraria uma prática abusiva, visto que se assemelharia a "serviço continuado".

Não temos como nos dividir em um segundo emprego, não temos seguro saúde, nem auxílio desemprego ou fundo de garantia... nada. Portanto é apenas com o bom gerenciamento do licenciamento de nossas artes que podemos criar condições dignas de sobrevivência, similar, é claro, a outras carreiras artísticas.

Não quero acabar como meus colegas do topo!

Como publicar 2: escritor e ilustrador também!

Uma vez depurado o texto, peça uma avaliação total. Trata-se da famosa leitura crítica. Vale cada centavo investido. Nele o avaliador verá os erros ortográficos, sugerirá uma melhor construção das frases, o grupo etário mais indicado, adequação de linguagem... Uma troca de idéias muito importante. Costumamos trabalhar com a escritora Flávia Cortes, também associada da AEILIJ.

Já nas ILUSTRAÇÕES, é ainda mais simples começar. O envio de um lindo postal com indicação de um portfolio "online" é o suficiente. Muitas vezes, pelo próprio site da editora, consegui que o portfolio fosse apreciado, ou mesmo um telefonema para marcar uma visita (a segunda etapa da "venda do seu peixe" constuma ser face-a-face).Daí o editor irá "casar" o ilustrador com o escritor mais afinado com seu estilo, para que nasçam lindos livros!

Muito importante: ilustração NÃO É serviço.

É obra autoral, e precisa de um contrato de licenciamento de imagens, similar ao do escritor: com prazos razoáveis para validade do mesmo e usos especificados coerentes com a remuneração oferecida.

Cuidado, que umas das armadilhas é forçar ao ilustrador a responder como se fosse mera "prestação de serviços". Isso muda completamente a relação , ainda que seja abertamente uma prática abusiva, algumas editoras (até grandes) usam este artifício para arrancar do autor das ilustrações todos seus direitos patrimoniais a preço de banana (literalmente, pois "coincidentemente" costumam ser as que pagam pior).

Para o ilustrador valem as mesmas dicas do escritor: participar de eventos, se fazer ver (no caso participando de mostras), deixar material promocional, ter material para mostrar na Internet (blogs, portfolios online). A "leitura crítica" das ilustrações também pode ser feita pot colegas mais experientes. O estande da AEILIJ no Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens é um ponto de encontro onde esse tipo de ajuda acontece, e de graça! Só precisa dar a sorte de topar com algum mestre da ilustração por lá... o que não é difícil de acontecer.

Todos os anos a AEILIJ monta uma importante mostra de ilustradores, que aparece não só no Salão FNLIJ mas também em outros eventos importantes, graças a organização da Associação em diversar regionais e até mesmo com contatos no exterior.

Associar-se a AEILIJ, ABIPRO e também a SIB é um meio ótimo de se manter visível, acessível e informado.

Crucial ainda é ter em mente que o ilustrador será um colaborador que trará soluções para o editor. Ele é parte vital do livro ilustrado, e portanto carrega em si uma grande responsabilidade. O editor precisa ter a garantia de que você cumprirá os prazos, de que terá boa vontade em aceitar as limitações usuais em um trabalho de equipe, que tem informações precisas sobre as referências que usa, que desenvolverá um trabalho original e instigante.

Um atraso pode comprometer todo o investimento do editor!!! Ainda mais com os prazos apertadíssimos dos atuais editais de aquisição de livros. Saiba combinar prazos. Quando fecho um prazo com o editor, procuro conseguir o maior tempo possível, porque isso irá se refletir na qualidade e me dará mais tempo para a fase de pesquisa. Sem contar que imprevistos podem ocorrer, ainda mais neste tempo em que o ilustrador também assume parte da (pré)produção gráfica (resolvendo os arquivos já no computador, calibrando cores, às vezes até diagramando).

Por falar em diagramação, uma boa dica e trabalhar em parceria com um designer, ou pelo menos um diagramador. Não tem sentido se ocupar desta parte, é melhor investir seu tempo para incrementar na qualidade das artes.

Resumindo, para que comece uma bela carreira em ilustra;cão de livros precisará:

- amostras de suas melhores artes;
- uma série de ilustrações (no mínimo 4) criadas a partir de um texto, ou um conceito de história, onde mostrará que sabe contar histórias através de imagens;
- uma biografia resumida, onde destacará aquilo que for pertinente ao editor: cursos de artes, de literatura, prêmios de arte, se já publicou algo (mesmo que de forma ainda amadora);

É recomendável ter um portfolio online, que pode ser um simples blog.
Estude o Guia do Ilustrador que está online e pode ser baixado e impresso gratuitamente:
www.guiadoilustrador.com.br

Ilustrações são comercializadas sob a Lei dos Direitos Autorais, e não como prestação de serviços. Procure ler com atenção a Lei 9610/98 dos Direitos Autorais (está na página do MInC). Quando precisar de modelos de contratos para ilustração (com sorte será breve) procure a AEILIJ, a ABIPRO ou a SIB.

Para livro ilustrado usamos contratos com prazos fechados, isto é, assim como o texto, as artes podem ser usadas até um certo tempo (de praxe, ainda que não seja regra, usam de 4 ou 5 anos). Pedimos, após a primeira edição, e nas vendas de governo , um percentual ainda pequeno sobre as novas vendas(tem sido de 2% a 2,5%).

quarta-feira, junho 17, 2009

A Fada e a Tartaruga

Eu falando sobre ilustração na TVBrasil

Nesta quinta-feira dia 18 de junho, às 7h, vai ao ar pela TVBrasil minha entrevista para a série ILUSTRADORES do programa Salto para o Futuro que se apresenta agora em novo formato.

Como publicar?



Meu livro, "Breno,Breno" no estande da editora Larousse, esta semana no Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens – o mais importante no gênero. Foto:Thais Linhares, com meu celular mandrake.


Não é preciso arrumar ilustrador para publicar seu livro, porque quem deve cuidar disto é o editor.
O caminho para publicação mistura persistência e oportunidade.

É normal um escritor, mesmo experiente, ter seu texto recusado várias vezes antes de conseguir encontrar o editor que irá publicá-lo.
Suas chances de publicação aumentam se o texto cair no gosto pessoal do editor + ser de um tipo que a editora está procurando naquele momento + puder ser encaixado no calendário de lançamentos da editora (depois que eles fecham os lançamentos do ano não entra mais nada até o ano seguinte).

O volume de originais enviados para as editoras é enorme.
Alguns editores confessam que não chegam a lê-los.
Por isso é legal pegar algumas dicas que irão melhorar suas chances, são elas:


- Escreva em português impecável - e mesmo que seja impecável, não deixe de pedir para outra pessoa revisar, pois o escritor fica com o olhar "viciado" e depois de algum tempo não vê mais os pequenos erros de ortografia;

- Forme um grupo de leitura, onde você poderá expor seu trabalho aos amigos, e ver também o que eles escrevem, assim um ajuda ao outro a refinar o texto;

- Leia muito, e sempre, e apenas bons livros - a literatura brasileira está entre as melhores do mundo, principalmente os de literatura infanto-juvenil (LIJ);

- Passe a frequentar lançamentos de livros, feiras e bienais onde você sabe que poderá conhecer editores, e autores (auto-escritor e autor- ilustrador).

Eu faço isso até hoje, assim vou ficando conhecida (o cara-a-cara ajuda ao editor a se lembrar de você, o que já é um prêmio,visto que os editores são super ocupados e conhecem milhares de pessoas!);

- Faça auto-promoção. Exemplo: distribuir cartão pessoal para os editores, outros autores, professores (se seu interesse for LIJ); participar de listas/sites/foruns/blogs de escritores iniciantes ou não; tenha um blog, gratuito mesmo, onde pode colocar seus textos experimentais e pedir críticas construtivas aos visitantes do blog;

- não tenha medo, ou vergonha de ouvir uma rejeição, por pior que seja!!! Sério, já ouvi cada história! Alguns escritores famosos de hoje, começaram sendo rejeitados (às vezes porque o texto era mesmo ruim!) Mas não teriam conseguido se tivessem desistido;

- Não há problema em enviar o mesmo texto para vários editores ao mesmo tempo, pode informar: "esta é uma cópia de várias". A escritora Edna Bueno, quando começou, enviou os mesmos textos para mais de 20 editores... Deu certo!




Existem formalidades para apresentação de originais, que podem ser entregues pelo correio, em mãos (durante eventos), ou email (apenas quando o editor pedir desta forma).

Usamos folhas de formato A4 ou carta, sempre branco, sem enfeites!!!
Usar letra de máquina (no caso, computador) a mais convencional: Times, tamanho 10 ou 12.

Usar espaço duplo, isso quer dizer que o espaço entre as linhas é igual ao espaço de duas linhas.
É só marcar no computador "double space". Eu uso o Word para escrever meus originais.

Aos invés de grampear, prefira usar um clips para prender as folhas.

No rodapé de cada folha coloque: o número da página, o título da obra, seu nome e telefone/email para contato.

Na primeira folha, além do título, coloque seus dados para contato.

Atenção: não precisa dizer sua idade! Pois corre o risco de gerar preconceito.
Se o texto ainda não for suficientemente bom, irão culpar sua idade,
se o texto for excelente, corre o risco de por preconceito terem medo de aceitá-lo.
Raquel de Queirós surpreendeu todo mundo, quando ganhou um prêmio literário...
Ninguém imaginava que a autora daquela maravilha tivesse apenas 15 anos!
Se soubessem ANTES dos julgamento... será que teriam mudado de idéia? Nem que fosse por orgulho besta???
Não saberemos nunca.

Tampouco é válido fazer apresentações informais, do tipo: "meus amigos adoraram o texto..."

Por outro lado, experiências diretamente ligadas são válidas, do tipo: "Prêmio no Concurso de Redações", ou, "fiz oficina literária com o escritor Tal...", "Fui editora do Jornal do Grêmio Estudantil"...., "publiquei no Jornal Tal e Tal...", "sou colaboradora do Site Tal..."

Depois, resta colocar no envelope, endereçar ao editor escolhido e torcer para que se unam a sorte, o talento e a oportunidade!




Escolhendo o editor certo:

- Procure conhecer os outros lançamentos da editora que pretende, para saber se seu estilo combina com o gosto do editor (afinal, gosto pessoal conta muito) e com a linha editorial da casa (o tipo de publicação que a editora prefere trabalhar);

- Escolhidas as editoras alvo, telefone para elas, pedindo o nome do editor ou responsável pelo recebimento de originais (algumas podem tentar lhe desestimular, dizendo que eles não estão recebendo nada no momento... mas não encare isso como um não! De certa forma é para filtrar os oportunistas, que na verdade não iriam se tornar escritores mesmo. Ou seja... tente pegar o nome, dizendo por exemplo que quer mandar material de divulgação, e envie seu original);

- Mesmo que não consiga nada com uma editora, não deixe de mandar novos textos para a mesma, na medida que for criando mais histórias, pois isso fará o editor a começar a respeitá-la com alguém que realmente quer ser escritora!

- Quando você estiver mais entrosada com outros profissionais do ramo, poderá começar a receber notícias de qual editor está requisitando textos. Ano passado a Editora Salesiana de Sampa pediu que lhe enviassem textos sobre folclore. A notícia correu na lista da AEI-LIJ.




Sobre edição independente:


Se optar por publicar de forma independente (chega uma hora que a ansiedade aperta!!!), tome cuidado com os aproveitadores!!!

Existem "editores" que cobram uma grana alta para editar seu texto! Esses editores NÃO VÃO promover seu trabalho!

Como você pagou tudo, do custo de edição ao de impressão, eles não tem nenhum incentivo para distribuir e vender seu livro da forma correta!

Se for para você própria bancar, melhor não cair nas garras destes editores-aproveitadores. Eles nunca irão questionar se seu trabalho está pronto para ser colocado no mercado, melhor seria demorar mais para publicar e ir depurando o texto, o estilo, até ter certeza de ter em mão um material de qualidade.

Quando quis fazer uma edição de autor (isto é, pagando do bolso), fui direto na Fábrica de Livros do SENAI-Tijuca (que é a gráfica-digital que os pequenos editores-tipo-aproveitadores usam, assim pulei etapas e paguei apenas a impressão - só é preciso seguir as orientações que a própria Fábrica te passa, quanto ao formato do livro e como enviar o arquivo).

Neste caso, vale a pena sim, pedir a algum amigo que faça a capa e ilustrações, ele pode ser pago com parte dos livros, que ele próprio poderá usar para se promover como ilustrador. Um ilustrador profissional , dificilmente irá ajudá-la. Ele teria de largar algum trabalho pago, e certo, para assumir o risco contigo. Eu não poderia fazer isto, pois dependo de meu trabalho para sustentar minha família.

E, importante, ANTES de gastar seu dinheiro imprimindo seu texto, combine uma venda antecipada com seus parentes e amigos, depois faça uma festa de lançamento com eles.

Assim você garante pelo menos cobrir o custo de impressão. Tudo que vender depois é lucro seu. Você própria, como autora tem direito a editar e distribuir seu livro garantido por lei.

Mas... preciso te dar dicas de como funciona o mercado...




O Mercado de Livros no Brasil:

É SINISTRO. Sério. O livro chega ao leitor custando 5 vezes mais do que custou para imprimir.
Isto é: se um livro custou 2 reais para imprimir, ele custará 10 reais na livraria.
Destes 10 reais, metade, fica na mão do distribuidor e livreiro.

E pior:

Nas livrarias a preferencial será sempre para títulos consagrados.

Só pegam em consignação (se não venderem, você pega de volta e eles nao perdem nada); e até bem pouco tempo eles sequer eram responsáveis pela conservação dos livros. Atualmente são. Assine um termos de consignação, lembre que o combinado sai barato.

Sabendo disso a gente entende porque o editor é tão seletivo...


No caso de tiragens independentes e melhor você vender diretamente ao seu leitor! Ou na mão ou por internet (nesse caso, acrescente o custo de correio). Assim VOCÊ fica com os 5 reais que o distribuidor/livreiro ia pegar, mais o seu lucro de direito por seu trabalho (criação mais edição). Para um pequeno editor essa divisão de lucros é um entrave terrível e um desestímulo à produção de livros.




Sobre direitos autorais:


Como você é um autora, recomendo que conheça a LEI de DIREITOS AUTORAIS.
Essencial para que nunca se veja enganada por contratos desiguais, que lhe desfavoreçam na negociação de seus textos.

Como autora, você tem TODOS os direitos sobre como e onde seus textos podem ser usados.
Por isso, desde já, se prepare para recusar contratos de tentem lhe privar de seus direitos.

O que não pode faltar no contrato para publicaçao de texto:


- prazo da validade do contrato (usualmente 4 anos), se não houver nada no contrato especificando o prazo, valerá 5 anos, automaticamente;
- local que será publicado e idioma (usualmente Brasil, em português);
- dinheiro que o autor receberá, a forma de pagamento (usualmente de 6% a 10% do valor de CAPA do livro);
- números de exemplares a que o autor terá direito, sem custo (usualmente de 10 a 30 exemplares na primeira edição e 5 exemplares nas edições seguintes).
– exigência de prazo máximo para publicação, ou seja, se em 2 anos (exemplo, mais usual) o editor não publicar de fato, o contrato é cancelado.



Como vê... não basta saber contar bem uma história.
Para vencer neste neio é preciso estar pronta para mostrar a cara mesmo, conhecer o mercado, as leis, as pessoas...
Não caia nesta história de que é PANELINHA!
Sim, é uma baita panelinha! Com direito a encontro de autores depois das bienais, fofocas, troca de gentilezas e tapas...
Mas... como qualquer panelinha do planeta, ela é uma panela de tampa aberta!
É só mostrar que seu texto é um tempero novo, que você ama o que faz, que quer participar deste mundo lindo!

Por fim,

Acho esses autores, os da velha guarda, maravilhosos. Rio muito com os "causos" que contam no encontros e feiras.
Sou super tímida (se não fosse, seria atriz e cantora ao invés de ilustradora! Por que além de desenhar, já me apresentei no palco... só que sou mesmo do tipo solitário e rabugento!) e inventei meu jeito próprio de ser "metida"e correr atrás das oportunidades.
No momento é minha única fonte de renda. Isso é comum entre ilustradores - pois o trabalho com imagem costuma ocupar todo nosso tempo, cansei de virar noite para cumprir os prazos doidos do mercado.
Já com os escritores, eles vão aos poucos, se dividindo entre dois trabalhos ( a Edna é engenheira, o Gabriel Lacerda é advogado, a Luciana Savaget é jornalista...) e se algum dia sentem que podem viver só de seus textos, largam tudo e ficam sendo escritores e colunistas com dedicação total.


Perseverança, talento e oportunidade, nesta ordem mesmo, lhe ajudarão a chegar lá.

Pergunta sobre a utilização de ilustrações em apostilas

Um colega me perguntou dia desses:

"Tenho um colega que fez ilustrações de várias apostilas. Ele tem direito a receber um comissão na venda das apostilas?"

Resposta:

Depende do que firmou em contrato.
Na falta de um contrato, pode-se entender que o que recebeu pelos desenhos cobre o primeiro uso pretendido, no caso as próprias apostilas.

Na falta de determinação de tiragem e edições, considera-se que a tiragem é de 3.000 e a edição é a primeira (veja na Lei do Direitos Autorais 9610/98).
O pagamento que ele recebeu já é a remuneração dos Direitos Autorais. No caso cobrindo o que foi acordado, ou, na falta de contrato, os parâmetros que falei.

Se amanhã ou depois as artes forem re-utilizadas, sem que houvesse permissão para tal, ex. em outro livro, em site, em CDrom... daí ele pode exigir um novo pagamento, entrando em outro acordo sobre essa nova utilização. Funciona igualzinho para o caso de ser texto, ou música, ou qualquer outra obra autoral.

domingo, junho 14, 2009

DISCUSSÕES AEILIJ com Mauríco Veneza e Marília Pirillo.

A Arte de Criar Histórias
para Crianças e Jovens

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil – AEILIJ, convida para um inédito bate-papo/discussão entre autores* de LIJ, aberto ao público em geral.
A AEILIJ, promoverá um evento inédito: autores de Literatura para Crianças e Jovens discutindo técnicas e manhas de sua arte & ofício com outros autores e com a participação do público interessado no tema.
A Literatura para Crianças e Jovens é riquíssima em recursos técnicos, que absorve da Literatura em geral e a transforma segundo a exigência de atrair e seduzir seu público, tão especial. Além disso, importantes novidades técnicas da arte de criar histórias estão surgindo nessa área, capazes de influenciar toda a comunicação ficcional, aí considerando não um público em especial, mas os leitores de maneira ampla.
São as intimidades desse fazer literário, discutidas por autores com mais de vinte anos de carreira e sucesso, amados pelo seu público, premiados e destacados sempre pela crítica, que a AEILIJ põe em Discussão no dia 18 de junho, das 09 às 17 hs, no XI Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens.

* A AEILIJ considera como autores, os criadores de texto (escritores) e de imagem (ilustradores).

Cada D!SCUSSÃO contará com três autores, sendo 2 provocadores e 1 mediador.
09:00hs Abertura
Anna Claudia Ramos – Presidente da AEILIJ
09:20hs Primeira Discussão: INGREDIENTES
(personagens, focos e vozes narrativos, manhas, recursos e caprichos)...
Provocadores: Rosana Rios e Pedro Bandeira.
Mediadora: Antonella Catinari
10:50hs Segunda Discussão : FONTES
(Clássicos, Cultura Popular e outros...)
Provocadores: Rogério Andrade Barbosa e Luiz Antonio Aguiar.
Mediadora: Sandra Pina
12:20 às 14hs Intervalo
14:00hs Terceira Discussão : A IMAGEM
(narrativas visuais, harmonização com o texto etc...)
Provocadores: Thais Linhares e Maurício Veneza.
Mediadora: Marília Pirillo.
15:30hs Quarta Discussão: GÊNEROS
(terror, humor e seus pares)
Provocadores: Rosa Amanda Strausz e Gustavo Bernardo.
Mediador: Hermes Bernardi Jr.
16:50hs Encerramento
Término: 17:00 hs


Dia: 18 de junho de 2009
Local: XI Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens.
Centro Cultural Ação da Cidadania
Av. Barão de Tefé, 75, Bairro Saúde, no Rio de Janeiro, RJ
A única taxa para a entrada no evento, será o ingresso do Salão, que custa R$ 3,00.



www.aeilij.org.br
Para maiores informações, por favor contate Sandra Pina – comunicação@aeilij.org.br

domingo, junho 07, 2009

Salão do Livro FNLIJ para Crianças e Jovens - 2009



Querida turma que ama ler, ouvir e contar histórias,

Gostarei muito de encontrá-los lá entre livros. Estarei lno Salão em diversas ocasiões, mas garantidamente em:

Dia 13 – 10h – Lançamento do livro "O Vestido", texto de Celso Sisto; ilustrações minhas; editora ZIT;
Dia 15 – 11h – Lançamento do livro "Pano de Boca", texto de Sandra Pina; ilustrações minhas; editora Cortez;
Dia 18 – 14h – "Discussões AEILIJ", junto com Maurício Veneza, mediadora: Marília Pirillo;
Dia 19 - 13h - Performance da Ilustradora (eu desenhando em papel gigante!)

Ainda no dia 18, mais cedo, às 8:45h vai ao ar pela TV Brasil (canal 2 na TV aberta do Rio) minha entrevista para a série sobre ilustração no programa "Salto para o Futuro".


Terá um sistema gratuito de vans para levar as pessoas até o local do Salão saindo da Av. Presidente Vargas:
Van da Av. Pres. Vargas, em frente ao prédio da Embratel. Capacidade para 15 pessoas. Intervalo de 15 min.
Dia de semana - sai da Pres. Vargas apartir das 7:30, e a última van, saí do Centro Cultural às 18:30.
Final de semana e feriado - sai da Pres. Vargas a partir das 9:00, e a última van, sai do Centro Cultural as 20:30



Mais informações com:

Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ
Seção Brasileira do YBBY
Rua da Imprensa, 16 - salas 1212 a 1215
20030-120 - Rio de Janeiro - RJ
Tel/fax: 55 21 2262-9130
E-mail: comunicacofnlij@fnlij.org.br
www.fnlij.org.br

quinta-feira, junho 04, 2009

Cores e Formas que Contam Histórias - expo



Contra-capa do folder, organização e projeto gráfico das ilustradoras Marília Pirillo e Anniebeatriz.
No aniversário de 10 anos da AEILIJ, uma exposição dos ilustradores no Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens - 2009.
No estande da Associação.

sexta-feira, maio 15, 2009

Cores da MPB


Minha mãe Tiana e Totozinho foram meus modelos para essa "Canção do Sinhozinho". O texto de abertura é de Maria Betânia. Edição especial, sem distribuição em livrarias. Mais detalhes só após o fechamento da publicação.
Repare a semelhança com a composição anteriormente mostrada. Mesmo clima de aconchego e Totozinho aparecendo nos dois.

quinta-feira, maio 07, 2009

Democratizar X Roubar

Reproduzo aqui com autorização do (brilhante) autor de livros Maurício Veneza, esse texto esclarecedor no tocante a pirataria que corre solta sobre direitos autorais, um verdadeiro puxão de orelha na turma "sem noção" que simplesmente defende o fim do repasse de DAs aos criadores.

Com a palavra, Maurício Veneza (o autor):


A condenação do Pirate Bay tem gerado polêmica, com uma expressiva maioria contrária à decisão judicial. Parecem achar que os rapazes são uma espécie de Robin Hood, roubando dos ricos para dar aos pobres. E os que são a favor, como Paul McCartney, são xingados de todos os nomes feios existentes ou a inventar. Pessoalmente, eu gostaria que, antes que as pessoas disparassem emocionalmente sua enxurrada de impropérios, dessem uma paradinha para reflexão.

A idéia do chamado direito democrático de acesso à cultura é extremamente simpática (eu também sou a favor!), mas tem servido a toda sorte de pilantragens. A alegação é de que, com a chamada pirataria, se estaria redistribuindo os bens culturais de modo mais amplo e justo, prejudicando apenas os barões da indústria da cultura, às vezes chamados genericamente de "altos executivos". Balela! Quem sai prejudicado são os criadores, músicos, escritores, artistas gráficos e outros, que também têm suas brigas com as empresas. Executivo não é criador. Sai de uma gravadora e vai para uma empresa de telefonia. Cujos executivos, aliás, vão muito bem, também graças aos acessos à internet, que não são de graça... Aliás, sempre é bom lembrar, não existe nada de graça. Se você não paga, alguém está pagando. É como na história das cópias Xerox de livros, em que se pretende considerar que a cópia para uso pessoal e sem finalidade comercial não constitui crime de violação de direitos autorais. É no “sem finalidade comercial” (ou “sem intuito de lucro” ou “sem ganho financeiro”) que a coisa pega: a loja copiadora faz as cópias de graça? E a fábrica das máquinas copiadoras, o fabricante do toner, do papel...? Cá entre nós, até quem usa a cópia tem intenção de ganho financeiro. Não imediato, é verdade. Copia para estudar, estuda, se forma, arranja emprego... Vai trabalhar de graça? Não vai.

Lembrando ainda: nenhuma das pessoas que proclamam a distribuição gratuita dos bens culturais (produzidos por outros) disponibiliza gratuitamente sua principal atividade. Exemplificando: um professor universitário que escreve um livro, mas vive das suas aulas, pode se dar ao luxo de ceder o seu livro na internet. Mas jamais cederá a totalidade das suas aulas, sem que tenha recebido algo por elas, porque assim não terá como sobreviver. No entanto, o acesso democrático à educação também é um direito do cidadão. Ou não é? Ditar regras para os outros é fácil, no dos outros sempre é refresco. Mais um exemplo: se eu, que não vivo de música, compuser uma música, poderei por vaidade ou qualquer outro motivo, liberar minha criação na internet. Afinal, não dependo dela pra viver. Mas se eu passar a exigir que um músico profissional faça a mesma coisa, não será só estupidez minha, será canalhice mesmo.

É claro que todo cidadão tem o democrático direito ao acesso aos bens culturais. Tem também o direito à saúde. Será que, por isto, alguém vai apregoar que médico tem que trabalhar sem receber? Mas quando se trata dos criadores de bens culturais...

Os argumentos são bem conhecidos, até as frases são repetidas: “banda ganha dinheiro é com show, não com gravação”. Bacana. E se o compositor da banda não se apresenta no palco? Fica a zero? E os artistas que não fazem espetáculo, escritores, designers, fotógrafos, vão viver de que, de patrocínio?

“A disponibilização pela internet ajuda a divulgação”. Divulga para outros que também vão baixar sem pagar. Isto interessa a quem? A quem tem a vaidade de querer ser “famoso”? Amiga nossa tem um livro de muito sucesso. Mas não vende. Todo mundo faz download sem pagar. Elogiam, dizem maravilhas. E ela paga suas contas com o quê, elogios dos fãs?

Existem, não se pode negar, astros do livro ou da música que são a favor da disponibilização da obra alheia. Não sei se fazem o mesmo com sua própria obra. Aliás, pensando bem... Se eles acham que o sistema de direitos autorais é antidemocrático e ilegítimo, não será ilegítimo também tudo que eles ganharam com este sistema? E o que se faz com ganhos ilegítimos? A gente devolve, não é? Fica então a sugestão aos astros defensores da disponibilização da obra dos outros: doem o que já ganharam e recomecem do zero, com as nova regras. Aí, sim, vou acreditar na sua sinceridade.

E vamos aproveitar para perguntar a quem acha que existe alguma coisa de graça: dar dinheiro pra escritor, compositor, fotógrafo não pode, mas pra provedor, site, fabricante de mídia, de equipamento, etc, pode? Do jeito que está, daqui a pouco vão querer alegar que assalto é forma legítima de redistribuição de renda...

O Vestido





Olha a BIB!



A FNLIJ fez minha festa, recomendando cinco livros meus (três ilustrei e dois escrevi e ilustrei) para a seleção da Bienal Internacional de Bratislava... que é A BIENAL PLANETÁRIA DA ILUSTRAÇÃO. Q'beleza! Tô feliz.

Os livros selcionados pela FNLIJ:

A cobra coral, da Ygarapé;

Américas Assombradas, da Escala Educacional;

O livro do cavaleiro, da Ygarapé;

O pano de boca, da Cortez;

O tesouro da ilha qualquer, da Ygarapé. A imagem acima é desta obra, escrita pelo Pedro Pessoa (Gabriel Lacerda), e com belíssimo projeto gráfico de Ana Sofia Mariz.

Altamente Recomendável pra Ieda!

Recebi da Ieda:

"Queridos todos:

Acabo de receber a notícia de que o nosso livro O que é qualidade em ilustração - com a palavra o ilustrador foi agraciado com o selo "Altamente Recomendável" pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Cumprimento e agradeço a todos pela brilhante participação.

Um grande abraço

Ieda de Oliveira
http://webblog.iedadeoliveira.com.br "

Foi uma honra e uma alegria ter participado desta obra, fundamental para a ilustração de livros para crianças no Brasil. Parabéns pra Ieda! Este livro saiu em seqüência ao "O que é qualidade em literatura..." de leitura obrigatória!

Abaixo reproduzo também a mensagem de parabéns do ilustrador e herói Montalvo Machado:

"Foi uma ótima surpresa encontrar em destaque na Livraria Cultura o livro
"Com a palavra, o Ilustrador", com imagens maravilhosas e textos articulados
de feras da profissão, incluindo Odilon Morais, Renato Alarcão, Rui de
Oliveira, Thais Linhares, entre outros.

Parabéns a todos os envolvidos neste projeto, e espero que estejamos
presenciando uma era renascentista para ilustradores, escritores, art-buyers
e público consumidor.

O sucesso profissional já é uma realidade para muitos ilustradores
brasileiros, com todos os méritos.

Mas desejo, de coração, o mais sólido sucesso financeiro aos ilustradores,
que mesmo sendo responsáveis diretos pelo sucesso financeiros dos editores,
há muito tempo mordem uma fatia muito pequena do bolo.

Quero acreditar que com publicações como estas as fatias dos ilustradores se
tornem mais polpudas, e que a gente não precise morrer antes de ver este dia
chegar.

Afinal, não é só da satisfação pessoal em ver seu trabalho publicado que
vive um ilustrador.

Abraços,

Montalvo "

terça-feira, abril 21, 2009

D'O Vestido - Celso Sisto



Conheci Neuza, a mãe de Celso e personagem do livro.

O Vestido, por Celso Sisto


Saudade tecida em cores e costuradas em palavras, o novo livro de Celso chama-se "O Vestido". Lançarei no link de ilustrações (vide barra da direita) algumas imagens que estou bordando para esse novo livro cuja história me emocionou muito. A editoria é da Anna Claudia Ramos, na Zit Editorial - RJ.

domingo, março 08, 2009

Uma bruxinha para Tatiana


Coloquei essa bruxinha no ar para uma ocasião especial. Uma exposição em homenagem à Tatiana Belinky. Esta deve acontecer em 04/04 na Casa das Rosas em SP.

domingo, março 01, 2009

Iluminada



Pouco tempo atrás dantontem, adquiri um teclado e tenho me dedicado ao estudo da música. Minha professora, Madame Beatrice, possui a paciência de um Dalai Lama para felicidade minha. Não se cansa de ouvir minhas piadas infames, minhas tagarelices a respeito do mercado editorial e de animação e tem três filhas completamente fofas!
Agora... o teclado é algo alucinante... a gurizada fica doida quando ligo as teclas de efeitos especiais... ou quando coloco no automático e finjo que estou tocando como Chopin...hehehe...
Mas o objetivo aqui (não seria eu se não tivesse um objetivo...) é ajudar a compor as trilhas para as animações. Claro que vou recorrer ao meu amigo profissional da música superstar para os finalmentes... mas preciso meter o bedelho sim.
Queria algo que remetesse ao TontonMacoute.

A ilustração é de um projeto em andamento.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Tuca, Cutuca, a gaivota.


Já-já escrevo mais sobre este novo trabalho com a escritora carioca Sandra Lopes.
Queria adiantar essa imagem...

Curioso é que enquanto eu finalizava as últimas imagens não conseguia parar de imaginar a história da Tuca em cine-animação.
Imagine os cenários montados em painéis no After, ganhando profundidade e mobilidade. A linha do horizonte segurando o olhar... uma trilha sonora suave, em clima de maré.

Terminei hoje a leitura do contrato da Autores Associados. Permitam-me dizer que foi um dos contratos mais profissionais que vi. Ele detalha o que é pertinente, no se extendendo no que não será necessário. Muito bom.

Sandra Lopes tem outros textos maravilhosos. Em especial o "Cordel da Candelária".

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Direitos Autorais dos Ilustradores



Apesar dos avanços de comunicação, da fundação de três importantes associações de âmbito nacional, de 4 fóruns governamentais e umas 50 listas de discussão e comunidades orkutianas, ainda é possível encontrar quem ignore noções básicas de direito autoral quando aplicado no mercado de livros – e por extensão, demais impressos.
Por isso nunca é demais informar (mais uma vez que):

– Ilustração NÃO É SERVIÇO. Não está submetida ao regime de impostos nem Leis relacionadas a esse setor;

– TODO ilustrador é autor e portanto tem DIREITOS AUTORAIS garantidos por Lei;

– Contratos de cessão universal são abusivos, ou seja, excessivamente onerosos ao ilustrador (e autores em geral) JAMAIS deveriam ser tomados como padrão dentro de uma editora que deseje manter um relacionamento justo com os criadores de seu produto, devem sim ser EXCEÇÃO, aplicados em casos muitos específicos e com uma remuneração (pela mesma cessão) várias vezes maior do que em casos de contratos com usos limitados no tempo e mídias;

– Os originais NÃO ESTÃO inclusos na negociação. O ilustrador cede direitos de reprodução, ele permanece de posse do original. Em casos específicos de venda de originais, o custo é bem mais alto (por se tratar, justamente, do original) e NÃO DÁ DIREITO À REPRODUÇÃO e/ou EXPLORAÇÃO COMERCIAL da imagem/ilustração;

– TODO contrato é negociável. Cláusulas pétreas que sejam onerosas ao contratado não devem ser admitidas.


Impressiona que mesmo entre aqueles que deveriam dominar o assunto direitos autorais, quer dizer: autores e editores, ainda se encontre práticas que ignoram a lei e o bom relacionamento profissional.


Outro dia encontrei mais uma vez a tediosa e infrutífera discussão sobre co-autoria. Vamos esclarecer...

O ilustrador é autor das ilustrações. O escritor é autor do texto. Logo não são co-autores... No máximo poderíamos dizer que são co-autores dentro de uma obra onde se unem diversos talentos... e então precisaríamos também ressaltar o editor (direito conexo) o projetista visual do livro, o tradutor... Melhor dizer que são colaboradores.

Dizer que o ilustrador é menos autor do que escritor revela tanta ignorância que me assusto quando vejo algum colega criador falar tal asneira. Toda obra de arte nasce da fusão de elementos externos e internos. Os textos também vem de algum lugar, alguma inspiração, alguma memória... às vezes nascem mesmo da apreciação de outras obras de artes. Isso não os torna menores, assim como não é menor a dança de uma Botafogo, ou o cantar de Bethânia, ou os figurinos de uma peça. Além disso, diferente de outras artes, a ilustração pode funcionar de forma autônoma, uma vez desvinculada do texto, salvo raríssimas exceções. Assim sendo, da mesma forma que é direito de um escritor pegar seu texto e re-editá-lo com outro editor, alguns anos depois... Também é direito do ilustrador re-utilizar suas imagens com outro editor, produtor, texto, suporte...etc.

sábado, janeiro 31, 2009

Theatro Municipal comemora com livro

A editora Cortês está para lançar o livro "O Pano de Boca" escrito por Sandra Pina premiado pelo "Carioquinha" agora ganha edição super colorida e ilustrada que irá se destacar em meio às comemorações pelo aniversário do Theatro.
Estive lá com a ajuda da RP estudando os bastidores do prédio bem no centro histórico do Rio de Janeiro. Trouxe junto belas imagens em grafite que serviram de referência para as ilustrações e pude relembrar bons momentos de minha infância. Muitas horas passei deixando minha imaginação correr sobre os painéis de Visconti, enquanto esperava por tia Cinira, violinista da orquestra da casa. Lá quis virar bailarina (de fato estudei balé clássico, teatro e ópera) e criei muitas histórias... Bem, abaixo uma amostra do que se verá no livro "O Pano de Boca".



Imagem feita a partir de um desenho feito no local e usando B. como modelo.

Meus quadrinhos na terra de Languedoc

Caros Amigos, (reproduzo aqui as palavras do Eduardo Barbier, editor da Bouche)

Venho com prazer anuciar que a 10° edição da La Bouche du Monde faz parte oficial da seleção oficial da categoria BD Alternativa.
Não ganhamos, mas ja é uma boa divulgação para uma revista que teve suas origens em Belém do Para.

Muito obrigado por participar nesta e nas outras edições. Aqui vai em anexo, a entrevista que dei para a RFI (Radio France International) na categoria Brasil.
Aqui vai o texto que estou enviando para a divulgação si quiserem divulgar também a boca agradece sorrindo :)

Eduardo Pinto Barbier
www.4mundo.com
www.labouchedumonde.blogspot.com

La Bouche du Monde, a revista franco-brasileira na seleção oficial do 36° Festival de Angoulême.

A revista independente que foi criada em Belém do Para em 1991, A Boca no Mundo, é atualmente produzida na sua versão francesa (La Bouche du monde) em Narbonne no sul da França. Para a sua 10° edição o editor Eduardo Pinto Barbier, fez uma edição especial de 100 paginas com 29 autores vindos da França, Portugal, Canadá, Argentina e Brasil, com entrevista do quadrinhista Lourenço Mutareli. Os brasileiros que participaram desta edição foram Biratan Porto, Wilson Vieira, Alberto Pessoa, Magal, Thais de Linhares, Irrthum, Cristiano Cleuber, Marco Morte, Amorim, Jorge Del Bianco, Calazans, Alcione e Gazy Andraus.

Para o concurso de melhor revista alternativa um júri composto de 10 membros vindo do mundo dos quadrinhos selecionou 32 publicações vindas de vários países entre eles França, Suécia, Croácia, Rússia, Bélgica, Holanda e EUA para fazer parte da seleção oficial do concurso BD Alternative e La Bouche du Monde faz parte desta seleção. A grande ganhadora do concurso é a revista francesa DMPP.

Em 1998 este mesmo numero da La Bouche du Monde e Eduardo Pinto Barbier já tinha sido convidado para participar do festival internacional de quadrinhos de Argel, na Argélia, onde Eduardo representou os quadrinhos brasileiros com varias outras revistas do grupo 4° mundo.

Para comprar a La bouche du Monde no Brasil basta acessar o site http://www.bodegadoleo.com/

Também é uma primeira internacional para o grupo de editores independentes 4° mundo (www.4mundo.com), vários autores e revistas do 4° mundo já foram nominados e ganharam prêmios nos festivais Ângelo Agostini, HQComix e o troféu Bigorna (ver site WWW).



Para visitar o site oficial do Festival de Angoulême com todos os selecionados na categoria « BD Alternative » acesse aqui: http://www.bdangouleme.com/40-selection-2009-selection-bd-alternative

Para baixar o pdf com a crônica em francês dos selecionados: http://www.bdangouleme.com/upload/prix/ac2b43287680a0b8415bd83afd79471d.pdf