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domingo, setembro 15, 2013

O valor de arte original e doações de originais.

Toten Engels – vier. Litogravura.




Quem pede para doar um original para colocar na parede da escola (pelo menos terá moldura?) certamente não tem ideia do valor do mesmo, e da grandiosidade do gesto do artista que doaria.  Pode acabar mais para "doer" do que "doar". 

Para ter uma ideia mais precisa do preço das gravuras – que ainda são cópias, portanto menos valiosas que originais – peguei um link de uma galeria de arte que vende online:


Esclarecer isso é bom se quisermos valorizar nosso ofício e arte.

Em minha pouca experiência, tudo que doei, achando estar fazendo um grande favor e a custa de sacrifício pessoal, não foi devidamente valorizado. E afirmo categoricamente, jamais alavancou minha carreira. 

Nunca aconteceu nada do tipo: diretor de escola divulgando meu nome, comprando um livro a mais, ou pelo menos agradecendo. 

Não digo que foi por maldade. Acredito que isso ocorra porque o receptor não saiba avaliar o custo de uma arte original. Costumam comparar com o preço de um postal vendido numa banca ou papelaria, não entendendo que aquele poster cujo preço varia de R$ 15,00 a R$ 50,00 é uma mera reprodução numa tiragem de 10.000, às vezes 100.000 exemplares. E que assim, o custo do original e suporte é amortizado, distribuído em milhares de pedacinhos.

Mesmo nas vezes em que me ofereci para montar uma exposição de originais e palestra, ou oferecendo arte como voluntária em ONGs, nas causas que defendo, me lasquei. 

É estranho como na intrincada psicologia humana, aquilo que é oferecido gratuitamente é automaticamente interpretado como "sem valor". Talvez por isso se importem tão pouco com a qualidade do ar que respiramos...

É preciso considerar muito bem a quem, e como, se dá essa doação. Pois é um valor alto. 

O beneficiado sabe, por exemplo, que ele passará a ser responsável pela INTEGRIDADE daquela obra? 

E quem garante que depois que mudar a direção do local, a próxima diretoria não jogará as artes numa gaveta...ou pior? 

Sabem que o acesso do artista à obra deverá ser permitido sempre que requisitado? 

Ou que o direito de reprodução e exploração comercial não são doados juntos, e o autor pode muito bem querer fazer usos destes direitos a qualquer momento? 

Isso está na Lei Brasileira dos Direitos Autorais.

Não acredito que quem pede para doar entenda o que está pedindo, e tampouco conheça as responsabilidades que acompanham a posse de uma obra artística. 

Cabe a nós, autores, ajudar a esclarecer o público.

Na Internet ocorrem vendas bem lucrativas de originais e até mesmo rascunhos de arte! Imagina ter um desenho original do Frank Frazetta? 

Ainda não investi muito em vender desta forma, mas vendi litogravuras, de minha série Toten Engels.

Quando uma diretora pede um original, é por não sacar o valor real que ele possui.

Mas, às vezes, pode acontecer mesmo é canhalhice da boa, como no caso que relato a seguir.

Eu fazia parte da redação do jornal do Colégio Andrews, o "Beco do Grito". Tinha uns 15 anos, e amava fazer quadrinhos e storyboards, mesmo imaginando que no Brasil jamais haveria campo para ser nem animadora, nem quadrinista. E criava as capas, super caprichadas, do jornal da escola. 

A capa da edição de final de ano, foi especialmente caprichada. 
Para minha tristeza o editor-chefe, coleguinha de outra turma, não me devolveu, dizendo que "a tinha perdido"! 

Fiquei um bocado triste. Tratava-se inclusive de uma arte experimental, onde eu usei traço e material que eu começava a dominar só naquele momento. Com um tema super pessoal.

Não é que no começo do ano seguinte, eu vejo a minha arte debaixo do vidro da mesa da orientadora educacional!!! 
Usada como enfeite de mesa!?!

Nem pisquei. Peguei de volta e me mandei da sala. Que desaforo! 
Além de não respeitar a minha arte, ainda eram larápios (o editor e a SOE!) 
Eu sempre tive um ciúmes doentio de meus desenhos. 

Se você tem um original, ou mesmo uma de minha raras gravuras, significa que lhe tenho em altíssima consideração (do tipo: deixei um filho meu aí para você cuidar).

Então antes de entregar um original, pense bem quem irá cuidar dele.

E antes de pedir um original, pense bem se merece a responsabilidade.

Antes de partir, dê uma olhada nas minhas gravuras à venda em cópias numeradas aqui no link:



Avatar – litogravura.

quarta-feira, maio 29, 2013

Onde está o ilustrador?

Bia Bedran sempre chama o ilustrador para participar. 
Apresenta com muito carinho e destaque nossa arte.
Aqui nós duas no lançamento do livro "Deus" em 2006.
Editado pela Nova Fronteira – Leila Name e Daniele Cajueiro.


Faz já alguns anos, ocorreu um longo e acalorado debate na lista de discussão da AEILIJ onde ilustradores defendiam o fato de que são autores. Houve quem ficasse zangado com isso. Não queria de forma alguma reconhecer o carater autoral dos criadores das imagens... mas logo se desfez o mal-entendido – estes estavam a pensar que os ilustradores requisitavam para si a autoria do texto!
O que causou o engano foi como colocamos: nós, ilustradores, somos autores do livro. E alguns usavam logo o termo: co-autores do livro.

Sim, somos autores, também, do livro que o leitor pesca na prateleira. Portanto, dentro do livro, objeto de fruição estética e informativa, somos co-autores.
Assim, sempre que um editor me contacta avisando que logo haverá a festa de lançamento do livro onde eu, co-autora, criei as imagens que cobrem cada uma das páginas do mesmo, eu sinto um frio na barriga, uma expectativa negativa do que está por vir, e, infelizmente, meu ataque de Cassandra costuma se confirmar.

Invariavelmente o nome do ilustrador, meu nome, autora da imagens do livro para crianças, onde as imagens raramente compõem menos de 50% da arte apresentada, vem miúdo, em corpo bem menor que o do autor do texto, que o nome da editora, às vezes até mesmo do que o local do evento! Outras vezes nem mesmo aparece, em flagrante delito, visto que a Lei dos Direitos Autorais torna obrigatório que se credite as obras artísticas.

Já teve caso que eu nem sequer ser avisada do lançamento, e nunca fui consultada sobre qual seria a data e local mais conveniente para mim, coisa que sei que ocorre com o escritor, já que também tenho obras publicadas como escritora.

Em lançamento recente, fui chamada mas deixada longe da mesa de autógrafos, o que de certa forma causou desconforto aos leitores que vieram pedir pelos meus autografos-desenhados, já que eu tive de fazer isso de pé apoiando o livro nos braços deles.

Não se trata de orgulho ou pedantismo, aliás, eu não me importo de ampliar a autoria do livro a quem de fato o torna possível, como o designer e editor (aqui querendo dizer o nome da pessoa física responsável pela editoria, que é o agregador de todos os talentos envolvidos!) e quem mais tiver seu talento valorizando a obra pronta.

Trata-se de ser justo e de valorizar o livro, valorizando os talentos presentes.

Por favor, não diminuam a importância do trabalho do ilustrador.
Sobretudo em livros ilustrados para crianças.

Não é preciso muito: basta manter o mesmo corpo de letra para os autores de texto e imagem, lembrar de consultar ambos sobre o lançamento e, claro, chamar o ilustrador para que também autografe e até mesmo para uma performance – as crianças amam!!!

Lançamento com arte é super atraente para as crianças, que já dominam o traço muito antes de aprenderem a ler, e adoram ver um adulto interagindo graficamente com a criatividade delas! E os adultos pedem sempre para que eu faça um rápido desenho, que eu chamo de ilustrautógrafo, por vezes transformado numa caricatura divertida da criança que receberá o livro. Sucesso total, valorização do livro – TODOS ganham quando cada um é reconhecido!

Fica a dica.


terça-feira, abril 30, 2013

Tabela de valores design – Era da Desinformação

Lembro-me guriazita, iniciando carreira em artes e afins. O trabalho era solitário, e contava-se apenas com os eventos para conhecer outros colegas e clientes.  Para mostrar trabalho era preciso colocar a pasta do portfolio debaixo do braço e correr Brasil afora marcando entrevistas com editores, agências e produtoras. Fui a Minas, São Paulo... subi muita ladeira, esquentei por horas os sofás esperando para ter cinco minutos com o editor.

Nas bancas de jornal as publicações eram poucas. Por volta de uma dezena de revistas de grande circulação onde se poderia apresentar algo. Nenhum tipo de orientação acadêmica, nem de ateliês, nem de cursos livres.

O ilustrador, designer, ou escritor iniciante tinha pouca informação ao seu dispor. Mas, por outro lado, quando encontrávamos a mesma, ela era precisa. E logo firmávamos direção correta para nosso trabalho.

O que eu não gostava naqueles tempos era a falta de oportunidades. Eram poucos os editores que ousavam se arriscar num mercado quase inexistente para literatura infantojuvenil. Em quadrinhos nacionais nem se falava. Ainda lembro quando produzi junto com o Bernard o meu álbum de HQ Grimoire e tive de ouvir da Devir: "Não trabalhamos com quadrinhos nacionais. Tivemos um primeira experiência muito ruim (as revistas do Ota) e não vamos mais trabalhar com nada nacional".
Pois é... a Devir!!!

O álbum Grimoire, lançado na Bienal Internacional de HQ foi a segunda publicação mais vendida do evento, atrás apenas do novo lançamento do Sandman. E, por falta de distribuição, praticamente morreu na praia. Tinhamos um acordo prévio com a Devir, pois sabíamos que dependíamos de uma distribuição pelos pontos de venda de HQs para adultos. A Devir furou, o nosso barco afundou. Era frustrante ver o Grimoire receber matérias, às vezes de página inteira, em tudo quanto é jornal do país. A pessoas pedindo... e a gente sem ter a estrutura para distribuir. Uma loja do sul comprou um lote, vendeu tudo num único evento e deu o calote na gente.

Capa do Grimoire Álbum
pintura à óleo de Bernard.


Não existia distribuição para quadrinhos nacionais adultos. Nas bancas só a turma da Mônica e Disney. As distribuidoras eram apenas duas, e monipolizavam todos os espaços. Além de não distribuir tiragens pequenas (a nossa era de 3.000) elas sabotavam abertamente os editores que distribuissem por sua conta as revistas. Peguei mais de uma vez turma das duas grandes colocando a Grimoire escondida atrás das outras revistas. Esse era o panorama para quem investisse em quadrinhos brasileiros.

Página do 
Grimoire Álbum 
de quadrinhos.


Tampouco havia espaço nas editoras de livros para crianças. Pois ainda eram poucas as publicações e material importado lotava as prateleiras das livrarias. No Rio de Janeiro apenas uma, até hoje única, livraria especializada no setor: a Malasartes, no Shopping da Gávea, recebe e orienta os leitores no que há de melhor para crianças e jovens (e apaixonados por arte como eu...).



Não existia Internet com suas milhares de oportunidades diárias de trabalho, projetos, iniciativas independentes, distribuição e vendas – para todo planeta! Sem falar nos espaços online permanentes para que mostremos nossa artes sem precisar carregar as pastas portfolios que massacravam minha coluna. Hoje é comum eu receber pedidos de artes de pessoas que me conheceram antes online.

E, até alguns anos atrás, a Internet também se mostrava campo belo para busca de informações sobre carreira, valores, projetos, direitos autorais. Bem, ainda é. O difícil agora é achar o que se quer e precisa dentre tanta bobagem!

De campo limpo, virou um garimpo clandestino! Procurando info sobre valores e práticas profissionais, entrei e sites de "orientação" que são um pesadelo para qualquer iniciante. Muita desorientação. E, pasme, não apenas blogs e podcasts de oportunistas amadores, mas alguns sites de "sindicatos" e "associações" regionais.

Muita informação pode ser tão ruim quanto a falta de informação. Ao entrar num destes sites que "ensinam" a ser freela, a ser designer, ilustrador etc. e encontrar orientação equivocada, a carreira criativa começa com o pé errado. O resultado é gente batendo a cabeça e se sabotando sem perceber.
Pessoalmente, acho muita irresponsabilidade de uns e outros, que passam informação errada para quem está começando.

Exemplos de desinformação:

Blogs/podcasts/sites que ensinam ao criativo (chamarei assim nossa turma que trabalha com criatividade: designers, webdesigners, ilustradores, tradutores, roteiristas, escritores, etc) que para calcular o valor/preço de seu trabalho ele precisa calcular sua hora/trabalho com base em:
–tempo de execução;
-material utilizado;
- suas contas...

Pééééé!FAIL!Aperta a buzina na cara de quem diz isso!

Obviamente, freelancer precisam saber seus custos fixos, para poder compara-los aos ganhos. Se os ganhos são menores que seus custos, é porque não sabe administrar sua carreira solo, até aí ok.

Mas NÃO SE CALCULA VALOR DE TRABALHO CRIATIVO COM BASE EM HORA/TRABALHO!!!!

Use esse valor apenas para administrar sua carreira, mas saiba que para nosso tipo de produção existe um código legal chamado: LEI BRASILEIRA DOS DIREITOS AUTORAIS. Clique aqui para conhecer a lei que nos dirige.

Ela foi criada especialmente para que o país pudesse contar com sua criatividade, um incentivo à nossa cultura e indústria criativa. Ela determina que cabe ao autor a forma como será utilizada sua criação e que a remuneração é a priori obrigatória.  Devido a isto é que não somos considerados prestadores de serviço. E sim autores. O que "vendemos" é o direitos de uso da parte patrimonial de nossos direitos autorais. Assim, nossos clientes, parceiros ou colaboradores em projetos, firmam conosco contratos de direitos autoral.

Dependendo do que estamos a produzir, criar, um tipo diferente de contrato será usado. O ilustrador Montalvo Machado, a mais de uma década, disponibiliza gratuitamente em seu site profissional vários exemplos de contratos, para diversos usos. Lá também se encontra muito material orientando os novos criativos. Diga-se de passagem, o Montalvo não só é um dos que mais ajudou e orientou quem ingressa no mercado, mas quem também batalhou muito pelo profissionalismo e qualidade da ilustração brasileira. Na dúvida: escuta o Montalvo que não tem erro. Veja também seu blog, o Sketcheria.

Pois então... tem muito blog/podcast/site por aí que esconde essa informação, ou por desconhecimento, ou por má-fé mesmo. Ainda lembro de um longo debate entre eu e determinada podcasteira em que ela batia o pé dizendo que designers, ilustradores, não tinha direito autoral. Muito simples: mostrei para ela a lei, os contratos que eu tenho firmado, expliquei com detalhes que elucidariam um coelho surdo. A resposta dela: é uma questão de opinião. Me recuso a discutir isso.

A "pérola" mais recente da menina foi defender certa Tabela Chimarrão (um desastre para todos nós!) dizendo que "tudo bem se o iniciante cobrar valores bem menores que os corretos". HEIN!?!?!
Isso mesmo que ouvi!?! Pelamordedeus qual a lógica de se passar anos investindo numa carreira de designer (mesmo os micreiros investem alto) para ganhar migalhas e não conseguir crescer na profissão? COMO alguém cria um podcast se propondo a ser guia para os freelas fala uma asneira destas? Será que ela diria o mesmo para outras categorias profissionais? Médicos, dentistas, diaristas, taxistas, engraxates... já passaram pela mesma dificuldade. Mas existem muitos mais médicos, etc do que designers e ilustradores. Então vamos continuar comendo mosca e sendo tratados como amadores??? Que raios de "dica", desculpe, opinião é esta? Na boa: desliga o podcast. Não contamine seus ouvidos com tamanha desinformação. Ninguém vai pra frente sem se colocar de forma profissional no mercado. Por sorte eu descobri isso a tempo, e hoje aqui estou, repassando o que aprendi com outros  profissionais.

Então veja: o mercado hoje é imenso, com oportunidades infinitas. No desespero é possível até mesmo  ganhar dinheiro criando seus próprios projetos, sem precisar ficar esperando chamado de cliente.
A visibilidade de seus trabalhos é planetária! A oportunidade de conhecer gente e firmar parcerias é constante. Só que precisa entender o valor do que você faz. Sua criatividade irá render dinheiro e conhecimento para o mercado e mundo. Falaremos mais sobre isso. No momento, apenas cuidado com a desinformação online... é muita poluição neste mar! Não vá engolir bosta, nem beber em tabelas Chimarrão.

Sucesso!

terça-feira, abril 16, 2013

Efeito Vala



Esse texto é para você que acredita que cobrando valores muito baixos está fazendo carreira, "passando a perna" na concorrência, etc.

O efeito "vala", isto é, "aquilo que te joga na vala", acontece quando você oferece sua produção, seu talento, seu conhecimento por um valor abaixo do que ele realmente vale. 

A consequência direta disto não é uma enxurrada de clientes maravilhados `a sua porta. Mas sim uma enxurrada de maus clientes fazendo fila para lhe contratar a preço de banana. 

E é mau cliente mesmo, pois é exatamente aquele que não valoriza o próprio negócio que coloca seus investimentos nas mãos de amadores sem noção. Os empresários sérios jamais contratariam amadores, jamais colocariam uma marca, identidade visual de empresa, personagem, livro, campanha… nas mãos de um "profissional" que por alguma falha de auto-estima qualquer, decide arregar na hora de orçar seu trabalho criativo.

Quando você procura um arquiteto, pega um calouro de faculdade e corre o risco da casa cair? Ou se vai tratar os dentes, pega um aventureiro qualquer? 

Imagina então a responsabilidade que recai sobre você quando se trata de criar a identidade que irá lançar determinada empresa ou produto no mercado!

Quando você se rebaixa, entra num ciclo vicioso em que o pior tipo de cliente lhe procura e ainda fica marcado como amador, o tal do "barato sai caro" tão frequente na vala comum dos "dizáiners graficus" de Internet, que jamais viram um contrato, ou estudaram comunicação visual, verdadeiro "pilotos de coréudráu" de vida curta no mercado. Sugestão que lhe dou: não se torne mais um a pisar no próprio rabo.

Chutei o balde com esse tipo de cliente, felizmente, bem cedo em minha carreira. O bom senso foi minha inspiração. Fica a dica para que você também não perca seu tempo e orgulho próprio com quem não dispõe de nenhum dos dois.

Estudo para livro de LIJ.

PS. Fiz esse texto inspirada por uma famigerada tabelinha de valores para freelas que começou a rolar este mês no FB. Uma publicação absurda e aviltante para qualquer profissional da área. Torço para que o estrago não seja grande entre os que estão começando. É um manual de "desorientação" total.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Visita ao Ciep Presidente Tancredo Neves - RJ

O evento foi em 2011, mas hoje a foto veio parar no meu Face graças a Sandrinha (Ronca) e corri pra fazer o registro via blog.

Na foto estão: Sonia Rosa, autora, amiga, que coordenou o projeto e fez o convite; eu com o livro que ilustrei "O Vestido" do escritor Celso Sisto, editado pela Zit e a Sandra Ronca que também foi apresentar seu livro, "O Dia de Vacina", que escreve e ilustra.
Foi uma dia fantástico com a criançada na linda sala de leitura do colégio, que é toda envidraçada e super iluminada, com almofadões para a petizada se espalhar ler e desenhar!
Ainda fomos recebidas com um super lanche comemorativo com bolo, docinhos, salgadinhos, beberagens refrescantes... dezenas de sorrisos e simpatia infinita!
Provavelmente estou a comer um marshmellow – o doce ao qual eu jamais resisto.


Uma parte emocionante de nosso trabalho como autoras é a visitação escolar, onde temos o contato direto com os leitores. É muito legal ver o entusiasmo e curiosidade das crianças, e como muitas já estão a produzir seus próprios livros, muitas vezes já com parcerias onde uma desenha e a outra faz o texto. Querem saber de tudo, querem mostrar suas criações, querem conhecer a vida de quem hoje trabalha com livros. Muito bacana e revigorante esta troca!

Início de carreira: cobrar menos... ou não?


Trabalhos de início de carreira são complicados.

Por exemplo, uma novíssima editora, que sem recursos próprios, se utiliza do crowdfunding para iniciar seus projetos. Difícil definir o que seria um valor justo, que garanta um bom retorno de investimento ao editor e também compense a dedicação do artista ao projeto.

Posso no entanto passar o quanto eu cobraria por ser uma crodfunding, também iniciante, bem a título de experiência.


Acima: estudo de personagem que fiz para um amigo, que intimidado pelo mercado, preferiu deixar sua obra com uma editora iniciante e totalmente inexperiente. Resultado: jamais conseguiu ser publicado, mesmo após investimento em dinheiro pago ao editor. O livro é maravilhoso, coloco ele entre os melhores já escritos para jovens. Infelizmente, o mundo não o conhecerá se o autor não puder promovê-lo de outra forma.



A tempo: Crowdfunding é uma proposta genial, onde o produtor promove online o seu projeto, e os internautas podem entrar como patrocinadores, com qualquer valor. Assim que as contribuições batem a meta do projeto, ele é realizado. Os internautas que investiram recebem o retorno combinado, que pode ser algo simples, como exemplares da revista, ou animação, até qualquer coisa que o produtor puder imaginar: terem seus nomes e rostos colocados na obra, camisetas e promos...
Usem a criatividade!


Eu cobraria em separado as etapas, para o cliente ter uma boa visão.

Importante: esses valores não são o ideal de mercado, pois como já dito antes, o que determina o valor do licenciamento é o USO da arte.

1- A decupagem do texto, com  a criação de roteiro: R$100 por pg/ ou tirinha;

2- Arte + finalização (na técnica escolhida, eu desenharia na mão, scanearia tudo e colocaria a cor digitalmente, mas é só uma escolha): R$ 300 por página ou tirinha;

3–Projeto gráfico tirinhas mais letreragem: R$ 500 pelo projeto mais R$ 50 por tira montada e letrerada ou diagramação: R$ 50 por página letrerada;

4- Projeto gráfico do ebook: aqui entra a montagem da revista, com a colocação dos texto na fonte, mantagem da capa com títulos, formato da revista (se será só digital ou se terá também que sair impressa), número de páginas, forma de apresentação, se for impressa: qual o papel, tiragem...
R$ 2.000 (total);

5- Criação do personagem institucional:
R$ 3.000  (cessão apenas para a Editora, sem limite de tempo ou aplicações institucionais, pois se pressupõe registro como mascote institucional). Inclui manual com banco de poses, personagem em 360º, determinação das cores padrão, proporções, versões em palhetas limitadas: PB, uma cor. Obs: Está barato, mas levei em conta que é uma pequena editora, e editoras costumam a ter um retorno muito pequeno e demorado de investimento.


Não penso que o fato de ser iniciante possa ser levado em conta no valor, mas, claro, que se houver outros interesses além do financeiro, pode-se pensar em algo com custo menor mas, sempre deixando claro que o valor está abaixo do que seria o ideal. Poderia se pedir algo em troca, como uma maior exposição de seu nome, portfolio acoplado ao link do projeto. Se for um projeto bacana, que lhe seduz à fazer parte, com pessoas que tem afinidade com teu trabalho e podem se tornar bons parceiros para outras ações, cai dentro!

Já me empolguei com projetos assim e tive os dois tipos de experiência:

1- Era uma turma legal, batalhadora, nos tornamos amigos e nos reencontramos anos depois, todos com boas posições no mercado. Foi a turma do fanzine Panacea, hoje são produtores em editoras grandes. Muito talentosos. Tenho saudades daqueles tempos e faria tudo de novo.

2- Uma produtora de vídeo (Baby Vídeo), não me pagava nada e eu produzia todo o visual (concepts de personagens e cenários), até que ele começou a surtar e a cobrar que eu virasse noite. Só que aí eu descobri que mesmo sendo só eu que trabalhava de fato na equipe, eu era a única que não estava recebendo grana!!! Os demais recebiam e só ficavam fazendo pesquisa (simples!) atrasavam (quando apareciam). Sumi!

3-A Maco editora. Mesma coisa, eu fui bem empolgada, bem iniciante, tipo parceira (daquelas abestadas onde você não leva nada e trabalha como jumenta), com a única condição que eu determinaria o prazo, pois estava em época de provas finais. Não passaram 3 dias a louca me liga aos berros, cobrando todas as artes "pra ontem". Sumi 2.

4-Cometi o erro básico de atender favor para parente: um ano perdido em reuniões que varavam a noite, mais de uma centena de artes e projeto de coleção de didáticos que já tinha até editora à vista... até que um dos professores surtou e resolver cair fora furando todo o projeto. Dancei que nem o-lango-tango...never more!

5- Igual ao anterior, mas era o projeto do PRIMEIRO RPG brasileiro, que já estava vendido pra Rocco e todos seriam pagos inclusive com participação nas vendas. Estava PERFEITO, alto nível, melhor do que qualquer material já visto, inclusive na Europa e EUA. Aí o autor entrou em crise de "medo do sucesso" e toda a equipe dançou...Ódio! Só não quebramos as pernas da besta porque ele é campeão de Krav-Magá.

Esse dragão acima foi uma das dezenas de ilustrações já prontas para o RPG. Éramos 4 ilustradores de alta qualidade, mais uma designer de renome e uma grande editora que já até havia investindo no copydesk, perdendo tempo com a atitude pouco profissional do autor.

Como percebe... foram quatro roubadas (cada autor que você perguntar poderá citar outras dez no mesmo estilo) contra apenas UMA certa.

Por isso... cuidado! Faça todas as perguntas para esclarecer suas perdas e ganhos. Como se fosse uma proposta de casamento. Só que mais sério!!!

Saiba que em 100% dos casos, se alguém lhe pede para fazer algo de graça ou por valor aviltantemente baixo, este mesmo alguém não considera o projeto com a mesma prioridade que você e o seu tempo – que é dinheiro – será TODO PERDIDO. O projeto não irá decolar. Eu pelo menos, NUNCA vi um caso de sucesso começar assim. Já participei inclusive de projetos de ONGs super bonitos, mas que simplesmente não passaram de "lágrimas no temporal" – como diria nosso amigo replicante na cena mais bela de Blade Runner – por faltar o básico no proponente: talento para negócios.

No mercadão da vida real o valor da página de roteiro está entre: R$500 – R$600. Este é o valor pago por produtora. O roteiro é entregue em lauda, só texto, cada página correspondendo a um minuto de filmagem. No caso de HQ imagino que o equivalente seria "texto que entra em uma página decupada" por página de roteiro. Para uma agência de publicidade isso é até pouco! O storyboard é outra história, literalmente, e custa mais!

Mas na época em que comecei a fazer roteiros para Globo Revistas eles não queriam pagar mais que R$ 50, e num worshop onde procuramos pedir aumento (sugeri R$ 100 roteiro, R$ 100 arte lápis, R$ 100 finalização), eles não só negaram como ainda queriam que incluíssemos a decupagem rafeada à lápis nos mesmos cinquentamínimos.

Pulamos fora!!! Nesta mesma reunião eles pediam desesperadamente que chamássemos os colegas pra fazer roteiros. Mas não queriam pagar o preço de um bom escritor. Quem estava nessa reunião hoje faz trabalho responsa no mercado, ganhando bem mais, é claro. Se pensarmos que a tiragem mínima de uma daquelas revistinhas em quadrinhos era de 100.000, com direito a espaço de mídia etc. Fica claro o absurdo de se pagar tão pouco. O custo de um bom roteirista, desenhista ou arte finalista, colorizador, por exemplar não chegaria a um centavo de centavo. Na verdade seria menos de R$ 0,0005 por exemplar. Por outro lado, é arte impressa naquele papel baratinho que faz o lucro da editora. Uma HQ de sucesso, que chega na margem do milhão, é super lucrativa! Forma público, fideliza os fãs, gera outros produtos: camisetas, mochilas, desenhos animados... Ganha fã clubes eternos.

Ainda neste tópico, me lembrei do que uma das roteiristas falou no Coffebreak: – Sabe, Thais, eu tenho aqui três roteiros sensacionais, que pensava em entregar hoje pra eles. Mas não vale a pena gastar ideias tão boas por tão pouco! Vou guardar para outra ocasião, talvez desenvolver em livro.
Ela me contou as histórias. Realmente excelentes! Fiz ela me prometer que colocaria no papel – para quem pagasse bem, é claro. Esse tipo de coisa acontece com frequência. O roteirista não libera suas melhores ideias para maus clientes. Todos fazem isso. Mente quem nega. Olha aí a falta de visão da empresa!

Da obra: "Operação Resgate em Bagdá", 
escrito por Luciana Savaget,
editado pela Nova Fronteira.


Nas editoras de livros infantojuvenis estabelecidas no mercado, é raro cobrar menos de R$ 300 por página finalizada, mesmo ilustrador iniciante. Há quem peça bem mais. Uma capa paga com justeza custará uns R$ 900 a R$ 1.500. Mal, super mal paga, uns R$ 500 (mas isso é na Record que é péssima contratante e decidiu por sua conta que ilustração é serviço e não trabalho autoral, como determina a lei). Os contratos são elaborados para serem justos, com prazos limitados a uma média de 5 anos, uso restrito ao título da obra, impresso e com participação nos lucros pelo menos nas vendas institucionais.
Essa participação nas vendas, não só é o correto, mas o principal incentivo para a máxima dedicação do ilustrador – ou escritor – nas artes. Pois formou-se uma parceria que promoverá o livro para sempre!


Do livro "Deus",  escrito por Bia Bedran, editado pela Nova Fronteira.


Voltando ao nosso caso, da pequena editora que inicia seus passos de mãos dadas com um novo artista.

Uma dica de ouro para esse tipo de cliente "de risco" com projetos crowdfundings, é sempre:

– Pedir um adiantamento, qualquer, 20%...50%... porque isso garante que o cliente não vai pular fora depois de você ter dedicado seu tempo ao projeto. Infelizmente o que acontece na maioria da vezes é exatamente isso: o cliente inexperiente simplesmente pula fora e desiste do projeto ao se deparar com o "mundo cão" que é o mercado, deixando os colaboradores a ver cyber-navios;

– Se não houver contrato, o prejudicado é o cliente, mas é gentil esclarecer para ele que nesse caso o uso já fica definido por lei: as artes só podem ser usadas no limite do que foi pedido, neste caso o projeto, o personagem institucional, a tira – tudo na mídia online inicialmente estabelecida, e NADA mais. Um contrato é sempre útil, mesmo entre amigos, Aliás, é uma boa forma de não perder o amigo se o "frango azedar" no meio do projeto.

O fato de cobrar pouco agora por ser iniciante não significa JAMAIS que um belo dia, quando marcar 5 ou 10 anos de mercado, irão automaticamente lhe pagar melhor! Nunca! Só irão lhe pagar bem quando você cobrar bem, oferecendo um material à altura. Independente do tempo de mercado!

Sei de veteranos que após 30 anos de batalha ainda cobravam os mesmos pingados (a senhora diarista de meus pais ganha melhor do que eles e em menos horas de serviço), viravam noite pra produzir centenas de páginas e ainda assim não conseguindo fechar as contas no fim do mês. Moram, pode você adivinhar, na casa dos pais idosos, como se ainda fossem adolescentes, sem carro nem Internet banda-larga. Resultado: não conseguem produzir com a qualidade máxima e acabavam sendo vistos como "quebra-galhos" para empresários com pouca seriedade em seus negócios. Viravam carpete para os pior tipo de cliente: o que não valoriza nem seu próprio produto!!! Foram meus exemplos do que NÃO FAZER profissionalmente.

Arte para coleção de cards de RPG que seria editado por amigo "garganta". No final revelou-se que "não havia dinheiro, nem editor, nem gráfica". Uma das primeiras furadas em que caí que nem pata. A figuraça que desenhei era a minha própria personagem de RPG, a elfa muito má Olcean Daioris.
Usei nankim para os traços e ecoline com lápis de cor para as cores.


Então? Espero ter ajudado. Compartilhei com você minha experiência pessoal e outros com vivências diferentes poderão também ajudar. Vale a pena pesquisar bastante, ver todos os caminhos. Nossa área tem muitas possibilidades de crescimento e propostas originais.

Sucesso para você que está começando hoje o seu sucesso de amanhã!

Grupo aberto sobre Direitos Autorais



Faz alguns anos abri uma lista do Yahoo para ser nosso databank de artigos, notícias, legislação e litígios relacionados com o Direito Autoral e outros afins essenciais no oficio das artes. 



Todos podem participar, folhear os tópicos, contribuir com suas experiências e opiniões. É quase um registro histórico que como tem evoluído a questão dos DAs no Brasil e no mundo. 

O endereço para quem desejar se inscrever é:




Pour Thais – Para Thais: 
As fotos acima foram sacadas por mim durante uma exposição de orquídeas 
no bairro do Jardim Botânico, Rio de Janeiro – RJ. 
Creio que em 2005, estudando para minhas artes botânicas..

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Direitos Trabalhistas dos Autores – 2


Acabo de receber de um colega ilustrador o relato de como foi abordado por um agente com um contrato onde:

"o contrato, para escritores, previa que todo material publicado na edição, ilustrações, fotos, gráficos, seria incorporado à obra, ou seja, passaria a pertencer ao escritor."

Donde concluo, sem medo de errar, que o cérebro do agente cabia numa casca de noz.

Ele preferia receber seus percentos apenas dos percentos do escritor, ao invés de parasitar os demais do ilustrador, tradutor, fotógrafo, editor e designer. Até tentando se dar bem tem gente que fura o próprio olho.

Mais uma vez, sem medo de falhas, recomendo a todo autor que estude a LDA e redação contratos. A priori, no dia-a-dia, não precisamos de muito pra começar. Na hora de briga feia, podemos correr direto no advogado, que será mais isento do que um agente que tem em sua carteira esse tipo de contrato. Até com advogado tem de ser escolher bem, pois na AUTVIS, por ex. havia adv da Ática! Ou seja: conflito de interesses! A Ática hoje pertenca a Abril, que adora empurrar contratos mandrakes nos novatos. Quem já conhece, pede o contrato "tipo C" (se me lembro bem do nome dados pelos colegas de SP) que não é de cessão. Quem anda desinformado assina qualquer porcaria por dezmerréis.



Direitos Trabalhistas dos Autores


Lembro de ter ouvido de uma colega autora de texto, que a agente literária Lúcia Riff não considerava que os autores da imagens comercializadas deveriam receber direitos autorais por suas artes!
Essa parece ter sido a opinião de muitos, naqueles anos obscuros da cultura brasileira.
Se hoje conseguimos o cumprimento da lei e contratos minimamente dignos (ainda mínimos..!) é por conta do trabalho de ilustradores como Graça Lima, Roger Melo, Maurício Veneza, Marcelo Pimentel, Adriano Renzi, Alarcão, Montalvo Machado (este mais que todos!), Silvana Marques, Flavio Mota...(acrescente quem quiser mais nomes, pois hoje somos muitos!) – que chegamos ao patamar de profissionamlização que a cultura precisa pra ganhar destaque mundial. Graças a eles que reformulamos os contratos, e continuamos buscando relações mais justas.

Nem advogado, nem agente, esteve ao nosso lado! Apenas a AEILIJ ajudou, no histórico Fórum Nacional em SP onde firmarmos um acordo de parceria na batalha por contratos justos, onde os ilustradores recebem seus DAs pagos pelo empresário que explora comercialmente sua arte.

A chegada dos espanhóis vem nos prejudicar. Além da já antagônica Record, a Leya e a Planeta afirmam que "não pagam direitos autorais aos ilustradores". Ou seja: querem implantar aqui algo que os ilustradores lá fora já rejeitam: contratos de violação de direitos. Os direitos autorais dos autores da imagem é o nosso equivalente dos direitos trabalhistas. E não se pode obrigar um trabalhador à assinatura de um contrato em que ele abra mão de seus direitos!

Fico pasma que até hoje os advogados e agentes não tenham percebido que o filão da ilustração é extremamente lucrativo, se bem gerenciado. Diferentes do texto, a imagem possui inúmeros destinos não conflitantes, e uma mesma imagem pode rodar o mundo e render dez vezes mais que um texto. E sequer precisa de tradução ou edição! Nem mesmo as editoras que obrigam cessões leoninas percebem isso. Pois mal administram seus imensos bancos de imagens. Apenas os jornais que usufruem literalmente, para sempre, dos direitos de milhares de fotógrafos sabem cobrar, e muito bem, por qualquer uso de imagens de seus stocks.

Mas o panorama é favorável a quem quer construir uma carreira sólida como ilustrador. Se a Leya, Planeta e Record não pagam os justos direitos, temos aí centenas de novas editoras, crescendo na conta do talento e competência, sem explorar injustamente os ilustradores. E como sabemos, não é só de livros que vive o ilustrador.

Dorme em paz ilustrador, e deixe os DAs se acumularem em sua conta bancária.


terça-feira, novembro 20, 2012

Tabela de valores para ilustração e design - ADEGRAF


Parecer profissional sobre a Tabela da Adegraf de Valores para design e ilustração publicada em 2011: ruim.

A tempos discutimos nas listas a necessidade, ou não, de uma tabela de valores referenciais para profissionais do design, webdesign e ilustração. Um dos maiores entraves para criação desta, reside no fato de que não podemos, legalmente, obrigar este ou aquele valor aos profissionais e artistas do mercado publicitário e editorial. É a livre concorrência.

Mas a falta de profissionalismo e, ou, ética de poucos, arriscava a depreciação gradativa de nossos trabalhos. Como fazer o cliente entender a diferença entre uma marca criada por um profissional qualificado e as "marcas a atacado" oferecidas por inúmeros picaretas na Internet? Em meio aos acalorados debates haviam até mesmo aqueles que diziam que "um cliente que coloca a imagem institucional de sua empresa nas mãos de um amador merece o estrago...". 
Assim, nos unimos, por exemplo, na ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais), e na SIB (Sociedade de Ilustradores Brasileiros) e formulamos as malfadadas "tabelinhas de valores" para design e ilustração. Mas, cuidado...

Um cuidado que tivemos ao elaborar tais tabelas, foi deixar bem claro, claríssimo, que o que rege o custo de design e ilustração é o uso. Arte, design, imagem, foto, ilustração é, por força da lei, licenciada. E os termos desta licença tem de ser transcritos em contrato de Direitos Autorias. 
Ou seja: não é no número de cores, o formato, o número de palavras, o tipo de papel... que irá nortear os custos. Mas sim fatores como: área de abrangência (nacional, regional, local...), mídia (TV, rádio, impressos, Internet, outdoors...), o prazo (um mês, uma edição, um ano, cinco anos, com possibilidade de renovação, ou não...), a exclusividade (exclusivo, exclusivo para um tipo de mídia, exclusivo por N anos...).
Cores e formatos irão aumentar os custos da gráfica, do digitador, do diagramador... que já não são regidos por direitos autorais, e sim pela lei de prestação de serviços. Que ao seu modo, também protege quem pratica estas atividades. 
Obviamente que custos com materiais, páginas de web e formatos também entram no orçamento de um designer ou ilustrador, mas o ideal é que estejam discriminados, separados do valor do licenciamento, visto que atendem a regimes de impostos diferentes. Serviços como estes pagam ISS. Licenciamento NÃO! Ambos recolhem IRF.
Sobre este assunto veja um parecer completo feito pelo advogado Marcelo Salles Pimenta em Nota Fiscal não é necessária para recolhimento de direitos autorais.


Voltando a Tabela da Adegraf:

Essa tabela aí é um crime à categoria. Só para citar ilustração. Ilustração não se vende, se licencia. Segundo lei federal estabelecida – a LDA. O que determina o valor final NÃO é o tamanho, nem a digitação! Mas o uso! (região, mídias, ...). É o beabá do mercado de uso de arte.

Leia este texto do ilustrador Paulo Brabo, sobre isto no site ABIPRO. Muito bom, mostra como contratar.

Curioso notar o baixo valor proporcional que a ADEGRAF atribui à capa de livro.
Qualquer um que trabalhos com publicidade, por exemplo, sabe que a localização de determinada "mensagem" (e aí pode ser a imagem de uma capa, para cativar o leitor) é fator de valorização da mesma. Uma mesma imagem valerá mais se ao invés de entrar no miolo, ir figurar na capa do exemplar impresso. A tabela sugere que seja o dobro, como se fosse uma simples página dupla, e pior, incluindo o trabalho de preparo para impressão. Ressalto porém, que essa é uma que veio da SIB. Então: feio, SIB, feio.

Pior ainda foi a "recomendação" para os novatos darem descontos. Uma boa peça de um novato, visando distribuição nacional pode e deve custar bem mais caro do que uma peça tosca de um veterano que só irá cobrir um curto espaço de tempo a nível regional.
Desculpe-me a ADEGRAF, mas que pisada na bola.

Mais uma vez: o que determina o preço do licenciamento, é prazo, região, mídia. Nunca a quantidade de anos que o profissional tem nas costas. Conheço vários veteranos que após 20 ou 30 anos de trabalho, ainda amargam a concorrência dos novatos que acham que estão na vantagem cobrando trocados por algo que vale na casa dos milhares. Na vã ilusão de que um dia poderão cobrar decentemente. Mentira. Ao cobrar tão pouco, ele viciam o cliente num patamar irreal de valores, inviável para o desenvolvimento de suas carreiras. Na hora que acordam, já perderam o cliente para outro incauto, que orientado pela ADEGRAF, baixou "só mais um pouquinho" o seu preço.

Antes que discordem, é óbvio que a fama trará clientes. Clientes maiores, com interesse em projetos de grande abrangência, portanto mais valorosos. Fama reverte em valores melhores por conta de captar grandes parceiros, e também porque a partir do momento em que se tem uma agenda cheia, pode-se optar por aqueles que oferecem os melhores valores e contratos. É exatamente o que fiz depois de alguns anos de ilustradora atuante. Passei a descartar quem chegasse com contrato oneroso, ou valores irreais para o tipo de licenciamento requisitado.

Observo ainda que a tabela da SIB, que a ADEGRAF usou para referência de valores pra ilustração, tem como base que PRAZO e REGIAO (ou seja, USO) coisa que a ADEGRAF simplesmente cortou da tabela original. Avisem a SIB, por favor, do mal uso de seu material. A retirada desta informação altera radicalmente a visão sobre a natureza de nossas produções.
Quem não souber licenciar, irá dançar.

Veja na SIB:
Conheça a ABIPRO.
Aproveita e visita a AEILIJ.

Uma última observação que tenho a fazer é que, sendo regida pela LDA – Lei dos Direitos Autorais, não sendo, portanto, uma prestação de serviço, a ilustração depende, mais que tudo, dos critérios do artista. Tenho colegas, que atingiram tal nível de excelência em sua arte e que, dispondo de recursos extras para seu sustento, agora se dedicam apenas aos projetos que lhe cativam. Entre eles, os nomes que fazem da ilustração brasileira uma belíssima arte mundialmente apreciada.

Cuide bem de seus licenciamentos. Diferente do que ocorre com outras artes, a ilustração pode ser adequada aos mais diferentes suportes. A cada novo uso, ela vira um produto diferente, e a arte volta a gerar lucros e empregos. Entendam isso e conseguirão uma carreira de sucesso. Exemplo atual de quem sabe gerir bem a carreira: Romero Brito, Ziraldo, Maurício de Souza e um exército de ilustradores que mesmo tendo menor fama, sabem gerenciar bem o uso de suas artes, e se manter ativos no mercado sem precisar de outras fontes de renda.

Esta deveria ser a meta de todo artista visual comercial. A busca da excelência, junto ao seu cliente.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Venha ao Paixão de Ler e participe do debate!

Olha aí seu convite! Até segunda.

Concurso para escritores, parte 3: reconhecendo picaretas!

Examinando com cuidado a última destas propostas "tentadoras", recebida por alguns de meus colegas, pude concluir que, no perfil daquela que explora os autores prometendo o que não tem, há certas características que ajudam a identificar a má-fé da proposta.

Reparei que ela se diz divulgadora, mas quem aparece o tempo todo, em fotos coloridas por todos o "melhores" ângulos é ela mesma! Dos autores, só uma foto, com meia frase...
E ela segue, sempre se auto-elogiando, com muita purpurina, como ganhadora de troféus e prêmios – nenhum deles de amplitude que impressione alguém... Fica aqui minha curiosidade: o que ela fez, exatamente, para ganhar tais "homenagens"?

Qual a ligação dela com os que a "premiaram"? Porque nunca ouvimos falar dela? Porque mesmo após procurar muito, não achei nada que divulgasse de forma significativa os autores que ela diz promover?

Porque nunca ouvi falar dos autores? Porque esses os autores não entram também em concursos legais?

Porque eles não buscam editores melhores, mesmo que pagando, pois afinal qualquer um pode se beneficiar desta prática? Se vai pagar, porque não buscar quem faça melhor o serviço?

Também notei que em todo processo, apenas ela vai ficando mais rica. A ponto de bancar viagens internacionais e publicações onde se auto-promove mas colocando como se fossem veículos isentos (já beirando a esquizofrenia!)

Já os autores... a este cabe meia dúzia (na realidade só quatro) exemplares (que eles mesmos pagaram, incluindo remessas) e um mundaréu de "louros" inventados pela mesma! Pior é que ela se gaba disto! Cantou pra quem quisesse ouvir que banca seus luxos com a grana que os autores lhe pagam para produzir as tais "antologias".  Assim mesmo, como se quem escreve fosse otário!

Aí ela monta todo um esquema, onde são bem pagos o fotográfo, o buffet, o salão...e quem banca tudo são os "ganhadores" do prêmio. Uma coisa temos de admitir... ela sabe como ninguém como brincar com o ego humano. Nada surpreendente, visto que lançar elogios de forma leviana é muito fácil para quem troca respeito e honestidade por dinheiro. O que ficou evidente também é que ela não possui absolutamente NENHUM preparo editorial. Ela não faz copydesk, ela não diagrama, não faz os projetos, não ilustra, não revisa, não traduz... NADA! Tudo isso ela terceriza, é pago pelos autores!!!
Então, por que, meu Deus, não buscar um editor de verdade?

Uma editora legítima saberá gerir melhor o processo, terá bons contatos, indicará quando o texto precisar de melhorias ou revisões. Um crescimento real para o autor, que irá dispor da experiência profissional e senso crítico do editor.

Aliás, uma característica comum a estes esquemas piratas, é a falta de transparência. Não demonstram os critérios para "premiar e nem apresentam os jurados. Não há divulgação nos meios legítimos e, pérola das pérolas, agora até pedem para "manter em segredo" a indicação!

Aos colegas da imagem, valem os mesmo cuidados!

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

Veja o primeiro post sobre Concursos para escritores - parte 1.

Concurso para escritores, cuidado - parte 2

Mais sobre CONCURSOS PICARETAS:

O debate ganhou força nas listas de autores! Estes concursos e "honrarias" dadas em troca de dinheiro já eram denúncia velha entre meus amigos cartunistas e ilustradores! Foi criado até mesmo a comunidade "Mendigos do Orkut" pra divulgar os nomes de quem se utiliza desta prática bandida! Entra lá e coloque o nome de quem explora a ingenuidade alheia para:

- promov
er seu site ou empresa se passando por "descobridor de talentos" ou "incentivador da arte";

- encher os bolsos com dinheiro dos autores na pretensão de "divulgar" a arte deles no exterior, mas nunca consegue os canais legítimos (que além de gratuítos muitas vezes fornecem bolsas e auxílio viagem);

_ se auto-promove em seus próprios meios como grande propagador de arte, quando na verdade é apenas um mestre em afagar egos dos incautos, oferecendo penas de pavão ao invés de trabalho editorial sério!

Além destes "prêmios" para poetas e escritores, sobram as picaretagens voltadas para ilustradores, cartunistas, designers e webdesigners.

Há ainda empresas que engordam no esquema ETA: exploradores do trabalho alheio! Se você já foi vítima de alguma, divulgue! Espalhe! Que é pra afundar de vez os barquinhos de papel destes malandros.

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

E leia a continuação desta postagem em Concurso para escritores, cuidado - parte 3.

Concurso para escritores: cuidado!


ALERTA aos escritores, ilustradores!

Cuidado com CONCURSOS e PRÊMIOS que cobram altas taxas para seus participantes. É comum chegarem essas propostas picaretas assim que seu contato for garimpado pelo mailing destas pessoas que se valem dos sonhos alheios para encherem os bolsos.

Como uma destas picaretonas falou em email recente (que já está sendo amplamente divulgado entre autores consagrados,

 sempre "vítimas" dos emails coloridas desta dona):

"não quero respeito, quero dinheiro pra encher a geladeira e colocar minhas filhas na escola".

Bem... é de minha opinião que quem não se respeita dificilmente demonstrará respeito ao trabalho autoral alheio. E de fato as ações desta pessoa são pautadas pela falta de ética profissional.

A novidade agora é ela se aproximar de entidades culturais de diferentes cidades, para vender seu material, disfarçado de homenagens legítimas, que claro... não custam menos do que algumas centenas de reais para o "homenageado".

Ora, é uma pena ver tantos autores, ainda que a caminho de seu reconhecimento, apelarem para os serviços duvidosos desta dona que tem mais lábia de vendedora do que talento próprio.

Picaretas como ela abundam no mercado, e a Internet facilitou o contato destas com suas vítimas. Há outras de formas de se promover, sem cair nas garras de narcisistas galopantes como esta senhora que no mesmo email definiu como "boçais" mais de 400 autores, estando em meio destes nossos queridíssimos Ziraldo, Ana Maria Machado, Rosana Rio, Sandra Pina, Anna Claudia Ramos, Sandra Ronca, Vitor Tavares, Mauricio Veneza...só para dar início a uma extensa lista de autores premiados (de forma legítima e recebendo ao invés de pagar), que a décadas batalham e promovem a difusão da literatura.

Mesmo ao escolher uma editora "on demand" onde se paga para publicar, deve-se ter algum critério. Algumas destas empresas são sérias, e até lhe fornecerão um bom serviço de copydesk. Mas há muitas que de olho apenas no dinheiro, jogam no lixo todo o respeito e atraem seus clientes inflando-lhes o ego com promessas de "edições internacionais" ou "prêmios sensacionais"!
Nada disso adianta se não há um trabalho editorial sério. O que outros poderão lhe oferecer, pagando ou não!

Imprimir mil livros, distribuir numa cerimônia aos amigos, pendurar medalhinhas e comandas nos ombros... qualquer um pode fazer! Para trabalho editorial sério... busque informação com quem sabe!

Acesse meu blog e não pague NADA para uma jornada macia pelo caminho das pedras do mercado editorial.

http://thaislinhares.blogspot.com/

Acesse o podcast/utube Sobre CONCURSOS PICARETAS! para ver até onde vai a cara de pau destes gaiatos e se prevenir dos golpes.

Veja as duas continuações desta postagem em Concurso para escritores: cuidado! - parte 2 e parte 3.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Autor, associe-se.


Associe-se!

Muitos são os que me perguntam sobre onde começa o caminho das pedras para se tornar um ilustrador ou escritor ativo no mercado editorial. 
Fazer parte de uma associação onde é possível trocar ideias com os colegas, adquirir experiência dos mais antigos e saber das novidades e oportunidades, é essencial. Por isso lhe convido a entrar para a AEILIJ – Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, que é a principal representante da classe autoral de LIJ. Sua atuação tem sido marcante tanto no tocante a políticas governamentais quanto na orientação profissional de todo e cada um que procura seu amparo. Todo trabalho produzido na AEILIJ foi através da doação voluntária do tempo e talento de seus associados, de norte a sul do Brasil, na certeza de que juntos fazemos verão. 
São inumeráveis os feitos e conquistas que conseguimos nos últimos anos. Como as participações perenes no Salão do Livro FNLIJ, na FLIPinha de Paraty, e outros tantos eventos por todo país. Projetos fantásticos como a AEILIJ Solidária, que gerou as visitas ao Solar Meninos da Luz, as Coleções da Fundação Dorina Nowill de livros em braille ilustrados com relevos e, talvez a mais importante: o acompanhamento dos desdobramentos da nova Lei dos Direitos Autorias brasileira. É com orgulho que participo desta associação, onde aprendo muito com meus pares. Pessoas a quem admiro, festejo e tenho imenso carinho. 
Associe-se. E festeje conosco a literatura brasileira clicando aqui.


segunda-feira, setembro 24, 2012

Direitos (de produção) do Autor




Direitos do Autor durante a produção, seja ele ilustrador ou escritor.

1-Contar com uma proposta de criação clara, adequada, seguida de contrato de direitos autorais com cláusulas justas;

2-Pedir um adiantamento;

3-Participação em utilizações futuras de sua arte, seja por novas edições, traduções, vendas casadas ou novas mídias, entre outros motivos;

4-Cronogramas viáveis com datas para recebimento e entrega de material;

5-Ter um horário de trabalho fixo – em horas comerciais – e que se paguem a mais as horas extras que se mostrem necessárias, além de taxa de urgência;

6-Receber alguma remuneração (caução) caso o projeto seja cancelado;

7-Receber os gastos com pesquisa e viagens;

8-Ter limite para alterações e refeituras;

9- Que as horas gastas em reuniões e brainstorms contem como horas de trabalho e sejam devidamente remuneradas;

10-Visitas, palestras e oficinas em escolas, universidades, clubes, instituições em geral sejam remuneradas, afinal são horas de trabalhos também;

11-Que seu nome apareça nos locais onde sua obra é utilizada, vendida ou exposta. Tais como: apostilas escolares, livrarias, sites, eventos educativos.

Esta lista não trata de direitos formais. É mais um guia para autores e seus promotores trabalharem suas parcerias de forma justa e produtiva.

Que venham os bons projetos.

(crédito da imagem: arte do livro "Vovó Dragão" escrito e ilustrado por Thais Linhares, que se prepara para uma reedição colorida, pela Editora Nova Fronteira).

sábado, março 24, 2012

O autor, seus direitos e o artigo do Tulio Viana na Revista Fórum


Existe uma visão muito limitada dos que são as relações contratuais no nosso meio, o editorial. Não há na LDA nenhuma imposição quanto à forma de remuneração do autor, quando da utilização comercial de suas obras. Assim, graças a uma nova consciência de seus direitos os escritores, ilustradores e editores estão experimentando novas formas de publicação e novos modelos contratuais. Leiam o artigo do Tulio Viana, uma dos principais críticos da ministra, cujo link coloco aqui. http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_materia.php?codMateria=8670 Ele critica o atual modelo da LDA ressaltando que os escritores não se beneficiam da mesma pois, quando muito, seus ganhos equivalem a 10% do preço de capa. O leitor fica com a impressão errada de que a culpa por esse baixo percentual é o formato da Lei, e que portanto ela não é útil a nós autores. E também ele não esclarece que não é o editor que fica com o restante dos 90%!!! Não informa que na realidade o editor fica com 20%, de onde ele ainda terá de descontar serviços de revisão, diagramação, pesquisa, registro e depósito, ISBN... mais os custos do ilustrador, fotógrafo, tradutor – quando existentes – pois esses trabalham na base de adiantamento de direitos autorais. Não informa, ou talvez não saiba (?), que o custo de impressão, distribuição e revenda é que come a maior parte do preço de capa de um livro no Brasil. Tornando-o mais caro do que países onde a população tem poder aquisitivo mais alto que o nosso. Não ressalta que as novas tecnologias, o e-book, venda de gravuras e produtos gráficos diretamente online, tem possibilitado novas divisões de lucros, já que reduz o custo de produção e distribuição da obra criativa. Não informa ou não sabe, que estamos conseguindo negociar melhores contratos, com prazos justos, ganhos razoáveis, utilizações onde incidem a devida remuneração, e que isso tem possibilitado melhor e maior produção. Portanto, ao contrário do que o artigo indica, a LDA atende aos interesses do autor. Aliada às novas possibilidades de acesso direto do público com os autores, encaramos uma época de verdadeira liberdade criativa e produtiva.

Um cidadão, alheio à rotina de um escritor, ou outro profissional qualquer ligado a produção de um livro, ou obra visual, continuará leigo quanto a isso, mas passará a repetir o discurso de que "tudo bem acabar coms os direitos autorais! Pois ele só serve aos interesses escusos de empresários que exploram os autores!"  

É exatamente o que sou obrigada a escutar quase que diariamente nos debates sobre o tema! A questão se torna ainda mais bizarra, quando eu, autora, informo prontamente que não é assim que acontece. Que milhares de autores estão a viver de seu trabalho autoral, usando a LDA, sem falar de outros tantos que na extensa rede produtiva da cultura, usufruem dos direitos conexos. Garanto, olhando nos olhos, de que tenho conseguido, aqui e ali, melhores contratos, e que a vinte anos sustento minha produção, minha família e um contínuo aperfeiçoamento de minha arte, graças a existência da LDA e da forma como ela atrela minha produção ao uso comercial da mesma. E ainda assim... não acreditam! Porque, afinal, tem gente importante, controladores de opinião, que garantem que sabem mais de nós autores do que nós mesmos!

URGENTE: apoie a lei que limita em 5 anos os contrato de cessão de direitos


Amigos, entrem no site da camara e falem diretamente com o autor do projeto que limita os contratos em 5 anos. Parece que pouca gente está compreendendo a importância imensa desta alteração. 

A prática da cessão integral trancou milhares de fotos, imagens, roteiros, personagens, obras, contos...nas gavetas de grandes jornais e editoras. Até hoje há toda uma categoria de publicação que impõe a cessão por prazo infinito.

Se esse projeto passa, estamos salvos da pressão econômica destes grupos. Lembro que a maior casa publicadora do país, a Record, é uma que OBRIGA o ilustrador a ceder integralmente suas artes, para grande prejuízo não só do mesmo, mas de TODOS, visto que é muito barato para a editora comprar a arte de um iniciante, e depois reutiliza-la repetidamente sem nem pagar ao autororiginal e nem precisar contratar um outro ilustrador para novo trabalho. 

Minhas artes para o Taro do N Naiff venderam mais de 100.000 exemplares. Custaram uma mixaria para a Record, "cuja verba para tal projeto era apertadíssima e blablabla". Façam a gentileza de compreender que não é justo que nem eu, nem niguém, seja eternamente punido pela própria estupidez em assinar um contrato de cessão integral e penar eternamente que minha próprias artes me façam concorrência em um mercado onde rola milhões...mas nem um centavo pra quem criou.

O projeto do deputado Luciano Castro é MUITO IMPORTANTE, vem de encontro a uma das maiores demandas dos autores que se vêem amarrados a esses contratos vergonhosos.

SOCORRO, imploro que os colegas ajudem nesta hora. Entrem em contato com o deputado, apoiem, sugiram aperfeiçoamentos, espalhem em suas redes, comentem, divulguem, demonstrem interesse político por algo que realmente vai ter um efeito positivo em nossa produção.

Comuniquei-me com ele já suas vezes, levando a ressalva de que a presença obrigatória de um advogado pode trazer mais problemas do que benefícios. Coisa do tipo das que podem acabar prejudicando a aprovação do projeto todo. 

É essencial que demonstremos INTERESSE e UNIÃO nesta hora.Ou, na boa. Não sei o que estive fazendo estes anos todos na AEILIJ.

O site é:

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409757-TRANSMISSAO-DE-DIREITOS-AUTORAIS-PODERA-SER-LIMITADA-A-CINCO-ANOS.html



terça-feira, maio 10, 2011

A IMPORTÂNCIA DE SABER QUANTO CUSTA PARA SE PRODUZIR EM ARTE



Sobre o levantamento de custos da produção de arte, é essencial pois, independente da polêmica que sempre se levanta quanto às tabelas, é preciso "educar" tanto os profissionais quanto os clientes sobre os valores realistas.

Uma amiga minha desabafou outro dia, ela está tendo um tempo difícil com um cliente que acha que "é facinho" fazer alterações sucessivas nas 25 camadas das inúmeras imagens criadas para ilustrar um livro-imagem. Ele não compreende o processo cumprido até a finalização dos traços, das cores, da composição equilibrada... e que a cada pequena alteração num ponto, é preciso modificar toda a imagem, e que isso leva horas e horas, que viram dias,  a cada "mexidinha".

Ela perguntou aos amigos porque o cliente acha normal pagar pelas imagens menos do que uma prostituta recebe por programa.

A resposta veio rápida e precisa: 

Porque as prostitutas são organizadas e TEM TABELA!


Já temos o Guia do Ilustrador e a ABIPRO, nossa associação de ilustradores profissionais. Com essa noção realista de custos, avançaremos mais um passo pra nossa maior profissionalização.


Mais uma a favor da pesquisa de valores:

No Facebook, um amigo leigo em assuntos de direitos autorais, veio com a velhíssima ladainha de que "a arte não tem preço" e que o artista não deveria se preocupar com coisas mundanas como dinheiro.

Bem... o artista precisa comer e pagar contas como todo mundo, logo, ele É MUNDANO. E vou colocar uma pedra sobre esse tipo de argumento surreal de uma vez por todas com o seguinte:

Nossa produção tem DOIS lados. 

Um é o artístico, pessoal e criativo. Deste, só nós podemos avaliar e cuidar. 
Isso é "divino".

O outro é o COMERCIAL. Que é vinculado ao mercado e ao USO que é feito de nossas criações. A partir do momento que alguém pega algo que foi gerado através de nosso trabalho e talento e passa a GANHAR com isso, é nosso DIREITO LEGAL participar deste ganho de alguma maneira. 
Isso é mundano.

Todas as ilustrações seguem esse esquema. Algumas são mais pessoais (seus personagens de tira de humor) , outras menos (um mordomo em um rótulo de papel higiênico). Mas, mesmo as mais pessoais,  em determinado momento podem ser exploradas pelo mercado, e então é seu DIREITO LEGAL participar deste lucro.

E chega desta gente achar bonitinho artista morrendo de fome "em nome da arte" enquanto o mundo roda e faz dinheiro usando nossos "dons divinos"!

PS. Comparem as biografias de Van Gogh com Salvador Dali.
PS2. Cuidado com a pretensas "Tabelas" que se proclamam a solução para a precificação do uso de suas artes. Não existe tabelamento de trabalho autoral. E cada trabalho novo será negociado de acordo com os parâmetros do mesmo. No máximo, pode-se montar uma tabela pessoal, com valores de referência, bem embasados em sua prática profissional e nas expectativas de seu mercado.

Boa sorte e juízo!

quarta-feira, março 16, 2011

Mais um CONTRA os autores



– Eu vivo disso, por quê? Algum problema?



Resposta ao blog do Bruno, que deprecia Ana Hollanda em:



Bruno, deixe-me colocar aqui a observação de uma autora que sustenta sua família unicamente com base nos meus ganhos com direitos autorais pelo uso da obras que eu crio.

Não há o menor sentido no que colocou. 
As novas tecnologias, finalmente, trouxe a oportunidade não só de nos divulgarmos e lucrar diretamente com nossa arte, como foi responsável pela criação de uma grande rede de contatos que usamos pra orientar autores de todo o país em como elaborar bons contratos. 
em minha área, as mudanças a favor do autor foram radicais, com reflexo imediatos na qualidade das relações com editores.
Sabe quanto o autor ganha na capa de um livro? 10%, e se não pudermos contar com a proteção da lei..? Será 0%.
Isso ocorre porque as livrarias ficam com 50% até 80% do valor! E sequer participam do risco. Quem mais arrisca é o editor, que investe capital e know-how, e se o livro não vende, engole o prejuízo.
Com a pirataria na rede, vi livro de amiga minha se downloadeado em mais de 5.000 exemplares, que é maior do que a tiragem usual de um livro. Resultado: o editor não quer mais re-editar! Pra que?
O problema não é com a Lei dos DAs, que não é a mais draconiana do mundo, e só não teve sucesso (no passado) em proteger melhor o autor porque vivíamos o isolamento típico do criador e a ignorância de nossos próprios direitos! Foi apenas nos últimos anos que começamos a criar jurisprudência em conseguir anulação de contratos leoninos. E se a uns 10 anos atrás um escritor ou ilustrador que peitasse um contrato leonino ficava "queimado no mercado", hoje, inverteu-se a situação. Agora o difícil é achar uma editora que não procure elaborar contratos justos e atraentes! Tudo graças a um trabalho exaustivo de conscientização e união dos próprios autores.
Três, agora grandes, associações só de autores, orientam gratuitamente os novatos, pra que iniciem seu relacionamento com o mercado. Isso já alterou até mesmo nossos critérios de qualidade, dando um verdadeiro empurrão em direção a uma produção de excelência na cultura!
Ainda quanto a questão dos 70 anos pros herdeiros... Entenda que outros patrimônios de natureza igualmente lucrativas... não caem em domínio público JAMAIS!!! Meus filhos, se tiverem sorte e souberem investir em reeditar minhas artes, poderão por 70 anos receber. Tenho cuidado bem de meus contratos pra garantir que eles tenham essa benesse, e não algum banco de imagens malandro. Depois, eles perdem esse direito que vira patrimônio da humanidade. Esse tipo de benefício ao público SÓ OCORRE COM OS DIREITOS AUTORAIS E PATENTES! E essa é a herança que deixarei, daquilo que eu fiz na solidão do meu ateliê, aos meus filhos. Em meu caso, que não sou famosa, apenas migalhas. Mas... se todo mundo quer ganhar com minha arte... porque não minha família? 
Cuidado ao jogar num mesmo saco, todos os tipos de arte. Cada campo há um processo diferente! Não tenho nada a ver com o ECAD, e acho absurdo que as leis privilegiem o monopolio pra um escritório de arrecadação. Vivo com medo que colegas meus, desavisados, apoiem a criação de mostruosidade similar que arrecada no uso de textos e imagens, como o AUTVIS está tentando fazer! Pra acabar com o ECAD, basta quebrar seu monopolio e só permitindo que administre as obras que ele contratar junto aos autores.
No mercado do livro, o vilão é o custo de colocação de venda... algo que vai mudar! Porque agora qualquer autor e editor pode vender via site! Temos tudo pra melhor isso aí. Imagine comprar um livro onde só se precise pagar os 10% do autor e os 20% do trabalho da editora? Todo livro cairia seu preço pra 1/3 do que é pago. Na verdade, cairia muito mais, porque ao invés de ter de recuperar o investimento em 3.000/5.000 exemplares, a gente estaria vendendo 10.000...50,000... e poderíamos amortizar o nosso custo autor em muitos, e muitos downloads!
Isso tudo irá por água abaixo se cortarem nossos direitos! E NÃO VAI BARATEAR O ACESSO, por que o custo maior desse NÃO Ë REFERENTE AOS NOSSOS MÏSEROS PORCENTOS! E sim ao custo de uso da tecnologia! Não se iluda! Nada que vem pela Internet é gratuito, paga-se em algum ponto da corrente. E rompeu-se o elo mais fraco e justo o de menor participação, OS AUTORES!


PS.

Sabe porque a pirataria é crime?

Por que é injusto que sicrano e beltrano ganhe com a obra do autor sem sequer lhe repasser os tostões que cobririam o custo de criação.

Não culpem os autores pelas insatisfações com aqueles que vieram lucrando com nosso trabalho. Mude-se o sistema para que os intermediários não prejudiquem nem público nem criador. Vocês estão indo no pescoço mais frágil, porque é mais fácil.

As majors lidam com lucro, com capital. Se não puderem mais ganhar dinheiro explorando a arte, simplesmente irão investir em outro lugar... na tecnologia de rede por exemplo, onde continuarão a ganhar com o conteúdo dos artistas... mas agora sem pagar nada!

Se quer combater o "inimigo" deve-se tentar pensar com a cabeça do inimigo... mas antes de tudo, saber indentificá-lo corretamente. 
Não somos nós os autores (em nosso direito autoral) a prejudicar ninguém!