Mostrando postagens com marcador dicas pra carreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas pra carreira. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, outubro 21, 2010

Profissão Ilustrador: começando bem.


(arte de Thais Linhares para livro novo da Bia Bedran - 2010)

Faz um tempinho recebi um simpático email pedindo um tantico de orientação, dicas profissionais. Ei-lo, a logo abaixo a sequência de respostas e resultado...

***

Bom dia Thais,
 
Acompanho seu blog e, entre outras coisas, curto muito suas ilustrações em aquarela, seu blog está na minha lista de favoritos. E também fico muito atenta às suas orientações e dicas sobre a carreira, contratos, etc. (...)
 
Então, como leio muito o que você posta e curto seus trabalhos posso me considerar sua fã, e, como toda fã "me permito" ser "intima" e, trocar e-mails contigo sobre carreira, pode ser? rsrsrsrs; Lá vou eu:
 
"Thais, o que eu estou fazendo de errado nos meus contatos infrutíferos com editoras de livros infantis?"
 
Acho que ilustro bem, fiz vários cursos na área de artes (cinema de animação, pintura em aquarela, pintura acrílica, Panamericana de artes, desenho de anatomia, etc, etc....), sou empreendedora mas, faz dois anos que mando portfólios impressos, mando resumos por e-mail e ninguém me contrata!
 
(...) atuei 20 anos na área - e desde 1998 ilustrei como freela materiais (cartilhas paradidáticas, cartazes, ....) (...), sempre na área de publicidade, mas o que quero mesmo, meu sonho é ilustrar livros infantis!!
 
Me ajuda? Saiba que vou seguir à risca suas orientações.
 
Obrigada, um abraço,
 Fã.



***


Aí respondi assim:


***


(...)





Adianto que o que me ajudou mais que tudo foi o contato "ao vivo" com as pessoas do mercado. Fez TODA a diferença! 

No começo eu conseguia isso marcando entrevista nas editoras (na epoca não tinha internet pra mostrar blog). Hoje isso rola bem melhor em eventos literarios.

Tem todo ano o Salão do Livro - considero o melhor lugar pra um ilustrador mostrar seu portfolio, deixar cartão e ganhar a confiança do editor. Ali também é o lugar pra fazer amizade com colegas e escritores, que podem ser futuros parceiros em projetos.

(...)

Mas acho que se fosse começar a ilustrar agora teria de seguir novos passos.

Percebi que é essencial:

Contato com as pessoas do meio - pra que elas lembrem de você enquanto artista, e confiem em você (afinal, você deixa de ser apenas um nome num papel ou site!)

Ter amostra de material, onde conseguir colocar, eu pipoco muito pela Internet, isso tb cria contatos!

Participar dos grupos de discussão de autores (tem a AEILIJ a ABIPRO, a ABCA...) pois neles você fica sabendo de oportunidades, dicas de carreira, parcerias...

Well... tente isso! Manda um retorno em agosto (que é quando volto), vamos nos falando! Bjs!

***

Algum tempo depois, uma mensagem muito legal chega:

***

Oi amiga-virtual e de alma, já que grafitamos por aí....
 
Escrevo porque tenho uma novidade deliciosa para te contar: fiz o que vc me ensinou e........deu certo!!
 
Conversei pessoalmente com três editores que estavam na Bienal do Livro em Sampa, dois que já me aguardavam por lá e um por sorte. O papo foi maravilhoso, muito gentis e receptivos. Com um deles fechei contrato nesta segunda-feira!!
 
Um contrato Thais!! Com direitos autorais resguardados (como vc orienta no seu blog). (...)
 
Os demais contatos deram frutos também, tenho mais um contrato sendo elaborado (mas este sem pagamento pelas ilustras, só DA 4% desde a primeira edição) (são pequenininhos......).
 
O terceiro contato é promessa para 2011, mas, agora estou mais confiante e tudo graças à você. Nem sei como agradecer, na verdade sei sim......quando vc virá à São Paulo? Temos que sair para comemorar e comer em Sampa....Quando vem?
 
Um grande, grande abraço feliz desta ilustradora iniciante e sua fã.

***

E fechando o caso de sucesso:

***

HEEEEE!!! Como é bom ouvir isso! Sinto que são novos tempos "de gente fina elegante e sincera". Meu otimismo não foi "em vão", rs!



Mas ante de me agradecer devemos erguer as mãos pros arautos dos contratos: Graça Lima, Montalvo Machado, Flavio Mota, Monica Fuchshuber, Silvana Marques... Quem são? Eles me ajudaram no passado e por isso pude passar adiante o que aprendi! E... também acender uma vela virtual a nova deusa de nosso tempo, uma Athenas re-encarnada: a Internet! Como teria sido nosso contato??? Em um evento, talvez, mas com toda a dificuldade de divulgação do passado, quando era caríssimo transmitir informação, fazer propaganda de um encontro... Seu retorno é super útil pra mim, obrigada, porque cada ilustrador que consegue se posicionar no mercado de uma forma legal, beneficia todo mundo! Portanto somos muitos a lhe agradecer também!

Beijos!! SUCESSO e ARTE pra ti!
Thais

***

Sei que alguns colegas exultarão e outros tecerão boas críticas. De qualquer forma, o panorama é de ganhos pros autores das imagens dos livros e autores em geral.

O ilustrador está entendendo melhor seu papel na cultura.

É através da imagem no livro, por exemplo, que um título ganha a oportunidade de ser editado no exterior.

Nos eventos, são as performances do ilustrador que mais encantam e acrescentam glamour à audiência! Os leitores ficam doidos quando vêem as idéias ganhando cor, altura, tecitura... em grandes painéis diante de seus olhos! Quando todos os editores se tocarem deste poder, mais ilustradores serão chamados às feiras.

A IMAGEM é uma mensagem que entra de forma imediata, para então ter início a sua decodificação dentro do pensamento do leitor (da imagem). Ao passo que o TEXTO é uma mensagem que primeiro precisa ser decodificada, para só depois entrar no pensamento. Isso não privilegia nem um nem o outro. Mas são formas diferentes de encantar, que aliadas, maximizam o prazer da fruição do leitor (de imagem e texto).


Arte e verdade, para todos, e uma boa quinta-feira de sol.


sábado, julho 10, 2010

Artigo 51 da LDA e Natureza do trabalho de ilustração

I - Sobre o artigo 51

Quando ele diz que "obras futuras só abrangerão 5 anos" ele se refere a um tipo de contrato que prende o criador ao empresário. 

Por exemplo: um escritor como Stephen King assina um contrato de exclusividade com seu editor. Tudo que ele escrever na forma de romance será prioridade para esse editor. A Lei impede que esse vínculo seja maior do que 5 anos. 

Foi explicado assim ao público no primeiro dia do Fórum de DAs, aqui no Rio.

A Lei Pelé dos esportes tem um mecanismo similar. Um clube não pode reter o passe de um jogador, contra a vontade dele, por mais de 5 anos. 




II -Quanto à natureza do trabalho autoral

Nosso trabalho, seja de escritores ou ilustradores (e todas as outras categorias autorais) é regida pela Lei de Direitos Autorais. É a ela que devemos sempre recorrer quando vendemos nosso peixe. 

Não há... deixe-me repetir mais enfaticamente... NÃO HÄ normas que digam que texto tenha de ser pago apenas na forma de contrato de risco (baseado em vendas) e que a ilustração tenha de ser um valor fixo, arbitrário e independente dos ganhos sucessivos. 

NÃO HÄ.

Quem vai decidir a melhor forma de ressarcir pelos seus esforços criativos será o autor junto ao investidor (editor, produtor, empreendedores em geral).

Para um editor é vantajoso vincular a remuneração do autor ao percentual de vendas. Ele já investiu um valor alto na impressão, editoração, divulgação. Isso reduz o risco dele, que é grande. Mas nem todos os autores podem abrir mão de um adiantamento.

Em meu caso específico, sem um adiantamento, eu não teria como cumprir os prazos apertados dos editores. Também aprendi que sempre que há um adiantamento envolvido, maior será o empenho do empresário em fazer as vendas e obter o retorno de seu investimento. Escolho sempre trabalhar com os editores que se comprometem com o livro, pelo menos tanto quanto me pedem para que me comprometa também. Afinal, um mês de trabalho meu, é o meu investimento na obra. 

Esse adiantamento, eu procuro manter dentro de um valor compatível com o que se espera de retorno numa primeira edição/ 5 anos de contrato. Na ponta do lápis... é por aí mesmo.

Entro no risco, no que se refira a novas edições, vendas de governo.

Acredito que existam muitos escritores que tenham pedido por condições similares. Em especial se o livro exige que ele pare com outras atividades, ou se o editor quer de alguma forma segurar aquele escritor específico. Isso é fácil de conseguir no caso de escritores famosos, mas aqueles ainda não tão famosos, poderia pedir uma parcela de adiantamento, quem sabe? Acho que no caso das grandes editoras, especialmente quando "requisitam" determinado tipo de obra a um autor especial, isso é mais que viável.

Exemplo:

A SM chega pro Maurício e pede que ele apresente textos envolvendo folclore amazônico. A SM sabe que haverá demanda deste tipo de obra no mercado, e já antevê aí um bom investimento.

Só que o Maurício tá ocupadíssimo com outras tarefas! Então a SM faz com Maurício um acordo, ela pagará o adiantamento referente a venda da primeira edição, em troca de sua dedicação exclusiva ao projeto.

Importante informar também, que da mesma forma que existe uma lei que regula nosso trabalho de ilustrador,  e autores em geral, existe outra que regulamenta a prestação de serviço.

Só que desta, nada podemos usufruir. Assim, quando um ilustradora assina um contrato, nos moldes, por exemplo, do contrato da Record, onde ele cede todos seus direitos autorais, ele não recebe absolutamente nenhum benefício legal da lei que rege os serviços.

Ainda assim, se você perguntar, a Record dirá que paga o ilustrador como "serviço". Porém, nesse caso seria um tipo diferente de contrato de trabalho, e tem de ser assim, porque a natureza do trabalho também é diferente.

Logo, quando um ilustrador se assume como prestador de serviços, ele abre mão do que realmente tem direito, sem nada receber em troca. O que salva o incauto, é que mesmo que ele diga em alto e bom som "sou prestador de serviços de ilustração"!!! a Lei continua a protegê-lo, e ele tem a sua disposição todos os mecanismos para, talvez, pedir a reformulação de um contrato de cessão integral, para termos mais justos.

O editor, por sua vez, fica amarrado pelos termos da Lei de Direitos Autorias. Pouco importa se ele tiver a nota de serviço. Ela servirá apenas como prova de que houve a remmuneração pelo uso da imagem. Mas ele ficará preso às determinações que a Lei dos Direitos Autorais dita, e não a lei trabalhista que rege a prestação de serviços.

A coisa mais importante para que pretende ganhar a vida como ilustrador, é dominar a LDA, e estudar bastante sobre o mercado, sobre contratos, sobre como funciona o negócio do editor.

O editor é na verdade o maior aliado do autor. Quanto melhor o afinamento dos interesses dos envolvidos, melhor evolui o livro - tanto como obra criativa, quanto como investimento.

Em tempo: cabe ao editor os direitos conexos sobre a obra. 

sábado, junho 26, 2010

Continue sempre assim (Ronney Bunn)

Mago, do meu Tharot.

Recebi esse email. Fiquei feliz, bom saber que se fez algo de bom neste mundão. Uma forma legítima de se retribuir todas essas coisas lindas que recebi e venho recebendo de colegas, conhecidos e desconhecidos.

"Olá Thais

Sou associado da AELIJ há um ano, e recentemente passei a acompanhar o grupo de debates no yahoo. Fiquei um pouco relutante quanto a lhe escrever, mas acabei decidindo que se fazia necessário lhe dar os parabéns pela postura de luta pelos nossos direitos. Nesse curto espaço de tempo na associação, percebi que às vezes, as pessoas perdem um pouco o foco da razão da própria existência da AEILIJ, e não fazem o uso mais adequado desta que poderia ser uma pedra no alicerce de dias melhores para todos os envolvidos na criação literária, particularmente na literatura infanto juvenil. Tenho que admitir que os anos, e as cacetadas pelo caminho, acabaram por me roubar esta sua postura de falar em nome de muitos, que muitas vezes se quer partilham deste sentimento, preocupados que estão somente com seu próprio universo. Não vou me alongar muito, mas recentemente consegui meu primeiro trabalho de ilustração após nove anos afastado do mercado. Estava morando no exterior, e já havia me esquecido de como é mágico colocar linhas e cores no papel, e nem pensava mais nisso. Entretanto, a crise imobiliária do mercado americano, "deu um empurrãozinho" para meu retorno ao Brasil e aos desenhos, e o fato é, que na hora de acertar a remuneração deste primeiro trabalho, foram as suas palavras que me ajudaram a pelo menos não ser muito castigado.
Sendo assim, estou enviando este email, que embora pequeno traduz a importância da sua atuação. Não como profissional, porque seu talento é inegável, mas sim como uma batalhadora, conclamando todos nós a refletir e agir para juntos melhorarmos.
Continue sempre assim
Fico por aqui, tudo de Bunn

Roney Bunn"

Mais tarde, na abertura da Confraria Reinações no Salão do Livro, conheci pessoalmente o Ronney. Um espírito batalhador ele também, com energia e talento de sobra! Sucesso e felicidade pra ti, Ronney! Super obrigada.

segunda-feira, maio 10, 2010

Thais Linhares Postal



Quando em palestras, eventos e cursos, distribuo postais como este. Marcadores de livro, cartões estilosos, também são uma boa para quem quer divulgar seu trabalho. O custo é baixo e o resultado é bonito.

sábado, abril 24, 2010

Eu no ILUSTRE - festival de ilustração do SESC PINHEIROS

De volta ao Rio, e trazendo boas lembranças (mesmo com essa chuva)! Meu fotógrafo favorito registrou a palestra. Fiquei feliz de ver a casa cheia, gente graúda na platéia e também muita gente criativa e cheia de energia pra entrar com o pé direito na profissão mais legal do mundo. O SESC de Pinheiros é um espetáculo à parte e se eu morasse em Sampa não sairia de lá!

O tema de minha palestra foi DIREITOS AUTORAIS DOS ILUSTRADORES. Foquei nos pontos chave, naquilo que é essencial para o ilustrador que precisa de bons contratos de trabalho para poder se situar na sua carreira de forma produtiva e segura.

Alou, fãs do Restart! O Vagner, dono da van que me levou e buscou no evento, é também o motorista da banda favorita de vocês. Haha, o que vocês não dariam pra sentar no banco onde os rapazes costumam tirar um cochilo. Ele me confirmou que o Restart é uma banda super alto astral, super batalhadora e bom carater. Continuem dando energia pros guris, que eles merecem.

Dividiram comigo a atenção no evento o Allan Szacher editor da revista Zupi e a grande Isabel Coelho, editora da Cosac Naify.
Em breve, as fotos...

quinta-feira, abril 01, 2010

VALOR versus PREÇO


O preço que cobramos por nosso trabalho é a primeira referência para o cliente do Valor do que produzimos.
Se cobramos pouco, mesmo que a qualidade seja boa, o cliente assimilará que a arte é de pouco Valor.

Por isso é importante cobrar um preço que revele o Valor real da arte.

Mas as consequências de não se cobrar direito são piores ainda.

Seguem os fatos:


Em determinado ano entrei para uma pequena equipe de uma antiga produtora carioca. Essa produtora tem mais de 20 anos de mercado, mas é a única produtora carioca que não está produzindo nada, e que tem prejuízos mensais num montante que fariam a festa pra qualquer um de nós aqui.

Enquanto estive por lá eu entendi o porquê disso.

Por motivos éticos, não cito nomes, nem avalio a atuação de quem seria responsável pelo negócio.

Mas me impressionou MUITO que tal empresa/empresário não soubesse cobrar. Na falta de total de clientes, mendigava até os piores valores dos dois únicos que apareceram. E por duas vezes colocou a equipe toda pra ralar em "contratos de risco" – e o pior disso, é que só avisava que não rolaria pagamento depois de tudo pronto!

A primeira consequência disto foi a revolta da equipe criativa. São meia dúzia de bons profissionais, que se deixaram empolgar por promessas de parcerias e crescimento dentro de uma área que amam. Por conta dessas promessas, abriram mão de salários reais, estabilidade, e trabalham na base da ajuda de custo - o que, como prometido mas não cumprido, seria por pouco tempo. Mas o tempo passava e a empresa não cumpria sua parte e começou a dispor da equipe como um tipo de mão-de-obra barata.

A segunda, e pior consequencia, é que esses dois únicos clientes que buscaram o lugar, o fizeram por saberem que ali se aceitaria o péssimo orçamento. Ou seja: a classe de clientes que precisa, ou quer, abrir mão da qualidade.

Isso gera uma péssima fama tanto para e empresa quanto para os profissionais envolvidos.

O perigo inerente em se cobrar barato é que o cliente automaticamente avaliará seu talento como "barato" também.

A culpa é do sobrinho - parte II

Em meio as manifestações dos colegas, mais considerações sobre o mercado:

Silvana, amigos e sobrinhos,


A ironia é essa mesmo: "culpa do sobrinho" é o jeito que algumas pessoas justificam a sua ineficiência em compreender o valor de seu trabalho como ilustrador.
É óbvio que nenhuma editora, cliente, ou produtora, poderá sobreviver no mercado hiper-competitivo (e agora globalizado) se não puder contar com arte exclusiva e de qualidade.

Parece que só os ilustradores não sacaram isso ainda.

Não se cobra uma arte pelo número de pixels, ou tinta usada, ou tamanho do papel. E sim pelo seu USO COMERCIAL.

Vender uma arte à 20 pilas revela uma total ignorância do mercado. É apenas amadorismo. Um jeito de começar a cobrar melhor e poder de fato viver de arte com dignidade e perspectiva de futuro é largar a preguiça de lado e começar a estudar sobre:

LICENCIAMENTO
DIREITOS AUTORAIS
MARCAS E PATENTES
PROPRIEDADE INDUSTRIAL
MERCADO DE ARTE
MERCADO EDITORIAL
PUBLICIDADE

Que bom que na Internet tem tudo, é só Googlar.

Cobrar 20 pilas é queimação de filme (de quem vende e de quem compra).
Um amigo meu (gosto de coração mas fala cada besteira) disse que se aproveita de ilustradores que pensando como "sobrinho", se deixam explorar por pouco. Ele usa o fato de que pensam que por serem novatos são obrigados a comer merda. Ele usou essa expressão mesmo: "fico ganhando às custas deles, e deixo eles comerem muita merda..."
Fiz uma cara feia pra ele, secretamente peguei o nome do coitad...quero dizer "ilustrador" que ele entrevistara, pra avisar o mané depois: Fabrício Alves, de Duque de Caxias.
Aí tentei explicar pra ele que ser novo ou velho na área não tem NADA A VER com valores cobrados.


O valor da ilustração é determinado pelo seu USO COMERCIAL.

Em miúdos:

Se a ilustração vai pintar o bolo da festinha da sobrinha, pode custar R$ 20,00... pode até custar um bônus-bolo.
Se a MESMA ilustração vai ser capa de CD de música, com tiragem de 3000, e outras subsequentes... R$1.000,00 é um bom começo.
Se essa banda for o Gays and Poses... R$ 10.000,00 é um bom começo...

O USO COMERCIAL, o RETORNO FINANCEIRO pelo USO da ARTE é que determina o valor. Isso porque o lucro que vem da produção artística é regido pela LEI DOS DIREITOS AUTORAIS. Um benefício de 200 anos, porque mesmo a 200 anos atrás, a turma se tocou que a coisa mais importante para o desenvolvimento de um país é a sua CRIATIVIDADE.

Por favor turma sobrinhesca, se empenhem em manter a chama da sabedoria acesa. Nivelar por baixo, na base do barateamento é ruim pra todos, até pra turma que pensa que está se dando bem, que são os maus empresários... o que me faz voltar a historinha de meu amigo querido que gosta de ver ilustrador novato comendo cocô...

Exatamente por ter esse tipo de postura...é que ele é tratado assim pelo CHEFE DELE!!! Um milionário que a mais de dez anos não lhe concede um aumento. O salário dele, sendo a pessoa mais importante da empresa (se ele pedir demissão o lugar FECHA por que só ele sabe fazer a josta funcionar), é menor que o de um NOVATO COMEDOR DE MERDA das empresas concorrentes.

Vê..? É um ciclo vicioso, que quanto mais rápido se pular fora dele, melhor pra todos.
Inseguro quanto ao dinheiro?

Melhore a qualidade do trabalho, junte-se a colegas pra pegarem trabalhos grandes, busque outros caminhos: cursos, camisetas próprias, licencie a arte mas não abra mão do uso dela pra outros clientes (como um banco de imagens pessoal)... Saber gerenciar suas artes é essencial. Ou acredite, corre o risco de ficar como alguns VETERANOS, de barba branca, e sem dinheiro pra plano de saúde, porque descobriram tarde demais que se não souberem cobrar o preço certo, não é com o TEMPO que as coisas vão melhorar.

Se eu bater na porta da Ediouro pra vender arte pra Coquetel, eles NÃO VÃO me pagar mais do que os 35 merréis só porque tenho quase uma centena de livros ilustrados, artes expostas na europa, currículo de fazer chorar de emoção as tias da arte... Eles só irão pagar bem quando acabar essa farra burra de cobrar esmola de uma editora que sabe muito bem o valor verdadeiro destas artes.

Já parou pra pensar no lucro que ela ganha com as revistas? E se pagassem bem aos artistas? Como isso iria afetar como o orçamento?

É fácil fazer esse cáculo:

Se a tiragem da Coquetel for 100.000 (na Ediouro eles costumavam cancelar qualquer publicação com tiragem menor que isso) pega teus R$ 35,00, ou R$20,00 e divide por 100.000. Aí você vai saber o que sua arte representa no preço de capa do título. Um cisco.

Mas, como pra cada um que diz "não sou mané" tem meia dúzia de sequelados que dizem "sim, monta nas minhas costas", a solução pra que isso melhore é que os "novatos" e "veteranos com crise de auto-estima" PAREM de cobrar tão pouco, que tentem abrir mão de uma vidinha miserável, mal pagando aluguel de kitinete, sem dinheiro nem pra birita... Que procurem se acostumar a uma vida digna, pagando bem as contas, viajando de vez em quando... Deve ser mesmo difícil ser feliz, já que tem tanta gente "pagando caro" pra sofrer...

Abram o olho e fechem a mão...
Recomendo a leitura o www.guiadoilustrador.com e dos blogs e sites da Silvana Larques, do Hiro, do Montalvo, do Mota...enfim... boa leitura, arte e fartura pra todos!

quarta-feira, março 31, 2010

Contrato de Ilustrador

ORÇAMENTO - CONTRATO DE LICENCIAMENTO
DE DIREITOS AUTORAIS PATRIMONIAIS

Rio de Janeiro, 00/0/201X
De: (Nome completo do ilustrador)
Para: XXX
A/C – XXX


Atendendo sua solicitação, apresentamos nossa proposta para ilustrações referentes ao livro XXX, texto de XXX, a ser editado pela editora XXX.

(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00
(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00
(descrição da imagem) ..........R$ 0.000,00

Valor Total R$ ..........0.000,00

Condições de pagamento: XXX

Entrega das ilustrações em (mídia e prazo).

______________________________________________


O Objeto do presente Contrato é a cessão de direitos de reprodução da(s) obra(s) descrita(s) acima, celebrado entre as partes:

A. ILUSTRADOR: (nome completo), RG 000, CPF 000, autor(a) da(s) ilustração(ões) descrita(s) no orçamento acima, aqui representado(a) pela (empresa/pessoa jurídica do ilustrador caso exista), CNPJ XXX, localizada à RXXX- CEP XXX - no município do Rio de Janeiro - RJ; e

B. CLIENTE: Empresa: XXX, CNPJ XXX, localizada à XXX - CEP XXX - no município de XXX, aqui representada por XXX, RG XXX, CPF XXX.

Normas Contratuais:

I. Introdução
1. A utilização da(s) ilustração(ões) será regida pelas seguintes normas:

II. Utilização
2. O presente licenciamento de direitos autorais é destinada a única e exclusiva reprodução da imagem (descrição detalhada do serviço, nome do(s) arquivo(s) FINAL(IS) e sua destinação) para o livro XXX, para o período de 5 anos, e do material de divulgação e propaganda exclusivamente destinados à venda desta mesma publicação.

3. A partir de 5.000 exemplares vendidos, a ilustradora terá o direito a receber 2% do valor facial da publicação.

3.1. O ILUSTRADOR tem direito a vinte exemplares da obra para uso pessoal (no formato/mídia de publicação, livre de carimbos/aviso de “cortesia”).

4. O presente contrato garante ao CLIENTE a exclusividade desta(s) obra(s) pelo período de 5 anos, terminados os quais a autora poderá comercializar a(s) imagem(ns) para qualquer outro interessado, celebrando novo contrato de cessão de direitos.

III. Reutilização

5. O ILUSTRADOR tem direito a cinco exemplares da obra para uso pessoal (no formato/mídia de publicação, livre de carimbos/aviso de “cortesia”, ou sinais similares alheios à concepção original da obra, que deverá estar em perfeito estado físico e qualidade gráfica idêntica aos exemplares destinados ao comércio) a cada republicação.

6. O ILUSTRADOR deverá ser consultado e informado sobre qualquer nova reutilização de sua obra, que deverá conter seu crédito em lugar visível junto com a imagem, salvo quando firmado acordo em contrário por ambas as partes. Um novo contrato deverá ser firmado entre as partes para definir as regras e remuneração referente a essa nova utilização.

IV. Prazo de Entrega
7. O prazo de entrega da(s) ilustração(ões) está definido no presente orçamento. O atraso na entrega por um prazo injustificável, por parte do ILUSTRADOR, sem prévio aviso, justificativa expressa, e sem o assentimento do CLIENTE, permitirá o cancelamento da ilustração(ões) por este último.

8. A alteração do prazo de entrega previsto acima, por motivos de responsabilidade direta ou indireta do CLIENTE, entendendo-se como tal, todo evento que não possa ser imputado ao ILUSTRADOR, tais como: atrasos, falhas, impedimentos no fornecimento de "briefings" ou referências, ainda que involuntários, por parte do CLIENTE, ou de terceiros por ele contratados, farão com que o ILUSTRADOR fique isento de responsabilidade no que se refere ao cumprimento do prazo estabelecido neste orçamento.

9. A antecipação do prazo de entrega, a pedido do CLIENTE, poderá gerar custos adicionais que serão acrescidos ao valor deste orçamento e previamente submetidos a ele, CLIENTE.

V. Cancelamento
10. Se o cancelamento, por parte do CLIENTE, ocorrer durante a produção dos rascunhos ou estudos preliminares da imagem a que este contrato se refere, se fará a quitação de 50% do valor aprovado entre as partes. Se ocorrer o cancelamento durante a produção final da(s) ilustração(ões) , o CLIENTE pagará ao ILUSTRADOR, o proporcional a 80% do valor estabelecido neste contrato.

11. No caso de cancelamento, por parte do CLIENTE, após a finalização da(s) ilustração(ões), esta(s) será(ão) entregues e o preço aqui pactuado será cobrado integralmente, mesmo que não venha(m) a ser utilizada(s), e/ou que o CLIENTE se recuse a recebê-las.

12. Em qualquer hipótese de cancelamento por parte do CLIENTE, o prazo estipulado para o pagamento não será alterado.

VI. Do refazer de ilustrações

13. O ILUSTRADOR somente refará a(s) ilustração(ões), sem ônus para o CLIENTE, quando estiverem fora do briefing que deram origem ao orçamento e ainda na sua fase inicial de layout.

VII. Responsabilidades

14. O ILUSTRADOR responderá pela boa execução da(s) ilustração(ões) contratada(s), sempre atendendo aos interesses do CLIENTE.

15. O ILUSTRADOR declara ser o autor único da obra da presente cessão, mas não será responsabilizado por quaisquer processos ou demandas pela utilização de referências cedidas pelo CLIENTE e/ou seus representantes.

VIII. Condições Gerais

16. Direito Autoral
Os Direitos Autorais Morais sobre a(s) ilustração(ões) pertencem ao ILUSTRADOR conforme, Lei Federal de Nº 9610 de 19 de Fevereiro de 1998, respeitados os Direitos Autorais Patrimoniais cedidos ou concedidos neste instrumento.

17. As partes se comprometem a assegurar a integridade da obra, opondo-se a qualquer tipo de alteração em seu formato, proporção e conteúdo. A obra não poderá ser publicada em partes, ou editada digitalmente de forma a se tornar diferente da sua concepção original. Toda e qualquer alteração será submetida ao autor da obra, aqui referido como ILUSTRADOR, que terá o direito de cobrar pelas modificações, caso não tenham sido descritas em detalhe no momento da contratação.

18. Cada ilustração deverá ter seu uso especificado neste instrumento, pois quaisquer outras utilizações ficarão condicionadas à autorização do ILUSTRADOR, que apresentará novo orçamento correspondente.

19. No caso de haver arte física original, esta deverá ser retornada ao autor, nas mesmas condições em que foram entregues ao CLIENTE, logo após a utilização a que se refere o presente contrato.

20. No caso do CLIENTE encomendar, pagar e, por qualquer motivo, não utilizar a(s) ilustração(ões), até metade do período de veiculação solicitado, o prazo autorizado passa a ser contado a partir da data de aprovação deste orçamento. Durante este período, a(s) ilustração(ões) ficará(ão) interditada(s) para qualquer uso. Ao término do prazo ela(s) estará(ão) liberada(s), conforme a prática para as ilustrações que cumpriram sua utilização.

21. Elegem as partes o foro da Capital do Rio de Janeiro, como competente para dirimir quaisquer dúvidas e controvérsias que possam surgir em decorrência do presente contrato, excluindo-se qualquer outro, por mais privilegiado que seja ou se torne.


De acordo, Rio de Janeiro, XX de XXX de 200X.


____________________________
(nome completo) - ILUSTRADOR


____________________________
CLIENTE

A culpa é do sobrinho!

Eldes de Paula – o Diretor de Comunicação da ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais), levantou esta semana a questão: Quais as maiores dificuldades enfrentadas por um ilustrador atualmente?

A conclusão bem humorada que chegou-se (ainda num primeiro retorno dos associados) é que nossa maior problema é um tal de "sobrinho".
É tudo culpa do infeliz do sobrinho!
O sobrinho do dono da empresa que faz concorrência desleal com profissionais preparados. O sobrinho que brincando no Coréu, faz logos toscos plagiados de outros logos mais toscos ainda. O sobrinho, que sem noção de custos de mercado, plano de carrreira, direitos autorais ou propriedade industrial, cobra dos chopps pra cobrir as "necessidades" gráficas e visuais do "pequeníssimo" empresário. Mau empresário é pouca bobagem... o problema é o tal do sobrinho.

Envoltos por esta singela imagem, de um sobrinho sendo linchado por irados ilustradores e designers de responsa, veio uma mensagem muito bem colocada enviada pelo designer Leonardo Correa, que me permitiu reproduzir aqui:

Repassando a msg do Leonardo Correa da lista da ABIPRO:

Olás!

Sou ilustrador profissional, trabalho em uma empresa do ramo de EaD, mas sou
formado em design gráfico.

Trago para essa discussão alguns pontos que costumamos discutir nos meios do
design gráfico. Nos eventos e encontros de design que participo, vejo muitos
estudantes e profissionais com uma reclamação semelhante à que foi colocada
aqui: *'o sobrinho do dono da empresa, que sabe mexer muito bem no corel, e
faz o meu trabalho cobrando 50 pila'.* Todos reclamam da falta de
valorização, etc etc.

Eu, sinceramente, não considero o 'sobrinho fuçador de Corel' como meu
concorrente. SE o trabalho dele for tão bom quanto o meu, e ele cobra 50
pila, uma hora ele vai morrer de fome. Agora, SE o trabalho dele é ruim, e
MESMO ASSIM ele concorre comigo, eu preciso reavaliar o *meu trabalho*.

- Estou realmente fazendo um trabalho bom?
- Se o meu trabalho é realmente melhor do que o de 50 pila, e o empresário
não enxerga a qualidade, será que eu não posso mandar o empresário pastar e
procurar outros clientes?
- Se o trabalho de 50 pila do guri é tão bom quanto o meu (aos olhos do
empresário/mercado), quanto vale o meu profissionalismo? Como eu faço pra
demonstrar esse valor?

Tem um livro do autor Chico Homem de Melo, chamado Signofobia, que contém um
artigo entitulado *"O que é bom para Nike é bom para a sapataria?"*. Neste
artigo, o autor questiona a necessidade da "super identidade visual de 50
mil reais" para uma pequena sapataria caseira. A sapataria nunca vai ter
condições de bancar 50 mil por um projeto de marca completo, mas mesmo
assim, será que ela teria necessidade? Mesmo assim, ela teria alguma
necessidade de marca, que seria produzida de acordo com a seu impacto no
mercado (provavelmente só uma placa na porta). Só por isso, ela não pode ser
feita por um designer, sendo atendida com profissionalismo e seriedade?

Quando estamos falando de material visual, todos tem palpite a respeito,
porque confundem *gosto *com *opinião*. Todos se sentem no direito de opinar
e valorizar ou desvalorizar de acordo com suas impressões. Infelizmente, nem
todos têm noção do processo de produção de uma ilustração, porque
normalmente não tem contato com este processo. As pessoas em geral só tem
contato com o *produto final* do processo de ilustrar, que é a peça de
ilustração. Pois muitas vezes, o que custa caro no processo de ilustrar não
é a confecção do produto final, mas as etapas de planejamento, concepção,
etc, que ficam embaixo do pano, e portanto, são ignoradas pelo cliente.

Resta a nós, profissionais da ilustração, aprender a lidar com essa relação,
valorizando nossa qualidade como profissionais, além da nossa qualidade como
ilustradores. Bom atendimento, honestidade, lealdade, preço justo, são
caminhos que devemos trilhar para alcançar essa qualidade.

Fora isso, se o cliente é ignorante e não é capaz de enxergar um palmo além
do nariz, então acho que precisamos, como qualquer profissional do mercado,
definir um campo de atuação e selecionar nossos clientes.

Abraços!

--

Leonardo Correa
leocorrea.leonardo@gmail.com
Florianópolis/SC


Essa foi a boa mensagem do Leonardo Correa. Coincidência feliz, o Zé Roberto "Grauna" bloggou sobre o mesmo assunto:

"Prezados colegas.
Escrevi, sem maiores pretensões, um pequeno texto sobre o fato de uma editora carioca pagar valores ridículos por uma caricatura, assunto que foi debatido num encontro ocorrido entre cartunistas há uns dois meses. O texto intitulado “Uma gorjeta por uma caricatura”, está no meu blog

http://zerobertograuna.blogspot.com/

Gostaria que todos dessem uma olhada e deixassem lá suas opiniões sobre o assunto.
Grande abraço a todos!
Zé Roberto Graúna"

terça-feira, março 30, 2010

Você quer ser roteirista?

O MinC já lançou dois editais de peso esse ano visando a formação de roteiristas para cinema. Ano passado foi a vez da Secretaria Estadual de Cultura do RJ. Sim, o mercado está absorvendo roteiristas. Por isso colega que manda bem nas letras, que tem afinidade com a linguagem do audio-visual... essa é sua chance de iniciar-se numa nova senda de estudos.
Final de abril começa no POP (Jardim Botânico/RJ) o Curso de Roteiro Avançado para Cinema e TV. Estarei lá.

domingo, março 21, 2010

Work For Hire – cuidados a serem tomados

Reclamam os empregadores da falta do estabelecimento do Work for Hire no Brasil. No Copyright Anlgo-saxão, o empregado de uma firma passa os direitos autorais (na íntegra) ao empregador. Não significa que perde os créditos, mas não tem mais o lucro nem o controle do uso de sua criação. Mas existe toda um contrapartida que regula rigidamente essa "farra". O trabalho não pode ser simplesmente comissionado, devem existir vínculos empregatícios com todos os benefícios previstos por lei. Enfim... Work for Hire não é pra qualquer um! O empregador tem uma série de custos e obrigações. A turma aqui que faz pressão pelo WFH está pensando que é festa! E tá doidinho pra explorar (mais ainda) os autores brasileiros.

Outro dia, na firma em que "colaborava", ouvi do empregadores o seguinte absurdo:

– Sua criação XXX é propriedade da empresa, por que foi "pedida" pela gente..!

Obviamente o rapaz, responsável por praticamente tudo de mais inspirado que a empresa produziu nos últimos 3 anos (ele roteiriza, faz todos os storyboards, desenvolve personagens... do zero!) abriu um olhão ao ver a empresa onde trabalha na base do sacrifício se apropriar de sua mais recente e querida criação (depois de 3 anos, responsável por 90% das criações da casa... ele ainda recebe como estagiário, em regime de cooperativa – diga-se de passagem, configurada de forma ilegal).

Ocorre que:

1) Work for Hire não existe no Brasil;
2) Se existísse, esta empresa estaria longe de cumprir o requisitos pra utiliza-lo com seu "empregado".

Acrescenta-se aí a forma como a criação XXX foi desenvolvida. O "empregador" entrou na sala é disse: crie algo com um tema da moda.

Pronto, acabou aí a participação do mesmo. Ah, claro, vamos ser justos, ele "investe" R$ 600,00 por mês no "empregado".
Ai... meu pescoço! Isso mesmo que ouviram... R$ 600,00 por mês no rapaz que produz 90% de toda criação da produtora que se gaba de mais de 20 anos de mercado, prêmios (já faz um bom tempo, mas...), Enfim, uma história que teria de render mais do que isso.

A partir daí o rapaz (excelente profissional, e em busca de um empregador que seja capaz de reconhecer seu talento) criou todo o universo da história, personagens, sinopses, storyboards, etc.

E ficou ótimo!

Queridos empregadores. Sejam capitalistas mas sejam capitalistas de verdade: que promovem os autores e crescem todos juntos! Nada de explorar a turma da idéias (que valem ouro)!!!

Bem a primeira consequência da ignorância desta empresa foi que o rapaz fechou seu caderninho de idéias pra ela... Vai usar em outro lugar, talvez na concorrência.

Importante lembrar que TODA equipe criativa da produtora é cooperativada, o que distancia ainda mais qualquer tipo de vínculo "work for hire". Não entendo como uma empresa que vive de criação não tenha conhecimento sobre direitos autorais, relações de trabalho, etc.

E entendo menos ainda uma visão tão pequena sobre como se trabalhar com os criadores. Num negócio onde todos irão ganhar bem, se bem tratados, não há o menor sentido em se desestimular a parceria com os criadores, pagando-lhes mal, obrigando-os a contratos injustos, sugando-lhes cada centavo... Perde-se os melhores para a concorrência, para a livre iniciativa.

Hoje em dia, mais que nunca, o que conta é a originalidade e criatividade. O maquinário ficou barato, o acesso ao público é livre. Pouco importa se a produtora tem um andar inteiro no Centro ou um canto na garagem da casa da tia Jurema. O cliente irá ver o resultado... e mais, o resultado das vendas.

Para conhecer o procedimento do Work For Hire nos EUA acesse:
http://www.copyright.gov/circs/circ09.pdf

Repare que no caso do rapaz acima, configura-se ainda mais uma irregularidade: como cooperativado excluem-se os vínculos empregatícios. Sem vínculos empregatícios, não caracterizaria-se o Work for Hire, mesmo que estivéssemos na terra do Mickey Mouse. Se a regularidade, a permanência (mais de 3 anos exercendo a mesma função de atividade-fim da empresa, em horários regulares, com auxílio transporte) pode considerar-se vínculo empregatício, então haveria-se de se regularizar a situação, com assinatura de carteira de trabalho e demais benefícios.

O Vestido, da ZIT!

A Zit está de roupa nova! O Vestido está encantando os olhos e corações dos leitores. O Acabamento gráfico é fantástico... e não poderia deixar de ser, pra fazer juz à história do Celso Sisto. Quando li o texto, senti os olhos marejarem. Ainda mais agora que sinto dentro de mim... o mesmo vazio da falta que tentamos – escritores e ilustradores – preencher com arte, palavras e cores.



A Zit é uma editora que prima não só pela qualidade como pela boa relação contratual. Seu contrato respeita os direitos autorais dos ilustradores. Os coordenadores do Fórum Nacional de Direitos autorais e turma do juri do PNBE deveria dar uma boa olhada nele. Aqui não posso deixar de alimentar um pouquinho de orgulho pessoal: o contrato foi redigido tendo o meu como modelo. Afe, que enchi o peito de ar quentinho!

Boas leituras e bons contratos para todos!

Direitos ilustração para Web, capas, flyers - na Música

Outra dúvida interessante, sobre Direitos Autorais do Ilustrador que chegou. Chamei a remetente de Produtora Consciente pra proteger sua privacidade e também homenagear seu cuidado profissional. Veja que ela age de forma super profissional, ao tomar cuidado com a forma como negocia as artes.


"Thaís,
Pude ler em seu blog um texto falando um pouco sobre os direitos autorais dos ilustradores.
Peço licença para entrar em contato com você , mas pude perceber que você entende bem do assunto, e estou com algumas dúvidas que preciso tirá-las para que eu não cometa nenhuma injustiça.
Pois bem, estou auxiliando na produção de um cantor, e fiquei de verificar a parte de direitos autorais das ilustrações que serão utilizadas tanto no site, cd e na revista com as cifras.
Queria saber o que devo fazer, estou totalmente perdida. Faço um contrato com o autor das ilustrações?? pago pela concessão das ilustrações??vou poder veicular essas ilustrações ??? os créditos sim serão sempre dados a ele... mas não quero cometer gafes com o autor. Por favor se puder me ajudar seria muito grata,ainda sou estudante de Produção Cultural e muitas coisas não se aprende, só por pesquisas achei muito complexo, e não coomprendi direito a atitude que devo tomar.
Enfim aguardo uma resposta.
E peço desculpas pela intromissão...

Agradeço muito.
Att, "Produtora Consciente"


Oi, Produtora Consciente,


O blog é pra ajudar mesmo. fique à vontade! Os cursos carecem de falar sobre contratos. É absurdo, mas acho que é apenas consequência de uma mercado que só agora começa a se firmar em bases mais profissionais (e $$$).


Pra começar...

Você está certa. Precisa de um contrato. Quanto a isso não é um bicho de sete cabeças. O contrato deve ser claro: especificar onde as ilustrações serão utilizadas (ex. no site, cd e na revista com as cifras), por quanto tempo (ex. 5 anos), em que região (ex. Brasil)

Talvez o músico prefira um prazo maior ou ilimitado, isso pode ser conseguido pagando um valor maior ao ilustrador, ou talvez pedindo exclusividade por um periodo de 5 anos, e depois deste tempo, as imagens podem ser re-licenciadas pelo ilustrador em caráter não exclusivo, mas ainda podem ser usadas pelo músico sem novos pagamentos.

Percebe que tudo é negociável? Trata-se de equilibrar o uso com o preço. Sempre é possível um acordo vantajoso pra ambos.

Os créditos do ilustrador devem sempre figurar, certíssimo também o que disse. A exceção é se o ilustrador pedir pra não aparecer, e nesse caso não esqueça de colocar isso por escrito no contrato também, porque a falta de crédito é considerada crime de direito autoral moral.

E qual a diferença de Direito Autoral moral e Direito Autoral Patrimonial?
A justiça brasileira entendeu que existe dois momentos da obra artística.

O Direito Autoral Moral diz respeito a autoria. Não creditar, modificar ou usar sem permissão a arte de alguém é ferir seu direito moral. Um autor não pode, nem se quiser, abrir mão de seu direito moral, em outras palavras: ele não pode vender, ou negar a autoria da obra. No máximo, pedir pra omitir o crédito. Mas pra efeitos legais, mesmo que ele jamais registre a obra, ela é filha dele.




O Direito Autoral Patrimonial é o uso econômico da obra (do qual o autor depende para se sustentar). O Estado procura dar garantias para que o autor possa viver com dignidade, participando dos lucros que empresários fazem de suas artes. Mas nas brechas da lei, inúmeros são os casos de abusos com autores de todas as áreas.

Aqui o autor pode negociar o Direito Autoral Patrimonial de sua obra de qualquer forma que queira: em troca de dinheiro, de percentual sobre vendas ou uma mistura dos dois anteriores. Na realidade todo acordo pode ser fechado. Uma vez combinei com um grupo de teatro (excelente, por sinal) o uso de uma imagem que criei no cartaz da peça por promoção publicitária pra minha editora ( http://www.ygarape-books.com ) , tudo colocado em contrato. Foi super legal!

O contrato surge exatamente aí, nele colocamos o prazo, o tipo de uso (ou mídia, ou suporte) , o idioma, a região... onde serão utilizados.


Curiosidades sobre Direito Autoral:

Há um erro típico na Internet que é de pessoas que acham que está tudo bem usar a arte de outro desde que seja de forma gratuita. Não pode. Precisa sempre ter a permissão do criador da arte. Imagine, por exemplo, que um vizinho pegue seu carro sem permissão. Apenas pra passear. Pode?

Por outro lado, a Lei brasileira já é feita de forma que o autor pode simplesmente liberar sua arte pra domínio publico a qualquer momento. O Creative Commons sempre foi tácito na nossa lei.

Outra dúvida é se há necessidade de registrar o obra pra garantir autoria. Pela Lei brasileira não. O que é ótimo já que custa dinheiro registrar. Imagine um compositor sem recursos tendo de registrar cada obra sua à R$20,00 (mais do que ele ganha por dia de trabalho...) O registro, porém, é uma garantia se amanhã ou depois aparecer algum engraçadinho tentando roubar o crédito de alguma obra inédita sua, ou, no caso de alguns livros meus: se eu escrevo uma obra mas decido guardá-la na gaveta pra algum dia publicar, prefiro tirar logo um registro. Assim , se no futuro alguém publicar com uma idéia parecida, posso provar que não copiei dele!

Isso aconteceu com duas cantoras famosas recentemente. A Beoncé lançou a música Halo, e pouco depois a outra (esqueci o nome) lançou a sua, hiper parecida (as duas tiveram o mesmo produtor musical). Só que a música da Beoncé, apesar de ter sido colocada nas rádios antes, fora produzida depois da canção da colega. No caso, entendido isso, não rolou mal-estar entre elas.

Por fim, sua área é super legal! Desejo-lhe sucesso como produtora, não esqueça depois de mandar links de seu trabalho e clientes.
Beijos, Thais Linhares.

segunda-feira, março 01, 2010

Não aceite propostas de risco!

Fazia tempo, pensava que este tipo de absurdo estava quase sumindo... Afinal, num mercado em expansão como o nosso, o dinheiro começa a entrar e cada vez o mais o profissional de arte se vê disputado pelo seu talento e não mais pela miséria.

Mas não é que ele voltou? Que susto levei ao me ver diante da seguinte proposta:

Elaborar graficamente projeto pra campanha de nível nacional.

Pagamento: nenhum.

Cooomo assim? É , nenhum, a não ser é claro se for tudo aprovado. Aí, quem sabe, talvez, caia uma moedinha pra fora do pote...
Pára o carro que vou pular!!! Isso ainda existe? Esqueceram de avisar que ilustrador também come, paga conta e leva filho pra passear? E isto proposto por AGÊNCIA de publicidade.

Disse que não faria.

Mas deixa eu completar com informações adicionais:

Cabe sempre ao empresário, ao proponente, o ônus do negócio. Não se joga esse ônus no artista (redator, ilustrador, animador), ainda mais sem a feitura, muito clara e equilibrada de um contrato de trabalho, onde fica previsto os ganhos e investimentos de cada parte.

Nunca aceite esse tipo de proposta, porque é queimação de filme pura. Passa o recado de que você não consegue cliente que paga, ou que você não tem estopa suficiente pra arcar com trabalhos importantes. E, detalhe, pega mal pra quem aceita e mais mal ainda pra quem propõe. Mostra que o proponente, por não levar fé na idéia, resolve não investir antecipadamente e joga o ônus pra quem for bobo de aceitar fazer.

Além disso, por não tem posto verba própria no projeto, ele não terá o mesmo empenho em negociá-lo do que se tivesse, por exemplo, vendido um carro pra poder pagar os ilustradores pra dar corpo a sua "linda visão de negócios".


Ao longo de minha ainda curta carreira (20 e poucos anos...) NUNCA vi uma proposta como essa reverter em vantagem para o ilustrador. E sempre tive o cuidado de pedir, pelo menos, um valor base para caso o projeto não vingasse, que cobrisse minha parte, e depois, aí sim, um extra contratual para se rolasse a proposta como planejado. Não por acaso, esse projetos eram os que vingavam.

Ah, lembrei de um que fiz "no risco" mas foi pra parente, assim não conta... e por sinal... melou! Me dei mal...

Olho aberto, e bons negócios.